terça-feira, 20 de dezembro de 2011

O “Pior Homem do Mundo” Conta a Espantosa História de Sua Vida

Aleister Crowley

Artista, Poeta, Alpinista e Magista

The London Sunday Dispatch, 18 de Junho de 1933

Se há um assunto que eu deteste é Aleister Crowley. Por outro lado, não há nenhum mistério nisso. Então, se alguém estiver interessado, aqui segue!
Eu tenho sido atingido com longas flechas. Eles têm me chamado de o “pior homem do mundo”. Eles têm me acusado de fazer de tudo, desde assassinar mulheres e atirar seus corpos no rio Sena, até traficar drogas.
Alguns jornalistas famosos tem se deleitado em me atacar na imprensa. James Douglas me descreveu como “um monstro de perversidade”. Horatio Bottomley me condena como um canibal “sujo e degenerado” — tudo que ele pudesse pensar.

 

Assassinando Meu Secretário

Alguns foram mais precisos.
Em um livro que eu peguei recentemente o autor contou uma fábula de como eu assassinava gatos com terríveis rituais na Sicília.
Alguns jornais irresponsáveis me acusaram de ter assassinado meu secretário!
O valor de todo este absurdo é de certa forma descontado pelo fato de que estou de volta à Inglaterra depois de vagar pela maior parte do mundo, e sigo meu caminho sem interferências.
Nenhuma acusação judicial de qualquer tipo jamais foi feita contra mim.
A lenda diz que o meu dossiê na Scotland Yard ocupa uma sala inteira. Há uma estória de que o Senhor Byng, quando assumiu o comando, viu uma ala do edifício especialmente grande e protegida de maneira bastante incomum.

“O que é isso?”

“Os arquivos sobre Aleister Crowley”.

“Meu Deus do céu!”

“É claro, ainda não guardamos as coisas do último mês. Está um pouquinho congestionado”.

“Veja, isso tem que parar! Não podemos erguer novos edifícios a cada poucas semanas. Feche o registro!”

Ninguém para pra prestar atenção em mim na rua. Minha aparência é, suponho eu, a de um simples senhorio na cidade para um fim de semana.

Toda a minha notoriedade decorre do fato de que eu sou um magista.

EU SOU O MESTRE THERION.

Praticamente toda a minha vida foi gasta no estudo da magia.

 

Discussão Tola sobre Missa Negra

Pessoas tolas dizem que eu sou um Mago Negro, que eu tenho o hábito de celebrar a Missa Negra e o Sabá das Bruxas, que eu como bebês recém-nascidos e exploro o céu montado em um cabo de vassoura.
Eles dizem que Satanás é meu mestre e que eu sou seu fiel agente.
Mas eu sou um mago branco, não um negro. Eu pertenço a uma ordem secreta que tem representantes em todo o mundo; estamos todos trabalhando para o bem da humanidade, não para a sua queda.
Deixe-me acrescentar que para um magista é impossível ser um homem de mau caráter. Ele não se importa com convenções, mas ele precisa das mais austeras virtudes. Seus poderes são limitados por ele próprio.
O homem que, tendo praticado ritos estranhos, torna-se um bêbado ou um drogado, evidentemente é um fracasso como magista. Ele perdeu o controle.
Isso me leva a o que é a magia. O homem comum é inclinado a rir da palavra. Ele diz que é um fantasma das mentes mórbidas e ignorantes das Idades Antiga e Média.
Embora seja supersticioso o suficiente para acreditar em sinais e presságios, em astrólogos e quiromantes, que afirmam ler o destino nas estrelas e nas mãos.
Se pudesse ser mostrada a um inglês de uma ou duas gerações atrás uma pequena caixa preta e fosse dito que, se ele virasse um botão, o Presidente dos Estados Unidos falaria com ele, ele teria rido da ideia.

 

Magia Hoje – Ciência Amanhã

Se alguém pudesse tê-lo convencido de que a voz realmente era a do Presidente, esse inglês teria sido forçado à conclusão de que a caixa preta era mágica.
E no entanto, sabemos agora que a façanha é bem possível, e que a caixa é apenas um tipo de magia agora revelada ao profano como o “rádio”.
O que é magia hoje será ciência amanhã. Os hinduístas “adoram ídolos”. Sim? Mas o que exatamente eles querem dizer com isso? Como eu mesmo observei: eles obtém resultados muito interessantes de sua “adoração”.
Nós, do ocidente esclarecido, dizemos que a sua adoração é superstição ignorante e os resultados coincidências. Mas nós não estamos na posição do nosso mítico inglês ouvindo o barulho da caixa preta?

 

Suástica Sobre Meu Coração

Em meu livro, Teoria e Prática da Magick, será encontrada a definição da palavra magia, ou magick, como prefiro escrevê-la, para distinguir o verdadeiro do falso.
É “a ciência e a arte de fazer com que mudanças ocorram de acordo com a vontade”.
Nós magistas somos homens da ciência que, pela prática de nossa arte, nos mantemos logo à frente do entendimento popular. O resultado é que somos mal compreendidos e injuriados por toda nossa vida.
Depois de estamos mortos — às vezes séculos depois — o mundo se atualiza, e descobre que éramos benfeitores e não vilões.
Estou escrevendo estes artigos como uma explicação da magia. Infelizmente, meu nome é universalmente identificado com o assunto, então eu temo que devo me arrastar para o palco. Deixe-me condensar a minha história pessoal em alguns parágrafos.
Eu nasci em Leamington, Warwickshire, em 12 de outubro de 1875, filho de Edward Crowley, que era um colega de John Nelson Darby, o fundador dos Irmãos de Plymouth.
Ao nascer, eu tinha três dos sinais distintivos de um Buda. Eu tinha a língua presa, eu tinha uma membrana característica que necessitava de uma operação, e sobre o centro do meu coração eu tinha quatro pelos enrolados da esquerda para a direita sob a forma exata de uma suástica.
Antes que Hitler existisse, eu existo.
Na escola eu era apaixonado pela poesia e pela química. Eu tinha um instinto para o xadrez; a experiência provou rapidamente a minha capacidade. Eu nunca perdi para ninguém até que — em Cambridge — eu conheci H. E. Atkins, campeão amador da Grã-Bretanha por sete anos consecutivos.
Foi em Cambridge que eu percebi a futilidade das ambições mundanas. Eu queria ser um poeta e alcançar o maior sucesso possível no serviço diplomático, para o qual o falecido Lorde Salisbury me preparava.

 

Comunidade Secreta de Santos

De repente, todas as ambições comuns da vida pareciam vazias e sem valor. O tempo esfarela tudo; devo encontrar material resistente para a construção. Procurei desesperadamente por ajuda, por luz. Eu invadi cada biblioteca e livraria da Universidade.
Um livro me contou de uma comunidade secreta de santos na posse de toda a graça espiritual, das chaves do tesouro da Natureza. Os membros desta igreja viveram a sua vida secreta de santuário no mundo, irradiando luz e amor a todos aqueles que estiveram em seu escopo.
A sublimidade da ideia me encantou; ela satisfez minha paixão pelo romance e pela poesia. Eu determinei com todo o meu coração que me tornaria digno de chamar a atenção dessa misteriosa irmandade.
Então um dos primeiros princípios da magia foi revelado a mim.
Basta querer com toda a sua vontade aquilo que se quer. Você que lê isto — o que quer que você queira, você pode fazer. É apenas uma questão de controlar os meios.
A primeira prova que eu tive dessa capacidade de operar milagres que está latente em todos os homens foi esta: mesmo antes de eu ter emitido o pedido de orientação havia um homem ao meu lado para respondê-lo.
Mas o primeiro chamado: 1896. Em um bar sob a sombra da montanha Matterhorn eu encontrei um alquimista.
Ele é um dos químicos técnicos mais famosos de Londres. Uma de suas façanhas científicas foi a “fixação” do mercúrio (ou seja, torná-lo sólido em temperaturas comuns) e ele fez isso pelos desprezados processos alquímicos da Idade Média.

 

£ 100.000 Pela Minha Passagem Só de Ida

Ele era um membro da Ordem Hermética da Golden Dawn, da qual algumas imitações fraudulentas criaram tanto escândalo nos anos posteriores. Através de sua ajuda eu fui iniciado na Ordem, em novembro de 1898.
Eu percebi que eu havia encontrado a chave para o conhecimento e poder ilimitados, que eu havia começado o caminho que possibilitaria ao homem transcender todas as aflições e decepções da vida.
O Caminho! Eu não achava que ele me levaria por todas as terras mais obscuras e perigosas sobre este planeta, e me custaria £ 100.000 por uma passagem só de ida.
O Caminho! Um dos segredos finais — ouça! — é este: nem mesmo a glória inefável e o êxtase do objetivo, mas o Caminho em si, com todos os seus perigos, dificuldades e sofrimento, é a valiosa recompensa.
A cerimônia de iniciação foi impressionante. Eu fui deixado pelos meus padrinhos na porta de um templo secreto (até hoje eu não devo revelar o seu paradeiro) pelo Kerux ou Mensageiro; um homem com um manto dourado com uma espada desembainhada.
Ele me conduziu através do primeiro dos Grandes Pilões. Depois de ser vendado e amarrado, purificado sendo aspergido com água e consagrado pelo fogo, fui levado no escuro com a fumaça do incenso.
Fizeram com que eu me ajoelhasse diante de um altar e repetisse um juramento formidável de fidelidade, de sigilo, e de abstinência de qualquer tipo de conduta que pudesse prejudicar o meu poder de autocontrole.
A venda foi removida de meus olhos diante de um trono posto na escuridão no oeste. Aqui fui confrontado por um oficial de capuz negro representante do deus Hórus.
Ele me deu minha primeira injunção: “O medo é o fracasso e o precursor do fracasso. Sê, portanto, sem medo, pois no coração do covarde não habita a virtude. Tu me conheceste. Prossigas”.
A venda também foi retirada quando cheguei ao trono no leste, onde o oficial representando o deus Osíris me deu outra injunção — que o caminho da consecução repousa no conhecimento e uso de perfeito equilíbrio, justiça, retidão e verdade.
Finalmente eu fui desamarrado e convidado a tomar o meu lugar no norte, o lugar de maior escuridão, para mostrar que eu tinha dado apenas o primeiro passo em uma estrada longa e difícil.

 

Viajando no Plano Astral

Todo esse ritual pode impressionar o leitor como sendo desnecessário. Mas seu propósito é estampar indelevelmente as injunções na memória, mais sobre as partes mais profundas do ser espiritual do homem do que nas camadas superficiais da mente consciente.
Estou proibido de mencionar os nomes dos que me iniciaram, mas dentre eles estavam alguns dos homens e mulheres do Império mais ilustres em literatura, arte, política, teatro, diplomacia e exército.
Então eu era um neófito — um novo ser nascido em um novo mundo. Eu nunca retornei para o velho mundo dos grosseiros enganos e ilusões da matéria conforme os sentidos o descrevem.
Aqueles que se tornam magistas podem viajar no plano astral, visitando lugares distantes enquanto o corpo ainda permanece em casa. Eles prepararam e comprovaram um elixir da vida; eles são vistos frequentemente rodeados de uma aura de luz.
Eu mesmo testei todas essas reivindicações e descobri que são verdadeiras. Não há limite para as possibilidades de uma realização.
Mas estas só são coisas superficiais. A magia transcende o espaço e o tempo. Tudo é possível para um adepto, mas a virtude de seu conhecimento e poder desertariam se ele os usasse para fins egoístas ou lucro pessoal.
Na verdade, estas palavras “egoísta” e “pessoal” deixam de significar qualquer coisa para o iniciado. Ele se desenvolve, e encontra-se por perder o seu antigo self limitado em tudo o que é: pois “tudo o que vive é santo”.
Na próxima semana descreverei minha peregrinação pelo mundo em busca de realização mágica.

Origem da tradução:
Traduzido por Frater S.R.

Eu Me Torno Invisível

Aleister Crowley

“O Pior Homem do Mundo”

The London Sunday Dispatch, 18 de Junho de 1933

Aleister Crowley na semana passada descreveu a sua iniciação em uma Ordem Secreta, como ele foi amarrado e vendado, obrigado a repetir um juramento formidável diante de oficiais de capuzes pretos, e se tornou “um novo ser nascido em um mundo novo”.


Após a minha iniciação eu me sentia como um bárbaro que acabou por vagar em uma fábrica de explosivos de alta potência. Eu tive que aprender as leis da vida todas de novo desde o começo.
Eu sempre penso no Os Primeiros Homens na Lua do Sr. Wells. Como agir quando as condições fundamentais da vida são alteradas? O perigo de cometer erros fatais está sempre presente.
Uma parte necessária da prática da magia é a invocação de seres Divinos e angelicais e a evocação de forças cegas, algumas das quais são consideradas “malignas” pelos incultos.
É claro que existem forças que são definitivamente maliciosas. Nunca será necessário que um magista lide com elas, exceto como um bacteriologista estuda germes de doenças para descobrir sua natureza e subjugá-los.
Em 1899 eu havia passado por sete estágios de iniciação. Estes me constituíram num Adepto, mas ainda ocorriam incidentes comigo.

 

Templo em um Apartamento de Londres

Eu construí um templo privado em um apartamento em Chancery Lane. Era uma sala de espelhos, cuja função era a de concentrar as forças invocadas. Ele continha um altar de acácia coberto com ouro e certos símbolos e insígnias secretos da Ordem.
Certa noite, após uma cerimônia em que um químico analítico famoso foi meu líder, eu tranquei a porta e saí com ele para uma refeição.
Quando voltamos a porta estava aberta, embora a fechadura não tenha sido forçada, e todo o conteúdo do templo havia sido atirado por todo lado e estava na mais desordenada confusão.
Então a diversão começou. Vimos — e meu professor foi capaz de identificar — centenas de formas, estranhos “rostos semiformes” que se amontoavam na sala, marchando em dança fantástica por seus limites.
Essas forças definitivamente eram maliciosas, demônios, que devemos estudar e conquistar.
Mais tarde, quando eu estava transferindo meus aparatos para a minha casa na Escócia, eu contratei dois trabalhadores para remover os espelhos. Enquanto trabalhavam eles foram subitamente subjugados, nocauteados por atacantes invisíveis. Demoraram-se várias horas para reanimá-los.
As pessoas que passavam pela porta de repente caíam em convulsões. Esse apartamento permaneceu sem um inquilino por vários anos depois que eu saí. Tudo isso foi porque eu não tinha experiência o suficiente para controlar as forças.
Foi sob direção do chefe da Ordem que então eu fui para a Escócia, para a minha mansão de Boleskine, que fica há duas ou três milhas das Cataratas de Foyers.
Meu objetivo secundário— o principal é sagrado demais para discutir — colocado em palavras simples era de obter controle sobre os “quatro grandes príncipes” do mal do mundo.
De acordo com as regras da magia, eu construí um terraço de frente para o norte e distribuí cargas de areia de rio nele.
Eu trabalhei na sala de café-da-manhã fazendo os talismãs que eram necessários para o meu propósito. O sol penetrava na sala, mas em vão; havia uma escuridão que podia ser sentida. Os demônios, as forças malignas, se reuniram em torno de mim tão densamente que eles estavam obscurecendo a luz. Era uma situação reconfortante. Não poderia haver mais dúvida quanto à eficiência da operação.
Mas eu continuei com meu trabalho, mesmo que eu tenha tido que acender uma lâmpada com o sol brilhando lá fora.
Os demônios também se reuniram na guarita que eu construí no terraço. Eles ainda eram formas vagas, rostos vistos pela metade. Me acostumei com eles.

 

Meu Caminho Perigoso para o Poder

Eles tiveram efeitos curiosos sobre a vizinhança. Parte da estrada principal de Inverness a Fort Augustus passava pela minha propriedade. Logo superstições sobre a estrada fez com que os cidadãos locais a evitassem. As pessoas se recusavam a usá-la após o anoitecer.
Até mesmo os operários fortes e beberrões de Glasgow que foram empregados na Foyers fariam um caminho mais longo para evitar aquela estrada misteriosa.
As forças tiveram outros efeitos piores. Um empregado (que não tocava o álcool há 20 anos) de repente se embebedou e tentou assassinar sua esposa e filhos. Este foi um de muitos casos semelhantes.
Em um verão mais de metade dos meus cães de caça morreram. Meus servos sempre estavam ficando doentes.
Um dos homens que eu empreguei para fazer os campos de golfe enlouqueceu e tentou matar a minha esposa.
Eu percebi, a esta altura, que o meu caminho para o poder deveria ser imensamente difícil e cheio de perigos. Mas eu não olhei para trás.
Eu comecei a minha peregrinação a países longínquos. O México foi o primeiro. Eu fui enviado para lá pelo chefe da Ordem para consagrar um sacerdote para servir à Lâmpada da Luz Invisível.
No México, também, eu fiz as minhas primeiras experiências na aquisição de invisibilidade. Invocando o Deus do Silêncio, Harpócrates, pelo ritual adequado na frente de um espelho, eu gradualmente cheguei ao estágio em que meu reflexo começou a piscar como nas imagens de um cinema antigo.
Nunca desapareceu completamente. Na verdade, essa experiência me mostrou que eu estava no caminho errado. O sucesso não estava em um desaparecimento óptico, mas sim no poder de fascinação. “Tendo olhos, não veem”.
Seja como for, eu era capaz de sair com um manto escarlate e dourado com uma coroa de joias na minha cabeça sem chamar qualquer atenção. Eles não podiam me ver.
Este foi o início de uma arte que me foi bem útil em Calcutá, anos depois. Enquanto eu estava caminhando pelo bairro local à noite, eu fui atacado por ladrões.
Quando eu vi uma faca brilhar eu pensei que isso já era demais; embora com as mãos restritas, eu consegui disparar meu revólver. Centenas de nativos despertaram pela imediata notícia de que me procurassem, mas eu fui capaz de andar despercebido dentre eles, e escapar.

 

Sacrifício na Cidade Sagrada

Minhas viagens me levaram ao Ceilão, onde eu me dediquei ao Yoga.
Eu obtive um bangalô em Kandy e fui orientado nos fundamentos da arte. O Yoga pode ser ensinado em oito palavras. “Sente quieto! Pare de pensar! Cale-se! Saia!” É o aprendizado que é difícil.
Meu sucesso com Yoga foi tão grande que se tornou perigoso. Para o meu próprio bem eu deixei ele de lado por dois anos, partindo do Ceilão e indo para a Índia.
Uma coisa curiosa aconteceu em uma ocasião. Em Madura eu entrei em um templo e sacrifiquei uma cabra. Logo depois eu apaguei completamente meus rastros por uma viagem marinha — uma grande tempestade estava assolando, e eu era a única pessoa a bordo do navio.
Algum tempo depois voltei para a Índia e visitei alguns amigos, que não sabiam nada sobre minhas atividades em Calcutá.
Disseram-me que os seus servos estavam animados sobre um conto estranho de que eu havia sacrificado uma cabra em Madura, a cidade mais sagrada do sul da Índia.

 

Entidade Toma Forma Humana

Como os habitantes locais obtiveram essa informação? Obtiveram pelo “telégrafo nativo”.
Então eu fui para o Egito, e — para minha surpresa intensa — fui convocado pelos chefes secretos da Ordem. Fui comandado a retornar para a Inglaterra para lá reconstruir o sistema da organização, já que a forma externa da Ordem havia desmanchado devido à queda de seu embaixador-chefe para o mundo “sem o véu”, e escrever os segredos.
De acordo com isso eu condensei e publiquei o conhecimento em um periódico chamado de O Equinócio. A sede nesta época era um estúdio em Victoria Street. Ali, em nosso tempo livre, começamos a celebrar os ritos de Elêusis.
Alguns desses ritos frequentemente se conectavam com resultados estranhos. Em diversas ocasiões vimos e sentimos um estranho entre nós, mas quando as luzes eram aumentadas, não havia mais ninguém lá.
Nossas cerimônias fizeram com que uma entidade tomasse a forma humana e fosse vista entre nós.
O sucesso destes rituais privados induziu-me a alugar o Caxton Hall para sete performances, que foram abertas ao público. Bottomley atacou os rituais como sendo obscenos e blasfemos. Ele só estava refletindo na imprensa a depravação de sua própria mente.

 

Invocando o Espírito de Marte

Uma garota tocava violino durante os ritos. Ela era um boa violinista, mas sob a influência das cerimônias, ela era mais; ela tocava sublimemente, como um gênio supremo, nas invocações mágicas dirigidas sobre ela.
Durante uma cerimônia, em julho de 1909, no estúdio em Victoria Street, nós invocamos Bartzabel, o espírito de Marte.
Um dos presentes era um homem de importância no Almirantado, um comandante cujo nome é conhecido demais para mencionarmos. Ele perguntou ao espírito, que havia sido invocado em um homem especialmente purificado e consagrado, se “nação se levantaria contra nação”.
Bartzabel respondeu que iria. Sendo questionado mais, o espírito disse que a guerra começaria dentro de cinco anos, e que as nações que seriam destruídas seriam a Turquia e a Alemanha.

 

Profecia da Primeira Guerra Mundial

Dentro de duas semanas do fim desses cinco anos a Grande Guerra eclodiu.
O homem da marinha era um Adepto da Ordem, e ele desempenhou um papel importante na luta. Sempre que os assuntos do mundo chegam a uma fase crítica os Adeptos sempre têm alguém nos bastidores.
Rudolph Steiner, o homem que foi responsável pela derrota da Alemanha, era o Grão-Mestre da O.T.O. na Áustria, uma ordem semimaçônica da qual eu era o Grão-Mestre na Inglaterra.
Steiner se desligou da Ordem, porque ele ficou apavorado diante de uma das provações que tinha que passar. Assim ele foi afastado da verdadeira magia, mas se tornou conselheiro secreto de Von Moltke.
A direção de Steiner resultou em Von Moltke não tomar Paris quando esta estava ao seu alcance, e esse erro custou à Alemanha toda a guerra.
Steiner provou sua incapacidade de se tornar um grande magista e foi enganado por poderes traiçoeiros, destruindo o seu país.
Na próxima semana exporei as abominações da Magia Negra e demonstrarei como são absurdas as acusações que ligam o meu nome com essas práticas.

Origem da tradução:
Traduzido por Frater S.R.