segunda-feira, 25 de abril de 2011

DEUS

I am in a secret fourfold Word, the blasphemy against all gods of men.
AL III, 49
Eu estou em uma secreta palavra quádrupla, a blasfêmia contra todos os deuses dos homens."
AL III, 49
 
"These are fools that men adore; both their Gods & their men are fools."
AL I, 11
Estes são tolos que os homens adoram; seus Deuses & seus homens são tolos."
AL I, 11
 
"Curse them! Curse them! Curse them!"
AL III, 50
"Maldição sobre eles! Maldição sobre eles! Maldição sobre eles!"
AL III, 50
 
"With my Hawk’s head I peck at the eyes of Jesus as he hangs upon the cross.
"I flap my wings in the face of Mohammed & blind him.
"With may claws I tear out the flesh of the Indian and the Buddhist, Mongol and Din.
"Bahlasti! Ompehda! I spit on your crapulous creeds.
"Let Mary inviolate be torn upon wheels: for her sake let all chaste women be utterly despised among you!
"Also for beauty’s sake and love’s!"
AL III, 51 – 56
"Com minha cabeça de Falcão Eu bico os olhos de Jesus enquanto ele se dependura da cruz.
"Eu ruflo minhas asas na face de Mohammed & cego-o.
"Com minhas garras Eu dilacero e puxo fora a carne do Hindu e do Budista, Mongol e Din.
"Bahlasti! Ompehda! Eu cuspo nos vossos credos crapulosos.
"Que Maria inviolada seja despedaçada sobre rodas: por causa dela que todas as mulheres castas sejam completamente desprezadas entre vós!.
"Também por causa da beleza e do amor!"
AL III, 51 – 56
 
"I am above you and in you. My ecstasy is in yours. My joy is to see your joy."
AL I, 13
"Eu estou sobre de vós e em vós. Meu êxtase está no vosso. Minha alegria é ver vossa alegria."
AL I, 13
 
"I Am alone: there is no God where I am."
AL II, 23
"Eu sou só: não existe Deus onde Eu sou."
ÄL II, 23
 
"E este é o horror que foi mostrado perto do lago próximo à Cidade dos Sete Montes, e este é o Mistério dos grandes profetas que vieram à humanidade, Moisés, e Buda, e Lao-Tan, e Krishna, e Jesus, e Osíris, e Mohammed; pois todos estes atingiram o grau de Magus, e portanto estavam obrigados pela maldição de Thoth. Mas, sendo guardiões da verdade, eles ensinaram apenas falsidade, exceto a esse que compreenderam; pois a verdade não pode passar o Portal do Abismo.
"Mas o reflexo da verdade tem sido mostrado nas Sephiroth mais baixas. E seu equilíbrio está em Beleza, e portanto aqueles que buscaram apenas a beleza tem chegado mais perto da verdade. Pois a beleza recebe diretamente três raios das superiores, e as outras não mais que um. Por isto, então, aqueles que buscaram majestade e poder e vitória e conhecimento e felicidade e ouro tem sido decepcionados. E estes dizeres são as luzes de sabedoria para que possas conhecer teu Mestre, pois ele é um Magus."
Líber XXX Aervm, Sexto Aethyr
 
"Ó tu que contemplaste a Cidade das Pirâmides, como contemplarias tu a casa do Pelotiqueiro? Pois ele é sabedoria, e pela sabedoria ele fez os Mundos, e daquela sabedoria saem julgamentos 70 por 4, que são os 4 olhos do de duas cabeças; que são os 4 diabos, Satan, Lúcifer, Leviathan, Belial, que são os grandes príncipes do mal do mundo.
"E Satan é adorado por homens sob o nome de Jesus; e Lúcifer é adorado pelos homens sob o nome de Brahma; e Leviathan é adora por homens sob o nome de Allah; e Belial é adorado por homens sob o nome de Buda.
Este é o significado da passagem em Liber Legis, Capítulo III.
"Também, existe Maria, uma blasfêmia contra BABALON, pois ela se fechou; e portanto é ela a Rainha de todos esses diabos malvados que caminham sobre a terra, esses que tu viste tal qual pontinhos pretos que manchavam o Céu de Urânia. E todos esses são o excremento de Choronzon."

Líber XXX Aervm, Terceiro Aethyr.

Os Discursos Sobre os Magi

Meu (minha) filho (filha), em nossa Ordem respeitamos os poetas, que são encarnações do espírito de suas épocas; porém acima de tudo veneramos os Magos da A.'. A.'. , que são o próprio espírito dos Aeons manifestado em carne. Cada um deles é chamado Logos, ou Logos Aionos: quer dizer, a Palavra do Aeon ou da idade, porque em verdade eles são a Palavra. É o destino deles preparar a quintessência da Vontade de Deus, isto é, do homem, em sua Fartura e por completo, irradiando pelo espaço inteiro de nossa espécie a sua Luz Única. E a Luz deles é simples, e radical, podendo eles ser chamados pela própria Fórmula que enunciam. Pois se bem que as Palavras dos magos são muitas, no entanto é o Logos deles todos um só: e por sua Palavra o Mago recria a humanidade em uma forma essencial de vida, e a humanidade muda em seu mais intimo conhecimento de si mesma. Então esta mudança se espalha, pouco a pouco, em seus efeitos visíveis e puramente materiais.

Lao Tse
De nada adiantaria te falar daqueles Magos cuja memória não mais permanece entre a Humanidade, pois estes só podem ser conhecidos na Visão do Espírito, ou os mais antigos, pela estrutura mesma de nossos corpos e mentes. Mas entre aqueles que não mais recentes e podem ser mencionados nos Livros de história do pensamento humano, tu encontrarás Lao-Tse, cuja Palavra era Tao. Sua doutrina foi perdida ou mal interpretada, e sobrevive hoje em sua pureza apenas em documentos de Télema. O Tao é a verdadeira natureza das coisas, um movimento, a maneira como elas se manifestam e se desdobram: uma concepção dinâmica, não uma concepção parada. Também, como todos os Magos, Lao-Tse ensinou o Caminho da Harmonia na Vontade. Portanto a Mensagens dele era a Verdade, e o Caminho da Verdade, portanto foi Lao-Tse Logos do seu Aeon, e seu verdadeiro Nome era a sua Palavra, TAO.

Gautama
Quem os homens chamaram de Gautama, ou Sidarta, ou Buda, foi o Mago da Estrela de Prata, aquela Ordem Augusta e antiqüíssima da qual emana a Autoridade Espiritual da O.T.O. E a Palavra dele era ANATTA: pois a raiz de sua doutrina era que não existe um Atmã, ou alma, como os homens os interpretam mal, isto é, uma substancia incapaz de mudança. Pois toda estrela, por mais pura que seja sua essência Hadit, está sempre se movendo no Espaço. Assim ele, como Lao-Tse, baseou tudo sobre um Movimento, e não sobre um ponto fixo. E seu Método em direção à Verdade era Análise, tornada possível por uma grande concentração da mente em direção a si mesma, e isto fortificado por uma certa moderada Austeridade de vida. E ele explorou e classificou com grande detalhe os Recessos da Mente, e pôs as chaves da cada uma dessas Fortalezas nas mãos dos homens. Porém de tudo isso a quintessência está nesta única Palavra ANATTA, pois esta é não apenas a Fundação e o Resultado da doutrina inteira do Buda, mas também o Método de seu Trabalho.

DE KRISHNA E DE DIÔNISO
Krishna têm nomes e formas inúmeras, e não conhecemos mais seu verdadeiro nascimento humano. Pois sua Formula é da mais alta antiguidade. Mas sua Palavra se espalhou em muitas terras, e hoje em dia a conhecemos como INRI, como o secreto IAO ali velado. E o significado desta Palavra é a Maneira de trabalho da Natureza em Suas Mudanças: isto é, ela é a Formula de Magia pela qual todas as coisas se reproduzem e recriam a si mesmas. Porém, esta extensão e especialização foram mais o trabalho de Dioniso: pois a verdadeira Palavra de Krishna era AUM, indicando antes uma declaração da Verdade da Natureza do que uma instrução prática em Operações detalhadas de Magia. Mas Dioniso, pela Palavra INRI, estabeleceu as Fundações de toda a Ciência, como nós usamos esta palavra hoje em dia, isto é: com fazer com que a Natureza externa mude de acordo com nossas Vontades.

TAHUTI
Tahuti, ou Thoth confirmou a Palavra de Dioniso continuando-a: pois ele mostrou com é possível dirigir através da Mente as Operações da Vontade. Através de critério e através do registro da memória de suas experiências o ser humano evita erro, ou repetição de um erro. Mas a verdadeira Palavra de Tahuti era AMOUN, pela qual ele fez os homens compreenderem a natureza secreta espiritual deles mesmos, isto é, a Unidade deles com seus Verdadeiros Entes; ou, como então se expressava isto, com Deus. E ele lhes desvelou o Caminho desta Consecução, e também o relacionamento deste caminho com a Formula de INRI. Também, por seu Mistério de Números, ele tornou fácil ao seu Sucessor declarar a Natureza do Universo inteiro em Forma e Estrutura, como se fosse uma análise deste, fazendo pela Matéria o que o Buda foi designado para fazer pela Mente.

MOÍSES
O sucessor de Tahuti foi um egípcio cujo nome está perdido: mas os judeus chamaram-no Mosheh, ou Moíses, e seus Fabulistas fizeram dele o Chefe de seu legendário Êxodo. Porém, eles preservaram a Palavra de Moises, e esta é IHVH. Esta Palavra é em si mesma um Plano da Estrutura do Universo, e sobre ela foi baseada a Santa Cabala, pela qual nós adquirimos Conhecimento da Natureza de todas as Coisas sobre todo plano de movimento, e das Forças, Tendências e Operações delas, assim como as Chaves de seus Portais. Nem deixou Moíses qualquer parte de seu trabalho incompleta, a não ser talvez aquela executada há trezentos anos por Sir Edward Kelly, uma das encarnações passadas do presente Mago.

MAOMÉ
Nota que falando desses grandes Homens eu me restrinjo, e não menciono qualquer Eco imediato de uma Palavra no mundo de hoje: pois estes Magi tendo se retirado ao silêncio, é só a Palavra única deles que ressoa indiminuida através do tempo. Maomé, que foi o seguinte, é obscurecido e confundido porque está ainda tão perto de nossos dias; e ainda é cedo para dizermos qual o completo significado de Sua Palavra ALLH. Porém, podemos com ousadia no que concerne à Doutrina dele quanto à Unidade de Deus: pois Deus é o homem, e, portanto Maomé disse: o Homem é Um. E a Vontade dele era unir todos os homens em uma Fé sensata; tornar possível a cooperação de todas as raças humanas na Ciência. Mas como ele se ergueu numa época da máxima Corrupção e Escuridão possível, quando civilizações e religiões haviam caído em ruína pela malicia dos Irmãos Negros, ele ainda esta oculto na tempestade de areia do deserto, e não podemos percebe-lo em seu verdadeiro Ente de Glória.
Apesar disto, pondera este Mistério: a Verdadeira Palavra de Maomé era LA ALLH, quer dizer: Não (existe) Deus, e LA AL é aquele Mistério de Mistérios que tu aprenderás nos Graus mais adiantados de Nossa Ordem. E a Ilusão e Mentira daquela Verdade têm escravizado as almas de muitos homens, como está escrito no Livro do Mago da A.'.A.'. .

DOS PROPÓSITOS POLÍTICOS DE TÉLEMA

Faze o que tu queres há de ser tudo da Lei.
Política vem de polites, palavra grega que significava "cidadão", e que por sua vez derivava da palavra grega polis, que queria dizer "cidade". Portanto a palavra política significa etimologicamente "ciência (ou arte) da vida em comum em sociedades organizadas."
Todos os sistemas políticos da atualidade têm um ponto em comum: apóiam o princípio do sacrifício do indivíduo em favor do grupo. Democracia, socialismo, fascismo, comunismo, estão todos baseados nesta concepção.
O conceito telêmico de política é inteiramente diverso desses. Está estruturado nas mais recentes descobertas das mais avançadas ciências sociais e biológicas: a Genética, a Ecologia, e a Psicologia (a Parapsicologia é apenas um ramo, e ainda muito rudimentar, da Psicologia). Estas ciências são tão recentes que ainda não puderam ser emocionalmente assimiladas pela mente coletiva.
Conseqüentemente, o conceito telêmico de política é difícil de compreender. O autor das presentes linhas voltou à sua terra natal em 1961 e.v.. Há quinze anos que ele vem experimentando a hostilidade e o ostracismo tanto da extrema direita quanto da extrema esquerda brasileiras. Curiosamente, porém, ele tem sido mais ativamente atacado pelos "moderados" de ambos os lados: a "esquerda festiva" e os "democratas liberais". O ataque tem sido sob a forma de "listas negras", em que ele é usualmente descrito como "fascista" (pela esquerda festiva) ou como "anarquista" (pelos falsos liberais).
Note-se que esses "moderados" compõem a classe dos "intelectuais", isto é, os indivíduos que utilizam o intelecto como meio de vida. Não nos referimos aqui, de forma alguma, a cientistas ou pensadores: referimo-nos àquelas pessoas que, não sendo dotadas de suficiente originalidade criadora para serem pensadores ou artistas, buscam interpretar ou representar as descobertas ou teorias alheias: críticos, professores, escritores de segunda classe, teólogos, jornalistas e políticos.
O problema de tais pessoas é a falta de originalidade. A esmagadora maioria da humanidade não tem qualquer controle sobre as faculdades intelectuais, mas no caso dos gênios criadores isto é um problema secundário; tais indivíduos utilizam o intelecto apenas como instrumento da Vontade, e seu dinamismo é tão grande que o intelecto não tem tempo de se tornar confuso ou dispersivo.
As pessoas de menos energia criadora mas de intelecto ativo, entretanto, a não ser que se dediquem ao controle de suas faculdades mentais, jamais serão capazes de sair da mediocridade de uma pseudo-inteligência. Elas estão cônscias de tal mediocridade, e manipulam ansiosamente o intelecto para justificarem sua própria existência.
Aquele que escreve estas linhas não é um pensador original: ele pertence precisamente ao grupo que acaba de descrever. Entretanto, ele treinou seu intelecto para ser instrumento de sua Vontade, e aliou a sua Vontade à Vontade muito mais poderosa e original do MESTRE THERION. Ele fez isto porque, tendo decidido dedicar-se ao Serviço da Humanidade, e reconhecendo sua incapacidade para contribuir algo realmente original ao progresso dos seus semelhantes, procurou encontrar alguma coisa deste tipo no trabalho de outros indivíduos mais ativos. Ele nada encontrou que se equiparasse ao Livro da Lei, e portanto resolveu dedicar sua existência à promulgação da Lei de Télema. Se a reencarnação é um fato, ele espera, através da vivência adquirida no Serviço à Lei de Télema, tornar-se capaz, eventualmente, de contribuir, em outra vida, algo tão original quanto a obra de THERION ao mundo. Se a reencarnação não é um fato, ele está suficientemente satisfeito em saber que, aliando-se ao trabalho de THERION, terá contribuído muito mais à vida da humanidade do que se tivesse se tornado um marxista — ou um "socialista", "democrata", ou "intelectual".
Ou se tivesse tentado fundar seu próprio sistema, como fez Marx, apenas para procurar compensar sua frustração interna ante a mediocridade do seu pensamento comparado ao pensamento de Freud e Darwin.
A única contribuição original que Marx fez ao conhecimento humano (admitidamente, mais do que o autor destas linhas jamais fará), foi chamar atenção para a necessidade imperiosa de incluir fatores econômicos no estudo dos grandes movimentos históricos. Mas ao enfatizar estes fatores em excesso (atitude emocional, com a finalidade de aumentar seu senso de auto-importância, e assim apaziguar a consciência de sua insuficiência criadora), excluindo de sua tese os fatores urgidos pela obra de Freud e a de Darwin, ele criou um sistema de filosofia cuja finalidade básica é amainar a frustração dos intelectuais de segunda classe, e convencê-los de que são tão grandes e tão importantes para a sociedade quanto os gênios que têm contribuído algo realmente NOVO ao progresso humano.
Marx pode ter se iludido e pensado que seu trabalho emanciparia o proletariado. O que ele realmente conseguiu foi criar um sistema político que fornece a burocratas intelectuais um conjunto de racionalizações através do qual eles podem crer que têm tanto direito de se considerarem o Estado quanto teve Luiz XIV.
Sem dúvida, do ponto de vista telêmico, eles têm este direito. O problema é que, além de que todo mundo tem este direito, Luiz XIV foi um péssimo burocrata: prepotente, intelectualmente desequilibrado, emocionalmente condicionado.
ALGUMAS VERDADES CIENTÍFICAS QUE DESAGRADAM AOS INTELECTUAIS
O conceito telêmico de política está baseado em certos fatos científicos que demagogos evitam mencionar ou então negam:
1. O nível de inteligência de qualquer ser humano é produto de herança genética e não pode ser significativamente aumentado por quaisquer processos educacionais conhecidos.
2. O condicionamento cultural de um indivíduo não é geneticamente transmissível à sua prole.
3. A evolução de qualquer espécie depende do aparecimento de variações da norma mais aptas (no senso que Darwin deu a este adjetivo) à interação com o meio ambiente do que a norma.
4. A projeção (no senso usado por psicólogos para esta palavra) é o mais comum mecanismo de defesa da mente humana.
COMO INTELECTUAIS INTERPRETAM ESTAS VERDADES E COMO ELAS SÃO INTERPRETADAS POR CIENTISTAS
1. O fato de que o nível de inteligência de um ser humano é uma função da herança genética significa que o nível intelectual de qualquer pessoa não pode ser aumentado por educação ou treino. Do ponto de vista daqueles que desejariam uma sociedade "sem classes", isto é uma verdade muito desagradável. Estudos estatísticos comprovam que o quociente de inteligência varia inversamente ao número de seres humanos. Isto significa que os muito inteligentes são sempre minoria. Só uma pessoa em cada cem, por exemplo, possui um quociente de inteligência acima de 130 na escala Stanford-Binet. Para aumentar o nível de inteligência da sociedade seria necessário controlar a reprodução dos cidadãos de forma a evitar que os menos inteligentes pudessem ter filhos.
Estudos recentes comprovam que certos indivíduos podem ter um aumento de até 20 pontos na escala Stanford-Binet embora sua herança genética seja "normal" ou "inferior". Estes casos excepcionais, entretanto, são os de indivíduos que sofreram severa subnutrição na infância, ou foram limitados em seu desenvolvimento intelectual por fatores anormais. Exemplo: Uma criança mantida acorrentada por seus pais durante anos, ao ser libertada demonstrou um aumento de 15 pontos na escala Stanford-Binet com um ano apenas de vida normal. Mas tendo alcançado seu limite genético normal, seu desenvolvimento intelectual estacionou.
Outro fator: tais avanços de nível intelectual só são possíveis se esses indivíduos desfavorecidos forem estimulados antes da adolescência. Uma vez a maturação intelectual se tenha completado em meio ambiente hostil, é impossível estimular os subnutridos ou subinstruídos por quaisquer meios atualmente conhecidos.
Estes fatos universalmente admitidos por cientistas são ferozmente combatidos pelos intelectuais, quer os "liberais" de direita, quer aqueles pertencentes a "esquerda festiva". Combatidos ao ponto de aqueles que os mencionam, ou buscam divulgá-los, serem taxados de "reacionários" ou "fascistas" mesmo em sociedades supostamente desenvolvidas, como por exemplo os Estados Unidos da América. Mas estes fatos são importantíssimos, porque deles podemos tirar as seguintes conclusões da maior utilidade para os educadores:
A. É da máxima importância que as crianças sejam bem alimentadas desde o nascimento até completarem a adolescência.
B. É da máxima importância que as crianças recebam estímulo intelectual adequado durante o mesmo período.
C. É inútil tentar "melhorar" o nível intelectual de uma pessoa jovem, passada a fase da adolescência.
D. Desde que o desenvolvimento intelectual depende da hereditariedade, é importante dar menos atenção a fatores puramente intelectuais na educação de jovens pós-adolescentes, e maior atenção a fatores menos conhecidos, como criatividade, originalidade e espiritualidade.
E. O nível intelectual de uma cidadã ou de um cidadão não é um fator importante de comparação social. Este é um ponto extremamente difícil de ser compreendido pelos intelectuais, devido precisamente ao fenômeno psicológico da "projeção", a que já nos referimos. Tentaremos esclarecer este conceito dando um exemplo concreto. Faz uns dez anos, estávamos escrevendo roteiros para a televisão brasileira (e sendo vigiados por diversos serviços secretos de esquerda e direita então ativos neste país). Um intelectual pertencente a esquerda festiva nos propôs o seguinte problema: ele conhecia dois irmãos, um deles trabalhador braçal, o outro empregado doméstico da família dele. Por motivos de sua crença marxista, esse intelectual (que dispunha de recursos, como todo membro da esquerda festiva) procurou dar meios aos irmãos de melhorarem sua posição social através do estudo. O trabalhador braçal estudou, formou-se, e se tornou um profissional liberal. O empregado doméstico, no entanto, não demonstrou nenhum interesse pelo estudo. O patrão me disse que embora censurasse o rapaz constantemente, não conseguia estimulá-lo a imitar o "sucesso" do irmão. Eu lhe perguntei:
— Ele é bom empregado?
— Excelente.
— Ele está contente como empregado?
— Sim, mas não devia estar!
— Por que não? — eu lhe retruquei. — Você faz muito mal em tentar forçá-lo numa direção para a qual ele evidentemente não está capacitado.
Recordo-me até hoje do olhar de completa hostilidade que esse rapaz me lançou. Nunca mais me dirigiu a palavra, e através do irmão que escrevia para uma cadeia de televisão que estava na época sendo formada, e para a qual eu também trabalhava, conseguiu tornar minha situação dentro da empresa tão intolerável que eventualmente fui forçado a pedir demissão. Anos mais tarde, quando produzi um filme de longa metragem com parcos recursos, fui acusado numa revista da qual o irmão era editor de "passar para trás" os meus empregados na produção.
N.E.: Motta se refere ao filme "O Judoca", de sua produção, em 1969.
(O filme, por sinal, recebeu uma acolhida da crítica cinematográfica — toda ela de "esquerda festiva" — de tal tipo que ainda não se pagou até hoje.) No entanto, justamente o meu esforço para pagar os meus contratados me colocou numa situação financeira da qual só agora, cinco anos depois, estou começando a me recuperar.
Tudo isto devido ao fato de que esse rapaz achava que um "profissional liberal" é "melhor" do que um empregado doméstico...
É a isso que se chama de "esquerda festiva". Supostos "liberais de direita", entretanto, sofrem da mesma presunção de que a capacidade de armazenar informação no intelecto, por si só, prova que um ser humano tem mais valor do que outro.
2. O fato de que o condicionamento cultural de um indivíduo não é geneticamente transmissível à sua prole foi tão repugnante para a esquerda que na época de Stalin um cientista russo foi subornado para afirmar o contrário. Este cientista, Lysenko, universalmente respeitado até então pela comunidade científica internacional (a qual, em que pese aos burocratas, não dá grande importância a divergências de ordem ideológica ou política), escreveu uma série de artigos e até um livro defendendo a idéia de que características adquiridas são geneticamente transmissíveis. Foi recompensado por Stalin com postos administrativos muito bem remunerados e de grande prestígio burocrático na Rússia, mas ficou tão desmoralizado perante os cientistas quanto Galileu, em célebre ocasião, por motivos pouco menos desprezíveis.
Compreende-se que irrite aos comunistas — e aos "liberais" de direita — o fato de que, por mais cultura que tenha um ser humano, ele não poderá transmitir esta cultura hereditariamente aos seus filhos. Conjugado ao fato a que nos referimos anteriormente (que o nível de inteligência de qualquer pessoa é inato e não varia), isto é mais um argumento esmagador contra a "sociedade sem classes" que é o ideal dos socialistas e dos pseudo-liberais de direita. Significa que não podemos nivelar "desigualdades sociais" através de processos educativos — pelo menos processos conhecidos atualmente. Para por a coisa cruamente, quem nasceu para centavo não chegará a cruzeiro, e se por acaso for condicionado para agir e falar como se fosse cruzeiro, não conseguirá transmitir esta camuflagem à sua prole, a qual tenderá estatisticamente a ser tão centavo quanto os genitores.
3. Se conjugarmos esses dois fatores com o terceiro — o fato de que qualquer espécie viva depende de variação da norma — perceberemos que a tendência educacional das sociedades modernas — quer as de esquerda, quer as de direita — é totalmente ineficiente. Mais, até: é perigosa. Nós estamos tentando nivelar a humanidade a um só padrão, quando deveríamos estar tentando estimular a criatividade e a originalidade em todas as camadas sociais. E estamos utilizando como padrão precisamente aquela faculdade humana que comprovadamente tende a ser estável, a não variar, através das gerações: o nível de intelectualidade.
4. Esta padronização intelectual que estamos tentando impingir aos nossos semelhantes é o resultado da projeção psicológica por parte dos intelectuais de segunda categoria.
Uma pessoa que tenta "salvar" o próximo está, na realidade, tentando salvar a si mesmo. E quando ela se fixa na idéia de que esta "salvação" depende de um aumento de capacidade intelectual, ela está admitindo sua total insatisfação com sua própria inteligência.
Quando a pessoa tenta "nivelar" as classes sociais, ela anuncia ao mundo que não está satisfeita com o seu próprio "status". A pessoa tenta se elevar quando tenta elevar seus semelhantes.
À primeira vista, isto parece uma atitude bem mais nobre do que aquela do egoísta irredutível que está apenas interessado em seu próprio conforto e seu próprio progresso, e para o inferno com os outros. Mas o fato científico é que o egoísta declarado é menos prejudicial à sociedade humana que uma pessoa afetada pelo "complexo de salvador". Por que isto? Simples: o egoísta irredutível está tentando estabelecer uma variação (ele mesmo) na norma social. Mas o altruísta, ao projetar seus próprios recalques e anseios na sociedade em geral, está tentando estabelecer um padrão ao qual seus semelhantes devam se conformar — e este padrão, por mais excelentemente utópico que seja, resultará sempre em um aumento de restrição, conseqüentemente numa diminuição no aparecimento de variações, das quais qualquer espécie viva depende para evoluir.
Do ponto de vista racial, não tem a mínima importância que o marxismo seja um ideal mais "nobre" (se é que realmente é mais nobre) do que o fascismo. O que importa é que tanto um quanto o outro são tentativas de limitar o progresso da espécie a um padrão instituído por uma minoria.
Sem dúvida alguma uma leitora ou leitor mais arguta ou mais arguto mencionará aqui que isto não deixa de ser uma manifestação da influência de uma variação da norma humana (no caso mencionado, Marx e Mussolini) sobre a norma mesma.
Mas este tipo de influência se manifesta há milhares de anos sem melhorar em nada a evolução da humanidade. O que nos interessa é estabelecer uma situação social que encoraje a manifestação de variantes e ao mesmo tempo impeça essas variantes de padronizarem a sociedade à força. A estrutura política de qualquer nação, para ser realmente científica (tanto quanto no presente podemos compreender os fatos da ciência), deve ser suficientemente flúida para permitir a manifestação espontânea tanto de fascismo quanto de comunismo (ainda com relação ao caso mencionado) simultaneamente, e rígida o suficiente para impedir que adeptos de qualquer um dos dois sistemas possam impor suas predileções sobre outros através da força bruta ou da opressão ideológica ou econômica. Que impede os comunistas de serem comunistas, e os fascistas de serem fascistas, e coexistirem dentro da mesma nação, e provarem o sucesso de suas teorias com fatos, em vez de pressões? É bem possível que para certos tipos de atividade de grupo o sistema comunista seja mais eficiente enquanto em outros o sistema fascista seja melhor. Mas como descobriremos se isto é fato enquanto os dois sistemas, em vez de cada qual tratar de sua vida, buscam se destruir mutuamente, e no processo envolvem gente que não quer pertencer nem a um nem a outro, e até acredita que seu sistema de vida é bem melhor que ambos?
Se existisse no mundo atualmente uma estrutura social e política que permitisse a qualquer grupo humano existir de acordo com suas convicções dentro do sistema sem interferir com outros e sem ser oprimido por outros, essa estrutura seria o que chamamos (no estágio presente de nossa compreensão do significado do LIVRO DA LEI) uma estrutura telêmica.
A definição do problema nos levou a esta introdução prolongada. Passaremos agora a uma linguagem mais direta e mais simples.
DO EGOÍSMO EM POLÍTICA
A base da filosofia política telêmica é o egoísmo inteligente.
O homem das cavernas começou a caçar em grupos porque em grupos ele podia matar mais mamutes. O esforço era menor do que caçando sozinho, e havia mais carne para todos.
A sociedade moderna freqüentemente exige da cidadã ou do cidadão mais esforço do que eles fariam sem ela, e oferece menos recompensa pelo esforço feito do que eles obteriam por si sós.
Quando você protesta, a sociedade lhe lembra (quer esteja organizada como "democracia", "ditadura", "socialismo" ou "comunismo") os seus "deveres morais" de abnegação, resignação, humildade, paciência e auto-sacrifício. Ela lhe lembra a posição fundamental do Velho Aeon, de que o indivíduo é função da sociedade.
Numa sociedade telêmica, a sociedade é que é função dos indivíduos. Uma cidadã ou um cidadão deve sempre se perguntar se LUCRA sendo membra ou membro da sociedade. Se você dá mais do que recebe, a sociedade não está bem organizada, e deve ser modificada. Se não puder ser modificada, deve ser destruída, e outra, mais eficiente, erigida em seu lugar.
Certos moralistas dizem que é bom treinar os seres humanos na prática do auto-sacrifício. Esta concepção data do Velho Aeon, e está tão arraigada emocionalmente na espécie que até Marx caiu nesta armadilha.
O resultado de um tal treino é sempre duplo: indivíduos de vontade fraca (sempre a maioria), treinados em auto-sacrifício, se tornam um joguete dos indivíduos de vontade forte. Estes, também treinados em auto-sacrifício, assumem automaticamente a liderança em nome do "bem comum" e tiranizam inconscientemente os mais fracos.
Na Idade Média, o povo em países crististas vivia nas piores condições de miséria enquanto o clero e os nobres desfrutavam de riqueza e conforto, com o pretexto de que consolavam (o clero) e protegiam (os nobres) os pobres. Estes eram exortados a se resignarem à vida penosa que levavam, e obedeciam devido à promessa de que quanto mais sofressem aqui na terra, mais felizes seriam mais tarde no "céu".
Nas sociedades capitalistas modernas a classe média, que originalmente formava a camada de transição entre os pobres e os ricos, está ficando cada vez menor. Os ricos estão diminuindo em quantidade e aumentando em riqueza (inflacionada). O número de pobres está crescendo, embora estes pobres pensem que pertencem a classe média e estejam cercados de falsos confortos que auxiliam sua escravidão psíquica e econômica à classe privilegiada, que os manipula através da máquina burocrática.
Nas sociedades comunistas a disparidade entre a classe dirigente e a classe dirigida é ainda maior do que nas sociedades capitalistas. Exemplo: dois por cento da população dos Estados Unidos da América, ou seja, quatro milhões de habitantes, controla oitenta por cento da riqueza do país. Na União das Repúblicas Socialistas Soviéticas o Partido Comunista conta com aproximadamente doze milhões de membros, dos quais só dois milhões ocupam posições de autoridade na burocracia. A população total ultrapassa trezentos milhões, e se resigna a tal estado de subjugação crendo na promessa de que seus bisnetos viverão, aqui mesmo na terra, num "céu" que é definido como "Comunismo Total".
No entanto, o comunismo total é uma impossibilidade científica, não só devido às quatro verdades científicas que já mencionamos, como também devido ao fato de que as chances da estrutura genética de qualquer ser humano ser duplicada por atividade sexual natural são de menos de uma em setenta e seis trilhões.
Ora, para que todos os seres humanos pudessem ter os mesmos gostos, os mesmos talentos, e as mesmas necessidades — isto é, para que eles pudessem ser todos iguais e pertencer a uma única classe social — seria necessário que eles fossem homozigotas.
A promessa do comunismo total é tão falaciosa quanto a promessa eclesiástica de bem-aventurança eterna.
Vemos, portanto, que nos dois tipos básicos de sociedades modernas a atitude emocional dos cidadãos e a divisão em classes pouco diferem daquilo que existia na Idade Média. Uma pequena minoria continua controlando as fontes de conforto material, e a grande maioria depende por completo dessa minoria que controla e manipula. Talvez agora os leitores compreendam o que telemitas querem dizer quando falam das sociedades organizadas do Velho Aeon como sociedades escravas.
Se um ser humano não pode se mover à vontade sobre a terra, isto é, se lhe falta UM SÓ dos direitos reclamados para o ser humano em Liber OZ, esse ser humano é uma escrava ou um escravo.
Ora, no mundo capitalista, especialmente no Brasil, um proletário raramente tem dinheiro sequer para viajar de cidade a cidade.
No mundo comunista a cidadã ou o cidadão tem que ter um passaporte do Partido Comunista para viajar de uma cidade para outra. Um tal passaporte raramente é concedido, pois liberdade de movimento para os cidadãos é diminuição de controle para a autoridade totalitária.
Ambos os tipos de sociedade são mantidos estáveis pela paciência das massas condicionadas à idéia de que o indivíduo deve sacrificar seu egoísmo pessoal em nome do bem-estar comum.
Perguntamos: que bem-estar? Qual é o proletário brasileiro que tem facilidade de viajar pelo mundo? De conhecer seu próprio país? De comer aquilo que ele quer, vestir-se como quer, divertir-se como quer? Ou de sequer ter casa própria decente por um preço razoável?
O proletário brasileiro nem sequer tem condição de pagar os falsos confortos que ajudam a condicioná-lo a uma escravidão cada vez maior (o aparelho de televisão, por exemplo) com dinheiro à vista.
Os abusos inqualificáveis que a maioria sofre nas mãos da minoria privilegiada devem-se ao fato de que estamos condicionados à idéia de altruísmo, abnegação, sacrifício pessoal em prol do grupo. Os nossos tiranos não nos tiranizam conscientemente. Eles são tão estúpidos quanto nós. O processo é inteiramente mecânico. É a inevitabilidade histórica de uma sociedade psicologicamente organizada em termos da síndrome emocional do Velho Aeon, o Aeon de Auto-Sacrifício, o Aeon dos Deuses-dos-Escravos.
É preciso que ensinemos uns aos outros que a única proteção que temos contra essa escravidão doentia e estúpida é o egoísmo sadio e inteligente.
Ajudemo-nos a nós mesmos. Pois, como diz a vontade inconsciente coletiva através da voz da sabedoria popular: "Ajuda-te, que Deus te ajudará."
Nós somos Deus. Não existe outro Deus que não nós mesmos.
DAS TENDÊNCIAS PRESENTES NAS SOCIEDADES ESCRAVAS E EM PARTICULAR NA SOCIEDADE BRASILEIRA
Karl Marx escreveu um enorme volume tentando provar que o capitalismo conduz invariavelmente ao comunismo.
No que concerne ao capitalismo tal como está sendo aplicado no Brasil e em outros países, ele tinha toda a razão. Mas Marx achava que o comunismo é a perfeição do que o capitalismo é apenas uma fase transitória.
Telemitas afirmam que o comunismo é a fase final da decadência inevitável das sociedades escravas que seguem o regime capitalista.
Consideremos o momento presente brasileiro. Periodicamente há um aumento de salário mínimo. Imediatamente após este aumento, os comerciantes elevam seus preços na exata proporção em que o salário foi aumentado — isto, quando não elevam mais! — pretextando prejuízos. O resultado é que o aumento do salário mínimo nada significa. Os preços aumentando, o salário permanece o mesmo em poder aquisitivo. O que ocorre é uma desvalorização progressiva da moeda, provocando a assim-chamada espiral inflacionária.
O salário mínimo foi estabelecido para ser a QUANTIA MÍNIMA que qualquer empregador possa pagar aos empregados. Mas os empregadores definem esse salário mínimo como "salário modelo". Se eles pudessem era só isso que pagariam a todo mundo.
Os lucros obtidos com esta política de baixos salários e exorbitância de preços, os empregadores aplicam ou no aumento de suas atividades doentias ou em empresas maiores do que as deles, portanto mais doentias ainda. Eles aumentam progressivamente de riqueza no papel, mas o valor desta "riqueza", o valor real, aquisitivo, pouco a pouco se inflaciona. O dinheiro se desvaloriza. Aqueles que ganham mais, sentem menos o arrocho: se você ganha de cem mil cruzeiros por mês para cima, uma desvalorização mensal de dois a três por cento não lhe afeta muito.* No fim do ano você está ganhando pelo menos o equivalente a setenta mil cruzeiros por mês.
* Isto foi escrito em 1978 e.v.. Note-se o efeito da espiral inflacionária. Cem mil cruzeiros mensais é já uma bagatela!
Mas aquele que ganha o salário mínimo sente a diferença na carne. Para quem recebe salário-fome, uma diferença de dois cruzeiros representa um pão para os filhos, ou uma passagem de ônibus para ir ao trabalho.
O dinheiro que os empregadores empatam em suas empresas viciosas, ou em outras maiores e portanto mais viciosas ainda, leva à formação de empresas tão grandes que se tornam monopólios. A iniciativa individual, a formação de pequenas empresas, vai se tornando cada vez mais difícil. Os gigantes do capital absorvem tudo. O governo federal começa a intervir na iniciativa privada para evitar o roubo ou auxiliar aos ladrões. Em qualquer dos dois casos, o governo federal vai crescendo na exata proporção em que crescem os monopólios ou as tentativas de monopólios. Eventualmente temos um puxa-puxa em que o cidadão médio é a corda, e os governos e as grandes empresas são os contestantes. Só há duas possíveis conseqüências finais: os governos vencem, absorvem os cartéis e se tornam o único monopólio do país (Isto é chamado de "comunismo" ou de "socialismo", dependendo do grau e da forma como funciona.); ou então as grandes empresas vencem e os governos se tornam simplesmente empregados dos cartéis (Isto é chamado de "democracia" ou de "socialismo", dependendo de como as grandes empresas manejam seus departamentos de relações públicas.). Em qualquer dos dois casos, quem perde é a cidadã ou o cidadão comuns, que passam a ser encarados como empregados do governo, usualmente chamado de "pátria" ou de "estado".
A tendência atual da sociedade brasileira é para o socialismo (quer o de esquerda, quer o de direita — lembramos aqui que o de esquerda é ainda mais autoritário e paternalista que o de direita) que Marx previu como conseqüência inevitável do capitalismo. Esta tendência é encorajada por marxistas que trabalham dentro da burocracia governamental ou dentro do mercado de capitais. Há duas maneiras de levar um país ao comunismo: uma é aumentar de tal modo os abusos dos ricos contra os pobres que estes se rebelam e põem os marxistas no poder, com os resultados evidentes na Rússia e na China. A segunda maneira, mais lenta, porém mais segura, é promover a estatização progressiva do país, e infiltrar totalmente as camadas burocráticas de alto nível. Esta é a forma pela qual os marxistas brasileiros chegarão inevitavelmente ao controle total do país, se a sociedade brasileira continuar em seus rumos presentes. Caso haja uma reviravolta em favor do "capitalismo" (isto é, das multinacionais que já infiltraram totalmente a economia), o resultado será análogo, embora seja chamado por nomes diferentes. A escravidão total do indivíduo ao estado sufocará até mesmo os imensamente ricos. (A maioria das multinacionais já está funcionando de maneira inteiramente mecânica.) Uma triunfante comprovação do determinismo histórico de Marx, com esta única ressalva: nem comunismo total, nem capitalismo desenfreado, mas sim um triunfo dos intelectuais de segunda classe na posição de burocratas, quer de esquerda, quer de direita.
É este fracasso total da liberdade individual que a Lei de Télema foi promulgada para evitar.
DEFINIÇÃO TELÊMICA DE MORAL SOCIAL E POLÍTICA
A consciência social de um indivíduo sadio deve ser nada mais nada menos do que um prolongamento do seu instinto natural de auto-preservação. Em outras palavras, a moralidade de uma cidadã sadia ou de um cidadão sadio é a expressão de um egoísmo inteligente.
Você como cidadã ou cidadão deve sacrificar em prol da sociedade apenas aquelas das suas regalias que você considera uma troca justa pelas outras das suas regalias as quais você deseja cultivar, e que você espera sejam incrementadas pela sua vida na sociedade. Se você se priva de qualquer das suas regalias e ainda assim vê diminuir aquelas que lhe são mais importantes, você deixa de ser uma cidadã ou cidadão para se tornar uma escrava ou um escravo.
Por exemplo: quando eu pago impostos, é porque espero que a sociedade em que vivo será beneficiada com isto, e eu com ela. Espero que o governo — meu empregado, pois o salário dele é pago com dinheiro que sai do meu bolso — se dedicará efetivamente ao meu serviço, como todo empregado honesto, tendo chegado a um acordo com um empregador, se dedica a cumprir a sua parte enquanto receber o salário do patrão.
Se o governo não quer trabalhar para mim, não precisa me pedir dinheiro. Não gosto de mendigos, e não dou dinheiro à toa.
Também, com relação ao meu "próximo" — isto é, outro cidadão ou cidadã — meu sentimento de solidariedade humana deve ser apenas a expressão da minha conveniência pessoal. Eu e meu próximo ou próxima somos dois caçadores atrás de um mamute. Se você coopera para aumentar meu bem-estar, eu coopero para aumentar o seu. Mas se você não coopera para aumentar o meu, não tenho a mínima obrigação de aumentar o seu; e se você interfere ativamente com o meu bem-estar, tenho o DEVER MORAL de reagir, e de matar você, se necessário, para garantir a minha liberdade. "Os escravos servirão."
Em suma: assim como dentro do meu organismo minhas células sadias combatem, expelem ou destroem as células doentes (de uma outra forma eu não poderia continuar vivo), assim também no organismo social, do qual eu sou uma célula, tenho o dever para comigo mesmo de exigir, por cada esforço que eu fizer, um lucro MAIOR do que o esforço que eu fiz.
Se os dois caçadores, caçando juntos, não vão conseguir mais carne com menos perigo, então para que caçarem juntos?
O telemita ou a telemita, portanto, espera sempre da sociedade MAIS do que contribui para ela. A sociedade deve pagar MAIS ao indivíduo do que você gasta com ela. Senão, para que viver em sociedade?
Se um negócio não dá lucro, o comerciante sensato muda de ramo. Qualquer ventura comercial TEM QUE DAR LUCRO; e a vida em sociedade é essencialmente uma ventura comercial.
Uma sociedade que não PROVA A TODO MOMENTO aos cidadãos que é mais vantajoso para a conveniência pessoal deles serem membros dela do que estarem sozinhos, ou serem membros de outra sociedade, é uma sociedade escravizadora. É uma sociedade que força os cidadãos ao papel de uma pessoa que dá mais do que recebe, que gasta mais do que ganha, que dedica sua vida e sua energia sem compensação suficiente, em suma: ao papel de trabalhadores que são forçados a trabalhar sem salário.
Esta é a definição básica de um escravo.
Um telemita ou uma telemita, portanto, mede a sociedade em que se move, a cada momento, pelo padrão básico de sua conveniência individual.
Eu faço menos esforço para realizar minha Vontade na sociedade do que faria fora dela? Então a sociedade é uma sociedade telêmica.
Eu faço mais esforço para realizar minha Vontade na sociedade do que faria fora dela? Então a sociedade é uma sociedade escrava.
Um telemita ou uma telemita insiste em que o dever social consiste na busca da vantagem pessoal cada vez maior, ao custo de um esforço cada vez menor, por parte de TODO E CADA cidadão ou cidadã.
Se TODOS os cidadãos defenderem sua vantagem pessoal, será impossível a qualquer cidadão abusar de outro. A sociedade é compelida a funcionar com a eficiência máxima. Mas no momento em que qualquer cidadão ou cidadã abdica de sua conveniência pessoal em favor de terceiros, ou de algum ideal de auto-sacrifício, ele ou ela não só está em perigo de ser escravizado ou escravizada, mas também diminui a eficiência da sociedade inteira. Nenhuma corrente é mais forte do que qualquer dos seus elos.
Portanto os telemitas, para protegerem a si mesmos, para melhorarem cada vez mais o seu meio-ambiente, procuram estimular os seus "próximos" a serem inteligentemente egoístas, a sempre defenderem o que é seu. É claro que faz parte deste estímulo dar um exemplo de conduta: uma sociedade só pode estar completamente dedicada ao bem-estar de cada cidadã ou cidadão quando cada cidadã ou cidadão exige da sociedade que ela se dedique ao bem-estar dela ou dele.
Se os Irmãos considerarem o que foi dito acima, perceberão que é tão evidente, tão simples, que parece incrível que a humanidade possa ter pensado de maneira diferente em qualquer época.
A manutenção da liberdade e bem-estar de todos dependerá sempre do egoísmo vigilante de cada uma ou cada um.
REFORMA TELÊMICA DA SOCIEDADE
É claro que um egoísta estúpido só considera o seu lucro imediato, a curto prazo. Tal é o caso do capitalista definido por Marx.
Mas um egoísta estúpido não poderia impor sua estupidez se a sociedade inteira se comportasse com egoísmo inteligente.
Portanto, telemitas condenam e combatem categoricamente qualquer filosofia religiosa ou política que tenha como base o conceito de "altruísmo" ou de "auto-sacrifício". É essencial que ensinemos a todos a serem egoístas; a garantirem e a defenderem os seus direitos. Esta é a essência de Liber OZ.
Deve ser claramente compreendido que a Lei é para todos: os direitos definidos em Liber OZ são os direitos básicos de todos os seres humanos, sem consideração de sexo, cor, credo religioso ou político, ou posição social.
Também deve ser compreendido que temos não só o direito, mas também o DEVER de defender nossos direitos contra todos aqueles que quereriam contrariá-los. A reação contra uma tentativa de opressão deve ser imediata, e violenta se necessário. A força bruta (em que pese aos temperamentos pacíficos) só compreende o argumento da força inteligente. Do ponto de vista telêmico, é sempre melhor matar um tirano do que se tornar seu escravo. Mas é ainda melhor EVITAR QUE OS TIRANOS APAREÇAM.
A tirania só medra e prospera em sociedades que pregam a resignação e o auto-sacrifício. Nas sociedades crististas, por exemplo, a tirania dos grandes capitalistas é a norma. Nas sociedades comunistas, a norma é a tirania dos altos burocratas.
Telemitas, portanto, desejam viver em sociedades onde o egoísmo individual possa ser canalizado de forma a beneficiar a todos sem prejuízo de nenhum. Para tal fim, certas reformulações políticas e jurídicas devem ser encorajadas:
1. O código civil deve ser tão simples quanto possível, e defender vigorosamente os direitos básicos do ser humano tal qual estes são definidos em Liber OZ.
2. Desde que o propósito de qualquer governo é servir aos cidadãos, e não ser servido por eles, é necessário impedir que os organismos governamentais interfiram na iniciativa privada; ao mesmo tempo, é necessário impedir que a iniciativa privada interfira com o bem-estar social. O crescimento excessivo da iniciativa privada força a criação de organismos governamentais para interferirem na economia; a criação de tais organismos eventualmente encoraja os burocratas que os operam a esquecerem de que são empregados dos cidadãos, e não donos deles.
É preciso evitar tanto a opressão capitalista quanto a burocrática, esta última esmagadoramente evidente em todos os países que tentaram a solução marxista.
Talvez seja bem mais simples evitar esses dois extremos do que se pensa. Uma possibilidade seria estabelecer por lei que toda empresa privada pagasse não mais que vinte por cento dos seus lucros anuais como imposto de renda, e tivesse trinta por cento dos seus lucros para os proprietários e distribuísse cinqüenta por cento diretamente entre os seus empregados, proporcionalmente ao salário de cada uma ou cada um deles. Uma tal medida teria as seguintes vantagens básicas:
a) Impediria a empresa de crescer inecologicamente. O crescimento da maioria das empresas capitalistas é canceroso, isto é, sem qualquer consideração do meio ambiente, ou do organismo social em que a empresa se desenvolve.
b) Impediria o governo de crescer demais. Nos Estados Unidos da América, por exemplo, Franklin Delano Roosevelt estabeleceu o "New Deal", através do qual, em teoria, haveria uma "distribuição equânime da renda" pelo sistema de alíquotas tributárias progressivas. Ainda em teoria, quem ganhasse um milhão de dólares por ano teria que pagar NOVENTA POR CENTO desse dinheiro ao imposto de renda. O resultado da implantação deste sistema foi o crescimento do governo federal a tal ponto que dentro de cinqüenta anos a estrutura burocrática já intervinha em mais de cinqüenta por cento da economia americana. As companhias gigantes conseguiram isenções de vários tipos e pagam atualmente muito menos de 90% sobre muito mais que um milhão de dólares por ano ao governo; mas o pequeno milionário, o novo rico, paga os noventa por cento. Isto redunda em que temperamentos inovadores e ativos simplesmente não podem se firmar financeiramente nos Estados Unidos sem a "boa vontade" do Sistema — e esta "boa vontade", é claro, é comprada com dólares. A criação do "New Deal" foi um desastre do qual o povo americano provavelmente nunca se recuperará sem uma revolução, um cataclismo, ou aquele mais improvável milagre: uma redução voluntária de impostos e de burocratas.
c) Encorajaria os egoístas inteligentes a tentarem ganhar dinheiro. No sistema russo, por exemplo, a princípio se tentou implantar um salário único para todos os cidadãos. A tentativa durou exatamente três meses, pois o pessoal técnico se recusou a trabalhar por tão pouco e pode impor sua recusa pelo fato de serem insubstituíveis. Atualmente, os russos têm um sistema de estímulos salariais exatamente análogo ao dos países capitalistas. Mas o problema consiste em que esses estímulos são planejados de antemão. Isto impede o aparecimento de variações da norma, isto é, egoístas inteligentes tentando novos empreendimentos. A sociedade russa está sufocada pelo conformismo e pela burocracia. Ao estabelecerem seus negócios numa sociedade livre, com garantia de lucro pessoal, os egoístas inteligentes estariam simultaneamente inovando a economia, dando nova vivência técnica aos seus assalariados e à nação, e contribuindo para o bem-estar geral sem estimular o governo a um crescimento excessivo.
Além disto, à morte de um capitalista, vinte por cento de sua fortuna poderia ir para o imposto de renda, trinta por cento para os seus herdeiros diretos, e cinqüenta por cento para os seus assalariados.
Uma objeção poderia ser levantada aqui (por comunistas!) à idéia de que a distribuição de cinqüenta por cento da renda aos empregados de uma empresa deva ser proporcional aos salários. Por que não uma divisão em parcelas iguais entre todos eles?
Isto nos recorda de outra ocasião em que adquirimos mais um inimigo na "esquerda festiva". Essa pessoa opinou que um varredor de rua deveria ganhar o mesmo que um engenheiro. Nós discordamos, e em conseqüência perdemos ainda outro emprego...
Porém, o motivo é muito simples de explicar a quem não está fanatizado: numa sociedade realmente equânime, um engenheiro seria capaz de realizar o trabalho de um varredor de rua, mas um varredor de rua não estaria qualificado para realizar o trabalho de um engenheiro. Se estivesse, isto seria sinal de que um homem de alta inteligência havia sido forçado a assumir um status no organismo social abaixo da sua capacidade. Em tal caso, a sociedade não seria equânime.
Por outro lado, se nos fosse perguntado: "Um engenheiro é melhor do que um varredor de rua?" nós seríamos forçados a responder que esta pergunta está no plano moral, não no plano empregatício. De acordo com o nosso conceito de moral social (que consideramos excelente, mas não buscamos impor a ninguém), se o engenheiro fosse tão honesto, competente e assíduo em seu trabalho quanto o varredor de rua no seu, os dois seriam "iguais". Mas se o varredor de rua fosse mais honesto, mais competente e mais assíduo no seu trabalho do que o engenheiro no seu, o "melhor" seria o varredor.
Isto nada tem a ver com o fato de que o salário dos dois deva diferir. Apenas, se o engenheiro é realmente incompetente ou relaxado, seria aconselhável despedi-lo.
Dois dias após o primeiro de abril (em mais de um sentido) de 1964 e.v. nós estávamos tomando um cafezinho num botequim, e o caixeiro falando sobre o conflito, disse que simpatizava com o ideal dos esquerdistas, os quais queriam ver um prato com a mesma quantidade de comida diante de cada cidadão brasileiro.
Nós lhe replicamos: "Pois o que eu gostaria de ver seria um prato na frente de cada uma ou cada um, do tamanho que cada uma ou cada um quisesse, com a comida que cada uma ou cada um quisesse, e isto numa quantidade suficiente para sobrar se a cidadã ou cidadão não estivesse com muita fome."
O caixeiro do botequim arregalou os olhos e disse:
— Mas isso é muito difícil!
Como se vê, um caixeiro de botequim bem mais inteligente e politizado do que a maioria dos generais, cardeais, ricaços e demagogos brasileiros.
Difícil, sem dúvida. Mas possível. E absolutamente necessário.
Amor é a lei, amor sob vontade.

PARZIVAL XI°

MORAL E CÍVICA TELÊMICAS

"Ser intensamente patriótico é, primeiro,valorizar em nós o indivíduo que somos, e fazer o possível para que se valorizem os nossos compatriotas, para que assim a Nação — que é a soma viva dos indivíduos que a compõem, e não o amontoamento de pedras e areia que compõem o seu território, ou a coleção de palavras separadas ou ligadas de que se forma o seu léxico ou a sua gramática — possa orgulhar-se de nós, que, porque ela nos criou, somos seus filhos; e seus pais, porque a vamos criando."
FERNANDO PESSOA
poeta português, Mestre do Templo
da A.'. A.'.
 
"A lei foi criada para o ser humano, e não o ser humano para a lei."
ANÔNIMO
(atribuído a "Jesus Cristo")

Faze o que tu queres há de ser tudo da Lei.

Os padrões telêmicos de moral e cívica estão claramente expostos em Liber OZ; mas sua aplicação prática na sociedade brasileira merece algumas palavras extras.
Este é um país que foi colonizado por católicos romanos e padres jesuítas: o material humano que compôs os primeiros habitantes da raça branca era em sua maioria uma massa de indesejados e indesejáveis. A principal diferença entre a colonização da América do Norte e da América Latina foi que para a América do Norte emigraram, de livre e espontânea vontade, cidadãos cuja fé religiosa os pusera em conflito com a ordem estabelecida na Inglaterra. Para a América Latina emigraram, em sua maioria, condenados a penas forçadas na Espanha ou em Portugal, que optaram (tendo-lhes sido outorgada tal oportunidade) pelo degredo.
A maioria dos imigrantes norte-americanos buscava no Novo Mundo a liberdade de expressão que lhes era negada na metrópole; a maioria dos emigrantes sul-americanos veio para o Novo Mundo contra a sua vontade; para escapar de um castigo. Como se isto não bastasse, a maioria dos imigrantes norte-americanos era protestante, isto é, embora crististas, consideravam que sua "salvação" ou "danação" era um assunto privado entre Deus (ou sua concepção do Cristo) e a sua alma. A maioria dos imigrantes sul-americanos era católica romana, isto é: admitia a possibilidade de intermediários — os padres — entre Deus e suas próprias almas.
Como "Deus" nada mais é do que a mais íntima identidade de cada ser humano, segue-se daí que os norte-americanos estavam cônscios e orgulhosos de sua existência como estrelas, enquanto os sul-americanos se encaravam como simples planetas.
A conseqüência da atitude psíquica diferente entre os primeiros habitantes brancos do Novo Mundo é evidente a olho nu na discrepância entre o progresso norte-americano e o subdesenvolvimento da América Latina. Note-se que há uma diferença de apenas oito anos entre a descoberta da América e a "descoberta"(1) do Brasil, insuficiente para explicar cinqüenta anos de atraso em progresso tecnológico e duzentos anos de atraso em moral e cívica.
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(1) Os portugueses já tinham conhecimento do Brasil, mas só o "descobriram" oficialmente após investigarem o Tratado de Tordesilhas, em que o papa,com sublime pretensão, dividiu o mundo entre esses fiéis criados do Vaticano: os portugueses e os espanhóis.
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A esse material humano branco indesejável foi acrescentada uma quantidade de membros da raça negra vendidos como escravos pelos seus próprios chefes tribais, ou fracos e burros o bastante para serem capturados vivos pelos negreiros. Isto quer dizer que os negros brasileiros eram de inteligência e nível cultural inferior à média africana, pois de outra forma não teriam sido vendidos ou capturados.(2)
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(2) Estudos estatísticos norte-americanos indicam um desnível de dez pontos em média entre a inteligência dos grupos culturais negros nos Estados Unidos e grupos culturais brancos, mesmo onde a situação social é equivalente. Isto é apontado por racistas como evidência da "inferioridade" da raça negra com relação à raça branca. Na realidade, deve-se simplesmente ao fato de que os componentes da população americana originais do continente negro eram inferiores em inteligência e posição social aos seus compatriotas no continente africano. O processo de seleção social imposto pelos brancos tendeu a incrementar a diferença: os negros de maior inteligência eram necessariamente menos dóceis, portanto menos desejáveis como escravos, e tendiam a ser eliminados pelos senhores. Assim, sua contribuição genética ao moderno negro americano foi mínima. Se nos Estados Unidos esta situação prevaleceu, muito mais no Brasil, onde o nível de inteligência dos senhores brancos também era menor.
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A população indígena foi dizimada por doenças trazidas pelos brancos, ou trucidada pelos colonizadores porque não consentia em trabalhar como escrava. As diferenças culturais eram demasiado grandes: os crististas, tradicionalmente fanáticos e intolerantes, foram incapazes de absorver os aspectos mais construtivos da sociedade indígena.
A primeira notável diferença entre o Brasil e os outros países latino-americanos foi fruto da tolerância sexual portuguesa: o cruzamento com negros e índios foi muito mais freqüente do que no resto do continente. A população brasileira atual é uma mistura das três raças humanas (a ‘vermelha’ é simplesmente um ramo da amarela), e esta mistura começa a se consolidar num tipo humano caracterizado por generosidade, espírito pacífico e capacidade para improvisação. Se este tipo não for restringido pelos recalques e complexos da ultrapassada moral do Velho Aeon, pode ser que os próximos séculos vejam a florescência de uma civilização inigualável na história em matéria de criatividade, humanismo e perspectiva.
É um paradoxo que o branco português, embora hostil ideologicamente aos traços culturais do índio e do negro, fosse atraído sexualmente pelas duas raças dominadas, ao ponto de produzir o moderno brasileiro; mas o fato de que isto tenha ocorrido comprova que o cristismo, principalmente tal como interpretado pelo catolicismo romano, não é uma doutrina realmente simpática ao temperamento português. Os cultos religiosos que mais vitalidade possuem atualmente no Brasil são aqueles em que o misticismo afro-indígena utiliza a nomenclatura do catolicismo como meros símbolos, desprovidos do significado que lhes fora atribuído pelos padres romanos.
Como aproveitar essa mistura racial tão intensa para produzir uma grande nação? A vantagem da Lei de Télema é que ela libera, não restringe: assim como a Medicina Universal pode ser aplicada à cura de qualquer doença, a Lei de Télema pode ser adotada dentro da estrutura de qualquer sistema político e de qualquer grupo cultural; seu efeito sinérgico será sempre a vitalização e coordenação dos aspectos mais positivos da estrutura original.
Como se aplica, então, o conceito de moral e cívica telêmicas ao momento atual da sociedade brasileira? Devemos levar em conta que, em que pese o regime de exceção sob o qual existimos (N.E. este pequeno tratado foi escrito Motta em 1987 e.v.), a tendência brasileira sempre tem sido para alguma forma de social-democracia. Falemos pois a linguagem do sistema vigente, sem nos preocuparmos com análises ou previsões.
...
Ser cidadã ou cidadão de um país livre, principalmente um que se gaba de ser capitalista, consiste em ser a patroa ou o patrão de todos aqueles que são pagos pelo seu trabalho com o dinheiro dos impostos do país. Isto inclui todos os tipos de funcionários públicos: soldados, policiais, servidores civis. Inclui desde o mais humilde limpador de ruas até o presidente da república.
Sua atitude, portanto, para com toda essa gente — desde que estejam cumprindo suas funções empregatícias — deve ser a de um chefe ou chefa para com os assalariados.
É errado respeitar o presidente da república como figura de autoridade pública: é o presidente quem tem que respeitar você. No exercício de suas funções, ele é seu empregado.
O exército é seu empregado. Está contratado para defender a segurança de você, não para atacá-la.
A polícia é sua empregada. Está sendo paga para manter a sua paz de espírito e defender a sua privacidade, não para invadi-las.
Qualquer funcionário público é seu empregado. Está sendo pago com o dinheiro de você para servir escrupulosamente e de boa cara aos interesses de você.
Compreender este fato, e agir de acordo com ele, é essencial ao funcionamento de uma verdadeira democracia, principalmente uma democracia que se diz capitalista.
Não pense que vai ser fácil agir assim. Devido ao condicionamento psicológico das religiões escravas, a atitude desses empregados para com você tende a ser justamente a oposta.
Ao adotar uma atitude telêmica, isto é, a atitude de cidadã ou cidadão de um país livre, você incorrerá no ódio e no desrespeito dos maus soldados, maus policiais, maus funcionários e maus presidentes. No entanto, você deve insistir! Não se encolerize nem se impaciente; mas insista, com tranqüilidade e firmeza, em seus direitos. A Ordem auxiliará você em todos os planos em que você tem consciência e volição.
Considere que maus soldados e maus policiais são conseqüências, e não causas. Da mesma forma, maus presidentes. Toda nação tem sempre o governo que merece. As tendências à desonestidade e à desordem existem sempre onde as leis que regulam a vida em sociedade são más.
Quando é que uma lei é má? Primeiro, quando ofende algum aspecto fundamental da natureza humana; segundo, quando é uma lei que não pode ser posta em prática.
Como exemplo do primeiro caso, tivemos até recentemente, no Brasil, a indissolubilidade dos laços matrimoniais. O Brasil não tinha divórcio porque uma minoria católica romana arcaica endinheirada insistia em definir a moral social em termos dos seus preconceitos crististas. Entretanto, o que impedia os católicos de permanecerem casados com alguém que não mais amavam, se assim quisessem? E por que desejavam eles que pessoas de convicções diversas fossem por lei forçadas a uma permanência matrimonial indesejada por eles?(3)
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(3) Quando da última tentativa fracassada daquele respeitável brasileiro, o Senador Nelson Carneiro, de convencer seus colegas de que já era tempo da moral matrimonial do país deixar de ser subdesenvolvida, os menininhos do T.F.P. vieram às ruas do Rio angariar assinaturas contra o divórcio. Depois, um grande escarcéu nos jornais anunciou que a T.F.P. conseguira quatrocentas mil assinaturas. Alguns dos trogloditas mais ricos da sociedade carioca, naturalmente, lideravam a lista de fariseus. Mas se levarmos em conta que o Rio tem, atualmente, mais de seis milhões de habitantes — sem contar os subúrbios — isto significa que uma percentagem de apenas uns oito por cento da população carioca desejava continuar restringindo o direito de amar dos seus próximos. No entanto, com aquela lógica inversa tão amada pelos crististas, a flagrante derrota da T.F.P. foi proclamada como grande "vitória" da "moral" contra — naturalmente — o "diabo" e o comunismo.
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O resultado dessa atitude foi a propagandização forçada de um grande número de falsidades que envenenam ainda a vida emocional da sociedade brasileira e enfraquecem o caráter e a saúde dos cidadãos.
Como exemplo do segundo caso, poderíamos citar a famosa e malfadada "Lei Seca" norte-americana. Uma minoria de fanáticos ricos (da qual a maioria, como de costume, era católica romana) conseguiu impor no Senado norte-americano a incrível idéia de que os cidadãos deveriam ser proibidos, por lei, de beberem o que quisessem. O resultado desta lei foi a desmoralização e corrupção da polícia e o fortalecimento dos sindicatos do crime, os quais até hoje formam um dos maiores poderes ocultos da nação irmã, apoiados agora nas leis contra o comércio de "drogas", isto é, substâncias psicotrópicas que não o álcool.
Note-se que Liber Oz declara integralmente os direitos do ser humano. Qualquer lei de qualquer nação que entre em conflito com um desses direitos básicos é uma lei prejudicial e malsã. Tentativas de aplicá-la redundam sempre em desmoralização da polícia e opressão aos cidadãos.
O MESTRE THERION disse, em certa ocasião, que seres humanos livres confrontados com uma lei injusta têm apenas duas alternativas a seu dispor: insurreição ou emigração. Há, no entanto, uma terceira alternativa: a de mudar a lei. Os perigos da insurreição consistem em que as mudanças fundamentais no comportamento da massa social têm que ser lentas: é necessário impregnar camada por camada da mente coletiva. As revoluções são sempre seguidas de abusos e até de desatinos.(4)
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(4) Pouco antes de 1964 e.v. estávamos conversando com um jornalista de esquerda (festiva), o qual, ao ver um exemplar da revista Playboy em nossas mãos, disse que aquela revista devia ser proibida. Nós replicamos: "O senhor mora num país livre. O senhor pode ir ali à esquina e comprar O Globo ou Novos Rumos. O senhor não tem a mínima concepção das suas vantagens." Alguns meses depois, tentando aumentá-las, ele as perdeu. Mas o pior é que no processo os novos mentores da minha leitura não só me privaram da possibilidade de ler Novos Rumos — que nunca me fizera falta — como também procuraram me impedir de ler Playboy, que era, então como agora, uma das revistas mais conscientizadas do mundo. (Refiro-me, claro, ao Playboy americano. A versão brasileira é mais xôxa que vinho de missa cristista.) Quando governos se arrogam o direito de restringir, mesmo com os mais louváveis intuitos, a atividade intelectual ou estética dos seus mandantes, isto é, os cidadãos que lhes pagam o salário, um país deixa de ser livre dentro de qualquer definição civilizada da palavra.
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Uma coisa que toda cidadã e todo cidadão de um país livre necessita acima de tudo compreender é que ela ou ele é a dona ou dono do país. Presidentes, funcionários públicos, policiais (toda essa gente, aliás, pode ser englobada sob a definição de funcionários públicos, e portanto, como já dissemos, empregados dos cidadãos) ou quaisquer outras "autoridades" — não são, realmente, autoridades. A autoridade em seu conjunto são os cidadãos, de quem toda essa gente não é mais do que os representantes; e freqüentemente maus representantes.
Os cidadãos não têm nenhuma obrigação para com o país; é o país que tem obrigação para com os cidadãos. Portanto, se as leis do país infringem as legítimas liberdades dos cidadãos, tal como estas são expressadas em Liber OZ são as leis que devem ser mudadas, e não os cidadãos que devem ser punidos!
Cada cidadã ou cidadão deve se considerar, a qualquer momento, como a mentora ou mentor da nação. Não é o governo que tem o direito de se sentir paternal — ou maternal — para com os cidadãos de um país: são os cidadãos que têm o direito de se sentirem donas e donos, patroas e patrões do governo.
Notemos, por exemplo, o funcionamento da polícia: ela freqüentemente mata cidadãos, sob o pretexto de que se trata de marginais e malfeitores. Mas enquanto não é provado, perante um tribunal de lei legitimamente constituído com o consentimento dos cidadãos, que algum ou alguma dentre eles infringiu os direitos fundamentais do ser humano, qual definidos em Liber OZ, perdendo portanto o fundamental privilégio de gozar desses mesmos direitos, enquanto isto não acontece, aquela cidadã ou aquele cidadão continua sendo um dos donos da nação, e o policial que ergue a mão contra ela ou ele é culpado de insurreição.(5)
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(5) É notória no Brasil a atividade de assim-chamados "esquadrões da morte", de que fazem parte policiais: tais grupos executam "marginais" e "bandidos" sem benefício de processo legal. Mesmo que os executados fossem realmente culpados — o que é duvidoso — os componentes dos "esquadrões" são mais culpados ainda do que eles, pois além de serem assassinos, cometem seus crimes em desafio das leis que eles têm obrigação, por contrato empregatício, de defender até à custa de suas próprias vidas (N.E. Novamente, este pequeno tratado, foi escrito em 1987 e.v.).
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A cidadã ou o cidadão normal tem absoluto direito, se assim quiser, de matar um ladrão ou um assassino. Mas o policial não é um cidadão normal: em virtude de sua peculiar posição como empregado do conjunto dos cidadãos, ele deve considerar a vida de qualquer pessoa como sagrada enquanto essa pessoa não tiver sido despida de seus direitos por um tribunal de seus concidadãos: e deve sacrificar sua própria vida, se necessário for, para preservar a vida mesmo de um suspeito enquanto esse suspeito não tiver sido condenado pela sociedade de que faz parte, e da qual o policial é apenas um representante por contrato de salário. Em se tratando dos seus concidadãos, portanto, o dever do policial — ou do soldado — no exercício de suas funções empregatícias é morrer, se for preciso; matar, nunca.(6)
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(6) Esta declaração não é utópica como parece. Já existem — e mais existiriam, se a pesquisa fosse incentivada — muitos meios de dominar um agressor sem matá-lo ou inutilizá-lo permanentemente: pistolas de choque elétrico, jorros de substâncias químicas inibidoras, etc. Balas e dardos especiais, possuindo propriedades narcóticas, são utilizados para dominar animais ferozes de grande porte, imobilizando-os temporariamente para que possam ser capturados ou dominados; que poderia haver de mais natural que utilizar os mesmos processos na contenção da violência humana? O único motivo por que este pensamento ainda não se tornou norma em organismos policiais do mundo inteiro é que os policiais ainda estão imbuídos na falsa moral dos deuses-dos-escravos, e tendem a considerar sua própria existência ou bem-estar mais importantes que aqueles dos seus empregadores: os cidadãos da nação em que os organismos policiais existem.
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O policial ou o militar — ou qualquer outro funcionário público — está duplamente obrigado para com o cidadão comum, por mais pobre ou mais baixo em "status" que este seja; primeiro, porque se trata de um seu concidadão; e segundo, porque se trata de um seu patrão.
Na concepção de moral e cívica telêmica, portanto, é absolutamente necessário que os cidadãos parem de se deixar impressionar ou intimidar por políticos, militares, funcionários, policiais, ou outros representantes da "autoridade". Não somos nós quem tem obrigação de respeitar toda essa gente: é essa gente, nossa empregada, quem tem obrigação de nos respeitar.(7)
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(7) É sabido por muitos que a polícia britânica não anda armada, mas poucos sabem por que. No século passado, um policial britânico foi morto a tiros por um cidadão. Este foi a processo e defendeu-se alegando que o policial lhe faltara com o respeito. O cidadão foi absolvido por um júri de seus pares, e desde então a polícia britânica deixou de usar armas e primou pela cortesia com o público. Diga-se de passagem que não há crime organizado na Inglaterra na escala encontrada em outros países onde a polícia anda armada — e menos inocentes morrem de tiros dados a esmo pela polícia.
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No que concerne à participação dos cidadãos, com risco de sua vida, em atividades decretadas pelo governo — como, por exemplo, nas guerras — deve ser claramente compreendido que o cidadão civil não tem qualquer obrigação de se deixar matar pela "pátria" — esse conceito emocional antiquado com o qual os governantes têm, através dos tempos, abusado da boa fé e da confiança de seus patrões, isto é, dos "governados". Os juramentos de fidelidade cega à bandeira, ou a qualquer comunidade, são imorais. Todo ser humano tem, a cada passo e a cada momento, o direito de decisão sobre o seu mais precioso bem, que é a sua própria vida. O soldado assalariado tem a obrigação de lutar, ou deixar o emprego se não ousar lutar. Mas o cidadão comum não tem qualquer obrigação de se tornar soldado a não ser que aprove, em sã consciência, os atos de hostilidade propostos pelo seu governo contra outros seres humanos. Nem tem qualquer governo o direito de aplicar punições contra aqueles cidadãos que se recusam, quer por motivos de consciência, quer por simples covardia, a lutar em uma guerra. Repetimos uma vez mais, e repetiremos até que esta concepção penetre na cabeça de nosso próximo: nenhum governo tem o direito de mandar nos cidadãos a não ser na medida em que os cidadãos estabeleçam as regas pelas quais desejam que os governos — os simples empregados seus — administrem a logística necessária ao bom funcionamento ecológico da coletividade da qual são, pura e simplesmente, os zeladores.
Por este motivo, é necessário proibir que organismos governamentais falsifiquem a história nacional para perverter, através de métodos de propaganda, o equilíbrio emocional de seus patrões presentes — os cidadãos — e dos seus patrões futuros — as filhas e filhos dos cidadãos. A "pátria" não deve jamais ser apresentada como uma abstração filosófica ou ética, e sim como a realidade sócio-econômica que é, com raízes num passado invariavelmente escabroso — não fossem todas as nações da terra oriundas do velho Aeon de Osíris! Consideraríamos a maior tolice da parte do paciente de um psicanalista que ele tentasse se enganar a si próprio quanto à origem dos seus recalques e complexos: sabemos, aliás, que a função do psicanalista é precisamente impedir que seu cliente minta a si próprio sobre as suas motivações. No entanto permitimos que, no estudo da "história pátria", os letrados que nos engambelam varram o lixo de que somos feitos para debaixo do tapete dos nossos preconceitos, como empregadas desmazeladas ao arrumarem a casa! Como poderemos estar cônscios de nossas legítimas aspirações nacionais se não tivermos uma noção ampla e objetiva das raízes da nossa cultura, por mais escusas que essas sejam? Envergonhamo-nos do passado? Essa é a sina de todo ser humano que aspira ao progresso e à evolução moral e cívica, e não é escondendo de nós mesmos as nossas mazelas históricas que nos impediremos de repeti-las!
Portanto, devemos repudiar com a maior indignação quaisquer tentativas de nos apresentarem a nossa história pátria "expurgada" de crimes, desvarios ou falsas ambições: devemos exigir que nossas filhas e nossos filhos aprendam os erros dos seus ancestrais, e os motivos desses erros. Como bem disse um sábio, aqueles que não se lembram claramente dos erros do passado estão condenados a repetir esses erros no futuro.
Antes de terminarmos este breve tratado, devemos mencionar o assunto da punição de crimes contra a nação. Quando um cidadão mata outro, isto é um assunto particular entre dois indivíduos, que só merece a atenção da comunidade em termos de profilaxia ou compensação econômica. Colocar um assassino na cadeia é um duplo desperdício: o assassino já subtraiu um cidadão do esforço comunitário; como se isto não bastasse, a comunidade subtrai outro cidadão (o assassino) deste esforço, e paga a sua manutenção com o tesouro público, desta forma onerando a todos por causa do erro de um. Assassinos deveriam ser forçados a trabalhar mais, não serem subtraídos do trabalho; e deveriam ser responsabilizados pelos dependentes daqueles por eles eliminados da corrente social. Caso sejam incapazes de assim fazer, deveriam ser conservados sob observação, porém em atividade; e caso reincidissem em seu crime, assim onerando ainda mais o bem estar comum, deveriam então ser eliminados permanentemente, como perturbadores que são da ordem pública.
Mas o assassino, como já dissemos, causa dano a um indivíduo, não à nação; o empregado público, porém, que aceita suborno ou subtrai dinheiro do erário, está causando dano à comunidade inteira. O político desonesto ou o funcionário público corrupto são muito mais prejudiciais à "pátria" do que um assaltante, um assassino, ou um gatuno. É devido à venalidade de tais empregados desonestos que viadutos ruem dias após serem inaugurados, matando centenas de empregadores; edifícios começam a cair aos pedaços com apenas seis meses de uso; florestas e rios são dizimados pela cobiça cega de interesses escusos, causando incalculáveis prejuízos à ecologia do futuro; e — por último, mas o mais importante! — a atitude de que o governo é patrão do povo, em vez de precisamente ao contrário, é encorajada e mantida através dos séculos.
Quando um rei persa tencionou invadir a Grécia, ele mandou seus engenheiros construírem uma ponte, a qual ruiu com a primeira tempestade. O rei mandou executar os engenheiros; a ponte construída pela leva seguinte resistiu à passagem de todo o seu exército. Aqueles que se lembram dos acertos do passado estão capacitados para repetirem esses acertos, tanto no presente quanto no futuro.
Amor é a lei, amor sob vontade.
PARZIVAL XI°