quinta-feira, 19 de maio de 2011

A Tradição de Israel - Tzfat - A Cidade dos Cabalistas Judeus

Uma cidade nas montanhas verdes do Vale Hula, próximo as costas dos mares da Galiléia, Safed foi na metade do segundo milênio da era Cristã uma cidade inteiramente habitada por cabalistas judeus, e onde viveram alguns dos maiores mestres desta santa ciência, inclusive o Ari, talvêz o maior deles todos.

Na Idade Média, o centro do Judaismo deslocou-se da Babilônia para a Europa, Espanha e França. Nesta época foi produzido o Sepher ha Bahir (Livro Brilhante), por Isaac, o Sagui Naor, filho de Abraão ben David de Posquières, que introduziu no judaísmo a noção de transmutação das almas (Gilgul) e interpretou o Sephiroth como causas instrumentais do Universo. Diz-se que este livro contem os discursos do Rabi Nehuniah ben Hakana, em transe.

Nesta época as obras mais famosas foram as de Ibn Gabirol, Judah Ha-Levi e Ibn Ezra com influências pitagóricas, de misticismo matemático e gramatical, e neoplatônicas, como a teoria das emanações.
Alguns atribuem aos cabalistas espanhois, entre eles Moses ben Shem Tov ou Moses de Leon, a autoria do Zohar, também nesta época, na verdade de Leon foi um dos primeiros divulgadores dos conhecimentos do Zohar.
Com a expulsão dos judeus da Espanha, o centro da Cabala passou então para Safed na Galiléia.

Antes porém, os cabalistas espanhois criaram na Itália e na Turquia centros de atividades Cabalistas, quando a comunidade Sepharadita moveu-se para o Leste.

Sholomon Alkabez (1505-1584) compositor do Hino de Sabbath "Lecho Dodi", estabeleceu em Salonika, então parte da Turquia, uma fortaleza florescente de pensamento sobre a Cabala. Depois disso, dirigiu-se com um grupo de cabalistas fervorosos, quarenta anos após a expulsão dos judeus da Espanha, para a Terra Santa, na pequena cidade de Safed na Galiléia, fundação de um dos períodos mais influentes da história da Cabala.

Sobre Safed, em 1607, Shlomel de Moravia, autor da bibliografia de Isaac Luria, o Ari, escreveu:
"Aqui vivem os grandes mestres, santos e homens de ação... Nenhum entre êles tem vergonha de ir à fonte, pegar água e carregá-la em seus próprios ombros, ou de ir ao mercado e comprar pão, óleo e verduras. Todo trabalho em casa é feito por êles mesmos..."

Modelada segundo o sistema comunitário dos Essenios, a vida em Safed representou a perfeita cooperação do ideal socialista. Foi o lugar onde Isaac de Luria, o maior dos mestres da cidade, contribuiu com grandes somas dos seus bens advindo dos negócios de sua família com tecidos, e onde Joseph Caro, nascido na Espanha, e um dos maiores nomes da tradição legal do Judaismo (halakhic), praticava as leis durante o dia e a Cabala durante as noites. Sua permanência em Safed atraiu mestres não menos famosos, como Moses Cordovero (1522-1570), cunhado e discípulo de Solomon Alkabez grande escritor místico e Cabalista Líder em Safed.

Sob Alkabez, um grupo chamado Chaverim (camaradas), se encontrava regularmente nas sepulturas dos santos mortos, onde conduziam cerimoniais e meditações em grupo.

A fim de colocar seus corações no caminho da Shekhinah (presença imanente e aspecto feminino de Deus) êles eram ensinados a como purificar continuamente as suas mentes e corpos, abstendo-se da ira e da raiva, crueldade, e inimizades com seus vizinhos. Abstinham-se mesmo de matar os pequenos animais como insetos.
Os treze atributos divinos de Moses Cordovero são:

1 - Perdão face a insultos
2 - Paciência em aguentar o mal
3 - Perdão, para apagar os males sofridos
4 - Total identificação com seus vizinhos
5 - Completa ausência de raiva, combinada a ação apropriada
6 - Relembrar somente as boas qualidades de quem o ofende.
7 - Eliminar qualquer traço de vingança
8 - Esquecer o sofrimento inflingido a sí, por outros, e lembrar somente do bem
9 - Compaixão para com os sofredores, sem julgá-los
10 - Ser sempre verdadeiro
11 - Prazer além da letra da lei, para com os bons
12 - Assitir aos fracos para se recuperarem, sem julgá-los
13 - Relembrar de todos os seres humanos sempre na inocência de sua infância

Após Cordovero, Issac Luria foi o grande mestre de Safed. De acordo com o Ari (Issac Luria era chamado o Ari, devido a uma permutação do nome Rabi Isaac Ashkenazi, este último nome indicando sua origem alemã - outra versão diz que era chamado Haari ou Leão, ou ainda Haari HaKadosh - o Leão Sagrado), a tarefa do Cabalista em suas meditações privadas agora abrangia o universo. Uma vêz purificada, a mente humilde se ligava à fonte divina, e era obrigada a retornar aos mundos mais baixos e com esfôrço renovado retirar as faíscas sagradas das cascas materiais que recobrem todos os seres, flores, minerais e demônios. Para este propósito, o Ari desenvolveu um novo sistema de concentração baseado em elaborados processos mentais na forma de "kavannot" (símbolos contemplativos que denotam visualizações específicas) sobre as letras e frases das preces diárias.

Desde que a prática destes exercício requeria a maior pureza da mente e do corpo, o Ari iniciou um curso paralelo de "Tikkun" (correção). Certas fórmulas prescritas individualmente pelo mestre ao discípulo, eram projetadas para limpar a sua alma de seus defeitos e então preparar o caminho para a purificação de tudo que ele refletisse.

O Ari amava toda a criação, sem exceção. Ele cuidadosamente evitava causar mal até mesmo a insetos e vermes, insistindo que estes também iriam evoluir no curso da trasmigração das almas. Mesmo as coisas inanimadas, como ele as via, podiam ser comunicadas através da liguagem do espírito. Por esta razão, cada palavra nas preces Lurianicas é investida com mistérios que trasncendem todas as tentativas de intepretação literal.

Ele elevou os exercícios de concentração escritos a um nível exaltado, inscrevendo-os nos livros de oração Sephardicos (relativos a Safed, Safaraditas), que, dois séculos após a sua morte, também serviram como manuais de meditação para os Hasidim Europeus, ou buscadores da ectasia de Baal Shem Tov.

No sistema Lurianico, uma prece real, só poderia ser expressa pelo homem puro que tivesse desaparecido dentro do alcance infinito da Coroa Cósmica (Kether), antes mesmo de abrir a sua boca para glorificar a Deus.
Nesse sentido, a ênfase do Ari na simplicidade, humildade e caridade, era ainda maior do que as de Bahaya e Cordovero. Mostrando todas estas qualidades em sí mesmo, ele inspirou a comunidade de Safed, que nunca o deixou de amar por sua ilimitada generosidade e douçura pessoal.

A passagem de Luria por Safed foi muito importante, relata-se que "visualizada" pelo Rabi Chayim Vital, que morava em Damasco, fêz com que este se dirigisse à ciadade dos cabalistas para lá encontrar o Ari.A história do Ari mostra que ele estudou profundamente o Zohar do Rabi Shimeon bar Yohai, e que em seus sonhos e transes tinha como mestres Rabi Akiva, Rabi Eleazar e o próprio profeta Elias.

Os registros de Vital, mantidos secretos até a sua morte, foram revelados e circulados contra a sua vontade. Então os ensinamentos do Ari, segundo Gershom Sholem, "tornaram-se propriedade comum dos cabalistas posteriores".

Através de Vital, podemos entrever as instruções de purificação para um discípulo, sobre como praticar a vasta e complicada meditação de "ligação" (yichud em hebraico, em inglês=binding).
Antes de entrar na sinagoga o discípulo devia fazer uma doação anonima para uma causa de caridade. Então, usando os paramentos sobre a cabeça e braços rezava a manhã toda. Mentalmente devia recordar ou re-contar as atividades e pensamentos do dia anterior, para saber se tinha sido escrupuloso evitando causar mal a qualquer coisa viva. Se o Ari o designasse como descendente de Cain, então deveria evitar colocar facas sobre a mesa.

De acordo com Vital, o Ari ensinava a seus discípulos como andar, como comer e como rezar.
Seguindo as instruções do Ari, seus discípulos sempre tinham sal à mesa, mas evitavam beber água após a refeição. Deviam manter os pés juntos enquanto recitavam bençãos e trabalhavam duro para evitar o hábito de puxar fios da barba distraidamente. O Ari até mesmo dava frases para que fossem colocadas nas paramentas do Sabath.
À cada homem era dado um dia da semana personalizado como período salutar para seu progresso espiritual, e um dia por mês, quando ele estaria a salvo de injúrias e da morte.

Mais do que "dias de sorte", estes períodos eram utilizados para meditações repetitivas projetadas para liberar a sua alma em preparação para o dia da morte. Os discípulos realizavam meditações diárias para correção da mente, algumas tão simples como repetir a frase do Exodus 15: "Eu sou Deus que cura você", em combinação com um nome Sagrado, derivado das letras do Tetragramaton (IHVH).

O Ari era um tão grande mestre espiritual que sabia exatamente onde, e quão alto, na Árvore Cósmica cada alma estava localizada. Ele explicava os versos da Torah a cada um dos seus discípulos, exatamente nos momentos em que estes estavam intuitivamente prontos para receber o significado por trás de cada verso para sua ascenção espiritual.

O mestre apresentava a seus discípulos fórmulas para evitar que as "forças externas" que distraiam as suas mentes, fórmulas para lembrá-los de que Deus os criou a sua própria imagem, fórmulas para induzir odores e sons.
Ensinava a seus discípulos a meditar sobre seus corpos, focalizando no topo da cabeça, sem entoar nenhum dos Nomes Sagarados, pois a Coroa reina em absoluto silêncio...

Andando do lado de fora, eram ensinados a imaginar suas pernas como as esferas de Netzah e Hod, e seus olhos como Hockmah e Binah, sempre lembrando que o corpo era um trono para o Espírito Sagrado. Alguns discípulos chegaram mesmo a dizer que "voavam" pelo ar, quando traziam para sí a luz de um atributo secreto chamado Daath (Comhecimento), localizado entre a Sabedoria e o Entendimento, na Árvore Cósmica.

Existiam inúmeras fórmulas para utilizar na observância religiosa, feriados e na execução da Lei Judáica. Também haviam tantas fórmulas de propósito contemplativo quanto haviam experiências de vida. "Tudo", dizia o Ari, "depende da intensidade de sua concentração e sua ligação com o alto. Não remova isto da frente dos seus olhos".

Motivados como eram, pela intensidade do exemplo espiritual de seu mestre, e dedicados a meditação de ligações (yichudim), não é de surpreender que os místicos de Safed comparassem a sí mesmos como "anjos nos céus".
As duas grandes escolas da Cabala produzidas no século XVI, em Safed, foram o Cordoveron (do Rabi Moses Cordovero) e a Lurianica (Rabi Isaac Luria).

Cordovero completou em Safed, em 1522, "Ohr Yakar" (Luz Exaltada), o primeiro comentário completo e compreensivo sobre o Zohar; outras obras são: Or N'erav, Shiur Koma, Tomer Deborah e Pardes Remonim.

Rabi Isaac Luria, o Ari, de sagrada memória, nasceu na velha cidade de Jerusalem em 1534. De acordo com a lenda, o profeta Elias veio para a sua cerimônima de circuncisão, atuando como Sandek, Pai de Deus, e disse a seu pai que tivesse atenção com seu filho, pois uma luz exaltada deveria brilhar nele.

O Ari era uma autoridade no Talmud já na sua infância, e diz a lenda que aos treze anos, encontrou o Zohar, e por treze anos viveu como eremita num local remoto no rio Nilo, estudando os segredos da Cabala.

Em 1569, Isaac Luria, o Ari, foi para Safed, onde estudou com Moses Cordovero; alí desenvolveu um novo método para compreensão do Zohar, o qual leva o seu nome (Sistena Lurianico), o qual focaliza as Dez Sephiroth (Dez Emanações Luminosas).
Um dos tópicos de sua atenção trata da comunicação. O Sistema Lurianico de Cabala descreve conceitos que permitem a um homem comunicar-se com outro, no futuro, através de ondas mentais.

Com a idade de 38 anos, no quinto dia de Av, 1572, o Ari completou sua missão e partiu para o lugar desejado no Jardim do Eden.

A Idade de Ouro de Safed, manteve seu lugar na história judaica, através do Rabi Haim Vital. O discípulo mais favorecido do Ari; que juntamente com seu filho Shmuel, impuseram-se a tarefa de gravar os pensamentos do mestre em papel.

Outro cabalista, que compartilhou esta época de Ouro de iluminação (1490-1590), foi Abraham Ben Mordchai Azulai. Nascido em Fez (1570-1643) de uma família de cabalistas de origem casteliana, escreveu três tratados sobre o Zohar:
Or-ha Levanah (Luz da Lua), Or-ha Chamah (Luz do Sol) e Or-ha Ha'Ganuz (Luz Escondida ou Oculta). As palavras de Azulai no prefácio de Or-ha Chamah, conforme o Dr. Philip S. Berg, soam com mais força hoje, do que em qualquer outra época: "A partir do ano 1540, é muito importante que todos estudem a Cabala em público e que todos se preocupem com o estudo da Cabala. Pois é pelo mérito da Cabala, e de fato, somente através da Cabala irá o Messias aparecer para fazer desaparecer da face da terra a guerra, a destruição, as injustiças sociais, e sobre tudo a desumanidade do homem".

A Tradição de Israel - Maimon e a Mishné Torah

"Os preceitos que Moisés recebeu no Sinai foram dados juntamente com a sua jurisprudência, como está escrito: 'E Eu te darei as Tábuas de Pedra, a Torah e o Mandamento' Êxodo 24:12".
Torah é a lei escrita. Mandamento é a jurisprudência ou Lei Oral, ou Torah oral.
Toda a Torah foi escrita por Moisés, que apresentou um rolo a cada tribo e colocou um na Arca da Aliança para servir de testemunho. A jurisprudência, que é a vontade da sabedoria, Moisés não a escreveu, mas revelou seu sentido aos anciãos, a Josué e ao restante de Israel.
A Lei Oral, embora não estivesse escrita, Moisés ensinou a sua íntegra em sua corte, aos setenta Anciãos, como também a Eleazar, Finéias e Josué - os três receberam-na de Moisés.
E assim a Lei Oral foi passada de geração em geração até a época do Rabi Judah, chamado de Rabenu HaKadosh (nosso mestre, o Santo) que compilou a Mishná (Conjunto dos Tratados do Direito Consuetudinário Judaico, o Direito Costumeiro, transmitido oralmente de geração à geração).

Desde a época de Moisés até o Rabenu HaKadosh, não se havia composto nenhum trabalho através do qual se tivesse ensinado publicamente a Lei Oral. Mas em cada geração, o líder do tribunal ou o Profeta daquela época anotara para seu uso particular um memorando das tradições que aprendera de seus Mestres, as quais ensinava oralmente em público. Da mesma forma cada discípulo anotava, segundo a sua habilidade, a exposição da Torah e suas jurisprudências, conforme as ouvira, como também os novos assuntos que iam aparecendo em cada geração, que não haviam sido recebidos pela tradição, mas deduzidos pela aplicação das treze regras hermeneuticas, e que foram adotados pelo Supremo Tribunal. Este era o método utilizado até a época do Rabenu HaKadosh, quando este conhecimento foi escrito na Mishná.
Porque o Rabenu HaKadosh agiu desta forma, ao invés de deixar as coisas como estavam ? Porque ele observou que o número de discípulos estava diminuindo, catástrofes aconteciam continuamente, o cruel governo roamano estendia seu domínio, seu poder aumentava, e os judeus vagavam e emigravam para países distantes.

Posteriormente Rav compilou o sifrá e os sifrê, cujo propósito é aclarar os princípios da Mishná. O Rabino Hia compilou a Tossefta também para explicar o tema da Mishná. Da mesma forma o Rabi Oseas e Bar Caporo compilaram baraitas para elucidar o texto da Mishná.O Rabino Iohanan compôs o Talmud de Jerusalem na Palestina, aproximadamente três séculos após a destruição do Segundo Templo e Rav Achi compilou, um século depois, o Talmud Babilônico nas terras de Shinar (Babilônia). Estes dois Talmuds contém uma exposição dos textos da Mishná e uma elucidação de seus pontos conflitantes e profundos, e novos temas foram acrescentados pelas várias Academias, desde os dias do Rabenu HaKadosh até a compilação do Talmud. Os dois Talmuds, a Tossefta, a sifrá, os sifrê e as Tosseftot são as origens a partir das quais está elucidado o que é proibido, o que é permitido, o que é impuro, o que é puro, o que é violação sujeita a pena e o que não envolve penalidade, o que é adequado para o uso e o que é inadequado, segundo as tradições recebidas pelos sábios e por seus antecessores em suscessão ininterrupta, até os ensinamentos de Moshé Rabenu, que os recebeu no Sinai...Disse Moisés: Deveis ordenar uma Mitzvah para preservar minhas ordenanças Lv - 18:30.

Todas as Leis originais e criadas pelos Supremos Tribunais de cada geração, segundo os princípios hermeneuticos, até seu próprio tempo, foram compiladas por Rav Achi na Guemará (É o conhecido Talmud que contém as jurisprudências relativas a Mishná. Há duas Guemarás, a de Jerusalem, que junto com a Mishná formam o Talmud de Jerusalem; e a da Babilônia, que junto com a Mishná formam o Talmud da Babilônia).

Os sábios da Mishná realizaram outras obras:
Rabi Hoshaio, discípulo do Rabenu HaKadosh escreveu uma exposição do Bereshit (Genesis) de Mosés. Moisés escreveu o Pentateuco - Humashe: Bereshit (Genesis), Shemot (Êxodo), Vayikrah (Levítico), Bamidbar (Números) e Devarim (Deuteronomio).
Rabi Ismael, escreveu a Mequiltá (comentários midráshicos sobre a Mishná), um comentário sobre a Humashe, desde o início do livro de Shemot até o final do Pentateuco. O Rabi Akiba também escreveu uma Mequiltá.
Outros sábios que viveram posteriormente escrevram os midrashim.

Todas estas obras foram compostas antes do Talmud Babilônico. Ravina e Rav Achi e seus confrades foram os últimos grandes sábios que estabeleceram firmemente a Jurisprudência da Lei, fizeram decretos, ordenações e introduziram costumes, que obtiveram aceitação universal entre os judeus.

Todos os sábios que surgiram após a compilação do Talmud, que estudaram-no com profundidade e tornaram-se famosos por sua sabedoria são chamados gueonim.
A obra é composta em aramaico, com influências de outras línguas, o vernáculo dos judeus babilônicos, na época em que foi compilada.

"Sob estas premissas, eu, Moshe, filho de Maimon, o Safaradita, pus-me em movimento, cingido de coragem e contando com a ajuda de D..S, Seja Ele abençoado; atentamente estudei todas estas obras literarias, com o objetivo de escrever um livro, que esclareça... de acordo com as conclusões retiradas de todas estas compilações e comentários que têm aparecido desde a época do Rabenu HaKadosh até o presente... eu dei a esta obra o título de Mishné Torah, pela razão de que uma pessoa que leia a Lei Escrita, e depois esta recompilação, saberá a íntegra da Lei Oral, sem precisar consultar ou estudar outro livro qualquer."

Composição da Mishné Torah

Os 248 Preceitos Positivos
Os 365 Preceitos Negativos
1 - Livro da Sabedoria
2 - Livro do Amor
3 - Livro dos Períodos
4 - Livro das Mulheres
5 - Livro da Santidade
6 - Livro da Magnificiência
7 - Livro das Sementes
8 - Livro do Serviço Divino
9 - Livro dos Sacrifícios
10 - Livro da Pureza
11 - Livro dos Danos
12 - Livro das Aquisições
13 - Livro dos Julgamentos
14 - Livro dos Juízes

As letras dos Dez Mandamentos são 613, numero dos Mitzvot da Torah (Bahir 124), que correspondem às 613 partes do corpo humano: 248 membros e 365 vazos.

Trechos do Evangelho de São João - baseados no trabalho de White Eagle




A semente divina em nós
 12:24 Em verdade, em verdade vos digo que, se o grão de trigo que cai na terra não morrer, ficará só, mas se morrer produzirá muito fruto.
O eu corporal é a casca do grão que terá que se dissolver, mas no seu interior está armazenada a verdadeira vida eterna; se a casca exterior não se abrir, a vida interior não despertará e morrerá.
Em outras palavras, o homem deve morrer para o mundo antes de ser levado à vida eterna. Todos os desejos e sentimentos inferiores devem morrer. No final, isto deve acontecer, mas enquanto o homem se prende a eles, é como se estivesse morto, não desperta para a vida espiritual.
O que impulsiona então a alma, o que faz com que ela deseje a jornada ascendente, mesmo quando continua habitando a carne ? É a chama interior do Cristo Cósmico, que encarnou como homem em Jesus de Nazaré, o espírito de amor, de verdade, de bondade que reside no coração, no centro de todo homem...
A Virgem Maria em uma recente revelação nos mostra a necessidade de dominarmos nossos eus inferiores, quando nos diz: "o homem deverá estar preparado para viver em uma nova dimensão, onde todos podem ver os pensamento de todos"; estamos nós preparados para isto ?
Portanto temos que trabalhar muito sobre nós mesmos, para que deixando morrer a casca do eu exterior, permitamos que a semente da vida em nosso interior, a centelha divina que brilha no centro de nossas almas, a qual devemos buscar e fortalecer, para que um dia possamos fazê-la desposar o fogo Crístico, no batismo da vida eterna.
17:1-26 Assim falou Jesus, e, levantando os olhos ao céu, disse: Pai, é chegada a hora, glorifica o teu Filho, para que também o teu Filho te glorifique; e, pelo poder sobre toda a carne, ele dê a vida eterna a todos quantos lhes deste. Ora a vida eterna é esta: que eles te conheçam a tí, como único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste. Eu te glorifiquei sobre a terra; concluí a obra que me deste a fazer. Agora. Pai, glorifica-me junto a tí, com a glória que tinha contigo, antes que existisse o mundo.

O Caminho Direito
21:1-5 Depois disto, Jesus manifestou-se outra vez a seus discípulos... (estes pescavam) ... Saíram e subiram ao barco, e naquela noite nada apanharam. Chegada a manhã, Jesus estava em pé, na praia, mas os discípulos não sabiam que era Jesus.
Então Jesus lhes disse: Filhos, tendes alguma coisa para comer ? Responderam-lhe: Não. E ele lhes disse: Lançai a rede para o lado direito do barco e encontrareis. Lançaram-na, pois, e já não a podiam tirar por causa da grande quantidade de peixes...
Os discípulos, após a crucificação de Jesus, sentiam-se como que abandonados, e assim foram para o mar apanhar o seu sustento, inconscientes de que o Mestre estava com eles o tempo todo, e na verdade, o que necessitavam era mesmo de alimento espiritual. Antes, seus espíritos haviam sido alimentados por Ele, agora chegara o momento de ficarem sozinhos, assim como como nós também seremos deixados sós, no dia de nosso grande teste. O que acontecerá então ? Seguiremos o espírito ou voltaremos para as ilusões da matéria ?
O mar, a água, são sempre os símbolos da alma. O peixe é o símbolo do alimento espiritual. O Mestre, que sabia exatamento o que seus discípulos necessitavam, em seu grande amor, manifestou-se novamente a eles...
Na história de Pedro, podemos ver claramente que o verdadeiro amor é o que nos possibilitará seguir o espírito, vencendo as tentações e ilusões da matéria:
Pedro impulsivamente atirou-se a água, tão ardente era a sua vontade de chegar até o Mestre.
Pedro, que havia renegado ao Senhor por três vêzes, e tinha perguntado a Ele, comparando-se a outro discípulo: Amas-me mais do que este ?
Pedro ainda não havia compreendido o verdadeiro significado do amor; provavelmente, sabia de tudo em sua mente, mas ainda não havia absorvido plenamente o amor de Cristo no seu ser.
Podemos saber tudo sobre as verdades esotéricas, com nossas mentes; mas se não conseguirmos sentir o amor, e não soubermos como amar incondicionalmente, não conhecemos ainda plenamente a verdade.
Amar significa entregar tudo a Deus, numa doação completa, numa expansão de todo o ser.
Jesus disse então aos sues discípulos para lançar a rede do lado direito do barco - significando: Procurem o alimento espiritual no caminho direito !
Se buscares apenas o bem estar do corpo, não ganharás nada; se buscares apenas pelo intelecto, ficarás desapontado. Mas se lançares tua rede do lado direito, no caminho direito, ela virá repleta com tudo o que necessitas !
O caminho direito pode ser obtido através do cálice:
... Bebei, disse o Mestre, tomai este cálice e bebei em memória de mim.
Devemos beber do cálice da vida e da experiência humana, e por mais amargo que este possa parecer, devemos aceitá-lo com toda humildade e resignação, pois só assim estaremos nos redimindo.
... É preciso perdoar, pois ao contrário, a alma não pode alcançar a redenção.
Sem o perdão, nosso karma jamais se tornará limpo.
Mas quando, bebendo humildemente do cálice, aceitamos e admitimos nossas faltas, com dignidade e confiança, trilhando conscientemente o caminho direito, nos libertamos do karma.

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Pai-Mãe Deus, nós Vos agradecemos:
Vos agradecemos pelo amor e pela luz que brilha dentro do nosso ser.
Fazei concosco como quiserdes;
Vós sereis em nós.
Pois Vós sois toda a sabedoria e amor, e
Vossa vontade nos dá saúde, santidade, perfeição e felicidade.

Amen !