quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Paranóia: Uma Interessante Questão

(Que o amigo leitor me perdoe se, ao invés de distraí-lo, eu o obrigo a pensar e coloco algumas "minhocas" em sua cabeça )

 

Parte I

Na década de 60, minhas mais belas concepções de Deus, Homem e o Universo foram viradas de pernas para o ar. Antigas crenças foram substituidas por nova, vibrante e dinâmica visão - a abrangente Visão do Sistema Thelêmico.
Nos anos subsequêntes, através desta nova perspectiva do mundo, percebi claramente que grande parte da História Oficial (assim definida por pura convenção) da raça humana, aquela que aprendemos nos colégios, ou era pura invencionice ou servia de véu à fatos que não deveriam ser conhecidos por nós. Quanto o que, ou quem, ocultamente nos quer manter na ignorância destes fatos, através de milenares "passes de mágica", será analisado em outro trabalho futuramente.
Que toda nossa História social, política, antropológica e religiosa basea-se em falsas premissas incultadas em nossas mentes durante séculos está agora nitidamente visível para mim, como também para outros. Não me restam quaisquer dúvidas que quase a totalidade dos "fatos históricos" e dos "personagens" a eles ligados, principalmente no tangente às religiões e às nossas origens, são imaginários, distorcidos ou grandemente exagerados, no sentido de oferecer respaldo à afirmativas aceitas pela maioria das pessoas como inabaláveis verdades. Que a maioria de nós tem sido constantemente pressionados a acreditar em verdadeiras fábulas tecidas ao sabor de mentes diabólicas, está mais do que provado. Não é mais segredo para ninguém que a maioria de nós somos constantemente pressionados à mudanças de comportamento por induções vindas de vários setores. Somos diariamente tentados a gastar nosso parco dinheiro (ganho com o suor de nosso trabalho) na compra de quinquilharias, somente porque as subliminares propagandas televisivas nos conduzem a isto. Como cidadãos, somos persuadidos a açulados, em direção a determinados pontos de vista, por políticos que lutam para obter poder sobre nossas vidas e lucro para seus bolsos. No caso das religiões somos levados ao fanatismo, para que nos tornemos fiéis e obedientes escravos. Todos estes "comandos" são extremamente sutis e invisíveis para a mente consciente.
A maioria dos seres humanos - especialmente em nossa sociedade controlada pela mídia - encontra-se inconsciente das hábeis estratégias utilizadas para dirigir nossos destinos. Nossas vidas estão cheias de fraudes e mentiras mascaradas de verdade. Popularmente ainda é nutrida a ilusão de que somos donos de nossos destinos, que somos livres, que cada um de nós e dono de seu próprio nariz, de seus pensamentos mais íntimos, de valores éticos e comportamento sociais. A verdade é bem diferente disto. As chances de nos livrarmos deste buraco em que estamos metidos parece-me cada vez menor.
O trabalho aqui apresentado não é inteiramente meu. Representa uma amalgama, uma síntese, por assim dizer de conceituados autores tais como Robert Anton Wilson, Michael Baigent, Ricrahd Leigh, Henry Lincoln, Timothy Leary e muitos outros pesquisadores que souberam procurar e analisar, dentro da mais pura neutralidade, os diversos mistérios e paradoxos constante em nossa História, onde subterfúgios, máscaras e indizíveis conspirações político-sociais-religiosas evoluem à margem do conhecimento geral.
Não afirmo que outros tantos pesquisadores não tenham atingido as mesmas conclusões; entretanto eles se calaram ou por temerem as consequencias em "abrirem o jogo" ou por algum interesse particular. Infelizmente isto tem acontecido em todos os ramos do conhecimento.
Durante muito tempo tenho questionado várias pessoas a respeito do assunto. Quase a maioria delas procura fazer-se de desentendida. E o que é pior, afasta-se dele, alegando serem por demais complexos ou duvidosos e, e, alguns casos, pura imaginação. Entretanto, alguns poucos levam o tema a sério. Neste último grupo encontrava-se Marcelo Ramos Motta - o pioneiro de Thelema no Brasil - cujas palavras e advertências tem sido desprezadas e mesmo ironizadas, por mentecaptos se dizendo "thelemitas" e que acusam de fanático, paranóico e outras coisas mais no que diz respeito à seu alerta aos perigos de uma grande e constante conspiração que vem nos ameaçando. Conspiração proveniente de remotas datas, sendo manipulada por uma única fonte: aquela que procura, de uma maneira ou de outra, usando quaisquer métodos, mesmo os mais abomináveis, destruir nossa liberdade individual e coletiva.
Não afirmo que toda a teia de intrigas conspiratórias foram facilmente assimiladas por mim. Durante muito tempo, várias dúvidas me assaltaram. Entretanto, com o passar do tempo e mediante várias experiências pessoais, a certeza desets fatos concretizou-se em minha mente, tomando forma e consistência. Posso agora dizer como O Mágico de Oz: "Cuida-te daquilo que está por detrás da cortina".
Vezes há em que penso ser grande perda de tempo escrever sobre o assunto. Muita gente não dá a mínima para ele. Ou será que dão, mas fingem não dar? De qualquer forma, afirmam ser tudo mera fantasia. Pensam que o mundo é tão somplório como suas vidas dedicadas, desde o nascimento até a morte, a correr atrás do "sucesso financeiro e social" - de "aparecerem" como dito popularmente, enquanto que das coisas realmente importantes, sequer desconfiam quais sejam. Mal sabem eles que esta posição - a posição do avestruz - é exatamente aquela que os tecedores da conspiração procuram implantar em todos os seres humanos. Assim fica mais fácil dominá-los e escravizá-los. Assim fica mais fácil transformá-los em "canários presos em gaiola de ouro". Que fiquem, portanto, embevecidos com a vida que levam. Se isto é Vida. "Os escravos servirão".
Sei que cada um tem o sagrado direito de viver "suas vidas" como quiserem. Até mesmo de serem escravos. Mas, de qualquer forma, sinto o íntimo impulso de avisá-los do perigo que correm, do que realmente está acontecendo em nosso planeta. E, além do mais, tenho o direito de não querer me reencarnar em um mundo de escravos, quando aqui voltar.
Agora, se eles prestarão, ou não, a devida atenção ao que digo, é problema deles. Dias virão em que se arrependerão de terem sido tão descuidados em relação às suas próprias vidas atuais e futuras, em relação as vidas de seus netos, bisnetos, etc.
Embora seja dito que somos (nós e eles) inspirados pelos mesmos ideais, que temos o mesmo Mestre, que pesquisamos no mesmo Livro e que honramos os mesmos Juramentos, evidentemente isto não corresponde a verdade, mas sim à uma meia verdade, porquanto separa-nos uma importante qualidade, qual seja: a coragem de viver aquilo que aprendemos com nosso Mestre, com nosso Livro e com nosso Sistema e esta qualidade possui grande peso e fará a grande diferença entre nós e eles, na Balança de Maat.

 

Parte II

Há alguns anos, os jornais do mundo inteiro notificaram um escândalo envolvendo o Vaticano, a Maçonaria, a Máfia, a C.I.A, o Banco Ambrosiano e a Ordem dos Cavaleiros de Malta. Inseridos neste escândalo também apareciam os nomes de pessoas de destaque no mundo financeir: Licio Gelli, Roberto Calvi, Michael Sindona, Arcebispo Paul Marcinkus e outros que aparecerão no decorrer deste trabalho.
No ano de 1982 (precisamente no dia 18 de junho) o Sr. Roberto Calvi foi encontrado enforcado na Ponte de Blackfriars (Londres). O corpo inerte estava coberto pela maré. Como todos devem saber, Roberto Calvi era maçom e pertencia a alto grau da Ordem. Como todos também devem saber nestas alturas, existe na Maçonaria um sério juramento. Este juramento é aceito pelo futuro maçom durante o ritual ao Primeiro Grau. Diz o juramento que se o maçom, em qualquer época, trair a Ordem ou a seus "irmãos", ele será "perseguido, enforcado onde a maré cobrirá seu corpo". Alguns maçons dizem que esta morte é apenas ritualistica não devendo, portanto, ser tomada literalmente.
Na verdade, ao povo em geral, pareceu perfeitamente claro que Alberto Calvi teria sido morto pelos maçons ou por "pessoas desejando que acreditássemos nisto". Ao tempo de sua morte, Calvi havia saído apressadamente da Itália onde era acuado de várias fraudes.
Em 1970, Gelli e seus companheiros da Ordem de Malta, Michel (O Tubarão) Sindona, assumiram controle das finanças do vaticano com a conivência do Bispo Paul (O Gorila) Marcinkus (o apelido "Gorila" refere-se a sua anatomia. Marcinkus servira de guarda-costas de dois Papas). Paul foi gerente do Banco do Vaticano e fundou nas Bahamas outro banco, chamado Banco Cisalpine, o qual gerenciou juntamente com o falecido Roberto Calvi.
Como Presidente do Banco Ambrosiano, este mação fora um dos principais administradores das transações financeiras do Vaticano, devido a simbiose entre o Banco Ambrosiano e o Banco do Vaticano (I.O.R.); suas manobras e fraudes colocou o Vaticano num débito de centenas de milhões de dólares.
Clara Calvi, esposa de Roberto Calvi, constantemente afirmava que "altos mandatários do Vaticano" ordenaram o assassinato de seu marido. Porém esta afirmativa foi amplamente refutada por Stephen Knight, jornalista inglês, escrevendo no "The Brotherhood" (A Irmandade) que Calvi, certamente, fora morto por seus "irmãos maçons" da famosa Loja P2 (Propaganda Due). Como todos os maçons sabem, a "Loja P2" não era realmente uma Loja Maçônica, mas positivamente uma das muitas arapucas criadas e financiadas pela Igreja Romana para enganar incautos. Igualzinho à várias "ordens iniciáticas" existentes por este "mundo de deus". Resumindo: a morte deste "maçom banqueiro" não foi até hoje devidamente esclarecida.
A Loja P2 (a qual pertencia Roberto Calvi) tendo sido amplamente investigada por magistrados italianos, foi acusada de várias fraudes financeiras, de lavar dinheiro da Máfia, de infiltrar inúmeros agentes no governo italiano e de conspirar para instalar um governo fascista na Itália, através de um golpe de estado.
Também existem claras evidencias que a Loja P2 é a origem do finaciamento de regimes ditatoriais da América Latina e de ter auxiliado a fufa de vários criminosos de guerra nazistas, incluindo o notório Klaus Barbie. Estes criminosos eram mantidos com os fundos do Banco.
Era Grão Mestre da Loja P2 o Sr. Licio Gelli, tido também como alto membro do Grande Oriente da Maçonaria Egípcia (informação que duvidamos). Este senhor é reconhecido agora, não era somente grão Mestre da Loja P2 mas também agente da CIA, da KGB e mais ainda, membro da Ordem dos Cavaleiros de Malta.
Esta Ordem inicialmente chamada de Hospitalários de São João de Jerusalém, foi criada em 1104 pelo Beato Gerardo de Marrique, para recolher, servir e sustentar os peregrinos que viajavam à "Terra Santa". Em 1521, Carlos V lhes dera a Ilha de Malta onde se instalaram e passaram a ser conhecidos como Cavaleiros de Malta. É uma das mais secretas ordens ligadas ao Vaticano.
Sendo membro da Ordem de Malta, Licio Gelli mantinha fraternais elos com Willian Casey, chefe da CIA e também Cavaleiro de Malta e com o General Alexander Haig, sob a gestão presidencial de Ronald Reagan. Isto explica porque um dos colegas de Gelli nas fraudes bancárias, Michele Sidona, foi convidado especial de Nixon na Casa Branca e porque o próprio Gelli sob a presidência de Reagan.
Toda esta teia de ligações por detrás dos bastidores, isto é, Cavaleiros de Malta, Licio Gelli, Willian Casey, General Haig, Roberto Calvi, Vaticano, KGB etc, está amplamente discutida (com maiores detalhes) no livro de Gordon Thomas: "The Year of Armaggedon".
Segundo Thomas, o Papa João Paulo II tem (1), em Roma, encontros semanais com agentes da CIA e usa os Cavaleiros de Malta como mensageiros de secretas comunicações com o QG da CIA em Alexandria, Virgínia.
Do acima exposto, vemos claramente que temos sido, todos nós, largamente governados política, social e religiosamente por grupos de financistas, ordens secretas e charlatões. Digo nós porque evidantemente o Brasil não está fora do esquema. Muito pelo contrário.
Embrenhar-se no assunto requer tempo e uma consciência desligada dos diversos condicionamentos aos quais fomos atralados durante séculos.
Houve um tempo em que a Ordem de Malta era conhecida como "Cavaleiros de Rhodes". Entretando seu verdadeiro nome é "Soberana e Militar Ordem de Malta (SMOM)
Segundo investigadores e escritores, especialmente mações, SMOM é a polícia secreta do Vaticano e seus membros são jurados tudo fazer no sentido de destruir o Protestantismo, o Liberalismo, a Democracia, a Maçonaria e tudo mais que venha por em risco a "Omnipotencia Papal" nos ultimos 400 anos.
Em suas pesquisas sobre a P2, Robert Anton Wilson ficou abismado pelo paradoxal fato de que Roberto Calvi - o banqueiro encontrado enforcado em Londres - era um mebro da Ordem dos Cavaleiros de Malta.
Ora, todo maçom pertencente ao 33 Grau, jura solenemente opor-se "aos Cavaleiros de Malta" e a todos os outros agentes da tirania e da supertição.
Espero que os leitores tenham percebido a estas alturas este intrigante mistério: como podia este "Banqueiro de Deus" ser um Cavaleiro de Malta e um Maçom jurado de combater os Cavaleiros de Malta ao mesmo tempo. Como podia também conviver, lado a lado, agentes da CIA, KGB e do Vaticano? Está é uma prosmicuidade para a qual chamo a atenção de todos.
Além de Roberto Calvi, podemos apontar como membros da SMOM em tempos recentes, as seguintes pessoas:
- Franz von Papen - o home que convenceu o presidente von Hindenburg a resignar e apontar Adolf Hitler como Chanceler da Alemanha.
- General Reinhard Gehle - chefe do serviço secreto de Hitler que mais tarde tornou-se diretor da Seção de Penetração da URSS.
- General Alexander Haig - possuidor de grande influência nas administrações Nixon e Reagan. O general Haig foi aquele que denunciou haver "forças diabólicas" criando evidencias contra Nixon.
- Alexandre de Merenches - antigo chefe do serviço de inteligência francês.
- Willian F. Buckley - porta voz da facção "Bombas de Jesus" do Catolicismo Romano.
- Clare Booth Luce - esposa do fundador da Time/Life durante muito tempo inimigo do New Deal, mais tarde embaixador dos EUA para o Vaticano.
- Umberto Ortolani - rico fascista italiano, membro da P2 e fundador de grupos secretos da direita na América Latina. Associado a Roberto Calvi - e do Bispo Paul (o Gorila) Marcinkus, gerente do banco do Vaticano e Michele (o Tubarão) Sindona, presidente do notório Franklin National Bank.
Mas em que a nós interessa tudo isto?
Acontece que existe um pequeno traço que parace ligar uma das ordens thelemicas à esta misturada de pessoas vindas de vários ramos da política, da religião e da sociedade mundial algumas das quais acirradas inimigas.
Antes, entretanto, de dissertar sobre este assunto tão delicado para thelemitas, penso que devo desenvolver o tema Priorato de Sion para que os leitores tenham uma idéia, embora ráida do que se trata.
O mistério do Priorato de Sion tem sido exaustivamente discutido em dois livros: "O Santo Graal e a Linhagem Sagrada" e "A Herança Messiânica", ambos de Michaek Baigent, Richard Leigh e Henry Lincln. Aqueles que desejarem maior aprofundamento no assunto eu indicaria a leitura de ambos.
Ao que tudo indica, o Priorato de Sinai (outro nome pelo qual esta secreta ordem também é conhecida) já foi, há alguns anos, discutido por Gerard de Séde. Seu trabalho data de 1962 e foi escrito de forma breve e enigmática. Mas, a primeira indicação da existência desta Ordem encontra-se nos "Dossiers Secrets".
No alto da página do Dossiers Secrets onde encontramos esta indicação, existe uma anotação de René Grousset, considerado o mais profundo historiador das Cruzadas. A anotação de Grousset segue-se uma alusão ao misterioso Monastério do Sinai - ou Ordem do Sinai, como era o Priorado de Sion chamado na época.
Em resumo: os Templários estavam sob o comando direto do Priorado de Sion, a ordem ten sido dirigida por Grãos Mestres cujos nomes se encontram entre os mais ilustres personagens da "História". Muito embora os Templários tenham sido perseguidos e destruídos, o Priorado de Sion permaneceu intocável por séculos; a Ordem existe e funciona ainda hoje. "Não só influencia como desempenha um papel importantíssimo em assuntos internacionais". O objetivo confesso da Ordem requer um estudo mais apurado, como também uma mente bastante aberta para assuntos um tanto quanto considerados extremamente fantasiosos. Mas podemos dizer que o objetivo é a restauração da dinastia e da linhagem merovíngia no trono não só da França, como de outras nações européias. Embora despota do séc. VIII essa linhagem não se extinguiu sendo perpetuada em linha direta desde Dagoberto II e de seu filho Sigisbert IV.
Evidentemente pode-se perguntar o porque deste objetivo? Porque segundo as tradições, a Dinastia Merovingia descende de Jesus e Maria Magdalena. E este seria o grande segredo guardado pelos Templários e por isto perseguidos e aniquilados (nem todos) pela Igreja Romana.
Em "A Vagina de Nuit" Robert Anton Wilson, faz referências a Igreja de Maria Magdalena em Renne-Le-Chateau, construída pelo padre Sauniere (o assunto evidentemente está ligado ao Priorato de Sion). Este padre, ao que tudo indica também era membro da Hermetica Brotherhood of Light em Paris. Esta era um ordem secreta da qual eram membros ativos Claude Debussy (grão mestre do Priorato de Sion, no período de 1885 a 1918), Gerard Encause (Papus) e Aleister Crowley.
Gerad Encause, sob o moto Papus, escreveu o mais conhecido livro sobre o Tarô e esteve intimamente ligado a Rasputin na Rússia, antes da revolução Comunista. Crowley era o Cabeça Externa da Ordo Templi Orientis (outra fraternidade secreta, alegadamente originária de uma Ordem Sufi e dos Cavaleiros Templários).
Segundo Francis King em "Satanistas e a Swastika" o Cabeça Externa da ordem antes de Crowley, Theodor Reuss, também era membro do Serviço de Inteligência Germânico e sob a missão de espionar a filha de Karl Marx.
Seria bastante interessante que os leitores dessem um passeio mais longo nestes assuntos e tentasse colocar todos estes dados juntos com a geneologia Merovingia. As conclusões, penso, seriam profundamente chocantes. Para os Católicos Romanos um verdadeiro desastre, pois destrói suas crenças e dogmas.
Mas esta minha síntese não estaria completa se eu não falasse também a respeito dos "Cavaleiros de Colombo". Muito embora estes "cavaleiros" usem o bom nome do grande navegador genovês, não podemos nos iludir quanto a missão deles.
A ordem dos Cavaleiros de Colombo (Knight Columbus) busca reunir todos os elementos e todas as forças clericais para combater o Protestantismo e a Maçonaria. Sob o engodo de uma constituição liberal, agremiam-se estes elementos e pregam a supremacia da Igreja sobre o Estado.
É claro que os Jesuítas e seus aliados impressionados com o progresso e o desenvolvimento da Grande Instituição Liberal (a Maçonaria) nos Estados Unidos e em outros países, assombrados com o número de seus membros, buscam fanatizar os meios católicos e neles organizaram os Cavaleiros de Colombo, uma sociedade secreta para combater pelo Papa e pela Igreja de Roma, para contrastar a propaganda, pela igualdade e pela fraternidade feita pelos maçons.
Para se ter um idéia do que seja a Ordem dos Cavaleiros de Colombo, esta tenebrosa associação, basta transcrever aqui o "juramento" a que tem que se sujeitar o iniciado, tal como publicado no Boletim da National Patriotic Alliance:

"Eu........ em presença de Deus Onipotente, da Bemaventurada Virgem Maria, do Bemaventurado São João Batista, dos Santos Aóstolos de São Pedro e São Paulo, de todos os Santos, das sagradas hostes do céu e de ti, Meu Pai Espiritual, Superior Geral da Companhia de Jesus, fundada por S. Inácio de Loyola no pontificado de Paulo III e continuada até hoje, pelo ventre da Virgem Maria, mãe de Deus e por Jesus Cristo, declaro e juro que Sua Santidade o Papa é o Vigário de Cristo e o único e verdadeiro chefe da Igreja Católica ou Universal em toda terra..................................
Declaro mais e prometo que não terei opinião e vontade próprias, nem reserva mental alguma, senão que, como cadáver, obedecerei incondicionalmente a cada uma das ordens que receba de meus superiores da milícia do Papa e de Jesus Cristo.
Que irei a qualquer parte do mundo onde se me envie, às regiões frias do Norte, aos espessos montes da Índia, aos centros da civilização na Europa ou ás silvestres cabanas dos bárbaros selvagens da América, sem murmuração ou queixa; serei submisso a tudo o que me seja ordenado. Prometo e declaro que farei quando se me apresente oportunidade, guerra sem quartel, secreta ou abertamente contra todos os hereges, Protestantes e Mações tal como se me ordene fizer; estipa-lo-ei da face da terra; que não levarei em conta idade, sexo ou condição; que enforcarei, queimarei, destruirei, envenenarei, cegarei, estrangularei e enterrarei vivos esses infames hereges; abrirei os ventres das eposas e baterei com a cabeça de seus filhos nas paredes a fim de aniquilar essa execrante raça.
Que quando não possa fazer isso abertamente, empregarei secretamente a taça do veneno, a estrangulação, o aço do punhal, a bala de chumbo, sem ter em consideração a hinra a classe, dignidade ou autoridade das pessoas, quaisquer que sejam suas condições na vida pública ou privada, tal como me tenha sido ordenado em qualquer tempo pelos agentes do Papa, ou pelo Superior da Irmandade do Santo Padre da Companhia de Jesus..."

E assim prossegue este "Juramento" diante da Imagem da "Virgem Maria".
E ainda dizem não existirem conspirações contra nós todos..... e que todos que pensam como Marcelo Motta são igualmente paranóicos. Se cuidem Thelemitas.

Edificante, não é verdade?

Nota de K.: Este artigo foi escrito no meio dos anos 90.

A Escada - Aleister Crowley de The Winged Beetle, 1910

“Subirei e irei até meu Pai”

 

Malkuth

Escuro, escuro, tudo escuro! Eu me recolho, eu me abaixo de medo.
Acima de mim só há um tom de cidra
Como se fosse um eco do vermelho, do dourado e do azul
Harmonizados na noite e deixando sua sombra passar.
Mesmo assim, eu que estou desta forma aprisionado e exilado
Sou por direito o herdeiro da glória, a criança coroada.
Eu combino meu poder com o de meu Destino,
Eu cingi-me para atingir os deveres ultimais,
Eu me armo a guerra para vencer: –
Levantai as vossas cabeças, ó portões poderosos!
Erguei-vos, ó portais eternos!
O Rei da Glória entrará.

 

Tau

Eu passo do citrino: de índigo escuro
É essa alta coluna. Cobras e abutres inclinam
Seu ódio oculto sobre aquele que subiria.
Ó, que os Quatro me ajudem! Desgraça eterna,
Medo e tortura se amontoam no limiar. Vê! O fim
Da matéria! a imensidão das coisas
Desencadeia – novas leis, novos seres, novas condições; -
Horrendo caos; veja! estas recém-desenvolvidas asas
Falham em sua incerteza e inanição.
Só meu círculo me salva do ódio
De todos estes monstros mortos, ainda que animados.
Eu combino meu poder com o de meu Destino,
Eu cingi-me para atingir os deveres ultimais,
Eu me armo a guerra para vencer: –
Levantai as vossas cabeças, ó portões poderosos!
Erguei-vos, ó portais eternos!
O Rei da Glória entrará.

 

Yesod

Salve, tu lua cheia, ó chama de Ametista!
Estupenda montanha em cujos ombros repousam
Os Oito Acima. Mais estável é meu cume
Do que o teu – e agora eu te perfuro, véu de névoa!
Assim como uma flecha de arco de guerra lança,
Eu salto – minha vida é definida com coisas mais elevadas.
Eu combino meu poder com o de meu Destino,
Eu cingi-me para atingir os deveres ultimais,
Eu me armo a guerra para vencer: –
Levantai as vossas cabeças, ó portões poderosos!
Erguei-vos, ó portais eternos!
O Rei da Glória entrará.

 

Samech (e a travessia do Caminho de Pé)

Agora rápida, tu flecha azul de fogo esmorecido,
Perfure o arco-íris! Rápida, ó, rápida! como atravessa
Pelo mundo! Que Sandalfon e seu coro
De Anjos me protejam!
Ó! que planeta irradia
Este raio raivoso? Tuas espadas, teus escudos, tuas lanças!
Tuas carruagens e teus cavaleiros, Senhor! Esferas chovidas
De meteoros guerreiam e queimam; mas eu sou eu,
O próprio Hórus, a torrente do céu
Em chamas – eu varro os mares tempestuosos do ar
Em direção a esse grande globo que paira dourado e justo.
Eu combino meu poder com o de meu Destino,
Eu cingi-me para atingir os deveres ultimais,
Eu me armo a guerra para vencer: –
Levantai as vossas cabeças, ó portões poderosos!
Erguei-vos, ó portais eternos!
O Rei da Glória entrará.

 

Tiphereth

Salve, salve, tu sol da harmonia,
Da beleza e do êxtase!
Tu irradias brilhante e destemido!
Tu, rosa rubi, tu, cruz de ouro!
Salve, centro do plano cósmico!
Salve, imagem mística do Homem!
Eu dou o sinal de Asar assassinado.
Eu dou o sinal de Asi imponente.
Eu dou o sinal de Apep, a estrela
Da Destruição negra que tudo devora.
Eu dou o teu sinal, Asar ressurreto: -
Rebenta, ó meu espírito, de tua prisão!
Eu combino meu poder com o de meu Destino,
Eu cingi-me para atingir os deveres ultimais,
Eu me armo a guerra para vencer: -
Levantai as vossas cabeças, ó portões poderosos!
Erguei-vos, ó portais eternos!
O Rei da Glória entrará.

 

Gimel (com a travessia do Caminho de Teth)

Salve, Meia-Noite virgem, Lua brilhante Dela
Que é o pensamento e o ministro de Deus!
Pura neve, céu azul, imaculada
Hécate, no Teu livro do Destino
Leias meu nome, a alma ascendente
Que busca a meta suprema e sem sol!
E tu, grande Sekhet, o rugido! Levante,
Enfrente o leão no caminho!
Teus olhos calmos e indomáveis
Levante de uma vez, e olhe, e fure, e mate!
Passei. Salve, Hécate! Não-trilhada é
Tua subida íngreme para Deus, para Deus!
Vê, que inominada, inominável
Esfera paira acima do inescrutável?
Não há virtude em teu beijo
Para afrontar aquele abismo negro e desalmado.
Eu combino meu poder com o de meu Destino,
Eu cingi-me para atingir os deveres ultimais,
Eu me armo a guerra para vencer: –
Levantai as vossas cabeças, ó portões poderosos!
Erguei-vos, ó portais eternos!
O Rei da Glória entrará.

 

Daath

Eu estou louco, Minha razão tomba;
A torre do meu ser desmorona.
Aqui tudo é dúvida, angústia, desespero:
Não há poder na força ou na oração.
Se eu passar, é pelo poder
Do momentum de meu voo.
Eu combino meu poder com o de meu Destino,
Eu cingi-me para atingir os deveres ultimais,
Eu me armo a guerra para vencer: –
Levantai as vossas cabeças, ó portões poderosos!
Erguei-vos, ó portais eternos!
O Rei da Glória entrará.

 

Gimel (e da travessia de Daleth)

Livre dessa maldição, solto dessa prisão;
De toda esta ruína eu levantei!
Ainda pura, a lua virgem seduz
Minha passagem azul com seus sorrisos.
Agora! Ó, que amor o divino redime
Minha morte, e a banha em seus raios de luz!
Que consagração transubstancia
A minha carne e sangue, e encarna
O Pã quintessencial? Que terra
Se estende para além desta porta secreta?
Salve! Ó, tu estrela sétupla de verde,
Tu, glória quádrupla – todo este sofrimento
Apanhado em êxtase – uma benção
Para me passar cantando através da lua!
Não! Eu não sabia que glória resplandecia
Ouro da felicidade ofegante e além:
Mas isso eu sei, que eu me vou
Para o coração do grande diamante de Deus!
Eu combino meu poder com o de meu Destino,
Eu cingi-me para atingir os deveres ultimais,
Eu me armo a guerra para vencer: –
Levantai as vossas cabeças, ó portões poderosos!
Erguei-vos, ó portais eternos!
O Rei da Glória entrará.

 

Kether

Estou do outro lado do abismo de fogo;
Ouvi que eu sou o que sou!

 

O Retorno

Vê! Eu vesti a minha luz terrível
Naquele corpo nascido da noite.
Que sua mente esteja aberta para o superior!
Que seu coração seja lúcido e luminoso!
O Templo de seu próprio desejo
O Templo da Rosa Cruz!
Conforme Hórus acelera a chama, Harpócrates
A recebe, e põe a alma a descansar.
Eu que era Um sou Um, toda a luz
Equilibrada dentro de mim, justiça ordenada,
Tal como sempre foi para o iniciado do saber,
É agora, e sempre será. 
Amém

Aleister Crowley
de The Winged Beetle, 1910

Currículo dos Graus da A∴A∴

Estudante


  • Original
    • O Equinócio, do primeiro número até o atual
    • Raja Yoga, de Swami Vivekananda
    • O Shiva Sanhita, ou o Hathayoga Pradipika
    • Konx Om Pax, de Aleister Crowley
    • O Guia Espiritual, de Miguel de Molinos
    • 777, de Aleister Crowley
    • Dogma e Ritual de Alta Magia, de Eliphas Levi
    • A Goetia ou o Lemegeton do Rei Salomão
    • Tannhauser, de Aleister Crowley
    • The Sword of Song, de Aleister Crowley
    • Time, de Aleister Crowley
    • Elêusis, de Aleister Crowley
    • O Livro da Magia Sagrada de Abramelin o Mago
    • Tao Teh Ching
    • Os Escritos de Chuang Tsu
  • Brasileiro
    • O Equinócio, todos os textos traduzidos
    • Raja Yoga, de Swami Vivekananda
    • Shiva Sanhita
    • Hathayoga Pradipika
    • O Guia Espiritual, de Miguel de Molinos
    • 777, de Aleister Crowley
    • Dogma e Ritual de Alta Magia, de Eliphas Levi
    • A Goetia ou o Lemegeton do Rei Salomão
    • Elêusis, de Aleister Crowley
    • O Livro da Magia Sagrada de Abramelin o Mago
    • Tao Teh Ching
    • Os Escritos de Chuang Tsu
    • A Cabala Mística
    • A Voz do Silêncio
    • Bhagavad Gita
    • Guia da Transformação Thelêmica
    • O Dhammapada
    • Pistis Sofia
    • A Kabbalah Revelada, de Knorr von Rosenroth

 

Probacionista


  • A Mensagem do Mestre Therion
  • A Operação de Bartzabel
  • A Visão e a Voz - O Chamado dos Trinta Aethyrs
  • Cartas aos Probacionistas
  • Ching Chang Ching – O Clássico da Pureza
  • De Lege Libellum
  • Khabs Am Pekht
  • Liber 777
  • Liber A vel Armorum
  • Liber ABA (Magick) - O Livro Quatro
  • Liber AL vel Legis - O Livro da Lei
  • Liber Aleph
  • Liber Artemis Iota vel De Coitu Scholia Triviæ
  • Liber A'ash vel Capricorni Pneumatici
  • Liber Chanokh
  • Liber CI - Uma Carta Aberta Àqueles que Possam Querer Juntar-se à Ordem
  • Liber CLXV - Um Mestre do Templo
  • Liber DCCCXXXVII - A Lei da Liberdade
  • Liber E vel Exercitiorum
  • Liber Gaias
  • Liber III vel Jugorum
  • Liber Israfel
  • Liber Librae - O Livro do Equilíbrio
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A Alma do Deserto - Por Aleister Crowley

A Alma do Deserto

Por Aleister Crowley
Escrito em
Tozeur
17 de Março de 1914
“Eu, também, sou a Alma do Deserto; tu me buscarás ainda mais uma vez no deserto de areia”.          Liber LXV, IV, 61.

I. A Jornada

A alma é em sua própria natureza, perfeita pureza, perfeita calma, perfeito silêncio; e tal como uma fonte nasce das próprias veias da terra, assim é a alma nutrida do sangue de Deus, o êxtase das coisas.
Esta alma não pode ser ferida, não pode ser desfigurada, não pode ser corrompida. No entanto, todas as coisas somadas a ela, por um tempo a perturbam; e isso é tristeza.
A isso a própria linguagem dá testemunho; pois todas as palavras que significam infeliz significam antes de tudo perturbado, inquieto, conturbado. A raiz da ideia de tristeza é essa ideia de agito.
Por muitos anos o homem em sua busca pela felicidade percorreu um caminho falso. Para saciar sua sede ele pôs sal em quantidades cada vez maiores na água da vida; para cobrir os formigueiros de sua imaginação ele ergueu montanhas onde bestas selvagens e mortíferas perambulam. Para curar a coceira, ele esfolou o paciente; para exorcizar o fantasma, ele evocou o diabo.
Esse é o principal problema da filosofia, como isso começou. Os Rishis, os sete que se assentaram no Monte Kailasha e assim consideraram respondido, que a alma se tornou autoconsciente; e gritando “Eu sou Isso!” tornou-se duas, mesmo no ato de afirmar que era Uma. Esta teoria pode ser percebida como não muito distante da verdade por quem quer que retorna a essa torre sobre as muralhas da alma e contempla a cidade.
Mas vamos deixar que os médicos discutam a causa da doença; para os pacientes é o suficiente saber a cura e tomá-la. Abana e Farfar, rios de Damasco, não valem a simplicidade do Jordão. O profeta falou; nos preocupamos em não obedecer: e tão doces e tão virtuosas são essas águas que o primeiro toque agita a alma com o antegosto certo de sua cura.
Não duvides, irmão! a razão de fato pode criar complexidades; não são estas os próprios sintomas da doença? Use apenas o sentido grosseiro comum, herança dos antepassados mais simples e felizes, que transmitiram a ti pela baqueta.
A cura do mal-estar é o bem-estar; da inquietação, a quietude; do conflito, a paz. E para alcançar a equitação o estudo de fólios não ajuda, mas sim a montaria de um cavalo; assim como a melhor maneira de nadar é entrar na água e se esforçar; assim é o sentido calmo, e não a razão fervorosa, que diz: para atingir a quietude, pratique a quietude.
Existem homens de vontade tão forte, tão capazes de concentrar a mente, de negligenciar as impressões que eles não querem receber, que podem retirar-se de suas cercanias, até mesmo quando são tão numerosas e insistentes quanto as de uma cidade grande. Mas para a maioria dos homens, o melhor é começar em circunstâncias mais fáceis, escalar a montanha no tempo bom antes de atacá-la na tempestade de neve. E mesmo assim o aspirante ansioso responderá: Desde que a cura seja completa. Desde que a doença não retorne quando o medicamento for interrompido.
Ah! isso é difícil: a doença está tão profundamente enraizada que anos depois de os sintomas já passarem, ela se agarra em um momento de fraqueza para ressurgir. É a febre da malária que se esconde baixa, que se esconde na própria substância do sangue, que fez a própria fonte da vida partilhar com ela do sacramento da morte.
“Uma aranha descobriu a taça de comunhão?”
“Era um sapo na pia de batismo?”
Não: com suficiente certeza o remédio cura, mas muitas vezes não cura de uma vez por todas, além de quaisquer recaídas. Mas é simples; uma vez que os sintomas tenham diminuído apropriadamente, eles nunca retornam com a mesma força; e se o paciente tiver apenas a esperteza de estender a mão a outra, a febre morre.
Então qual é o princípio? Curar o paciente uma vez; dar-lhe a fé na eficácia do remédio, de modo que se por acaso ele adoeça e nenhum médico estiver por perto, ele possa ser capaz de curar a si mesmo.
Então se o Pensamento é aquilo que perturba a alma, só há uma coisa a ser feita. Parar de pensar.
É a tarefa mais difícil que o homem pode empreender. “Dê-me um ponto de apoio para minha alavanca”, disse Arquimedes, “e eu moverei a terra”. Mas como, quando se está dentro e se é parte do próprio sistema de movimento que deseja parar? A Primeira Lei de Newton cai como o machado do executor sobre a própria nuca do nosso esforço. Que bom para nós que isso não é verdadeiro como é óbvio! Pois este fato nos salva, que a resolução de tudo é repouso. O movimento só ocorre em pares recíprocos; a soma de seus vetores é zero. O nó do Universo é um nó de tolo; pois todo ele parece górdio; apenas puxe com firmeza, e ele se desfaz. É essa aparência que é todo o engano; sombrio é o abismo, e as nuvens se reúnem furiosamente em formas monstruosas; a lua falsa pisca atrás deles; abismos sobre abismos abrem por todos os lados. Escuridão e perigo; os sons ferozes de coisas hostis!
Um raio de luz das estrelas, e eis a ponte de ouro! Estreita e reta, fina como o fio da navalha e brilhante como a lâmina da espada, uma ponte adequada se tu não te inclinares nem para a direita nem para a esquerda. Atravesse-a - muito bem! mas tudo isso está no sonho. Acorde! Tu saberás que todos juntos, o golfo, a lua, a ponte, o dragão e o resto, eram apenas os fantasmas de sono. Todavia, lembre-se disso, que cruzar a ponte no sono é a única maneira de acordar.
Eu não sei se muitos homens têm a mesma experiência que eu em questão de sonhos voluntários, ou melhor, da disputa entre o sonho solicitado e não solicitado. Por exemplo, eu estou em um cume de gelo com Oscar Eckenstein. Ele desliza para um lado. Eu me jogo pro outro. Começamos a abrir caminho para subir o cume; meu machado quebra, ou é arrancado de minha mão. Começamos a nos puxar até o cume pela corda; a corda começa a arrebentar. Felizmente, ela se enrosca mais abaixo em uma fenda da rocha. Um abutre-barbudo circunda, eu invento uma pistola e explodo seus miolos. E assim por diante através de mil aventuras, fazendo de mim o mestre de cada evento conforme ele surge. Mas hoje estou mais velho e farto de emoções. Hoje em dia no primeiro sinal de perigo eu levanto voo e navego descendo majestosamente até a geleira.
Se eu divaguei, foi para sobrepor esse triângulo sobre aquele da tarefa de “Parar de Pensar”. Parece simples, e é simples - quando você tem o domínio. Nesse meio tempo ela está inclinada a levá-lo para realmente longe da simplicidade. Eu mesmo escrevi alguns milhões de palavras, a fim de parar de pensar! Eu cobri quilômetros de telas com quilos de tinta a fim de parar de pensar. Assim pode ser que eu devo pelo menos ser considerado como nenhuma autoridade de modo algum sobre todas as maneiras erradas; e assim talvez, por um processo de exclusão, sobre o caminho certo!
Infelizmente, não é tão simples quanto isso : –
Existem sessenta e nove maneiras de construir as “trepadas” tribais.
E todas são corretas.
E o certo para A muitas vezes é errado para B.
Mas, felizmente, quanto mais simples se mantém o objetivo, mais simples são os meios. Em outros lugares em meus escritos será encontrada uma descrição bastante minuciosa e precisa do processo. O presente ensaio é apenas para defender um poderoso instrumento adjuvante – o ombro de Hércules para a carroça do iniciante, cuja desconfiança sussurra que ele é incapaz de seguir essas instruções nas circunstâncias difíceis da vida comum, ou para o entusiasta que sabiamente determina, como Kirkpatrick, “mak siccar”. Na verdade, os cuidados deste mundo, a sedução das abundâncias, as concupiscências da carne e dos olhos, o orgulho da vida, e todos os outros inimigos do santo, de fato sufocam a palavra, e ela se torna infrutífera.

 II. O Deserto

Assim como um mosteiro impõe a falsa paz do tédio por sua monotonia insalubre e artificial, assim também é a própria cura da natureza do deserto para todas as tribulações do pensamento.
Ali a alma passa por uma tecelagem tripla. Primeiro, a novidade das cercanias, sua estranha e saliente simplicidade encanta a Alma. Ela tem uma premonição de sua cura; ela sente a atmosfera de casa. É a certeza de sua vocação. Em seguida, a mente tendo sua frivolidade saciada com a novidade, torna-se aborrecida, vira-se para a aspereza, até mesmo à revolta apaixonada. O noviço bate contra as grades; o estrangeiro do deserto voa para Londres ou Paris com o diabo em seus pés. Um superior sábio não conterá o acólito que não consegue se conter; mas no deserto, o refugiado, se ele duvidar de seus próprios poderes - ainda mais, talvez, se ele não desconfiar deles! sabiamente tornaria impossível retornar. Mas como ele deveria fazê-lo? Acredite em mim, que tentei, a jornada mais longa, as dificuldades mais amargas, são como nada, um voo de flecha de alegria, quando o grande horror jaz detrás e o santuário de Paris jaz à frente!
Porque, na verdade, este é o grande horror, a solidão, quando a alma não pode mais banhar-se na mente sempre-mutável, rir enquanto os cachos ensolarados envolvem sua pele, mas sim calar-se no castelo de alguns pensamentos, caminhar por sua estreita prisão, desgastando a pedra do tempo, alimentando-se de seus próprios excrementos. Não há estrelas na escuridão daquela noite, não há espuma sobre aquele mar estagnado e podre. Até mesmo a brilhante saúde que o deserto traz ao corpo é como uma lança na garganta da alma. A dor passional de agir, de pensar: isso come a alma como um câncer. É o escorpião atacando a si mesmo em sua agonia, salvo que nenhum veneno pode somar à tortura do fogo que o cerca; nenhuma superabundância de angústia o alivia pela aniquilação.    Mas contra estes paroxismos há um sedativo óctuplo. Os delírios de loucura são perdidos no espaço silencioso; a luta dos homens se afogando não é percebida pelo mar.   
Estes são oito gênios do deserto. Eles são os oito elementos de Fohi: 

Masculino                Feminino
O Lingam (Vida)                    A Yoni (Espaço – as Estrelas)
O Sol                    A Lua
Fogo                    Água
Ar (Madeira)                    Terra


No deserto todos estes são únicos, todos estes estão nus. Eles são puros e imperturbáveis; não dividindo e dissolvendo por qualquer mistura ou comunhão; cada um permanece si mesmo e à parte, de fato harmonizando com seus companheiros, mas de modo algum interferindo. As linhas de demarcação são brutas e ásperas; mas incompreensivelmente a suavidade é o resultado. Eles são imitigáveis, estes oito elementos, e juntos eles mitigam imensuravelmente. A mente que se revolta contra eles é triturada por sua constante e despreocupada pressão. É como quando se joga um cristal – digamos de sal microscópico – na água; é comido em silêncio e rapidamente, e não é mais; a água nunca é perturbada; sua ação é como a do Destino, infinitamente irresistível ainda que infinitamente calmo.
Assim a mente tenta pensar isso ou aquilo; é trazida de volta ao silêncio pelos oito grandes fatos. O vento do deserto não sofre nenhum obstáculo para impedi-lo; o sol brilha invencivelmente sobre o chão ardente da aldeia; a areia invisivelmente devora o oásis, salvo por um momento quando onde o homem ergue seus aterros contra ela. Todavia, o manancial salta inesperado da areia, e nenhum simum pode reprimi-lo, nem mesmo evaporá-lo; nem pode a imensa esterilidade do deserto conquistar a vida. Olhe para onde você vai, a cada duna de areia tem seus habitantes - não colonos, mas nativos dos lixos que parecem inóspitos. A própria lua, serenamente girando em torno da terra, muda em aparência, como se dissesse: “Mesmo assim tu segues ao redor do sol. Estou nova ou cheia? Nunca penso nisso; isso é apenas o ponto de vista do qual você arrisca me considerar. Eu sou apenas um espelho da luz solar, escura ou brilhante de acordo com o ângulo do teu olhar. O espelho muda? Não está sempre a prata imperturbada? Não tenho sempre uma face voltada em direção ao sol? Tu só te ridicularizas se me considerares como ‘A Mutável’ ”.
Com tais reflexões ou semelhantes, pode ser, trarás um fim à revolta da mente contra o deserto.
Pois a própria vida, aqui no oásis, é uma coisa ordenada por esses elementos. A noite é para dormir, não há nada pelo que acordar. Não há luz artificial; não há literatura artificial. Não há escolha de carnes; sempre se está com fome. O molho do deserto é a fome, único como o molho do inglês. Tendo comido, deve-se caminhar; há apenas um lugar para ir. Há apenas uma lição para aprender, a paz; apenas um comentário sobre a lição, agradecimento. O próprio amor se torna simples como o resto da vida. Uma olhada no Cafe Maure, um acordo silente com o prazer, uma retirada suave para algum buraco das dunas sob as estrelas onde a aldeia é apagada, como se nunca tivesse sido, como se naquele momento feliz todas as transgressões do pecador, e todas as desgraças da vida, pela Virtude do Sagrado; ou então para algum canto escuro de um jardim do oásis à beira do córrego, onde através das palmeiras suavemente agitadas surge o primeiro luar do Oriente, e a vida se excita em uníssono sonolento; tudo, tudo em silêncio, não com nomes ou votos trocados, mas com a vontade limpa um ato realizado. Não mais. Sem tumulto, sem confusão, sem desespero, sem auto-tormenta, e dificilmente uma memória.
E isso também a princípio é horrível; se espera muito do amor; três volumes de falsidade, um labirinto em vez de um jardim. No começo é difícil perceber que isso não é mais amor do que um carbúnculo é parte do pescoço de um homem. Todas as especiarias com as quais estamos acostumados a temperar o prato para nossos paladares depravados, Maxim’s, St. Margaret’s, passeios de automóvel, o Tribunal de Divórcio, estes são prazeres insalubres. Eles não são amor. Nem é o amor a exaltação de emoções, sentimentos, tolices. Os fundos do teatro não são o amor, (nem é a escada do motel); o amor é o êxtase corpóreo da dissolução, a agonia da morte corpórea, onde o Ego por um momento, que é um aeon, perde a consciência fatal de si mesmo; e se tornando um com o de outro, prenuncia aquele sacramento maior que é a morte, quando “o espírito volta a Deus, que o deu”.
E esse segredo também tem sua parte na economia da vida. Pela estrada do silêncio chega-se à porta da Cidade de Deus. Conforme a mente gradualmente é aquietada pela coragem e pela resistência do aspirante, e pela força guerreira (que é a paz inabalável) destes Oito Elementos do Deserto, assim, finalmente, o Ego se encontra só, sem máscara, consciente de si mesmo e de nenhuma outra coisa. Esta é a suprema angústia da alma; ela percebe-se como si mesma, como uma coisa separada daquilo que não é ela mesma, de Deus. Neste espasmo existem dois caminhos: se medo e orgulho permanecem na alma, ela se fecha, como um bruxo em uma torre, rangendo seus dentes em agonia. "Eu sou eu", ela grita: "Eu não vou me perder", e nesse estado condenado, ela lentamente é rasgada pelas garras da circunstância e se desintegra amargamente, por todas as suas lutas, ao longo de eras e eras, seus trapos despedaçados atirados sobre o monte de esterco fora da cidade. Mas a alma que entendeu a bem-aventurança dessa renúncia que apreende o universo e o devora, que é sem esperança ou medo, sem fé ou dúvida, sem ódio ou amor, se dissolve inefavelmente na abundante felicidade de Deus. Ela chora com Shelley , conforme “as cadeias de chumbo sobre seu voo de fogo” derretem e caem de seus membros: “eu arquejo, afundo, tremo, expiro”, e neste último suspiro se torna um com o sopro primal e final, o Espírito Santo de Deus.
Tal deve ser o clímax de qualquer retiro ao Deserto por parte de qualquer aspirante dos Mistérios que tem a centelha desse fogo em si.
Ele é atraído à quietude física (à regularidade, simplicidade, unidade de movimento) pelo exemplo constante e compulsão dos Elementos. Ele é forçado à introspecção pela pobreza da impressão exterior, e através disso, ele logo descobre a sensação por trás dos pensamentos, as percepções por trás das sensações, as leis subjacentes até mesmo à percepção e, finalmente, aquela consciência que é o legislador. Mais cedo ou mais tarde, de acordo com a sua energia e a santificação de sua vontade, ele deve derrubar o grande véu e contemplar a si mesmo sobre as paredes brilhantes do espaço, ele deve expressar com tremulante êxtase: “Esse sou eu!” Então que ele escolha!
A partir deste momento da aniquilação do Eu em Pã, ele está curado da doença, “autoconhecimento”. Ele pode voltar a ficar entre os seus companheiros, e mover-se entre eles como um rei, brilhar entre eles como uma estrela. A ele se voltarão insensivelmente pela luz; a ele virão pela cura de suas feridas.
Ele levantará a Lança sagrada, e tocará com ela o lado do rei, que não foi ferido por arma menor; e o rei estará curado.
 Ele mergulhará a ponta da Lança no Santo Graal, e ele novamente brilhará com vida e êxtase, exalando sua magnanimidade de misterioso refrescar para toda a companhia de cavaleiros.
Então, se a rochas da vida o despedaçarem, e sua neve resfriá-lo, não sabe ele para onde se voltar? Não atingiu ele o segredo? Não entrou ele no Santuário do Altíssimo?
Ele não foi escolhido e armado contra todas as coisas? Ele não é o mestre do Destino e do Evento? O que pode tocá-lo, ele que se tornou intangível, estando perdido em Deus? Ó, vence-o, ele que se tornou invencível, tendo conquistado a si mesmo e se entregue a Deus? Tal como a nascente escreve sobre a areia, assim a tristeza escreve sobre sua alma. Assim busca escurecer o Sol, de modo a por para fora a Luz que está dentro dele.
Assim eu escrevi nos jardins de palmas de Tozeur, pelas águas de sua nascente; assim eu escrevi enquanto o sol se moveu poderosamente para baixo no céu, e o vento sussurrou que ele veio de lugar algum e vai para lugar algum, mesmo conforme se inclinou, da eternidade à eternidade.

Amém

Thien Tao ou A Sinagoga de Satã

Thien Tao
ou
A Sinagoga de Satã

Sub figura XLI
Publicação em Classe C

Meu objetivo totalmente sublime
Vou realizar em tempo
Para tornar a punição adequada ao crime,
A punição adequada ao crime!
W.S. GILBERT.

I - “A Deterioração dos Costumes”.

JÁ QUE ninguém pode ter a presunção de duvidar da demonstração de São Tomás de Aquino que este mundo é o melhor dos mundos possíveis, conclui-se que a condição imperfeita das coisas que estou prestes a descrever só pode ser obtida em algum outro universo; provavelmente todo o assunto é apenas fruto de minha imaginação doentia. Mesmo que assim for, como podemos conciliar a doença com a perfeição?
É evidente que há algo errado aqui; o silogismo aparente acontece que em verificação é um entimema com uma suprimida e impossível premissa maior. Não há progressão nestas linhas, e o que eu estupidamente confundi com uma bela maneira fácil de deslizar em minha história provou ser um cego em um beco sem saída.
Temos de começar, portanto, pelo simples e austero processo do início.
As condições do Japão nesta época eram (que época? Aqui estamos com problemas com o historiador imediato. Mas deixe-me dizer que eu não vou ter nenhuma interferência com minha história por parte de todas essas pessoas enfadonhamente ajuizadas. Irei em frente, e se as opiniões forem desfavoráveis, terei sempre o recurso do suicídio) perigosamente instáveis. A aristocracia guerreira da Casta Superior havia sido tão diluída com comerciantes bem sucedidos que corrupção se tornou uma virtude tão altamente lucrativa ​​quanto o adultério. Na casta Inferior cérebros ainda eram estimados, mas eles foram interpretados como a habilidade de passar nos exames.
O recente alargamento de privilégios para as mulheres rendeu a Yoshiwara a mais formidável das organizações políticas, enquanto a parte física da nação havia sido seriamente prejudicada pelos resultados de uma lei que, por assegurar-lhes em caso de lesão ou doença de uma longa-vida, competência de ociosidade que nunca poderiam ter obtido de outra forma pela labuta mais trabalhosa, encorajou todos os trabalhadores a serem totalmente descuidados de sua saúde. A formação dos funcionários, com efeito, desta vez constituía, exclusivamente, na instrução prática cuidadosa na arte de quedas em escadas, e o homem mais rico do país, era um ex-mordomo que, ao quebrar a perna em nada menos que trinta e oito ocasiões, adquiriu uma pensão que colocava a de um marechal de campo completamente à sombra.
Até agora, porém, o país ainda não estava irremediavelmente condenado. Um sistema de intrigas e chantagens, elaborado pelas classes dirigentes ao mais alto grau de eficiência, atuou como um contrapeso poderoso. Em teoria, todos eram iguais, na prática, os funcionários permanentes, os verdadeiros governantes do país, era um corpo distinto e confiante de homens. Seus interesses eram em governar bem, para que qualquer perturbação da ordem pública ou estrangeira, indubitavelmente, tivessem espalhado as faíscas de descontentamento na ribombante chama da revolução.
E o descontentamento existia. Os comerciantes fracassados foram muito implacáveis contra a Casta Superior, e aqueles que tinham falhado em exames escreveram diabetes terríveis contra a loucura do sistema educacional.
O problema era que eles estavam certos, o governo foi bom o suficiente, de fato, mas, em teoria, quase não tinha uma perna para se sustentar. Tendo em vista o clamor crescente, as classes oficiais foram perturbadas, pois muitos de seus pares foram inteligentes o suficiente para ver que um sistema completamente irracional, por melhor que pudesse funcionar na prática, não poderia ser eternamente mantido contra os ataques daqueles que, embora possam ser secretamente estigmatizados como doutrinários, possam trazer argumentos irrespondíveis. O povo tinha o poder, mas não a razão, por isso eram favoráveis ​​à falácias que se confundiam com a razão e não com o poder que teriam imaginado ser tirania. Uma plebe inteligente é dócil e um canalha educado espera que tudo seja lógico. Os sofismas superficiais do socialista eram inteligíveis, não podem ser refutados pelas mais profundas e, portanto, ininteligíveis proposições de Tory.
A multidão podia entender a semelhança superficial de bebês, mas eles não podiam entender que as circunstâncias de educação e meio ambiente formam uma pequena parte do aparelho de um ser consciente A brutal e verdadeira “Você não pode fazer uma bolsa de seda de uma orelha de porco” tinha sido esquecida por falácias boas e plausíveis de escritores como Ki Ra Di.
Tão grave a situação tinha se tornado, de fato, que as classes dirigentes tinham abandonado todos os dogmas do Direito Divino e similares de forma insustentável. A teoria da hereditariedade havia sido dividida, e o enobrecimento dos comerciantes se tornado não apenas falso, mas ridículo.
Nós consequentemente os achamos engajados na tola tarefa de defender as anomalias que enojam o país por uma luta de flagrantes e venais sofismas. Eles não enganam ninguém, e só inspiram desprezo, o que poderia ter sido inofensivo, se não fosse o ódio que ameaçou engolir a comunidade em um abismo das mais formidáveis convulsões.
Tal era a navalha de ponta em que estavam os pés instáveis ​​da república, que quando avançou, alguns anos antes da data de minha visita, o filósofo Kwaw aportou em Nagasaki após um estimulante nado a partir do continente.

 

II - “Ficando Só”.

KWAW, quando cruzou o Mar Amarelo, era maior de idade e tinha 32 anos. Os vinte equinócios anteriores tinham passado por sua cabeça enquanto ele vagava, único homem inquilino, entre as colossais e ainda desprezíveis ruínas de Wei Hai Wei. Seus únicos companheiros eram o leão e o lagarto, que freqüentavam as ruínas remanescentes dos quartéis oficiais; enquanto no pequeno cemitério, batidas dos cascos de burros selvagens (inutilmente, se eles desejam acordá-los) em cima dos túmulos dos atletas que uma vez lotaram os desolados salões.
Durante este tempo Kwaw dedicou sua atenção inteiramente ao exercício da filosofia; pois a enorme quantidade de excelentes lojas abandonadas pelo exército britânico não deixou nenhum anseio sobre o resultado da fome.
No primeiro ano ele disciplinou e conquistou seu corpo e suas emoções.
Nos próximos seis anos, ele disciplinou e conquistou sua mente e seus pensamentos.
Nos próximos dois anos, ele tinha reduzido o Universo ao Yin e o Yang e suas permutações aos trigramas de Fo-hi e aos hexagramas do Rei Wu.
No ano passado ele aboliu o Yin e o Yang, e se uniu com o Grande Tao.
Tudo isso era muito satisfatório para Kwaw. Mas até mesmo sua estrutura de ferro tinha sido um pouco prejudicada pela dieta invariável das provisões em conserva, e talvez tenha sido pela virtude do talismã que ele tenha tido sucesso em sua famosa tentativa de superar as proezas do Capitão Webb. Nem foi sua recepção menor que um triunfo. Tão Atlética nação como os japoneses ainda eram, não podia deixar de homenagear tão fantástica façanha, embora lhes custasse caro, a medida em que a Liga da Marinha (por uma série de movimentos políticos astutos) obrigou o partido no poder a triplicar a Marinha, construir uma linha contínua de fortificações em todo o litoral, e gastar muitos bilhões de ienes na reprodução científica de uma espécie mais voraz de tubarões dos que tinham até então infestado suas costas.
Então eles levaram Kwaw no ombro para Yoshiwara, e deram-lhe a mão amigavelmente, e chamaram os índios, e anexaram sua propriedade pessoal de relíquias, e outro seguiu os costumes da melhor Sociedade Nova Iorquina, enquanto a banda alemã acompanhou a famosa Ka Ru So, para a seguinte agradável balada:

REFRÃO: Sopra o tom-tom, bate a flauta!

Vamos todos ser felizes!

Eu sou uma pessoa com aguda e

Crônica beribéri.


I.

Segunda-feira eu sou um bicho magro

Absolutamente em Félicien-Rops-ia.

Sopra o címbalo, bate a cítara!

Terça-feira eu tenho um edema.

Refrão


II.

Quarta-feira os sintomas cardíacos virão

Quinta-feira os diabéticos,

Sopra a rabeca, dedilha o tambor!

Sexta-feira eu sou parético.

Refrão


III.

Se no sábado meus inimigos

Juntarem-se em densas legiões,

Depois, no domingo, eu suponho

Eu estarei com beribéri!

Refrão




Não é preciso estar intimamente familiarizado com o personagem japonês para entender que Kwaw e seu talento foram esquecidos em poucos dias; mas um Daimio rico, com um gosto pela observação, encasquetou em consultar Kwaw para saber por qual motivo ele tinha entrado no país de maneira tão estranha. Isso irá simplificar as coisas se eu reproduzir na íntegra a correspondência, que foi realizada por telegrama.
  1. Quem é vossa honorável pessoa, e por que Vossa Excelência nos pagou o gado ao elogio distinto de uma visita?
  2. Esse verme nojento é o grande Tao. Eu humildemente suplico ao vosso esplendor sublime que atropele seu escravo.
  3. Lamento dedão ininteligível.
  4. Grande Tao T.A.O. Tao.
  5. O que é o grande Tao?
  6. O resultado da subtração do universo de si mesmo.
  7. Bom, mas esse cachorro em decomposição não pode conceder o honorável e sublime desejo de Vossa Excelência, mas, ao contrário, iria orar fervorosamente a sua serenidade brilhante para cuspir em cima de seu rastejante “joro”.
  8. Profundo pensamento assegura que a sua estúpida suplica que sua nobreza gloriosa deva conhecê-lo antes que a controvérsia possa ser decidida.
  9. Verdade. Será que sua sublimidade condescenderia se contaminar por entrar neste casebre miserável de sujeira-varrida?
  10. Espere o dragão leproso com beribéri em seu magnífico palácio celestial de alta potência amanhã (quinta-feira) às três em ponto da tarde.
Assim conheci Kwaw, o poeta-filósofo da China; e Juju, o padrinho de seu país.
Sublime momento na eternidade! Aos nomes de Josué e Ezequias acrescente o de Kwaw! Porque embora ele estivesse quinze minutos atrasado para o encontro, as mãos voltaram-se para o mostrador do cronômetro de Juju, de modo que nenhuma sombra de desconfiança ou mal encoberto o arrebataram daquele evento supremo.

 

III - “A Manifestação da Simplicidade”.

“O QUE”, disse Juju, “Ó grande Tao, você recomenda como um remédio para os males de meu país infeliz?”
O sábio respondeu: “Ó poderoso e grandiloquente Daimio, sua aristocracia não é uma aristocracia, porque não é uma aristocracia. Em vão você procura alterar esta circunstância, pagando ao verme nocivo do Dai Li Pai Pur para escrever falsidades estúpidas sustentando que sua aristocracia é uma aristocracia, porque é uma aristocracia.
“Como Heráclito superou a antinomia de Xenófanes e Parmênides, Melisso e o Eleata Zero, e Ens e o Não-Ens por seu Vir-a-ser, então deixe-me dizer-lhe; a aristocracia será uma aristocracia tornando-se uma aristocracia.
“Ki Ra Di e seus amigos de cara-suja desejam baixar o nível da boa prática para a má teoria, você deve opor-se nivelando a má teoria à boa prática.
“Seus invejosos se vangloriam de que você não é melhor do que eles, prove-lhes que eles são tão bons quanto você. Eles falam de uma nobreza de tolos e patifes; mostre a eles homens sábios e honestos, o gengibre socialista não é mais quente na boca individualista “.
Juju resmungou concordando. Ele quase dormiu, mas Kwaw, absorvido em seu assunto, nunca notou o fato. Ele continuou com o entusiasmo de um rolo compressor, e o vigor ininterrupto e significativo de uma borboleta hipnotizada. “O homem é perfeito por sua identidade com o grande Tao. Secundariamente a isso, ele deve ter equilibrado perfeitamente o Yin e o Yang. Mais fácil ainda é dominar a estrela hexagonal do Intelecto; enquanto que a base do controle do corpo e suas emoções é o primeiro passo.
“Equilíbrio é a grande lei, e perfeito equilíbrio é coroado pela identidade com o grande Tao”.
Ele enfatizou essa afirmação sublime por um golpe deliberante sobre o abdômen saliente do honrado Juju.
“Suplico que continue seu honorável discurso!” exclamou o Daimio semi-desperto.
Kwaw continuou, e eu acho que seria mais correto dizer que ele continuou por um longo tempo, e isso porque você tem sido tolo o suficiente para ler até aqui, você não tem desculpa por ser idiota o suficiente para ler mais.
“Fenacetina é uma droga útil para a febre, mas ai daquele paciente que a inalar em colapso. Por calomelano ser um remédio perigoso para apendicite, nós não condenamos seu uso em indigestões simples.
“Assim como é em cima, é embaixo! disse Hermes, o três vezes grande. As leis do mundo físico estão em um paralelo preciso com as da esfera moral e intelectual. Para a prostituta eu prescrevo um curso de formação pelo qual ela deva compreender a santidade do sexo. A castidade faz parte dessa formação, e eu espero vê-la um dia uma feliz esposa e mãe. Igualmente para o puritana eu prescrevo um curso de formação pelo qual ela deva compreender a santidade do sexo. A falta de castidade faz parte dessa formação, e eu espero vê-la um dia uma feliz esposa e mãe.
“Ao fanático eu recomendo um curso de Thomas Henry Huxley; aos infiéis um estudo prático de magia cerimonial. Então, quando o fanático tem conhecimento e o infiel fé, cada uma pode seguir sem prejudicar sua inclinação natural; porque ele já não mergulhará em seus excessos anteriores.
“Assim também aquela que era uma prostituta de paixão inata pode entrar com segurança no prazer do amor; aquela que era de natureza fria pode desfrutar de uma virgindade de modo algum prejudicada por seu curso disciplinar de lascívia. Mas uma entenderá o amor da outra.
“Eu tenho sido taxado de agredir o que é comumente conhecido como virtude. Verdade, eu odeio isso, mas apenas no mesmo grau que eu odeio o que é comumente conhecido como vício.
“Portanto é necessário reconhecer que aquele que é um pouco desequilibrado precisa de uma correção mais suave do que aquele que é obcecado por parcialidade. Há homens que criam um fetiche de limpeza, pois eles trabalham em uma loja de instalações eléctricas, e aprendem que a sujeira é a marca de um honrado labor. Há aqueles cujas vidas se tornam miseráveis pelo temor de uma infecção; veem bactérias do tipo mais mortal em todas as coisas porém histericamente combatem seu inimigo invisível com soluções reais de ácido carbólico e cloreto de mercúrio, tal homem eu iria enviar para viver em um bazar em Deli, onde eles deveriam aprender por acaso que a sujeira faz pouca diferença, afinal.
“Há homens lentos que precisam da experiência de alguns meses da atividade dos currais, existem homens de negócios em uma pressa, que eles deveriam viajar para a Ásia Central para adquirir a arte da tranquilidade.
“Tanto por equilíbrio, e por dois meses em cada ano, cada membro de suas classes governantes devem ser submetidos a esse treinamento sob orientação especializada.
“Mas e quanto ao Grande Tao? Durante um mês em cada ano, cada um destes homens deve procurar desesperadamente pela Pedra dos Filósofos. Através da solidão e da abstinência ao social e voluptuoso, através da embriaguez e da orgia ao austero, com açoites àquele que teme a dor física, pela tranquilidade ao inquieto, e trabalho ao preguiçoso, através de touradas ao humanitarista, e através do trado de crianças pequenas ao insensível, através de rituais ao racional, e através de filosofia ao crédulo, devem estes homens, enquanto ainda desequilibrados, procurarem atingir a unidade com o grande Tao. Mas para aqueles cujo intelecto é purificado e coordenado, para aqueles cujos corpos estão com saúde, e cujas paixões são ao mesmo tempo ardentes e controladas, será lícito escolher o seu próprio caminho para a Única Meta, isto é, a identidade com esse grande Tao, que está acima da antítese do Yin e do Yang.”
Até Kwaw se sentiu cansado, e aplicou-se ao saquê-e-soda. Revigorado, ele continuou: “Os homens que estiverem dispostos de tal maneira a se tornar o salvador de seu país serão chamados à Sinagoga de Satã, de modo a guardarem-se da amizade dos tolos que confundem os nomes das coisas. Lá serão mestres da Sinagoga, mas eles nunca devem procurar dominar. Eles devem se abster o mais cuidadosamente possível de induzir qualquer homem a procurar o Tao por qualquer outro meio que não seja o do equilíbrio. Eles devem desenvolver genialidade individual, sem considerar se, em sua opinião sua realização tende para o bem ou o mal de seu país ou do mundo, pois quem são eles para interferir com uma alma cujo equilíbrio foi coroada pelo mais sagrado Tao?
“Os mestres serão grandes homens entre os homens, mas entre os grandes homens, eles devem ser amigos.
“Desde que o equilíbrio se torne perfeito, um maior do que Napoleão se levantará, e os pacíficos se regozijarão; um maior do que Darwin, e o ministro em seu púlpito dará graças abertas a Deus.
“O infiel instruído deverá deixar de zombar do frequentador-de-igrejas, pois ele terá sido obrigada a ir à igreja, até que tenha visto os pontos positivos, bem como os negativos; e o devoto instruído deixará de detestar o blasfemo, porque ele terá rido com Ingersoll e Saladino.
“Dê ao leão o coração do cordeiro, e ao cordeiro a força do leão, e eles se deitarão juntos em paz.”
Kwaw cessou, e a respiração pesada e regular da Juju garantiu-lhe que suas palavras não tinham sido desperdiçadas; finalmente aquela alma inquieta e aflita tinha encontrado supremo descanso.
Kwaw tocou o gongo. “Eu cumpri minha tarefa”, disse ele ao obsequioso mordomo, “Peço licença para retirar-me da Presença”. “Peço a Vossa Excelência que me siga”, respondeu o suntuoso funcionário, “vossa senhoria mandou-me providenciar que sua santidade fosse fornecida com tudo o que desejastes.” Então o sábio riu alto.

 

IV - “Coisas para se Acreditar”.

SEIS meses se passaram, e Juju, se debatendo em seu sono, lembrou-se dos deveres de cortesia, e perguntou a Kwaw.
“Ele está na propriedade de Vossa Senhoria em Nikko”, os servos se apressaram em responder, “e ele virou todo o lugar completamente de cabeça para baixo. Milhões de ienes foram gastos mensalmente, ele ainda tem hipotecado este grande palácio em que vossa senhoria tem estado adormecido, um corpo de loucos agarrou as rédeas do governo - “
“A Sinagoga de Satã!” exclamou o Daimio indignado.
“E está em toda parte aclamada como o Padrinho de seu país!”
“Não me diga que a guerra britânica acabou desastrosa para nós!” e ele o chamou para o elaborado aparato de hara-kiri.
“Ao contrário, meu senhor, o ridículo Sa Mon, que nunca iria para o mar porque estava com medo de estar doente, apesar de seu gênio para a estratégia naval não ter igual nos Sete Abismos da Água, depois de um mês como clandestino em uma barco de pesca (por ordem de Kwaw) assumiu o posto de almirante da frota, e causou uma série de derrotas esmagadoras e completas sobre os almirantes ingleses, que apesar de terem estado na água durante toda a vida, tinham se omitido incompreensivelmente em adquirir qualquer conhecimento realmente preciso dos sistemas metafísicos de Sho Pi Naour e Ni Tchze.
“Mais uma vez, Hu Li, o gênio financeiro, que até então tinha sido praticamente inútil para seu país por conta de daquela feiúra e deformidade que o levou a afastar-se da sociedade e de seus companheiros, foi compelido por Kwaw a exibir-se como uma aberração. Uma quinzena disto o curou da timidez, e no prazo de três meses, ele quase dobrou a receita e os impostos pela metade. Vossa Senhoria tem gasto milhões de ienes, mas hoje é um homem mais rico do que quando Vossa Excelência foi dormir “.
“Eu vou ver este Kwaw”, disse o Daimio. Os servos então admitiram que o Mikado em pessoa estava esperando na porta do palácio por mais de três meses, com o propósito de pedir permissão para o conduzirmos para lá, mas que ele tinha se recusado a perturbar o sono do Padrinho de seu país.
Impossível descrever a cena comovente quando estes dois seres magnânimos derreteram-se (por assim dizer) nos braços um do outro.
Chegando à propriedade de Juju em Nikko, que maravilha que estes valorosos expressaram em ver o simples meio pelo qual Kwaw operou seus milagres! Em uma clareira de cereja brilhante e hibiscos (e quaisquer outras árvores bonitas que você possa imaginar) situava-se um edifício simples de pedra, que, afinal, não tinha custado milhões de ienes, mas muito poucos milhares apenas. Sua altura era igual à sua largura, e seu comprimento era igual à soma desses, enquanto a soma das três medidas foi precisamente igual a dez vezes a idade de Kwaw em unidades da extensão de sua mão. As paredes eram tremendamente grossas e havia apenas uma porta e duas janelas, tudo com vista para o por do sol. Não se pode descrever o interior do edifício, porque isso só iria estragar toda a diversão de outras pessoas. Ele deve ser visto para ser entendido, em qualquer caso, e está lá até hoje, aberto a qualquer pessoa que seja suficientemente forte para forçar a porta.
Mas, quando eles perguntaram por Kwaw, ele não foi encontrado. Ele havia deixado homens treinados para realizar a disciplina e as iniciações, estas últimas sendo a principal finalidade do prédio, dizendo que estava com saudades dos leões e lagartos de Wei-Hai-Wei, e que mesmo assim ele não tinha desfrutado de um digno nado por muito tempo.
Existe infelizmente, pouco espaço para dúvida de que a nova e voraz espécie de tubarões (que o patriotismo japonês forneceu somas tão grandes na criação) seja responsável pelo fato de nunca mais se ter ouvido falar dele.
O Mikado chorou; mas, animando-se, exclamou: “Kwaw nos encontrou uma multidão confusa e irritada, ele deixou-nos uma diversificada, mas harmoniosa república, e, embora nunca nos esqueçamos que não só temos desenvolvido homens de gênio em todos os ramos da prática da vida, mas muitos de nós tivemos o nosso equilíbrio coroado por essa glória suprema da humanidade, a realização de nossa identidade com o grande e sagrado Tao “.
Por meio do qual ele deixou para trás nada menos que 365 dias em cada ano, e um dia extra a cada quatro anos, como dias de especial alegria.


NOTAS SOBRE: THIEN TAO
“O Caminho do Céu”
OU A SINAGOGA DE SATÃ
(Liber XLI, Classe C)
Originalmente publicado em Konx Om Pax, 1907 e.v.
Atribuído ao Grau de Adeptus Major da A∴A∴

Em sua publicação original, a esta instrução não foi atribuída uma classe, nem documento, nem um número de catálogo. Na verdade, ela nunca foi publicada com sanção oficial da A∴A∴, fora das contemporâneas linhagens individuais. A formulação da A∴A∴ estava, em 1907, em seus estágios iniciais, e esses detalhes poderiam não terem sido ainda formalizados. Mais tarde (no “Sumário” em O Equinócio I:10), ele foi designado como um Documento em Classe C, e dado o número XLI. Nenhuma explicação foi dada para a atribuição deste número.
“LIBER XLI. - Thien TAO (em Konx Om Pax).
“Um estudo avançado da Consecução pelo método de equilíbrio no plano ético”.