terça-feira, 19 de abril de 2011

CAMINHO do ADEPTO - FRANZ BARDON

http://www.4shared.com/document/8W-8QaRj/Magia_Pratica_-_O_caminho_do_a.html

Conselhos para Jovens Ocultistas

Trabalhe muitas vezes no dia, trabalhe todos os dias. Trabalho freqüente – seja ele meditativo, talismânico, ritual, narcótico, qualquer que seja – obtêm resultados.
Leia criticamente. Sempre que possível, não pague para ler, a não ser que você possa gastar milhares de reais e acumular uma volumosa biblioteca sem aprender muito. Leia muito. Questione muito. Duvide muito.

Examine muitas pessoas, igualmente de forma crítica. Centenas de pessoas dizem ter poder, sabedoria, conecções, qualquer coisa. Muito freqüentemente a magia é um jogo de simulação – "eu acredito em seu poder se você acreditar no meu". Este tipo de infantilidade desperdiça muito tempo se você associa-se com outros magistas, logo, esteja em guarda contra isso.
A magia freqüentemente mesclar-se-á com os elementos sombrios da sociedade: boêmios, criminosos, artistas, etc. Use sua cabeça. Suspeite de qualquer pessoa que realize crimes por excitação: tais pessoas são geralmente estúpidas e rudes. Respeite as pessoas que são boas em praticar crimes: elas são perigosas.
A magia pode muito bem levá-lo à insanidade. Nada há de errado com isso: a sanidade tem seu valor exagerado, e você pode escolher ficar louco na forma de sua preferência. Mais poder para você: mas fique alerta e não deixe qualquer pessoa prendê-lo. A loucura pode ser poderosa: apenas tome precauções. A magia pode ruir a sua vida emocional e sujeitá-lo à emoções mais poderosas do que você já teve anteriormente. Zombe das pessoas que dizem que você desordenou o seu karma e que você tem que deixar o ocultismo. Esse tipo de pessoa adora dizer que os outros devem se render, porque eles se rendem freqüentemente em seus próprios trabalhos.
A melhor espécie de magia é, freqüentemente, a espécie que você já possui dentro de você, que você acredita e sente-se confortável com ela por instinto. Geralmente você pode achar que você era desde o princípio um grande magista, mas necessitava experimentar coisas que não eram de seu estilo para convencer-se de que seus instintos estavam certos desde o princípio. Muito freqüentemente eu tentava algumas coisas novas, exóticas e bem conhecidas apenas para descobrir que elas não funcionavam para mim porque eu possuía algo melhor dentro de mim desde o princípio.
Para aqueles que não estão familiarizados com a literatura oculta, aconselho-os à ler os livros de Papus (Dr. Gèrard Encausse), Éliphas Lévi (Alphonse Louis Constant) e Francis Barret, que são baluartes sustentadores da literatura hermética. Para citar os ocultistas modernos, podemos indicar as obras de Dion Fortune, Kenneth Grant, Peter J. Carrol e obras de Aleister Crowley, apesar de nem todas elas serem indicadas para  qualquer pessoa. Busquem os livros de autores com uma fama tradicional no meio ocultista, para que não caiam no erro, logo no princípio, de adquirir obras sem valor. Procure ler obras desconhecidas apenas conforme for adquirindo bastante experiência.
Boa Sorte à Todos

Modern Magick



Donald Michael Kraig, 1988


Escrito em 1988 este livro rapidamente se tornou uma unanimidade entre os ocultistas sérios e pode ser considerado como o mais novo dos livros clássicos sobre o universo da prática mágica. Outro motivo para nossa surpresa é que este não é um livro extremamente profundo sobre nenhum dos muitos assuntos que aborda. Talvez por isso mesmo ele tenha ganhado o respeito dos estudiosos, pois é uma introdução sem igual à imensidão de conhecimentos que podem ser aprofundados posteriormente pelo próprio estudante. De fato, se houvesse algo como uma escola de magia, este sem dúvida seria o livro base do primeiro ano. Se você tem pouca ou nenhuma experiência, ou se quer estudar ou rever o que conhece começando do princípio, então não existe outro livro mais indicado do que Modern Magic de Donald Michael Kraig.

O livro e estruturado em lições, cada uma dividia em várias partes que devem ser bem absorvidas antes de se seguir adiante. Apesar de onze as lições aqui expostas, são necessários pelo menos três anos de empenho para se completar o livro. Donald Kraig o concebeu a partir de um curso baseado nos principios da Golden Dawn que ele tem ministrado, testado e refinado nos últimos vinte anos. Ele está repleto de exercícios, técnicas e rituais para guiar os iniciantes e relembrar os magistas experientes de princípios muitas vezes renegados a segundo plano, mas sem os quais nenhum sucesso real pode ser esperado. O conteúdo do curso, como dissemos, é um panorama geral por todo o vasto campo de conhecimento do ocultismo. O leitor se depara com rituais de iniciação, meditação, banimento, cura, talismãs, viagens astrais, visualização criativa, mitologia, palavras de poder, magia elemental, magia enoquiana,  yoga, numerologia, astrologia, poderes mentais, defesa contra ataque psíquicos, evocação de espíritos, Cabala, magia sexual, consagração dos instrumentos mágicos, assunção de formas deuses, entre muitas outras coisas. De forma que no final do curso o leitor pode dizer que conhece na prática um mínimo de cada uma destas tradições, de modo que possa decidir o que vai explorar a seguir. Cada capítulo é encerrado com uma bibliografia termática para facilitar esta educação continuada e no final do livro temos ainda uma bibliografia comentada para aumentar ainda mais o leque de estudos.

A segunda edição de Modern Magic, lançada em 2010 é imensamente superior a primeira. O fato é que o lançamento da primeira edição do livro automaticamente ganhou a atenção da comunidade ocultista internacional, e o autor recebeu inúmeras cartas com correções e sugestões importantíssimas que foram agregadas na obra. Além disso ele recebeu também respostas de estudantes que fizeram seu curso no mundo todo e isso colaborou para uma segunda edição, não apenas mais completa, mas muito mais didática e fácil de entender.  A organização da segunda edição tornou muito mais fácil de se encontrar um assunto específico e um novo apêndice com as perguntas e respostas mais frequentes dos últimos dez anos foi incluída tornando a obra ainda mais essencial para quem quer realmente dominar a arte mágica.

Para os estudantes de longa data pode haver um impulso de ignorar os primeiros capítulos e pular direto para alguma prática magica de interesse pessoal. Não faça isso! Será muito mais enriquecedor se você puder organicamente construir seu conhecimento da forma como o autor propõe. Muitas vezes por lermos uma coisa achamos que já a conhecemos. Entretanto há uma diferença gingantesca entre ouvir falar de algo e experimentar ele na própria pele. Paciência será recompensada com um domínio muito maior das ténicas oferecidas. Para os novatos este livro é um presente dos céus. Mas como alerta seu editor, não caia no erro de tratá-lo como uma bíblia sagrada e sempre compare as lições com a opinião de outros pensadores, e mais importante, com sua própria experência pessoal. Sem isso o curso todo perde seu valor, de modo que é preciso sair da postura de leitor passivo e diligentemente fazer os experimentos recomendados.

Magia do Caos

A Estrela do Caos (também chamada 'caosfera' por alguns praticantes) é o simbolo mais popular na 
Magia do Caos, outras variantes também existem.

Magia do Caos ou Caoismo (dentre tantos outros nomes adotados pelos praticantes) é uma forma de ritual e magia relativamente nova, utilizando-se de quebras de paradigmas e alterações do estado de consciência (hora de formas excitativas, hora de formas inibitórias), como técnicas gnósticas, meditativas, sufis, orgásticas, ou com uso de substâncias psico-ativas. Os praticantes afirmam que podem modificar a realidade através desta forma de magia.

Pré-História

Austin Osman Spare era inicialmente envolvido com a Ordem da Golden Dawn, e por fora também com ordens como a O.T.O e a astrvm argentvm de Aleister Crowley; porém, mais tarde se afastou delas para trabalhar independentemente.
Dalí em diante ele iria desenvolver práticas e teorias que iriam, após a sua morte, influenciar profundamente a I.O.T.. Especificamente, Spare desenvolveu o uso de sigilos, e técnicas envolvendo estados de êxtase para dar poder a estes sigilos. Spare também foi pioneiro no desenvolvimento de um "alfabeto sagrado pessoal", e, sendo um artista plástico talentoso, usou imagens como parte de sua técnica de magia. A maior parte dos trabalhos recentes em sigilos remete ao trabalho de Spare: a construção de uma frase detalhando o intento mágico, seguida da eliminação de letras repetidas e a recombinação artística (normalmente simétrica) das letras restantes em uma só imagem formando o sigilo.
Embora ele não tenha originado o termo, e talvez não aprovasse o mesmo, hoje ele é visto como o primeiro Magista do Caos.
Após a morte de Aleister Crowley (e a do então-obscuro Spare), a Magia practicada pelos ocultistas remanescentes no Reino Unido tendeu a se tornar cada vez mais experimentalista, pessoal, e bem menos ligada às tradições magicas estabelecidas pelas Ordens. Reações para isto incluem a disponibilidade pública de informações secretas antes do Século XX (especialmente nos trabalhos publicados por Crowley e Israel Regardie), o Zos Kia Cultus(nome do estilo de magia radicalmente inortodoxa de Austin Osman Spare), a influência do Discordianismo e seu popularizador Robert Anton Wilson, o Dadaísmo, e a grande popularização da magia causada por cultos folcloristas embasados em sistemas mágicos de Crowley, como a Wicca, e o uso de drogas psicodélicas.


História

O termo Magia do Caos apareceu pela primeira vez no Liber 0 (também chamado "Liber Null") de Peter Carroll, públicado pela primeira vez em 1978. Nele, Carrol formulou vários conceitos de magia radicalmente diferentes daqueles considerados "mistérios Mágicos" na época de Crowley. Este livro, junto ao "Psychonaut"1981) do mesmo autor, se mantém importantes fontes. Magistas que se alinham a estas idéias costumam a se chamar de várias formas, evitando repetir a mesma.
Algumas destas formas de nomenclatura são: "Caoista", "Caóte", "Magista do Caos", "Caoticista", "Eriano", "Discosdista", "Caoseiro", dentre outros tantos nomes - por vezes muito bem humorados e/ou pouco polidos.
Carroll também co-fundou com Ray Sherwin O Pacto Mágico dos Illuminates of Thanateros, ou, na abreviatura mais conhecida, I.O.T.; uma organização que continua a pesquisa e desenvolvimento da magia do caos hoje em dia. A maior parte dos autores e praticantes renomados de Magia do Caos mencionam afiliação ou algum grau de influência a esta. Porém a magia do caos tem como característica marcante ser uma das vertentes de magia menos organizadas do mundo, fazendo isso propositalmente.


Quebra de Paradigma Mágico - Ou "Quebrar o Ego"

Uma das mais curiosas questões da Magia do Caos é o conceito de Quebra (ou Troca) de Paradígma Mágico, ou "Quebra do Ego". Usando o termo de Thomas Kuhn, Carroll criou a técnica de arbitrariamente modificar o modelo (ou paradigma) de magia das pessoas uma questão principal na Magia do Caos. Através desta o Magista busca por trocar constantemente a crença em um paradígma, não apenas de forma linear como é visto nas outras pessoas, mas de forma objetiva e proposital, ziguezagueando entre crenças diferentes (e geralmente contraditórias) e "se aproveitando" dos resultados que elas geram sem ficar preso a nenhuma.
Esta quebra é encontrada não apenas em ritos, mas também no dia a dia, através da chamada "quebra do ego". Muitos caoistas uniram a Magia do Caos ao uso de diversas ciências modernas, entre elas a Psicologia e a Psicanálise.
Como a base de trabalho dos ritos caoistas consiste na total desconstrução de tudo rumo ao Caos (daí o nome Caoismo), uma técnica muito utilizada no treinamento pessoal dos caoistas é a chamada "quebra do ego" que consiste em negar e trocar gostos pessoais como uma forma de banimento pessoal, indo contra tudo aquilo que o ego acredita como pessoa, gerando em si mesmo a desconstrução buscada pela Magia do Caos. Um exemplo de quebra do ego é por exemplo, um vegetariano comer carne. Aqui cabe imaginação ao magista, para aplicar estes exercícios em âmbitos profissionais, sexuais, familiares, gregários, entre outros, e conseguir permanecer são - podendo ser até este conceito questionado.
O principal "mote" da Magia do Caos é: Nada é Verdadeiro, Tudo é Permitido - atribuído a Hassan Ibn al Sabbah - O Velho da Montanha, líder da Ordem dos Hashishins que impôs seu poderio no Oriente Médio medieval, influenciando aos Templários, e consequentemente às Ordens de magia contemporâneas que neles se inspiraram.
Como o "Faze o que tu queres há de ser tudo a Lei" de Crowley,esta frase é por vezes mal compreendida e interpretada de forma literal como "Não há verdade, então faça o que você quiser" quando "Nada é Verdadeiro, Tudo é Permitido" significa algo como "Não existe uma verdade objetiva fora da percepção pessoal; assim sendo, qualquer coisa pode ser verdadeira e possível."
A idéia é que a crença é uma ferramenta que pode ser aplicada à vontade de formas conscientes. Alguns magistas do caos crêem que ter crenças inusuais e por vezes bizarras é interessante como uma forma de considerar a flexibilidade de crenças e utilizá-las a seu dispor.

Rituais de Magia do Caos

http://files.websitewizard.com/files/5664/files/unprotected/Rituais_de_Magia_do_Caos.pdf

HINO A PÃ

Vibra do cio subtil da luz,
Meu homem e afã
Vem turbulento da noite a flux
De Pã! Iô Pã!
Iô Pã! Iô Pã! Do mar de além
Vem da Sicília e da Arcádia vem!
Vem como Baco, com fauno e fera
E ninfa e sátiro à tua beira,
Num asno lácteo, do mar sem fim,
A mim, a mim!
Vem com Apolo, nupcial na brisa
(Pegureira e pitonisa),
Vem com Artêmis, leve e estranha,
E a coxa branca, Deus lindo, banha
Ao luar do bosque, em marmóreo monte,
Manhã malhada da àmbrea fonte!
Mergulha o roxo da prece ardente
No ádito rubro, no laço quente,
A alma que aterra em olhos de azul
O ver errar teu capricho exul
No bosque enredo, nos nás que espalma
A árvore viva que é espírito e alma
E corpo e mente - do mar sem fim
(Iô Pã! Iô Pã!),
Diabo ou deus, vem a mim, a mim!
Meu homem e afã!
Vem com trombeta estridente e fina
Pela colina!
Vem com tambor a rufar à beira
Da primavera!
Com frautas e avenas vem sem conto!
Não estou eu pronto?
Eu, que espero e me estorço e luto
Com ar sem ramos onde não nutro
Meu corpo, lasso do abraço em vão,
Áspide aguda, forte leão -
Vem, está fazia
Minha carne, fria
Do cio sozinho da demonia.
À espada corta o que ata e dói,
Ó Tudo-Cria, Tudo-Destrói!
Dá-me o sinal do Olho Aberto,
E da coxa áspera o toque erecto,
Ó Pã! Iô Pã!
Iô Pã! Iô Pã Pã! Pã Pã! Pã.,
Sou homem e afã:
Faze o teu querer sem vontade vã,
Deus grande! Meu Pã!
Iô Pã! Iô Pã! Despertei na dobra
Do aperto da cobra.
A águia rasga com garra e fauce;
Os deuses vão-se;
As feras vêm. Iô Pã! A matado,
Vou no corno levado
Do Unicornado.
Sou Pã! Iô Pã! Iô Pã Pã! Pã!
Sou teu, teu homem e teu afã,
Cabra das tuas, ouro, deus, clara
Carne em teu osso, flor na tua vara.
Com patas de aço os rochedos roço
De solstício severo a equinócio.
E raivo, e rasgo, e roussando fremo,
Sempiterno, mundo sem termo,
Homem, homúnculo, ménade, afã,
Na força de Pã.
Iô Pã! Iô Pã Pã! Pã!


Fernando Pessoa

O "Hino a Pã" é uma tradução do Hymn to Pan, do prefácio do livro "Magick in Theory and Practice", de Aleister Crowley. Esta tradução foi publicada em outubro de 1931 em "Presença", de Pessoa.