quarta-feira, 6 de julho de 2011

Download do filme "Chemical Wedding" Legendado



O filme, que leva o mesmo nome do álbum solo de Dickinson de 1998, está em pós-produção e trata do ocultista britânico Aleister Crowley. Dirigido por Julian Doyle, traz no elenco Simon Callow (O Fantasma da Ópera) no papel de um professor de Cambridge que é a reencarnação de Mr. Crowley.
Crowley, que se autoproclamava o anticristo, inspirou uma legião de seguidores, muitos deles do mundo da música. Ozzy Osbourne, por exemplo, fez uma homenagem ao poeta na faixa "Mr. Crowley". Dickinson e sua banda gravaram "Revelations", música que supostamente trata do escritor. Jimmy Page, guitarrista do Led Zeppelin, comprou a mansão que foi de Crowley na Escócia, e a cara do ocultista é uma das estampadas na famosa capa de Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band, clássico dos Beatles.
Amante das drogas e do sexo, autor de vários livros sobre ocultismo e líder do movimento Ordo Templis Orientis (baseado no seu próprio ensaio Thélema, que segundo ele foi ditado por um espírito, Aiwass), Crowley viveu de 1875 a 1947. As duas mulheres com quem se casou enlouqueceram e cinco de suas amantes se suicidaram. Não é à toa que ganhou o título de o homem mais malvado da Terra.

Segue abaixo os links para download:

Carta 23: Improvisando um Templo - Escrito por Aleister Crowley

Cara Soror,

Faze o que tu queres há de ser tudo da Lei.

(Esta carta foi provocada por pontos discutidos na sua recente visita.)

Como algumas de suas práticas cotidianas são cerimoniais, não deve ser impróprio te outorgar algumas dicas para o serviço prático. Pois no ritual de Magick, isto será obviamente o primeiro cuidado para se conseguir tudo equilibrado e arrumado.
Se você se propõe a construir um templo regular, instruções mais precisas em todos os detalhes são apresentadas no Livro 4, Parte II. (Mas eu não tenho visto uma copia por anos!)...
Claro que não, os Regardies do mundo se atiraram sobre todas elas. O leitor é referido ao Livro Quatro Comentado Parte II, subintitulado “Yoga e Magia”, para uma nova edição desta obra. – Motta.
...Existe o bastante disperso no Parte III (Magick, que você tem),...
Prestes a ser reeditado pelo O.T.O. sob o título de “Magick Thelêmica”. – Motta.
...em especial sobre as quatro armas elementais.
Mas se as circunstâncias lhe negarem a você por este momento os meios de realizar esta Ædificação como o ideal que seria isto, você pode certamente fazer o seu melhor para criar um bastante satisfatório – acima de tudo, funcional – substituto.
O próximo parágrafo foi excisado pelo Sr. Regardie. – Motta.
(A propósito, observe o aspecto moral de uma casa, como mostrado em nossa linguagem. “Edificação” – “casa de decisão”: do Latim Aedes, “casa”, “Economia” – “casa reinante”: do Grego “ΟΙΚΟΣ”, “House” e “ΝΟΜΟΣ”, “lei”).
Eu era muitas vezes reduzido para tais expedientes quando vagando em terras estranhas, acampando em geleiras, e assim por diante. Eu corrigi isso trabalhando bem. No México, D.F. por exemplo, eu levei o meu próprio quarto para o Círculo, minha noite a mesa para o Altar, minha vela para a Lâmpada; e eu fiz um compacto das Armas. Eu tinha uma Baqueta de oito polegadas de comprimento, todas as pedras preciosas e esmalte [um tipo de laca, não o de unhas que se usa hoje em dia], para representar a Árvore da Vida; no interior, um tubo de ferro contendo mercúrio – muito correto e nobre. Qual um clube! Além disso, comprou, uma Taça prateada; para o Ar e a Terra eu fiz um sachê de pétalas de rosa em seda amarela, e outro de seda verde com sal. No selva isto era fácil, agradável e mais eficaz para fazer um Círculo e construir um Altar de pedras; a minha Lanterna Alpina serviu admiravelmente para a Lâmpada. Isto foi feito para o dobro do que era requerido: por exemplo, na participação do Sacramento dos Quatro Elementos, que serviu para o fogo. Mas as suas condições não são tão restritas como estas.
Vamos considerar o que se pode fazer em uma casa comum, tal como a que você está feliz em possuir.
Primeiro de tudo, é de imensa vantagem de ter uma sala especialmente consagrada para a Obra, nunca usada para qualquer outra finalidade, e que nunca entra qualquer outra pessoa além de você mesma, salvo se outro Iniciado, quer para uma inspeção ou no caso de vocês estarem trabalhando juntos.
A aura se acumula com a regularidade e frequência de Uso.
O primeiro ponto é o Banimento: Tudo é para ser removido da sala que não seja absolutamente necessário para a Obra.
Neste país, é preciso atender ao aquecimento. Um fogão elétrico no Oriente ou no Sul, é o melhor: isto não deve precisar de atenção. Usualmente pode-se comprar excelentes fogões com simbolismo apropriado. (Da última vez eu fiz isso – 1913 e.v. – Eu tenho um perfeito Ferranti da Harrods...
Uma loja de departamentos de moda em Londres, ainda existente. – Motta.
...A tigela circular de cobre, com o disco central como fonte de calor, é insuperável) As paredes devem ser “auto-coloridas”, uma tinta neutra – verde, cinza ou cinza-azulado? – e inteiramente nuas, a menos que você coloque, nos quadrantes adequados, uma concepção própria, como as “Torres de Vigilia”, ver “O Equinócio” I, vii.
Lembre-se que o seu “Oriente” [O Leste Espiritual], seu Kiblah é a Casa Boleskine, que é o mais próximo possível do Norte partindo de Plymouth. Encontre o Norte pela sombra de uma haste vertical ao meio-dia, ou pela Estrela Polar. Trabalhe com o ângulo de costume.
A Estela da Revelação pode estar apenas no N. Faça da parede o seu “Leste”.
Este é o Leste Espiritual, ou Oriente, correspondendo ao Elemento do Espírito. Não confundir com o ponto cardeal Leste, as atribuições destes permanecem as mesmas. – Motta.
Em seguida, o Círculo. O piso deveria ser “Terra” verde; mas branco vai servir, ou preto. (Um tapete Maçônico não é de todo ruim.) O Círculo deve ser em si, como mostrado no “Livro 4”, Parte II, mas como este volume esta provavelmente indisponível, peça-me para lhe mostrar o grande diagrama pintado em meu portfolio quando você vier me visitar, e nós podemos arranjar para que isto seja copiado.
Novamente, o leitor é remetido para a nova edição do Livro Quatro Comentado Parte II, “Yoga e Magia”, onde há o diagrama do Círculo que ele menciona. – Motta.
Este deverá ser pintado com as cores corretas no chão: o Quadrado de Kether para o Norte, seu “Leste”.
O Altar deve ajustar exatamente no quadrado de Tiphareth; isto é melhor feito de um armário; de carvalho ou acácia, preferencialmente. Pode então ser usado para guardar reservas de incensos e outros requisitos.
Note-se que a altura do Altar tem que se adequar a sua conveniência. Isto é consequentemente uma relação direta com a sua própria estatura; em proporção, é um cubo duplo. Isto então determina o tamanho do seu Círculo; de fato o aparato inteiro e as furnituras são uma função geométrica de si mesma. Considere tudo isso como uma projeção de si mesma em termos dessas formulae convencionais. (Uma convenção significa realmente “aquilo que é conveniente”. Abjeta como, então, para obedecer a uma convenção autointitulada que na verdade é tão inconveniente quanto possível!)
Em seguida, a Lâmpada. Isso pode ser de prata ou prateada, (para representar o Caminho de ג) e deve ser pendurada no teto exatamente acima do centro do Altar. Há uma abundância de lâmpadas de igrejas antigas que servem muito bem. A luz deve ser de um pavio em uma rolha flutuando em um copo com azeite de oliva. (Espero que você possa obter isto!) É realmente desejável fazer isto o mais perto possível da “Lâmpada que sempre queima dos Rosacrucianos”; mas não é um inconveniente que implique frequente atenção.
Agora para as Armas!
A Baqueta. Que esta seja simples, reta e fina! Você já tem a Amendoeira ou Aveleira de Bruxa em seu jardim – ou eu devo chamar isto de parque?...
Uma brincadeira porque ela era uma membra da aristocracia e vivia em uma mansão. – Motta.
Se for assim, corte (com a faca mágica – gostaria de te emprestar a minha) um galho, o mais reto possível, com cerca de dois pes de comprimento. Descasque isto, esfregue isto constantemente com Óleo de Abramelin (este, e seu incenso, da Wallis e Cia., 26 Nova Cavendish Street, W.1)...
Este endereço está desatualizado. Você não consegue obter Óleo de Abramelin verdadeiro mais em qualquer lugar a menos que você mesmo fabrique ele, e para isso você precisa de Óleo de Galanga que, desde que a China ficou vermelha, tornou-se extremamente difícil de se obter. A O.T.O. está tentando chegar a um acordo com uma empresa da República da China para obter a raiz e pressionar o óleo em outro lugar sob rigorosa supervisão. As pessoas interessadas na obtenção do genuíno Óleo de Galanga devem escrever-nos. Um inescrupuloso charlatão chamado Herman Slater, que trabalham fora de uma livraria decadente chamada de “Magickal Child”, anunciou recentemente o ao publico o “Óleo de Abramelin verdadeiro e abençoado pela O.T.O.”. Este mesmo indivíduo tem sido conhecido por afirmar que “membros da O.T.O. de Motta” participaram da “bênção”. Slater é insano ou mentiroso, provavelmente ambos. Nenhum membro da O.T.O. participaria de tal esquema, pois os membros da O.TO. não são impostores nem ladrões. Além disso, qualquer tentativa de “abençoar” o Óleo de Abramelin para venda é uma blasfêmia, e extremamente prejudicial magicamente, tanto para o vendedor como para o comprador. Como este é o Óleo utilizado na Invocação do Sagrado Anjo Guardião, é de senso comum de que ninguém além de um Adeptus Minor completo poderia abençoá-lo para os outros; e um Adepto não faria uma coisa dessas, pois o Óleo só pode ser genuinamente abençoado pela Aspiração do próprio Candidato, que é o que desperta a resposta do Anjo do Candidato. No número anterior a Auriflama publicou um anúncio para os leitores, convidando-os a comprar um litro de Galanga para si, ao preço de cem dólares por litro. Precisamos de pelo menos cem compradores para fechar o acordo, a empresa Chinesa, naturalmente, se recusa a ter o trabalho de vender menos do que várias toneladas da Raiz de Galanga para qualquer um. Nós temos, até agora, apenas dez que declararam a intenção de compra. Temos recebido cartas pedindo para comprar apenas uma onça ou um pouco mais. Os leitores devem entender que não somos uma empresa comercial, nem estamos no negócio de venda de óleo. Um litro de Galanga pode lhe custar cem dólares, mas para um Magista praticante médio deve durar literalmente por décadas. Se você calcular o preço a pagar por alguns gramas do, digamos, falso óleo do Sr. Slater (existem muitos outros coautores neste negócio), e calcular o preço equivalente a um litro de Galanga verdadeira, você vai perceber que você esta sendo oferecido ao negócio de sua vida. Se você não tem inteligência suficiente para fazer esse cálculo simples, ou empatia suficiente para perceber as nossas dificuldades em publicar apenas livros decentes da O.T.O. (muito mais estão entrando no negócio de venda de petróleo), você não deve tentar se tornar um Magista; tente se tornar um presidente Americano ao invés disso. Se Reagan podia, não há nenhuma razão porque você não poderia, como burro e insensível que você é. O Óleo de Abramelin pode facilmente ser composto por qualquer pessoa: os óleos de Mirra, Canela e Oliva são muito menos dispendiosos e mais facilmente captáveis do que o Óleo de Galanga. Uma Loja O.T.O., é claro, precisa de uma quantidade maior de Óleo de Abramelin do que um indivíduo, a fim de realizar a Missa para os seus membros em uma base regular. Os leitores devem ter todas essas questões em consideração antes que pensem que estamos tentando extrair mais dinheiro deles, ou que estamos em condições de atender a pequenas encomendas de óleo para pessoas preguiçosas, mesquinhas ou estúpidas. – Motta.
[Ainda hoje é difícil comprar, mesmo porque esta raiz se ingerida em certa quantidade tem efeitos psicotrópicos acentuados... Mas, em suma, a bendita China não vende menos que 5 Toneladas!]
...e mantenha embrulhado em seda escarlate, constantemente, eu escrevi, e significava isto; esfregue isto, enquanto recita seu mantra, ao ritmo do mesmo.
(Relembre: “A ka dua” é o melhor; peça me para entoa-lo quando você vier me visitar.)
A Taça. Há uma abundância de cálices para serem comprados. Este devera ser de prata. Se ornamentado, a melhor forma é aquela de uma maçã. Eu tenho visto copos apropriados em muitas lojas.
A Espada. A forma ideal é mostrado no Ás de Espadas no Tarô. Em todo o caso, deixe a lâmina ser reta, e o cabo uma simples cruz. (A Espada Maçônica do 32º não é tão ruim; Kenning ou Spencer na Great Queen Street, W.C.2 estocam isto – ou costumavam fazer.)
Espadas maçônicas, no entanto, são normalmente feitas de ferro muito pobres, nem mesmo são de aço. – Motta.
[Eu nunca vi nenhuma joia maçônica feita com esmero. São rudes, toscas e de péssimo material! A única exceção são alguns anéis toscos, que os joalheiros sem arte costumam ao menos usar ouro e pedras preciosas. E só porque esta é a única joia que o pavão pomposo pode exibir claramente pelas ruas sem ser censurado pelo seu próprio código caduco de segredinhos.]
O Disco. Esse deve ser de ouro puro, com o seu próprio Pentáculo, projetado por você mesmas após prolongado estudo, e então gravado. Enquanto se esta preparando este qualquer círculo de ouro puro deve servir para sua vez. Bastante plano, é claro. Se você quiser um bom e simples desenho para este interim, tente o Rosa-Cruz ou o Hexagrama Unicursal.
Bastante para as Armas! Agora, quanto aos seus apetrechos pessoais, Robe, Lámen, Sandálias e afins, O Livro da Lei possui a maioria simplificada do que importa para nós. “Eu te urjo seriamente a que venhas diante de me em uma vestimenta única, e coberto com um rico diadema.” (AL I, 61) O Manto pode muito bem ser na forma da Cruz Tau; isto é, expandindo da axila até o tornozelo, e do ombro para – independente do que você chama o lugar de onde suas mãos saem. (A forma esta bem mostrada na ilustração em Magick, faceando a página 382)...
Ele se refere à edição original. Muitos livros, no entanto, pecam na falta desta ilustração. Ela será publicada na nossa, é claro. – Motta.
...Está sendo uma Probacionista, liso e preto é o correto; e o Hexagrama Unicursal pode ser bordado, ou “aplicado” (é isto? Eu que quero dizer “Pregado”), sobre o peito. O melhor diadema é o Nêmes: Eu não posso confiar em mim para descrever como fazer um, mas existem vários modelos no Museu Britânico, em qualquer texto Hieroglífico Ilustrado. A Esfinge usa uma e existe uma fotografia, mostrando a forma e estrutura de forma muito clara, no Equinócio I, 1, frontispício de suplemento. Você pode facilmente fazer um você mesma, sem seda; as listras largas preta e branca é um desenho agradável. Evite as complexidades “artísticas”.
Bem, isso deve ser o suficiente para mantê-la longe dano por algum tempo, mas sinto-me movido a acrescentar uma linha de prudência e de encorajamento.
Ouça!
Preste atenção!
Achtung!
Khabardar karo!
Tão logo você comece a preparar seriamente um lugar para o Trabalho mágico, o mundo fica mais torto do que já é. Não se surpreenda se você achar que seis semanas de intensa compras em toda a Londres não lhe proveu com algum requisito simples que, normalmente, você poderia comprar em dez minutos. Talvez seus fogos simplesmente se recusem a queimar, mesmo quando liberalmente dosado com gasolina e fósforo, com um punhado de Clorato de Potássio jogado apenas mostram que não há sensação ruim! Quando tiver quase decidido na sua mente que seria melhor você qualquer coisa sem algo que pareça realmente muito inalcançável – digamos, um diamante de sessenta quilates que ficaria muito bom no Diadema – um perfeito estranho vem e da um de presente a você. Ou, uma longa série de obstáculos bastante razoáveis ou acidentes tolos interferem com os seus planos: ou, a pior dificuldade em seu caminho é incompreensivelmente removida por algumas extraordinários “anomalias do acaso”. Ou...
Em uma palavra, você parece ter passeado num mundo onde – bem, talvez esteja indo longe demais em dizer que a Lei de Causa e Efeito é suspensa; mas pelo menos a Lei da Probabilidade parece estar jogando chistes práticos sobre você.
Isso significa que suas manobras de alguma forma atraíram a atenção do Plano Astral: seus novos vizinhos (Posso chamá-los?) estão tendo um interesse na última Recruta, alguns para acolher, para fazer todo o possível para ajudá-la a se estabelecer, outros indignados ou apreensivos com esta perturbação na rotina. Isto é onde seus Banimentos e Invocações vem para resgata-la. Claro, eu não estou referindo-me aqui na abordagem dos Santuários que necessariamente estão muito bem guardados, mas meramente o reconhecimento de um recém-chegado a essa parte do mundo em geral.
É claro que todos esses milagres são muito malcriados com você, eles significam que o seu poder mágico tem alguns pequenos vazamentos; pelo menos, a água está escorrendo entre algumas tábuas não seladas Hermeticamente como deveriam ser. Mas, oh, e este é mais vilão ainda – este é um bendito, abençoado conforto que se acontecer, aquela chance, coincidência e todo o resto simplesmente não explicam tudo isso a fora, que sua nova visão da vida não é um sonho, mas parte integrante da Experiência para todo o sempre, uma verdade como qualquer outra manifestação da Realidade através da sensação como é comum a todos os homens.
E isso nos traz – isto tem sido um longo rodeio –da sugestão de sua visita para a questão (até hoje sem resposta) em sua carta.
Você levanta tão vasta e afiada questão quando você escreve sobre a suposta antinomia da “alma” e “sentido” que pareceu melhor reter o comentário até esta posterior carta; foi necessária muito mais meditação para compactar a resposta dentro de limites razoáveis; até mesmo para dar forma a tudo isso não é tarefa fácil. Pois isso é provavelmente o sintoma das primeiras agitações da mente do homem das cavernas para a reflexão, para isso movido por outros sintomas – aqueles depois de amanhecer apos a noite anterior. Que é – nos já não tratamos desse assunto depois do habito? – evidência da doença quando um órgão se torna consciente de seus próprios modos de movimento. Certamente, o simples fato de questionar a Vida dá testemunho de uma interrupção de seu fluxo, como uma onda ainda em fluxo fala sobre uma rocha submersa. O mais feroz da torrente e maior obstáculo, é a maior perturbação da superfície – eu não tenho visto isto no Bralduh a oito pés de altura? Um povo letárgico com nenhum impulso selvagem de Vontade pode passar a Vida na apatia bovina; nos podemos notar bem que (em um sentido) a fúria da água parece para a nossa imaginação perturbada realmente aumentar e multiplicar as obstruções; existe um ponto crítico para além do qual as ondas lutam umas contra as outras!
Esta, uma descrição de como o psicossoma pode lidar com conflitos parapsicológicos provocados pela formação mística ou mágica (ou simplesmente com o que se pode chamar, um pouco vago porem ao menos poeticamente – a imprecisão é devida a nossa escassa pesquisa sistemática nesta matéria – o “florescimento da alma”.), é uma das passagens mais importantes deste Livro. – Motta.
Esse, em suma, é um retrato de você!
Você tem confundido o alvoroço passageiro sobre alguns empecilhos reais com se fosse um obstáculo em si mesma! Você coloca a culpa sobre você própria muito racionalmente para superar as dificuldades. O segredo do truque de atravessar as rochas é a elasticidade; no entanto é com muita qualidade que você se exprobra!
Nós mesmos, no pior, chegamos ao estado em que o Budismo no Oriente apresenta mais habilmente o caso: como fez no Ocidente James Thomson (B.V.) em “A Cidade da Noite Terrível”; nos chegamos a desejar – ou, mais verdadeiramente, a pensar que nós desejamos pela “abençoada Paz sem pecado do inoxidável Nirvana” (ou algum disparate tal! – graças a Deus eu não consigo me lembrar das frases piegas e pouco viril do Arnold!) e o “Imemorial olvido e repouso divino” de B.V.
“B.V.” era o nome de escritor de James Thomson. “Arnold” refere-se a Sir Edwin Arnold, autor de “A Luz da Ásia”. – Motta.
Eu insisto no “acho que você deseja”, porque, se na verdade Você realmente deseja o Aquele real, você nunca poderia ter chegado a existir! (“Mas eu não existo” – “Eu sei, vamos continuar!”)
Note, por favor, como sofismicamente inconvincentes são as teorias Budistas de como nós nunca começamos esta bagunça. Primeira causa: Ignorância. Saída, então, Conhecimento. OK, isso implica um conhecedor, uma coisa conhecida –  e assim a diante e assim por diante, o pensamento de todos os Três Cestos Lixo Lei; analisados, eles tornam-se um disparate todo arrumado para se olhar como um pensamento. E não há explicação genuína da origem da Vontade de ser.
Como é diferente, como é simples, como é auto-evidente, a doutrina de O Livro da Lei!
Há um sem número de passagens tratando desta materia em meus escritos: vamos esquecê-los, e manter o Texto!
Cap. I, v.26 “...meu êxtase, a consciência da continuidade da existência, a onipresença do meu corpo.”
V. 30 “Esta é a criação do mundo, que a dor de divisão é como nada, e a alegria da dissolução tudo.” (Há um significado Cabalístico interior neste texto; “a dor”, por exemplo, Ο ΑΛΓΟΣ, pode ser lido XVII x 22, “a expressão do amor-Estrela”, e assim por diante: tudo muito complicado para este tempo e lugar!)
O “XVII” acima é o numero do Atu XVII, “A Estrela”, no Tarô de Crowley – Motta.
V.32 ”Então as alegrias do meu amor”(isto é, o cumprimento de todas as experiências possíveis) vos redimirão de toda dor.”
V.58 “Eu dou alegrias inimagináveis sobre a terra; certeza, não fé, enquanto em vida, sobre a morte; paz indizível, descanso, êxtase;...”
Aqui, ele acrescentou a seguinte nota: “Paz”: o brilho de satisfação no sucesso. Não é “eterno”, ao contrário, estimula o apetite para mais uma aventura. (Paz, Η ΕΙΡΗΝΗ = 189 = 7 × 9 × 13, a mais Venusiana forma Lunar da Unidade). – Motta.
Este calculo está errado, mas fica difícil de dizer se foi erro de Crowley ou do copista. 189 é igual a 7x9x3, e nao 7x9x13, que é 819. – Motta.
Cap. II, v.9 “Lembrai-vos todos vós de que existência é pura alegria; de que todos os       sofrimentos são apenas como sombras; eles passam & estão acabados; mas existe aquilo que resta.”
(A continuação é divertida!...
Em retrospecto, se você ler seus Comentários de AL, você vai ver que ele não estava divertindo-se na época. – Motta.
...leia vv. 10 e 11:
“Ó profeta! tu tens má vontade de aprender esta escritura. Eu te vejo odiar a mão & a pena; mas Eu sou mais forte.”
Naquela época eu era um Budista casca dura, e enviaram-lhe um Cartão de Ano Novo “desejando-me um fim rápido de existência!” E isso como um homem jovem, com o mundo aos meus pés. Isto veio apenas para mostrar...)
vv. 19, 20. “Há um Deus de viver em um cão? Não! mas os mais elevados são de nós… Beleza e força, riso pulante e langor delicioso, força e fogo, são de nós.”
Este capítulo retorna outra e outra vez neste tema de uma forma ou outra.
O que é realmente mais significativo é a oculta, a inexpressável, alma do Livro; a maneira com que ele salta como uma onda selvagem de rapsódia sobre qualquer escusa ou desculpa.
Isto é certamente mais convincente do que algumas teses sombrias arrastando-se obstinadamente como a “prova” (!) de que “Deus é bom”, cada sentença rangendo com seu giz e guinchando com as pontadas do dedo do seu pé!
Contudo justo porque eu proclamei uma doutrina de alegria na linguagem da alegria, pessoas – camelos maçantes – dizem que eu não sou “sério”.
Ele foi inocente, não foi? Ele não percebeu que – as pessoas – que disseram tais coisas estavam a bolso de interesses Crististas, principalmente os Católicos Romanos, com o único propósito de desacreditá-lo. No Brasil, por exemplo, foi constantemente publicado em revistas na minha juventude, nas curtas referências a Crowley, que ele foi um desprezador de mulheres e achava que elas deveriam ser todas escravas. – Motta.
[Infelizmente, as referências públicas a Crowley ainda não mudaram!]
Contudo eu tenho encontrado prazer em aproveitar os cavalos alados do Sol para o arado da Razão, mostrando a validade desta doutrina em detalhe. Satisfaz o meu senso de ritmo e de simetria explicar que cada experiência, não importa qual, deva ser necessariamente um ganho de grandeza, de aderência, de compreensão e apreciação crescente como a complexidade e simplicidade que sucedem na sublime sístole e diástole, na estrofe e antístrofe duetando louvores para as estrelas da Noite e da Manhã!
Claro que é fácil como uma torta bater tudo isso em pedaços pela “lógica lunática”, dizendo: “Então a dor de dente é realmente tão agradável quanto bolo de morango”; Você fica aqui para a Oito Leituras de Yoga. Nenhum dos termos que eu estou usando tem sido, ou pode ser definido. Todas as minhas proposições não são superior a tautologia:...
“Tautologia” é a mesma coisa que redundância: repetição do mesmo significado em palavras diferentes, como por exemplo, quando você diz: “Você está subindo pra cima?” Coisa que, claro, as pessoas fazem o tempo todo. Poucos, entretanto, dizem “Você esta descendo pra baixo?” – Motta.
A é A. Você mesma pode até citar O Livro da Lei:
“Agora uma maldição sobre Porque e seus parentes!...Bastante de Porque! Seja ele danado para um cão”(AL II 28-33)
Essas coisas fedem a Ignoratio Elenchi, ou algo dolorosamente como isso: como um tipo de deslizamento da engrenagem, de “confundir os planos” da propositadamente mal entendida essência de um argumento. (Todos os magistas, a propósito, deveriam ser aterrados solidamente na Lógica Formal.)
Lógica Simbólica seria provavelmente mais eficiente do que Formal. Ignoratio Elenchi é uma das formas erradas de raciocínio listadas na Lógica Formal, as palavras em Latim significam, a grosso modo, desrespeito por toda a cadeia de raciocínio para se concentrar em apenas um ponto que não pode por si só representar a conclusão fina; e através disto atacar a conclusão final. Como, por exemplo, quando o advogado do Sr. Weiser tentou insinuar, muito sutilmente, que Donald Weiser tinha o direito legal de piratear-nos porque o Livro da Lei é imoral. – Motta.
[Ou, de frente com a vitima, aponte para que ela olhe para esquerda, enquanto o ataque vem para a direita. Mas o curioso é que se você plagiasse uma revista pornográfica de renome mundial esses mesmos tribunais-currais-de-porcos jamais deixaram passar seu plagio, ainda que eles considerem tais gêneros de revistas imorais ate os dias de hoje...óbvio que a pedofilia e estupro cometido por padres não entram em nenhum código penal: Santos Homens de Deus Altíssimo!]
Nunca se esqueça de, pelo menos, como é simples fazer um inferno maníaco – um caldo de qualquer proposição, porém simples para o senso comum.
Todo o acima, agora: – Budismo refutado. No entanto isto é uma possibilidade e a A∴A∴, portanto, uma faceta da Verdade. “Repouso” é uma ideia: para a imobilidade é um dos estados de movimento. Certo estado de espírito é (quase por definição) “eterno”, ainda que mais seguramente começa e termina.
E assim por diante para sempre – Eu temo que seria nugatório, pleonástico (e oh! Severos outros adoráveis longos adjetivos!)...
É. Você só as olha por cima em seu dicionário a partir de agora. Doravante nós vamos elucidar apenas expressões que não podem ser facilmente checadas. Você poderia fazer também um pouco do trabalho na compreensão de Crowley vós mesmos. Dãaaa...! – Motta.
... tentar proteger você dessa cabeça de hidra e pateta armadilha proteica; você deve ataca-las você mesma quando elas surgem, e lidar com elas da melhor maneira possível: sempre lembrando que muitas vezes você não pode dizer que é você que é o quebra-cabeça do macaco, ou quem ganhou. (“Todo mundo ganhou; portanto todos devem ter um prêmio” aplica-se belamente). E nada disso tudo em uma fila de feijões verts sautés; ja que a conclusão deve ser sempre Dúvida (ver que o bestial Livro das Mentiras de novo – há um lindo capítulo sobre isso) e a moral prática é a seguinte: essas contradições não ocorrem (ou não importa) em Neschamah.
O próximo paragrafo foi cortado pelo Sr. Regardie. – Motta.
[um comentário importante sobre o paragrafo de Crowley acima, que não foi, ou não houve interesse em ser comentado, para dar vez a esta queixa repetitivamente infantil. Se você tem passado por tais “contradições” procure um medico, muito provavelmente você esta ficando louco. NÃO misture os planos!]
Além disso, isto pode ajudá-la com uma grande porção (por encorajá-la quando está deprimida, ou divertindo você quando quer relaxar) lendo Sir Palamede o Sarraceno; Suplemento no O Equinócio, vol. I 4...
Estamos planejando atualmente emitir uma seleção das poesias de Crowley. Esta devera fazer parte desta. – Motta.
[Ainda bem que não roubaram a cueca suja de Crowley, Wowwww...!]
Espero que algumas dessas poucas tragicomédias desventuradas já estarão familiarizadas com você em um disfarce ou outro.
E se as observações acima devem incentivá-la a exclamar: “Talvez um pouco de bebida não me faria nenhum grande mal” eu vou sentir que fiz por bem para merecer o meu país!
[Ou, cada um tem o país que merece! Esta é a mesma, caso não se lembrem, “Dama da Aristocracia” que bebia a ponto de ver “TIGRES ROSAS” na grande escadaria de sua mansão, e achou que isso estava relacionado com o treino que Crowley havia lhe destinado... Mas que ela beba! Então alguém pode dizer: “...não veleis vossos vícios em palavras virtuosas: estes vícios são meu serviço; vós fazeis bem, & Eu vos recompensarei aqui e no além.” Pode ter certeza que se confundirem o plano como a Dama desta carta será no além mesmo, e muito em breve! Ps.: Antes que me apedrejem, a citação é de AL II, 52]
Pois – ver Liber Aleph, depois de Rabelais – a Palavra do Último Oráculo é TRINC.
Você pode perceber, se você for inteligente, sensível, e se você gosta de história, como as Sociedades de Temperança reagiram a isso. A “Lei Seca” nos Estados Unidos, e as leis antidrogas em todos os países, foi proferida depois que AL foi dada ao mundo, a pedido dos defensores dos dogmas estabelecidos, que sabiam perfeitamente que sua última trombeta tinha soado, e queriam ficar vivos – isso se o que eles fazem pode ser chamado de vida – contanto que pudessem. – Motta.
O planto com seus rabos de fora – e animam-se em faze-lo assim – com a confissão de Ambição, e considerações sobre o que você deve deixar até a sua próxima vida. Muito bem! mas tudo está coberto pelo programa em geral. É adequado assimilar essas ideias com a estrutura fundamental da sua mente: “Talvez seja melhor deixar ‘A Vida e a opinião de Combate para a Lei, a Ballarat Bruiser' até, digamos, seis encarnações a frente” – Mas talvez você já tenha adquirido isso.
E esta memória inconsciente é o que incita a sensação de que você não precisa disso de uma vez. Talvez! – Motta.
Não, melhor ainda, se concentre na próxima etapa! Afinal, ela é o único que pode tomar, não é! Sem ânsia de resultado, por favor!
E eu deixarei alguma coisa para a próxima carta.
Amor é a lei, amor sob vontade.
Fraternalmente seu,
666

P.S.: “Próxima carta”, sim, estão batendo umas nas outras mais do que deveriam, é melhor assim, pois a vida é assim. E nos temos um editor ousado para separá-las.
Este foi, claro, o Sr. Karl Johannes Germer e não Israel Regardie. Ao deixar este P.S. intocado no texto de sua pirataria, o Sr. Regardie astutamente pensava em induzir o leitor a acreditar que a referência era afetuosa para si mesmo. Mais tarde, ele tentou o mesmo artifício, só que assim, desfigurando as notas de rodapé da edição do Sr. Germer de “A Visão e a Voz” – Motta.

[A inépcia do Sr. Regardie como secretario não tinha fronteiras, talvez só sendo superada por outro! Mesmo o Sr. Fernando Pessoa quando em relação comercial com a Editora Mandrake (parceria comercial entre Germer e Crowley) pasmava com os erros ortográficos, geográficos e outros mais deste senhor].