quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Mestria - Pequenos Ensaios em Direção à Verdade - Aleister Crowley

O fito daquele que quereria ser Mestre é único; os homens chamam-no de Ambição Pessoal. Isto é, ele quer que seu Universo seja tão vasto, e seu controle de seu Universo tão perfeito, quanto for possível.

Poucos deixam de compreender este fito; mas muitos fracassaram ao planejar sua campanha para consegui-lo. Uns, por exemplo, enchem seus bolsos de moeda falsa, a qual, quando eles queriam. Outros tentam governar o Universo de outro homem, sem perceberem que eles não podem sequer compreender por completo o universo alheio.

O correto método de ampliarmos nosso universo, além do aparato convencional da Ciência material, é tripartido: evocação, invocação, e visão. Controle resulta da familiarização teórica e prática com Fórmulas Mágicas; mas depende muito também de Auto-Disciplina. O terreno conquistado deve ser consolidado, e todas as contradições resolvidas em harmonias mais elevadas através dos vários Trances.

Este tanto, em verdade, é óbvio à consideração superficial; estranho, então, que tão poucos Magistas tomem o passo seguinte de inquirir quanto à disponibilidade do Instrumento. Egoísmo míope, sem dúvida, assumirmos de antemão que nosso Ente Mágico encontrará o corpo físico necessário para a sua próxima aventura.

Aqui a Memória Mágica é de maravilhoso auxílio para corrigir um otimismo excessivo; pois com que freqüência, no passado, nossa vida foi um fracasso quase que completo, devido a simples falta de suficientes meios de auto-expressão? E que entre nós pode seriamente se considerar bem servido (hoje em dia, sabendo o que sabemos) mesmo com o mais perfeito instrumento humano atualmente disponível?

Portanto, é simples bom senso que o Magus formule seu fito político geral em termos tais como estes:

Assegurar o máximo possível de Liberdade de expressão à maior variedade possível de Pontos de Vista.

O aspecto prático desta proposição pode ser expresso assim:

Melhoremos a raça humana de toda maneira possível, de forma a termos a nosso dispor a máxima variedade possível dos melhores Instrumentos imagináveis.

E esta é a justificação racional daquele aforismo aparentemente imbecil, e com demasiada freqüência sentimentalmente hipócrita:

Ama todos os seres! Serve à Humanidade!

O acima é o fito político geral; mas também, essas duas frases contêm implícitas: (1) a Fórmula Mágica que é ao mesmo tempo a chave de Invocação e de Trance; (2) a injunção ao Magista de abrir seu Caminho através dos Céus pela reta disposição das órbitas das Estrelas. A palavra "serve" é, de fato, enganadora e desagradável: implica numa atitude falsa e desprezível. A relação entre homens deve antes ser aquela de respeito fraterno que surge espontânea entre dois desconhecidos de alma verdadeiramente nobre. A idéia de serviço ou é verdadeira, e humilhante, ou é falsa, e arrogante.

A mais comum, e a mais fatal, armadilha que ameaça o homem que começou a ampliar seu Universo além do mundo de percepção sensível é chamada Confusão dos Planos. Para aquele que realiza o Todo Um, e sabe que fazer diferença entre quaisquer duas coisas é o erro básico, deve parecer natural, e até correto, executar o que parecem forçosamente Atos de Amor entre idéias incôngruas. Ele tem a Chave das Linguagens: então, por que não haverá ele, o inglês, de utilizá-la para falar em hebraico sem aprender esta língua? O mesmo problema se oferece diariamente em uma miríada de formas sutis. "Comanda estas pedras a que se tornem pães". "Atira-te do pináculo do Templo: está escrito, 'Ele encarregará seus anjos de te protegerem, de te servirem em todos os teus caminhos.'" Estas quatro últimas palavras jorram luz sobre o nevoeiro de Choronzon--Restrição seja a ele no Nome de /Babalon/! Pois 'teus' caminhos são os caminhos da Natureza, que determinou entre os planos uma relação ordeira; deformar esta ordem não é, e não pode ser, 'teu caminho'. Aquele aparente Gesto de Amor é um gesto falso; pois tal amor não é 'sob vontade'. Cuida-te, ó tu que buscas atingir a Maestria, de fazer o que quer que seja de 'miraculoso'; o mais seguro sinal do Mestre é este: que ele é um homem de paixões semelhantes às dos seus próximos. Realmente, ele as transcende a todas, e as transmuta todas em perfeições; mas ele faz isto sem supressão (pois 'Tudo que vive é santo') ou distorção (pois 'Toda Forma é um vero símbolo de Substância') ou confusão ( pois 'Mestria é ódio mesmo como União é amor'). Iniciação significa Viagem Interior; nada é mudado, ou pode ser mudado; mas tudo é mais verdadeiramente compreendido a cada passo. O Magus dos Deuses, com Sua Palavra única que parece revirar a carruagem da Humanidade, na realidade não destroi, e nem sequer altera, coisa alguma; Ele simplesmente fornece um novo método de aplicar a Energia existente a Formas estabelecidas.

A invenção de máquinas elétricas não interferiu de forma alguma com Matéria ou Movimento; apenas, nos auxiliou a nos livrarmos de certos aspectos da Ilusão de Tempo e Espaço, e desta maneira trouxe as mentes mais inteligentes ao limiar da Doutrina Mágica e Mística: essas mentes foram forçadas a conceber a possibilidade de se perceber o Universo tal como ele é: livre de condições. Isto é, foi dado a essas mentes um vislumbre, uma antevisão, da natureza da Consecução da Mestria. E certamente será daí um pequeno passo para que os líderes da Ciência natural, tendo a Matemática como Estrela-Guia, compreendam a premente necessidade da Grande Obra, e se apliquem a executá-la.

Nisto, os grandes obstáculos são estes: primeiro, compreensão errônea de Nós Mesmos; segundo, o preconceito, a resistência da mente racional contra suas próprias conclusões. Os homens tem que se livrar dessas duas restrições; eles devem começar a perceber que sua Essência Espiritual está oculta atrás de, e independe do, instrumento mental e material através do qual eles apreendem seu Ponto de Vista; e que eles devem buscar obter outro instrumento que aquele que insiste (com toda e cada observação) em tentar nos convencer daquilo que é apenas a sua própria e mais detestável limitação e erro: a idéia de dualidade.

O Aeon de Hórus chegou; e sua primeira flor pode bem ser esta: que, livres da obsessão do fim do Ego na Morte, e da limitação da Mente pela Razão, os melhores homens uma vez mais ingressem de olhos abertos no Caminho dos Sábios, o trilho montanhês do bode, que leva às Encostas virgens, e daí aos píncaros gelados rebrilhantes da cordilheira da ...........M E S T R I A !

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