segunda-feira, 18 de julho de 2011

Raul Seixas, Paulo Coelho, a Sociedade Alternativa e a Lei de Thelema

por Carlos Raposo[1]

O início dos anos setenta é guardado com imenso carinho por aqueles que os viveram intensamente, formando a romântica juventude daquele tumultuado período.
O eternamente pouco populoso meio thelêmico não escaparia (felizmente) do romantismo que tomara conta da assim chamada geração para frente Brasil. Entre tantos que estiveram em contato inicial com o assim chamado Sistema thelêmico de realização espiritual, dois nomes despontam, bem mais pelo futuro que o destino lhes reservaria, do que pelo conhecimento, propriamente dito, da matéria elaborada por Aleister Crowley (1975-1947): os nomes são, Raul Seixas e Paulo Coelho.
Raul Seixas conheceu Paulo Coelho em 1973, através de um artigo publicado na revista “A Pomba”, do próprio Paulo Coelho. A partir deste momento, nascia a tão famosa parceria musical que viria a projetar os dois no cenário nacional.
Paulo Coelho, então em contato com Marcelo Ramos Motta (1931-1987), tomava suas primeiras instruções sobre Crowley e a Lei de Thelema. O fascínio pela filosofia desenvolvida pelo controvertido mago Inglês, não tardou a contagiar o promissor jovem escritor que, logo em seguida, a apresentaria a Raul Seixas. A vida e a obra dos dois foram fortemente marcadas por este período.
Motta, então, escreve para um de seus discípulos (Euclydes Lacerda de Almeida), pedindo para que este se responsabilizasse pelo desenvolvimento de Paulo Coelho, tanto na A∴A∴ quanto na sua particular versão da O.T.O.. Marcelo Motta também comporia algumas músicas em parceria com Raul Seixas e Paulo Coelho. Entre as mais famosas estão as belas “A Maçã”, “Tente Outra Vez” e “Novo Aeon” (essa última em parceria
com Cláudio Roberto).
Paulo Coelho, seguindo a orientação de Motta, estabelece contato com a pessoa indicada e esta o aceita como Postulante e Estudante da Lei de Thelema. A significativa troca de correspondência entre Paulo Coelho e seu novo Instrutor durante o período 1973-74 nos dá a certa medida do entusiasmo e dedicação com que Paulo Coelho, desenvolvendo seus estudos, também tomava para si a responsabilidade de divulgação da Obra do controvertido mago Aleister Crowley. Este trecho de uma carta de Paulo Coelho, datada de 26/03/74, nos dá uma ideia de seu entusiasmo, bem como seu envolvimento com a filosofia thelêmica: 
“...como tomamos [Paulo e Raul] Crowley, principalmente Liber OZ, como base de um estudo social a que nos propomos, gostaria de ouvir e ser constantemente orientado por vocês no sentido de não comprometer nada, falando demais ou falando errado. Informe urgentemente como devemos continuar agindo na divulgação de todos os nossos ideais e nossas ideias.”
Seu treinamento mágico teve início formal em 01/01/1974. Em seguida, Paulo Coelho seria admitido na O.T.O. de Motta, assumindo como Mote Mágico (ou nome mágico) “Frater Staars”. Raul Seixas e Paulo Coelho, inspirados pela Lei de Thelema e pela Obra de Aleister Crowley, também formulariam um movimento que ficou conhecido com A Sociedade Alternativa, cujo hino, a música que leva o mesmo nome, é a própria declaração da Lei de Thelema.

Paulo Coelho, bem mais organizado que Raul Seixas, seguia firme com suas práticas e estudos thelêmicos. No dia 19 de maio de 1974, Paulo Coelho formaliza seu Juramento ao Grau de Probacionista, sendo admitido na A∴A∴ com o Mote Mágico “Frater Luz Eterna - 313” (e não “Lúcifer”, como erroneamente divulgado por certos autores nacionais). Junto a seu Juramento, envia uma carta em que seus ideais ficam expostos de forma bem clara. Nela, Paulo Coelho diz o seguinte:
“Continuamos a divulgar de todas as formas o Liber OZ, [...] A Sociedade Alternativa continua com o sucesso de sua caminhada no sentido de construir as bases sociais para uma verdadeira civilização thelêmica.”
No entanto a eternidade de sua luz na senda thelêmica, bem como sua certeza de propósitos em relação a esta filosofia de vida, não iriam durar muito tempo: ironicamente, esta seria sua última missiva dirigida a seu Instrutor. Cinco dias depois, na sua famosa “noite negra do dia 24”, Paulo Coelho, junto a outros “subversivos”, é preso pela polícia do exército. Sim, ele de fato viu o “diabo” e, muito embora estes não possuíssem rabos pontudos nem chifres e usassem o verde oliva no lugar do vermelho, esse seria - segundo o pouco criterioso modo thelêmico de avaliação - o fim de sua carreira mágica, pelo menos naquilo que diz respeito a Thelema. Na verdade, como um exame mais inteligente demonstraria, este foi o início de sua realização tanto mágica quanto pessoal.
Na época, contudo, provavelmente a forte formação cristã (católica) de Paulo Coelho o tenha feito associar os dois fatos, mostrando-lhe então o quão “errado” ele estava em seguir “os passos da Besta”. Mais isso é apenas mera especulação. Devemos sempre lembrar que todos têm direito de optar pelo que melhor lhes parecer. Alguns anos depois o novo Paulo Coelho se transformaria no mundialmente famoso escritor que todos conhecem. Não há lei além de faze o que tu queres e Paulo Coelho fez o que realmente quis.
Aqueles que conhecem esta parte da história do hoje famoso mago, sabem o quanto esta fase marcou o escritor que se formava. Esses também especulam qual é a verdadeira origem do seu conhecimento que, fragmentado e diluído, habita alguns de seus Best-sellers, além, é claro, do que significaria sua Ordem de RAM (também especulando, é curioso observar que a palavra inglesa RAM é designativa para Áries, Carneiro ou ainda de Bode Montês - nesse caso, o Trunfo XV do Tarot de Crowley). Raul Seixas, por sua vez - que nunca quis vinculo formal com qualquer organização de cunho thelêmico - seguindo o exemplo de praticamente todos os estudantes de Thelema daquela época os quais ainda guardavam uma réstia de bom senso, rompeu definitivamente contato com Motta. Raul Seixas, entretanto, seguiu de modo independente e anárquico, características bem próprias a sua fantástica personalidade, a divulgar a Lei de Thelema e a genialidade de Crowley. E assim, através de seus próprios méritos, ele se consagrou, e mesmo hoje, após sua precoce morte ele continua como uma agradável e inspiradora lembrança, bem vívida na mente daqueles que amam a obra do sempre eterno maluco beleza.
Para muitos esse foi o fim do sonho da Sociedade Alternativa, para outros entretanto, seu verdadeiro início...
Quanto a Marcelo Motta, a partir de 1974 ambos, Raul Seixas e Paulo Coelho, não mais se relacionariam com ele (e nem com ninguém associado a Lei de Thelema). Motta, por sua vez, como sempre acontecia em relação a seus “ex-discipulos” (ou a qualquer pessoa) que faziam sucesso, não os poupou de sua insana ira.
Especificamente sobre o nosso queridíssimo Raul Seixas, valerá deixar as palavras do próprio Motta sobre ele, com a referida fonte bibliográfica. As palavras que seguirão abaixo são do próprio Marcelo Motta falando na terceira pessoa:

“Raul dos Santos Seixas: Cantor e compositor popular brasileiro. Foi em certo tempo um Probacionista de Marcelo Ramos Motta. Tentou USAR Crowley para sucesso pessoal, MACAQUEANDO os Beatles. Por sua própria requisição escreveu varias músicas tendo Motta como seu letrista. Tentou ROUBAR as letras e expurgou varias de suas letras, CURVANDO-SE a censura governamental. Cortou contato com ele.”
Num simples e curto parágrafo, Raul Seixas é acusado de “usar” o Crowley para sucesso pessoal, de se submeter a censura (quem o conheceu pode atestar o que o Raul achava da censura... e salvo me engano, a única musica do Raul que foi de fato censurada foi o debochado “Rock das Aranhas”...), além dele ser chamado publicamente de macaco e de ladrão. Enfim, Motta seguiu, processando e caluniando o Raul, da mesma forma como fez com tantos outros.
Marcelo Motta faleceu prematuramente aos 56 anos de idade, em 27 de agosto de 1987, sozinho, em Teresópolis, cidade serrana do Estado do Rio de Janeiro. Raul Seixas faleceu dois anos depois, em 21 agosto de 1989. Paulo Coelho continua sendo um sucesso e hoje ocupa a Cadeira 21 da Academia Brasileira de Letras.

Nota:
[1]O autor, Carlos Raposo, é historiador. Também é Maçom, M∴I∴ e grau 33 do R∴E∴A∴A∴. Pode ser contatado através do blog: http://carlosraposo.wordpress.com

Citações

“Hoje o grosso da humanidade não possui mais nenhuma lei sob a qual viver, quaisquer princípios incontestados de ação correta.” — Aleister Crowley, O Início do Novo Mundo
“Todo homem e toda mulher tem o sagrado direito ao culto religioso, e esse culto deve estar intimamente ligado ao seu seguidor e esse, por sua vez, deve se identificar completamente com o objeto de seu culto e essa identificação é manifestada pela expressão natural de júbilo quando da execução do culto.” — Jonatas Lacerda, Da Liberdade de Culto
“Meus subordinados estão sempre me pedindo por ascensão na Ordem; eles acham que somente se fossem membros do 266º grau tudo no jardim seria maravilhoso. Eles acham que apenas se possuíssem os segredos do 148º grau seriam capazes de realizar todos aqueles milagres que atualmente escapam de seu alcance.” — Aleister Crowley, Poder e Autoridade
“Por favor, fixe em sua mente que Conosco qualquer grau, qualquer cargo de autoridade, qualquer tipo de classe, é completamente sem valor, exceto quando não for apenas um carimbo sobre a realização ou conquista real.” — Aleister Crowley, Poder e Autoridade
“Sexo é a canção sagrada da alma; sexo é o santuário do Ser.” — Aleister Crowley, Sobre a Liberdade Sexual
“Seres humanos saudáveis que inocentemente obedecem ao instinto não são mais responsáveis por causar problemas do que os outros animais; as calamidades sexuais são criações artificiais de uma superstição selvagem. Cães da raça mastim acorrentados se tornam perigosos; leis repressivas geram revolucionários.” — Aleister Crowley, Sobre a Liberdade Sexual
“Pare por um momento e tenha uma clara concepção deste Sol, como Ele está brilhando já cedo pela manhã, brilhando ao meio-dia, brilhando à tarde e brilhando à noite. Você percebeu esta ideia claramente em sua mente? Você acabou de sair do Velho Æon e entrar no Novo.” — Charles Stansfeld Jones, Saindo do Velho Æon e entrando no Novo
“Por definição, um Thelemita é aquele que aceita o Livro da Lei e que trabalha, de alguma forma, na divulgação e no estabelecimento da Lei do Novo Æon, Thelema.” — Jonatas Lacerda, Quem pode ser e o que deve ser feito para se tornar um Thelemita?
“A Lei de Thelema é sim o encontro da liberdade incondicional, mas exatamente por ser a Lei de Liberdade, ela se mostra ao Thelemita como a mais restrita de todas as restrições, já que a liberdade não está ali somente para ele, ela está da mesma forma para todos.” — Jonatas Lacerda, Quem pode ser e o que deve ser feito para se tornar um Thelemita?
“Esta fórmula não pretende dizer, como acham as pessoas ignorantes ou maliciosas, “Faze qualquer coisa que tu aprecies.”. Pelo contrário, ela é o mais severo autocontrole de toda unidade individual ou social para concentrar o desempenho pleno da sua energia ao realizar a sua função adequada verdadeira; e esta função deverá ser deter­minada através de um cálculo profundo e preciso das potencialidades inerentes na sua constituição.” — Aleister Crowley, O Início do Novo Mundo
“Como aproveitar essa mistura racial tão intensa para produzir uma grande nação? A vantagem da Lei de Thelema é que ela libera, não restringe: assim como a Medicina Universal pode ser aplicada à cura de qualquer doença, a Lei de Thelema pode ser adotada dentro da estrutura de qualquer sistema político e de qualquer grupo cultural; seu efeito sinérgico será sempre a vitalização e coordenação dos aspectos mais positivos da estrutura original.” — Marcelo Ramos Motta, Moral e Cívica Thelêmicas
“O Amor do Liber Legis é sempre vigoroso, viril, e até mesmo orgástico. Há delicadeza, mas é a delicadeza da força. Poderosa, terrível e gloriosa como ela é, contudo, ela é nada mais que o pendão sobre a lança sagrada da Vontade, a inscrição escarlate sobre as espadas dos Monges-guerreiros de Thelema.” — Aleister Crowley, Liber II – A Mensagem do Mestre Therion
“Este é o único ponto a ser lembrado, que todo ato deve ser um ritual, um ato de adoração, um sacramento. Viva como os reis e as princesas, coroados e não coroados deste mundo sempre viveram, como os mestres sempre vivem; mas que isso não seja autossatisfação; transforme a sua autossatisfação na sua religião.” — Aleister Crowley, Liber DCCCXXXVII – A Lei de Liberdade
“Sexo é a canção sagrada da alma; sexo é o santuário do Ser.” — Aleister Crowley, Sobre a Liberdade Sexual
“Na Abadia de Thelema em Céfalu o sexo é estudado cientificamente sem constrangimento ou subterfúgio. As paixões são analisadas fisiologicamente; todos os atos são permitidos, se não ferirem aos outros; são aprovados, se não ferirem o ser. Esta liberdade, longe de fomentar a luxúria, destrói a obsessão sexual.” — Aleister Crowley, Sobre a Liberdade Sexual
“Na verdade, Ó Khaled Khan, Ó filho da aurora do Æon, tu adivinhaste corretamente e te beneficiaste em teu ser pela Lei de Thelema. Pois a Lei é uma Lei justa; ela não exige o ajoelhar-se da escravidão, e a cabeça curvada da vergonha. Mais do que isso, mesmo que tenhas que falar ao Deus dos deuses, tu deves ficar ereto, para que possas ser um com Ele pelo Amor, como Ele muito certamente o quer.” — Aleister Crowley, O Mistério do Pecado
“A Lei foi proclamada. Cabe a nós interpretá-la e estabelecê-la.” — Aleister Crowley, O Método de Thelema
“Os jardineiros nunca tratam papoulas como tomates; eles nutrem cada planta conforme o seu próprio modo de ser, buscando a excelência nas suas características particulares.” — Aleister Crowley, Sobre a Educação das Crianças
“A frase “amor sem piedade”, às vezes jogada com escárnio nas faces dos Thelemitas, embora não apareça em O Livro da Lei, não obstante possui certa justificativa. Piedade implica em dois erros muito graves – erros que são completamente incompatíveis com as visões do universo resumidamente indicadas acima.” — Aleister Crowley, Sobre Thelema
““…pois existe amor e amor. Existe a pomba, e existe a serpente”. Compaixão, obviamente, é o estado de espírito mais correto, pois é um amor sem piedade envolvendo na realidade uma identificação de si mesmo com o outro; isto é, portanto, um ato de amor verdadeiro. “Não existe laço que possa unir o dividido além do amor”.” — Aleister Crowley, Sobre Thelema
“Que essa fórmula seja aceita por todo governo. Peritos serão imediatamente nomeados para trabalhar, quando surgir a necessidade, os detalhes da Verdadeira Vontade de todo indivíduo e mesmo aquela de toda corporação, quer seja de caráter social ou comercial, enquanto que surgirá um judiciário para determinar a igualdade no caso de reivindicações aparentemente conflitantes.” — Aleister Crowley, A Solução Científica para o Problema do Governo
“Do ponto de vista místico, “ninguém atinge o Pai a não ser pelo Filho”; consequentemente, desde que todo Adepto Cristão é uma Encarnação do Verbo, a distinção entre o Cristo Solar e o Cristo Interno é mera ilusão do profano. “Ego sum qui sum”, diz o Iniciado — AHIH, EU SOU O QUE SOU.” — Marcelo Ramos Motta, Carta a um Maçom
“No Æon passado, os pontos vernais caíam respectivamente em Virgo e Pisces, a Virgem e o Peixe; no que lhe antecedeu, caíam em Áries e Libra, o Carneiro e a Justiça (a mulher com a espada e a balança dos romanos antigos); no presente, os pontos vernais caem em Aquarius, ou seja, a Mulher com a Taça (BABALON) e em Leo, ou seja, a Grande Besta Selvagem (THERION).” — Marcelo Ramos Motta, Carta a um Maçom
“Tal Lei evidentemente deverá ser a mais simples e universal, e ainda assim ser capaz de ser aplicada em detalhes a todos os problemas possíveis através do critério normal da razão.” — Aleister Crowley, Uma Carta para Henry Ford
“Pareceria ter sido desejável que esta Lei devesse ser proclamada por um homem livre das imperfeições da humanidade; mas os Vigilantes não pensavam assim. Para eles pareceria mais sábio que o seu Mensageiro fosse, não importa o quão grandes as suas qualificações em alguns aspectos, dentre os outros o mais comum dos seres humanos, um partidário de todo defeito de seus companheiros.” — Aleister Crowley, Uma Carta para Henry Ford
“Eles devem ser capazes de ajudá-lo a descobrir o trabalho para o qual ele melhor se adequa, o trabalho que satisfará tanto as suas necessidades espirituais quanto materiais.” — Aleister Crowley, Uma Carta para Henry Ford
“Uma grande chama surgirá, ele diz, e porá um fim a este dilúvio. Que referência mais clara poderia ser desejada para o Æon de Hórus? Não é a “Força e Fogo” de Hórus, o adversário vitorioso das águas escuras do Nilo? Não é Το Μεγα Θηριον, a Grande Besta Selvagem, o Leão do Sol, o conquistador destinado de Iesous, o Peixe?” — Aleister Crowley, Os Antecedentes de Thelema
“Nosso Mestre faz com que a fundação da Abadia de Thelema se torne o clímax bem definido da sua história de Gargantua; ele descreve o seu ideal de Sociedade. Logo ele estava certamente ocupado com a ideia de um novo Æon, e ele percebeu que, embora talvez vagamente, que Fais ce que veulx era a Fórmula Mágica necessária.” — Aleister Crowley,
Os Antecedentes de Thelema
“Raul Seixas, por sua vez – que nunca quis vinculo formal com qualquer organização de cunho thelêmico – seguindo o exemplo de praticamente todos os estudantes de Thelema daquela época os quais ainda guardavam uma réstia de bom senso, rompeu definitivamente contato com Motta.” — Carlos Raposo, Raul Seixas, Paulo Coelho, a Sociedade Alternativa e a Lei de Thelema
“No dia 19 de maio de 1974, Paulo Coelho formaliza seu Juramento ao Grau de Probacionista, sendo admitido na A∴A∴ com o Mote Mágico “Frater Luz Eterna – 313” (e não “Lúcifer”, como erroneamente divulgado por certos autores nacionais).” — Carlos Raposo, Raul Seixas, Paulo Coelho, a Sociedade Alternativa e a Lei de Thelema
“E Mulher, frágil no corpo e faminta na mente; mulher, moralmente acorrentada pelo Seu heróico juramento de salvar a raça, não se importando qual será o custo, desamparada e forte, suportou estas coisas, suportou de época em época.” — Aleister Crowley, Toda Mulher é uma Estrela
“Somos nós de Thelema quem verdadeiramente ama e respeita a Mulher, que a considera sem pecado e sem vergonha tal como nós somos; e aqueles que dizem que nós desprezamos a Ela são aqueles que fogem das nossas cimitarras assim que removemos dos membros Dela seus sórdidos grilhões.” — Aleister Crowley, Toda Mulher é uma Estrela
“Ela agonizou, ridícula e obscena; deu toda a sua beleza e força de solteira para sofrer com doenças, fraqueza, perigo de morte, optando por viver a vida de uma vaca – de forma que a Humanidade pudesse navegar pelos mares do tempo.” — Aleister Crowley, Toda Mulher é uma Estrela
“A chance dela chegou! Em qualquer Abadia de Thelema qualquer mulher é bem-vinda; lá ela é livre para realizar a sua vontade e é honrada pela sua realização. A filha do amor é uma estrela, assim como todas são estrelas; mas esta em particular nós estimamos especialmente; é um troféu de batalha combatida e vencida!” — Aleister Crowley, Toda Mulher é uma Estrela
“A promessa do comunismo total é tão falaciosa quanto a promessa eclesiástica de bem-aventurança eterna.” — Marcelo Ramos Motta, Dos Propósitos Políticos da Ordem
“Se um ser humano não pode se mover à vontade sobre a terra, isto é, se lhe falta UM SÓ dos direitos reclamados para o ser humano em Liber OZ, esse ser humano é uma escrava ou um escravo.” — Marcelo Ramos Motta, Dos Propósitos Políticos da Ordem
“Se TODOS os cidadãos defenderem sua vantagem pessoal, será impossível a qualquer cidadão abusar de outro. A sociedade é compelida a funcionar com a eficiência máxima. Mas no momento em que qualquer cidadão ou cidadã abdica de sua conveniência pessoal em favor de terceiros, ou de algum ideal de auto sacrifício, ele ou ela não só está em perigo de ser escravizado ou escravizada, mas também diminui a eficiência da sociedade inteira. Nenhuma corrente é mais forte do que qualquer dos seus elos.” — Marcelo Ramos Motta, Dos Propósitos Políticos da Ordem
“Deve ser claramente compreendido que a Lei é para todos: os direitos definidos em Liber OZ são os direitos básicos de todos os seres humanos, sem consideração de sexo, cor, credo religioso ou político, ou posição social.” — Marcelo Ramos Motta, Dos Propósitos Políticos da Ordem
“Observa, rogo a ti, no verso 42 deste capítulo o mandamento: “Sucesso é a tua prova: não discutas; não convertas; não fales demasiado!”. Isso não é uma proibição para uma explicação da Lei. Nós podemos ajudar os homens a arrancar os seus próprios grilhões; mas os que preferirem a escravidão deverão ter permissão para assim fazê-lo. “Os escravos servirão”.” — Aleister Crowley, Liber CCC – Khabs am Pekht

Liber CCC – Khabs am Pekht por Aleister Crowley

Liber CCC – Khabs am Pekht
Sigillvm Sanctvm Fraternitatis A∴A∴
A∴A∴
Publicação em Classe E.


UMA EPÍSTOLA DE THERION 9º=2, um Magus da A∴A∴ ao Seu Filho, sendo uma Instrução em um assunto de total importância, a saber, os meios a serem obtidos para estender o Domínio da Lei de Thelema através de todo o mundo.

Filho,

Faze o que tu queres deverá ser o todo da Lei.

PRIMEIRAMENTE, deixe que tua atenção seja direcionada para este planeta, como o Æon de Hórus é tornado manifesto pela Guerra Universal. Este é o primeiro resultado grande e direto do Equinócio dos Deuses e é a preparação dos corações dos homens para a recepção da Lei.
Deixai-Nos recordá-lo de que esta é uma fórmula mágicka de âmbito cósmico e que ela é dada com detalhes exatos na lenda do Tosão de Ouro.

Jasão, que nesta estória representa a Besta, a princípio se prepara uma embarcação guiado pela Sabedoria ou Athena e esta é a sua aspiração à Grande Obra. Acompanhado por muitos heróis, ele chega ao local do Tosão, mas eles não conseguem fazer nada até que Medéia, a Mulher Escarlate, coloca em suas mãos uma poção “misturada com substâncias soníferas, Entorpecida com papoula e heléboro branco” para dar ao dragão. Então Jasão torna-se capaz de subjugar os touros, Consagrados a Osíris, e simbolicamente do seu Æon e da Fórmula Mágicka do Auto Sacrifício. Com estes ele lavra o campo do mundo e semeia ali “os terríveis dentes da miséria, Produtos da velha miséria Cadmeana[1] de Tebas”, o que se refere a uma certa fórmula mágicka anunciada pela  Besta que é familiar à ti, porém inadequada para o profano e, portanto, não mais neste local indicado. Destas sementes, homens armados surgiram e tomaram vida; mas ao invés de atacá-Lo, “a loucura mútua ataca Os guerreiros fracos de espírito, e uma ira feroz invade os Seus corações com fúria, e com armas empunhadas, Eles caem uns sobre os outros silenciosamente, E se reviram, e reviram”. Assim, tendo o Dragão adormecido, eles podem passar por ele silenciosamente, e “arrancando os ramos daquele Carvalho mágico, Com uma forte puxada cortam os Tosões de Ouro”.

Deixe-nos apenas recordar para não repetir o erro de Jasão, e desafiar Ares, que é Hórus no seu aspecto guerreiro, que o guarda, a menos que Ele também nos atinja com a loucura. Sim! Mas que tudo seja feito para a glória de Ra-Hoor-Khuit e o estabelecimento de Seu perfeito reinado!
Agora, Oh meu filho, tu sabes que é Nossa vontade estabelecer esta Obra, realizando completamente aquilo que nos é ordenado em O Livro da Lei, “Ajuda-me, ó senhor guerreiro de Tebas, no meu desvelar perante os Filhos dos homens!” – e esta é a Tua vontade, se manifestando como fizestes na Esfera de Malkuth o mundo material, fazer esta mesma coisa de um modo ainda mais imediato e prático do que seria naturalmente solicitado àquele cuja manifestação está no Céu de Júpiter. Assim, portanto Nós agora respondemos ao Teu pedido de filho que solicita bom conselho de Nós com relação às medidas a serem tomadas para estender a Lei de Thelema através de todo o mundo.

Portanto, direcione agora a tua atenção rigorosamente para o próprio Livro da Lei. Nele descobrimos uma regra de vida absoluta, e clara instrução para toda emergência que possa ocorrer. Então quais são as Suas próprias orientações para a frutificação d’Aquela Semente Inefável? Observa, rogo a ti, a confiança com a qual podemos proceder. “Eles deverão reunir minhas crianças em sua congregação: eles deverão trazer a glória das estrelas para os corações dos homens.” Eles ‘vão’; não há dúvida. Então não duvide, mas combate com toda a tua força. Observa também, rogo a ti, esta palavra: “A Lei é para todos”. Portanto não ‘selecione pessoas adequadas’ pela tua sabedoria mundana; prega abertamente a Lei para todos os homens. Pela Nossa experiência Nós descobrimos que os meios mais improváveis produziram os melhores resultados; e deveras esta é quase a definição de uma verdadeira Fórmula Mágicka onde os meios devem ser inadequados, racionalmente falando, para o fim proposto. Observa, rogo a ti, que Nós estamos obrigados a ensinar. “Ele deve ensinar, mas ele pode tornar severos os ordálios”. Isto se refere, entretanto, como se torna evidente no contexto, à técnica da nova Mágicka, “os mantras e encantamentos, o obeah e wanga; o trabalho da baqueta e o trabalho da espada”.

Observa, rogo a ti, a instrução em CCXX[2] I:41-n-44, 51, 61, 63 k.t.l. na qual Nós ampliamos em Nosso livreto A Lei da Liberdade, e em cartas privativas para ti e para outros. A pregação aberta desta Lei, e a prática destes preceitos, provocarão discussão e animosidade, e então posiciona-te numa tribuna de onde possas falar para as pessoas.

Observa, rogo a ti, este mentor: “Lembrai todos vós que a existência é puro prazer; que todas as tristezas são nada mais que sombras; elas passam e pronto; mas existe aquilo que permanece”. Pois esta doutrina confortará a muitos. Também há esta palavra: “Eles regozijarão, os nossos escolhidos: quem se lamenta não é de nós. Beleza e força, gargalhada vibrante e leveza deliciosa, força e fogo, são de nós”. Deverás de todas as formas que puderes mostrar o júbilo da nossa Lei; sim, pois tu extravasarás com a alegria desta, e não terá a necessidade de palavras. Poderia ser mais ainda impertinente e tedioso chamar novamente a tua atenção para todas aquelas passagens que conheces tão bem. Observa, rogo a ti, que no assunto da instrução direta é o suficiente. Considere a passagem “Escolhei vós uma ilha! Fortificai-a! Adubai-a ao redor com engenharia de guerra! Eu vos darei uma máquina de guerra. Com ela vós atingireis as pessoas; e ninguém permanecerá de pé perante vós. Espreitai! Recuai! Sobre eles! esta é a Lei da Batalha de Conquista: assim será a minha adoração ao redor de minha casa secreta.”. A última frase sugere que a ilha pode ser a Grã Bretanha, com suas Minas e Tanques; e é digno de nota que um certo irmão comprometido com a A∴A∴ está no mais secreto dos Conselhos de Guerra da Inglaterra neste momento. Mas é possível que toda esta instrução se refira a algum tempo futuro quando a nossa Lei, administrada por alguma Ordem tal como a O.T.O., que se preocupa com assuntos temporais, tenha peso nos conselhos do mundo e seja desafiada pelos ignorantes, e pelos seguidores dos deuses e semideuses caídos.

Observa, rogo a ti, o método prático para derrotar a oposição oferecido em CCXX III:23-n-26. Mas isto não é para o Nosso propósito imediato nesta epístola. Observa, rogo a ti, a instrução nos versos 38° e 39° do Terceiro Capítulo de O Livro da Lei. Ela deve ser citada por completo.
“De modo que a tua luz esteja em mim; e sua chama vermelha é como uma espada em minha mão para cumprir a tua ordem”.
Isto é, o próprio Deus está inflamado com a Luz d’A Besta, e ele mesmo empurrará a ordem, através do fogo (talvez significando o gênio) d’A Besta.
“Há uma porta secreta que Eu farei para estabelecer o teu caminho em todas as direções, (estas são as adorações, como tu escreveste), como é dito:

A luz é minha; seus raios consomem
A mim: Eu fiz uma porta secreta
Para dentro da Casa de Ra e Tum
De Khephra e de Ahathoor.
Eu sou o teu Tebano, Ó Mentu,
O profeta Ankh-af-na-khonsu!

Por Bes-na-Maut em meu peito Eu bato;
Pelo sábio Ta-Nech Eu teço o meu encanto.
Mostrai o teu esplendor estrelado, Ó Nuit!
Convidai-me para habitar na tua Casa,
Ó serpente alada de luz, Hadit!
Morai comigo, Ra-Hoor-Khuit!”

No comentário do Equinox I(7) esta passagem é virtualmente ignorada. É possível que esta “porta secreta” se refira aos quatro homens e quatro mulheres, referidos mais adiante em O Trabalho de Paris, ou ela pode significar a criança profetizada em outra parte, ou alguma preparação secreta dos corações dos homens. É difícil decidir sobre tal ponto, mas podemos estar certos de que o Evento irá mostrar que o texto exato estava assim velado para nos provar a absoluta previsão por parte d’Aquele Anjo Santíssimo que proferiu o Livro.

Observa, rogo a ti, mais adiante, no verso 39, como o assunto procede:
“Tudo isso”–i.e. O próprio Livro da Lei.
“e um livro para dizer como tu viestes” isso é, algum registro tal como aquele em O Templo de Salomão o Rei.
“e uma reprodução desta tinta e papel para sempre” isso é, por meio de algum processo mecânico, possivelmente com uma amostra de papel similar àquele empregado.
“– pois nisso está a palavra secreta e não apenas no Inglês –”

Compare CCXX III:47, 73. O segredo ainda não foi revelado para Nós.
“e teu comento sobre este Livro da Lei será belamente impresso em tinta vermelha e preta sobre belo papel feito à mão;” isso é, explique o texto “para que não haja tolice” como é dito antes, CCXX I:36.
“e para cada homem e mulher a quem tu conheceres, mesmo que seja apenas para comer e beber com eles, esta é a Lei a ser dada. Então eles terão a chance de permanecer neste êxtase ou não; isso não é problema. Fazei isso rapidamente!”

A partir disso se torna evidente que um volume deve ser preparado tal como foi explicado – A Parte IV do Livro 4 tinha a intenção de atender à este propósito – e que este livro deve ser distribuído amplamente, de fato, para todos com quem se venha a encontrar dentro das relações sociais.
Nós não devemos extrapolar esta dádiva fazendo pregações e coisas do tipo. Eles podem aceitá-la ou recusá-la.

Observa, rogo a ti, o verso 41 deste capítulo:
“Estabelecei um escritório na tua Kaaba: tudo deve ser bem feito e com modos de negócio”.

Deveras esta é uma instrução muito clara. Deverá haver uma organização comercial moderna centralizada na Kaaba – a qual, Nós supomos, não significa Boleskine, porém qualquer matriz conveniente.
Observa, rogo a ti, no verso 42 deste capítulo o mandamento: “Sucesso é a tua prova: não discutas; não convertas; não fales demasiado!”. Isso não é uma proibição para uma explicação da Lei. Nós podemos ajudar os homens a arrancar os seus próprios grilhões; mas os que preferirem a escravidão deverão ter permissão para assim fazê-lo. “Os escravos servirão”. A excelência da Lei deve ser mostrada através dos seus resultados para aqueles que a aceitarem. Quando os homens nos virem como os ermitões de Hadit descritos em CCXX II:24, eles se determinarão a imitar a nossa alegria.

Observa, rogo a ti, toda a sugestão do capítulo de que, mais cedo ou mais tarde, nós quebraremos o poder dos escravos dos deuses-escravos através de batalha real. Por fim, a Liberdade dependerá da espada. É impossível tratar nesta epístola dos vastos problemas envolvidos nesta questão; e eles devem ser decididos de acordo com Lei por aqueles com autoridade na Ordem quando chegar a hora. Tu perceberás que Nós escrevemos a ti mais como um membro da O.T.O., do que na tua capacidade como sendo da A∴A∴, pois aquela primeira organização é coordenada e prática, e se preocupa com as coisas materiais. Porém lembra-te claramente disso, que a Lei se origina da A∴A∴, não da O.T.O. Esta Ordem nada mais é do que o primeiro dos grandes corpos religiosos a aceitar esta Lei oficialmente, e todo o seu Ritual foi revisado e reconstituído de acordo com esta decisão. Agora então, deixando O Livro da Lei, observa, rogo a ti, as seguintes sugestões adicionais para estender o Domínio da Lei de Thelema através de todo o mundo.
  1. Todos aqueles que tiverem aceitado a Lei deverão anunciar a mesma nas suas relações diárias. “Faze o que tu queres deverá ser o todo da Lei” será a forma invariável de saudação. Essas palavras, especialmente no caso de estranhos, devem ser pronunciadas numa voz clara, firme e articulada, com os olhos intensamente fixados no interlocutor. Se o outro for um de nós, que ele responda “Amor é a lei, amor sob vontade”. A última sentença também será usada como o cumprimento de despedida. Por escrito, onde a saudação é habitual, ela deverá ser como acima, começando por “Faze o que tu queres deverá ser o todo da Lei” e encerrando com “Amor é a lei, amor sob vontade”.
  2. As reuniões sociais deverão ser realizadas tão frequentemente quanto for conveniente, e nestes a Lei deverá ser lida e explicada.
  3. Os tratados especiais escritos por Nós, ou autorizados por Nós, devem ser distribuídos para todas as pessoas com quem aqueles que aceitaram a Lei possam estar em contato.
  4. Os trâmites para o estabelecimento de outras Universidades e Escolas de Thelema, bolsas e professores adjuntos e outros deverão ser providenciados nas Escolas e Universidades existentes, de modo a garantir o estudo geral dos Nossos escritos, e aqueles autorizados por Nós como pertencentes ao Novo Æon.
  5. Todas as crianças e jovens, embora possam não estar aptos para compreender os mais exaltados céus do nosso horóscopo, sempre poderão ser ensinados a dirigir as suas vidas de acordo com a Lei. Nenhum esforço deverá ser poupado para trazê-los a esta emancipação. A miséria causada às crianças pela atuação da lei dos deuses-escravos foi, pode-se dizer, o primum mobile[3] da Nossa primeira aspiração para derrubar a Velha Lei.
  6. Através de todos os meios possíveis todos lutarão constantemente para aumentar o poder e a liberdade das Sedes O.T.O.; pois assim se tornarão eficientes na promulgação da Lei. Serão dadas instruções específicas para a ampliação da O.T.O., em outra epístola.
A prática constante destas recomendações desenvolverá habilidade naquele ou naquela que assim o fizer, de modo que novas ideias e planos serão desenvolvidos continuamente.
Além disso, é correto que todos e cada um se comprometam através de um Juramento Mágicko para que possa assim tornar a Liberdade perfeita, mesmo por uma obrigação, como está devidamente escrito no Liber III. Amém.

Agora, filho, observa, rogo a ti, em que casa Nós escrevemos estas palavras. Pois ela é uma pequena casa de campo vermelha e verde, na margem ocidental de um grande lago, e ela está oculta na mata. O homem, portanto, está em desarmonia com a Madeira e a Água; e sendo um mago, pondera em Ele mesmo apanhar um destes inimigos, a Madeira, que é tanto o efeito quanto a causa daquele excesso de Água, e a obrigar a lutar por Ele contra o outro. O que, então, Ele fez? Oh sim, Ele tomou para si o Ferro de Marte, um Machado, um Serrote, uma Cunha e uma Faca, após o que Ele partiu a Madeira contra si mesmo, dividindo-a em muitos pedaços pequenos, de modo que ele não tinha mais qualquer força contra a Sua vontade. Bom; então Ele tomou o Fogo de nosso Pai, o Sol, e o estabeleceu diretamente na formação da batalha contra aquela Água através do Seu exército de Madeira que ele havia conquistado e treinado, alinhando-o numa linha de batalha como em um Cone, que é a mais nobre de todas as figuras sólidas, sendo a Imagem do Próprio Santo Falo, combinando em si mesmo a Linha Reta e o Círculo. Assim, filho, Ele agiu; e o Fogo acendeu a Madeira e o calor dali proveniente eliminou a Água de lá. Ainda assim esta Água é um adversário astuto, e Ele fortaleceu Madeira contra Fogo impregnando-o com muito de sua própria substância, como se fosse través de espiões na cidadela de qualquer aliado que não seja de inteira confiança. Portanto, o que o Mago deve fazer agora? Ele deve primeiro expelir completamente a Água da Madeira por uma invocação do Fogo do Sol, nosso Pai. Quer dizer, sem a inspiração do Altíssimo e Santo, até mesmo Nós nada poderíamos fazer em absoluto. Então, filho, começa o Mago a acender Seu Fogo na pequena Madeira seca, e aquela põe fogo na Madeira de tamanho médio, e quando aquela flameja brilhantemente, finalmente acende o fogo nas toras maiores, que embora sendo completamente verdes, não obstante são acesas.

Então, filho, ouve com atenção esta Nossa reprovação, e empresta o ouvido do teu entendimento à parábola desta Mágicka.

Nós temos para o Início completo da Nossa Obra, louvores sejam dados eternamente ao Seu Santo Nome, o Fogo do nosso Pai, o Sol. A inspiração é nossa, e nossa é a Lei de Thelema que inflamará o mundo. E Nós temos muitos gravetos secos, que acendem e se queimam rapidamente, deixando a Madeira maior apagada. E as grandes toras, as massas da humanidade, estão sempre conosco. Mas a nossa necessidade mais pungente é daqueles feixes médios que, por um lado são facilmente acesos pela Madeira pequena e que, por outro lado, se conservam até que as grandes toras se acendam.

(Vide o quão triste é, disse o Macaco de Thoth, por alguém ser tão santo que não possa cortar uma árvore e cozinhar sua comida sem ter que elaborar sobre ela uma longa e tediosa lição de Moral!)
Que esta epístola seja copiada e distribuída entre todos aqueles que tenham aceitado a Lei de Thelema.
Recebe agora a Nossa bênção paterna: que a Bênção do Criador esteja sobre ti.


Amor é a lei, amor sob vontade.


ΘΗΡΙΟΝ 9º=2 A∴A∴
Entregue sob Nossa mão e selo neste dia do Ano XII, estando o Sol nosso Pai em 12° 42’ 2’’ do signo de Leão, e a Lua em 25° 39’ 11’’ do signo de Libra, da Casa do Prestidigitador, que está próxima ao Lago Pasquaney no Estado de New Hampshire.
Notas:
  1. Nota do Tradutor: Relacionado a Cadmus, um lendário príncipe de Tebas.
  2. Liber Legis, O Livro da Lei.
  3. Nota do Tradutor: A causa principal.