terça-feira, 27 de setembro de 2011

Trecho dos Comentários de AL

“64. Que ele passe pela primeira ordália & será para ele como prata.

“65. Pela segunda, ouro.

“66. Pela terceira, pedras de água preciosa.

“67. Pela quarta, ultimais fagulhas do fogo intimo.

Isso também será provado a quem quer e pode.

A “Árvore da Vida” na Cabala representa dez esferas dispostas em três pilares, o central contendo quatro, e os outros três cada. Essas esferas são atribuídas a determinados números, planetas, metais e muitos outros grupos de coisas; na verdade todas as coisas podem ser referidas a uma ou outra delas. As quatro ordálias que serão descritas agora representam a subida do aspirante a partir da décima e mais baixa dessas esferas, que se refere à Terra, não regenerada e confusa, na qual o aspirante nasceu. Ele se levanta na primeira ordália para a esfera chamada de Fundação, de número 9, e contendo, entre outras ideias, as dos órgãos geradores, do Ar, da Lua, e da Prata. Sua Verdade secreta é que a estabilidade é idêntica à Mudança; disto somos lembrados pelo fato de que qualquer múltiplo de 9 tem 9 pela soma de seus dígitos.
O iniciado agora perceberá que a soma dos movimentos de sua mente é zero, enquanto que, abaixo de suas fases como a da lua e suas divagações como as do Ar, a consciência do sexo permanece intocada, o verdadeiro Fundamento do Templo do seu corpo , a Raiz da Árvore da Vida que cresce a partir da Terra para o Céu. Este Livro é agora para ele “como prata”. Ele o vê puro, branco e brilhante, o espelho de seu próprio ser que esta ordália expurgou de seus complexos. Para chegar a essa esfera, ele teve que passar por um caminho de trevas, onde os Quatro Elementos lhe parecem ser todo o Universo. Pois como ele saberia que eles não são mais do que o último dos 22 segmentos da Serpente que está enrolada na Árvore?
Assaltado por fantasmas grosseiros da matéria, irreais e incompreensíveis, a sua ordália é de terror e trevas. Ele só pode passar pelo auxílio de seu próprio Deus silente, estendido e exaltado dentro dele por virtude de seu ato consciente de afrontar a ordália.
A próxima esfera alcançada pelo aspirante é chamada de Beleza, de número 6, e se refere ao coração, ao Sol e ao Ouro. Aqui ele é chamado de “Adepto”. A Verdade secreta neste lugar é que Deus é o Homem, simbolizado pelo Hexagrama, (no qual dois triângulos são entrelaçados).
Na esfera anterior ele soube que seu Corpo era o Templo da Rosa-Cruz, isto é, que lhe foi dado como um lugar onde realizar o Trabalho Mágico de unir as oposições em sua Natureza. Aqui ele é ensinado que o seu Coração é o Centro da Luz. Não é escuro, misterioso, vazio, obscuro até para si mesmo, mas sua Alma deve habitar ali, irradiando Luz sobre as seis esferas que a cercam; estas representam os vários poderes de sua mente. Este Livro agora aparece para ele como o Ouro; é o metal perfeito, o símbolo do próprio Sol. Ele vê Deus em toda parte ali.
O aspirante chegou a esta esfera pelo Caminho chamado Temperança, disparado como uma flecha de um Arco-Íris. Ele contemplou a Luz, mas apenas em divisão. Nem conquistou ele esta esfera, exceto pela Temperança, sob cujo nome mascaramos a arte de verter livremente o todo de nossa Vida, até a última gota de nosso sangue, ainda que nunca perdendo a menor quantidade do mesmo.
Agora mais uma vez, o adepto aspira e chega à esfera chamada Coroa, de número 1, que se refere ao próprio Deus Ra-Hoor-Khuit-se no homem, ao Princípio dos Movimentos Giratórios, e à Primeira Forma da Matéria. Sua Verdade secreta é que a Terra é o Céu, assim como o Céu é a Terra, e mostra ao aspirante como ele próprio é uma estrela. Tudo o que lhe parecia a realidade não é para ser considerada nem mesmo ilusão, mas sim tudo a luz única infundindo estrela e estrela. Os Muitos, cada um deles, são o Um; cada indivíduo, nenhum par igual, embora todos sejam idênticos; isto ele sabe e é, pois agora a Palavra iluminou as vigas de sua alma. (A lógica do Ruach - o intelecto normal - é transcendida na Experiência Espiritual. É, evidentemente, impossível “explicar” como isso pode ser.)
No Número 6 ele viu Deus interligado com o homem, duas trindades tornadas em um; mas aqui ele sabe que nunca houve nada além de um.
Assim, agora, este Livro é ‘pedras de água preciosa’; a sua Luz não é a luz emprestada do ouro, mas brilha pelo próprio Livro, clara e cintilante, irradiada a partir de suas facetas. Cada frase é um diamante; cada uma é diversa, embora todas, idênticas. Em cada um a Luz única ri!
E esta esfera ele veio pelo Caminho chamado de A Alta-Sacerdotisa; Ela é seu Eu Silente, virgem além de todos os véus, libertou para ensiná-lo, em virtude desta terceira ordália onde, atravessando o abismo, ele tirou de si todo trapo de falsidade, seus últimos complexos, até mesmo sua fantasia que ele chamou de ‘eu’. E assim ele finalmente soube como o vestido sujo de prostituta era um mero disfarce; nua no Luar brilha o Corpo da donzela!
Além do Um, como ele deve passar? O que é este Um, que em todo lugar é o Centro de Tudo? De fato as vigas lógicas de nossas almas precisam da iluminação, se quisermos ganhar a liberdade de tal Verdade como esta!
Agora, nas ‘pedras de água preciosa’ a de fato apareceu Luz clara, mas elas eram elas próprias essa Luz. Esta esfera do Um é de fato Ra-Hoor-Khuit; não é a nossa Criança Coroada e Conquistadora a fonte da Luz? Não, ele é a forma finita da Unidade, filho de dois infinitos casados; e nesta última ordália, o aspirante deve até mesmo ir além de sua Estrela, encontrando nela o núcleo da mesma de Hadit, e também perdê-la no Corpo de Nuith.
Aqui não há Caminho que ele possa trilhar, pois tudo está igualmente por todas as partes; nem existe qualquer esfera para atingir, pois não há mais medida.
Não há palavras para descrever o Caminho ou o Fim, quando o Fim é um com o Caminho; só é dito isso, que para aquele que passou por esta quarta ordália este Livro é como “fagulhas ultimais”. Elas não mais refletem ou transmitem a Luz; elas próprias são a Luz original, não-para-ser-analisada, do “fogo íntimo” de Hadit! Ele verá o Livro como ele é, como uma chuva de Poeira das Estrelas!”

Tirado do Magical and Philosophical Commentaries on The Book of the Law, pp 294-297.