terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Grimorium Verum - Um dos mais cultuados livros de demonologia da antiguidade

Grimorium Verum

ALIBECK O EGÍPCIO - 1517
"Grimorium Verum" significa em latim 'Grimório Verdadeiro'. É um livro de demonologia supostamente escrito por "Alibeck, o Egípcio", em Mênfis no ano de 1517. Contudo, as edições mais antigas que encontramos foram impressas em Roma apenas no século XVIII. MacGregor Mathers, fundador da Golden Dawn e destacado ocultista do século XIX chegou a incluir parte do Grimorium Verum em seu "As Clavículas de Salomão: Livro 3", mas os retirou das edições mais recentes sob a alegação de que os selos e nomes pertencem a um sistema irmão, mas distinto da Goetia.
Sem falsa modéstia, podemos dizer que esta é a primeira versão em português digna de nota. Não apenas devido as traduções pobres (e algumas vezes automáticas), mas também porque todas as versões disponíveis hoje em dia vem da tradução da cópia francesa do livro, que é em muitos aspectos inferior ao original italiano. O que ocorre é que ao ser levada para a frança, apenas parte do documento foi copiada, a segunda e terceira parte foram pobremente traduzidas e para se criar um volume maior inseriram partes de outros grimórios. Esta tradução vem diretamente da tradução do texto original italiano, que o torna de certa forma inédito na internet.
Comparado com Goetia, o Grimorium Verum apresenta um sistema mais simples, e por isso mesmo mais acessível, mas igualmente interessante de se explorar. Quando ele surgiu, no renascimento, era um livro raro e muito procurado por ocultistas que chegavam a pagar pequenas fortunas para conseguirem uma cópia, geralmente falha ou feita do texto francês que estava incompleto. Hoje nós a apresentamos para os pesquisadores que desejam poupar as economias de sua vida e que preferem ter em mãos um texto mais próximo do concebido originalmente. Os magistas nostálgicos pelos sistema medievais de magia, assim como os pós-modernos que não tem medo de experimentação encontrarão neste grimório um sistema fascinante de onde sem dúvida tirarão algumas histórias para contar.

GRIMORIUM VERUM

ALIBECK O EGÍPCIO - 1517
Aqui se inicia o Sanctum Regnum, chamado o Rei do Espíritos ou as Clavículas de Salomão, um erudito necromante e grande feiticeiro e mestre hebreu. No Primeiro Livro estarão dispostos vários selos e símbolos, usados para invocar as Potências, os espíritos ou, mais apropriadamente, os Demônios, para que venham quando for do agrado do operador. Cada um destes Demônios, de acordo com o próprio domínio, responderão a tudo o que lhes for questionado e obedecerão em tudo o que lhes for ordenado. E nisto não deve haver nenhum medo ou hesitação por parte do operador, pois deve-se levar em conta que eles também ficam satisfeitos com a operação, desde que também recebam aquilo que pedirem, pois esta classe de criaturas não oferece seus serviços para receber nada em troca. Ainda neste Primeiro Livro serão ensinados meios de dispensar estes espíritos sem que causem mal ou dano algum ao operador, sejam espíritos do Ar, da Terra, da Água ou das profundezas infernais, como você mesmo poderá atestar através dos médotos aqui ensinados.

No Segundo Livro

Onde são revelados os segredos Naturais e Sobrenaturais, para o espanto e maravilha do estudioso, segredos que são operados através do poder dos Demônios. Aqui você será ensinado a usá-los de forma a se servir deles sem o risco de ser ludibriado ou se decepcionar.

No Terceiro Livro

Onde o operador encontrará a Chave da Obra e a forma correta de utilizá-la; mas antes de prosseguir o estudioso deve ser instruído sobre a natureza dos seguintes símbolos:

LIBER PRIMUS

Livro Primeiro

Aquele onde serão expostos os Mistérios referentes aos Símbolos dos Espíritos, seus sigilos e selos.
  1. A Chave da Obra
    Aqui se inicia a chave da obra.

    Há três Potências, elas são Lúcifer, Belzebu e Astaroth. Você deverá criar três amuletos, gravando os Sigilos de cada um deles, como serão mostrados na presente obra, da maneira correta e nas horas apropriadas, juntamente com a fórmula: VIDEAS ET FACIES CREDE MIHI NIHIL PRAETER MITTENDUM EST.

    {Veja e Faça. Acredite em mim, tudo traz consequências, é necessário não se esquecer de nada.}


    Roda dos PLanetas 

    1. Carregue o amuleto específico sempre com você. Caso seja homem, carregue-o no bolso direito, junto ao peito. No verso dele deve desenhar o seguinte símbolo se utilizando de nada além do teu próprio sangue ou o de uma tartaruga marinha como tinta. Nos espaços centrais deve colocar a primeira letra de teu nome e sobrenome. Caso deseje favores ainda maiores entalhe o símbolo em uma esmeralda ou em um rubi, pois ambas as pedras agradam muito aos espíritos: Particulariter cum solaribus qui sunt sapientissimi et per familiares atiam atque etiam meliores aliis.

      {em especial àqueles do Sol, que são os mais sábios, amigáveis e melhores em todas as formas e maneiras do que os demais.}

      Acaso sejas uma mulher, carregue o amuleto no lado esquerdo, entre os seios, como um relicário. Praticantes de ambos os sexos devem sempre observar para que a inscrição seja feita ou gravada no dia e na hora de Marte.

      FAC OBIDIAS SPIRITIBUS QUI TIBI OBEDENT

      {Obedeça a vontade dos espíritos nisto para que eles lhe obedeçam também.}

      Ao estudioso serão expostas, no prelúdio referente ao capítulo que descreve os espíritos, as coisas necessárias que devem ser lidas e compreendidas por aqueles que possuem a sabedoria desta obra divina; pois os espíritos, que são poderosos e exaltados, servem somente a seus confidentes e amigos íntimos, e somente através do pacto realizado ou do uso de símbolos e caracteres feitos de acordo com a vontade de Singambuth, ou de seu secretário: CAVEAS LECTOR VEL OPERATOR NE TALES SPIRITUS TE IN PROMPTU ACCIPIANT, {Acautela-te, leitor ou estudante, para que nenhum Espírito se aproxime de ti antes que estejas preparado.}

      Rabidanadas, de quem daremos informações preciosas, assim como o conhecimento necessário para chamá-lo, conjurá-lo e submetê-lo, como verá na Chave onde está descrita com detalhes a maneira correta de se fazer um pacto com o Espírito que virá de acordo com o sigilo usado e o temperamento daquele que deseja chamá-lo; e será apenas com muita dificuldade que o operador obterá a familiaridade pois - SIC VOLO SIC IUBEO SIC PRO RACIONA VOLUTAS {Isto eu desejo, Isto eu ordeno, que minha vontade substitua minha razão} - as coisas obscuras e de difícil compreensão seriam claras se explicadas, non dico per me, sed etiam per subjectos, quia illud spectat Rabidinadap, il est, faciendum est jussu illius.

      Após a oferenda de um excelente e fino incenso que deverá ter sido umedecido ex proprio tuo cruore sanguine {com o teu próprio sangue quando ainda estiver correndo, fresco}, ou com aquele de um bode em teu lugar, cum invocatione spirituum orientalium {acompanhado de evocações ao espírito do Leste}, os ensinamentos deste tratado se tornam claros e assim, caso o operador aceite um pouco de dor e use de seu bom senso, hoc in promptis apparebit {se tornará imediatamente aparente} que existem apenas dois tipos de pactos: o tácito e o aparente.


    2. Sobre os Espíritos e os Pactos
      Da Natureza dos Pactos
      O estudioso da Grande Arte já foi informado sobre os dois tipos de pactos existentes e agora descobrirá que lendo este pequeno tratado, escrito por mim, será capaz de distinguir um tipo do outro; saiba porém que existem diversos tipos de espíritos aqueles que se comprometem com o operador e aqueles que não, sive minimè {isso se se importarem em se tornar manifestos}. Aqueles que se mostram agradáveis e comprometidos são os que recebem, quando o pacto é realizado, algum objeto pessoal do operador e por este motivo você deve sempre estar em guarda e preparado: quia amicus fiet capitalis fiet inimicus.
      Da Natureza dos Espíritos
      Com relação aos Espíritos leia com atenção e aprenda. Alguns são Superiores, outros inferiores. Os superiores respondem ao título de Imperadores em comando. São, a saber, Lúcifer, Belzebu e Astaroth. TRES SPIRITUS OMNIA POSSUNT. {Os três espíritos que a todos os outros controlam} Os espíritos inferiores que obedecem a Lúcifer habitam a Europa e a Ásia. Belzebu habita a Africa e é lá que exerce sua autoridade. Astaroth habita as américas. Cada um destes possui dois oficiais chefes que se encarregam de comandar a todos os espíritos subalternos, repassando os assuntos de seus superiores e se certificando de que seja realizado nos quatro cantos do mundo tudo aquilo que seus Imperadores decidam deliberar: "et viceversa iubent quae sunt facienda"
      Da Natureza da Forma dos Espíritos, Quando Estes Se Fazem Visíveis ao Operador
      Nem sempre os Espíritos se manifestam com uma mesma aparência, à excessão de quando se formam utilizando uma matéria secreta - ab omini materia {se formando de todos os elementos}; por este motivo é imperativo que eles façam o empréstimo de um corpo para que possam se manifestar para aquele que os chama. Assim, não é surpresa para nós que eles assumam a forma ou surjam na figura que mais lhes agradar.
      Caveas tamen ne'parescant {mesmo assim deves cuidar para não ser aterroziado por eles}, Lúcifer surge sub forma et figura pulcherrima pueri. Quando irascitur, rubicundus apparet {sob a forma e figura de um lindo menino. Quando irado ele surge rubro}, apesar disso não existe nada de assustador em sua figura.
      Belzebu, às vezes, surge sob formas monstruosas, como um bezerro monstruoso ou um bode com uma longa cauda, at tamen saepissimè apparet sub figura muscae {embora apareça com maior frequência sob a forma de uma mosca} de tamanho e grandiosidade extremos, quando irascitur vomit flumidas et hurle sicut lupus {quando irado, vomita fogo e uiva como um lobo}.
      Astaroth apparet colore nigro et candido sub figura humana saepissimè et aliquando sub figura asini. {Astaroth se apresenta na forma de uma pessoa negra e gentil; ocasionalmente pode surgir também sob a forma de um asno}
      Vede agora os três caracteres de Lúcifer, abaixo de seu pentáculo.

    Selo de Lúcifer 
    Aqueles que se seguem são os de Belzebu, abaixo de seu próprio pentáculo, e Astaroth.

    Selo Lucifer

    1. São estes símbolos e pentáculos que devem ser utilizados sempre que o operador desejar estabelecer contato com eles.
      Da Arte de Evocar os Espíritos
      Quando desejar chamar algum dos espíritos mencionados à sua presença basta chamá-lo usando os caracteres revelados a nós por eles mesmos. Quando desejar obter algo dos espíritos evoque-os da maneira que será ensinada no terceiro livro, aliter frustra laborares (de outra forma seu trabalho será realizado em vão).
    2. Da Natureza dos Espíritos Inferiores
      Abaixo de Lúcifer, encontramos servindo Satanachia e Agalierap. Abaixo de Belzebu os espíritos que servem são Tarcgimache e Fleruty, estes são seus símbolos e caracteres:

      Satanaquia 
      Os dois espíritos que servem a Astaroth são Sagatana e Nesbiros. Vejam seus símbolos e caracteres:

      Satanaquia

      1. Existem ainda outros demônios, além destes que já citamos, e eles obedecem ao duque Syrach. Existem dezoito deles, e seus nomes são:

        I. Bèchard
        II. Frimost
        III. Klepoth
        IV. Khil
        V. Merfilde
        VI. Clistheret
        VII. Silcharde
        VIII. Segal
        IX. Hicpacth
        X. Humots
        XI. Frucissière
        XII. Guland
        XIII. Surgat
        XIV. Morail
        XV. Frutimière
        XVI. Claunech
        XVII. Musofin
        XVIII. Huictugaras


      LIBER SECUNDUS

      Livro Segundo

      Aquele onde será revelado o real poder dos espíritos infernais.
    3. Os demônios e seus poderes
    4. Da Natureza de Seus Poderes
    5. Os demônios e seus caracteres

    LIBER TERTIUS

    Livro Terceiro

    Aquele onde será revelado a maneira correta de se preparar as ferramentas mágicas, de se realizar os rituais e de chamar os espíritos infernais.
    1. O Ritual da chamada dos espíritos infernais
    2. A Confecção da Faca
    3. Da Confecção da Carta ou o Pergaminho Virgem
    4. A Lanceta
    5. Dos Perfumes e da Pena
    6. Sobre a Confecção do Tinteiro
    7. Preparação dos caracteres

    Raros e Surpreendentes Segredos Magicos

    1. A maneira de fazer o Espelho de Salomão, útil para todas as adivinhações
    2. Adivinhação pela Palavra de Uriel
    3. Adivinhação pelo Ovo
    4. Fazer 3 espíritos aparecerem em seu Quarto, depois do jantar
    5. Fazer uma bela jovem ir até você
    6. Para fazer a si mesmo invisível
    7. Ter Ouro e Prata, ou a Mão de Glória
    8. Amarração para viagens
    9. Fazer uma mulher dançar nua
    10. Ver em uma visão qualquer coisa do Passado ou do Futuro
    11. Causar dano a um inimigo

    FIM DO GRIMORIUM VERUM 

Transmissão da Rosa+Cruz do Oriente

"A ti e a aquele que julgue digno, transmitirei a inciação da R+C do Oriente como a recebi no Egito a mais de trinta anos. Papus a recebeu de um místico francês, porém nem Téder, nem os demais membros do Supremo Conselho, jamais a receberam. Nenhum escrito, nenhum vestígio no plano físico, apenas o poder da radiação e a transmissão REAL... Em troca deste dom, nada te será pedido, apenas... o Silêncio."



Transmissão da Rosa+Cruz do Oriente

O altar estava humildemente forrado com uma toalha de linho branco onde à direita estava um grande círio de pura cera de abelha, perceptível pelo doce aroma que exalava, e à esquerda um incensório com um ardente e crepitante carvão que aguardava as resinas. No centro, o Livro Sagrado de capa branca, estampava em dourado um símbolo ladeado pelas letras gregas "Alpha" e "Ômega".

O Irmão Iniciador, um ancião, levantou-se e postou-se ante o altar, fez alguns sinais no ar e uma profunda reverência. Ele trajava uma longa túnica completamente branca, e na cintura um cordão branco-perolado com alguns nós.

Acendeu o círio, que provavelmente carregava a mesma chama há muitos séculos, e que igualmente queimava em outros círios de outros altares e em outros corações, símbolo da chama espiritual, da senda consciente de descoberta de si e do trabalho por todos, enfim da Iluminação final.

Parou por um momento e disse: " – Eu evoco entre nós a presença invisível de HELIAS ATHERSATHA, o "Artífice de Deus", condutor e protetor dos R+C". Por alguns instantes permanecemos admirando aquela chama, cheia de poder e força, que era carregada nos corações de nossos antepassados e que naquele dia eu receberia.

Ele então pegou uma porção do pó de incenso e jogou sobre o carvão incandescente, imediatamente uma espessa fumaça branca subiu nos ares e tomou o lugar, cobrindo tudo com uma cortina que lembrava uma bruma, o doce cheiro de cera do círio foi abafado, o forte cheiro me deixou imediatamente inebriado e ele disse:

"- Recordemo-nos, meu irmão que, para que nossos espíritos e nossos corações estejam em união, além da morte, com os Mestres Passados, com os quais nos ligamos através do Espírito e da Verdade com nosso Chefe, da Luz do Mundo: a Unção da Luz, o Mediador Único da Espécie humana, o Caminho, a Verdade, a Vida, a Luz Primitiva, a Sabedoria, o Único Mediador com o qual os homens podem regressar a Deus: o Cristhos."

Ele voltou-se para mim, de costas para o altar e pediu que eu me aproxima-se. Então fechando os olhos disse:

" – Receba, meu Irmão, por meio deste signo a Iniciação na Rosa+Cruz Esotérica Astral do Egito" e tocou minha testa fazendo uma cruz, neste momento um forte calor encheu minha cabeça e a senti em chamas, e continuou: " – Assim como me foi concedida por meu consagrador segundo a regra: sem escrita e sem vestígio no plano físico."

Enquanto estive de olhos fechados, vi que uma cruz em flamejante queimava em meio à escuridão, naquele momento havia recebido a marca de um verdadeiro dedicado à operação espiritual das Bodas Alquímicas.
Ao apagar o círio, o Velho Mestre disse: "Mestre Invisível, porém presente, HELIAS ATHERSATHA condutor dos R+C, dos Anjos e dos Espíritos que nos assistiram nesta singela cerimônia de sagração, nós vos damos graças. Que a Paz de Deus seja esteja sempre entre nós e vós! Que assim seja!"