quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Energia - Pequenos Ensaios em Direção à Verdade - Aleister Crowley

Energia é o Motivo Sacramental de Evento: é, pois, onipresente, em manifestação por interrupção e compensação, e de outra forma pelo retiro correspondente. (Nesta conexão, seja recordada a fórmula inteira de Tetragrammaton).
Existem, no entanto, três principais tipos de experiência especial que são notáveis estágios no processo iniciático, e de urgente valor prático para o Magista.
Seguindo o simbolismo do Sacramento, esses tipos diferem como Comungante.
No mais elevado tipo, que é de Kether, a energia radia inteiramente de nós mesmos; isto é, estamos completamente identificados com Hadit.
No tipo de meio, que é de Hochmah, a Energia passa inteiramente através de nós; isto é, nós assumimos as funções de Tahuti.
No tipo mais baixo, que é de Geburah, a Energia se impinge totalmente sobre nós mesmos: isto é, nós a absorvemos como homens.
Em todos os três casos, a Energia a que nos referimos não é particular ou personificada; é Energia em si mesma, se qualidades.
O tipo mais elevado pode ser completamente percebido apenas por um Ipsissimus; é a consecução final. É a contraparte ativa da forma mais elevada da Visão Beatífica.
O tipo do meio é apropriado a um Magus, ou alguém aspirando à função profética de um Magus. Foi descrito, e o método de consecução está exposto, no Livro chamado Opus Lutetianim.
O tipo mais baixo é a tarefa peculiar de um Adeptos Major. É mais eficientemente conseguido através do Segredo do Santuário da Gnose (IXo O.T.O.).
Do tipo mais elevado não seria nem apropriado nem útil falarmos mais; o tipo do meio concerne cada Magista em suas particulares e privadas relações com o Infinito, e exige de cada um dos seus Adepto uma preocupação especial: mas do tipo mais baixo convém fazermos mais menção.
É uma prova estranhamente convincente do legítimo cuidado que a Natureza toma com Seus instrumentos (a despeito da evidência superficial do contrário, sobre a qual estão baseadas as doutrinas do pessimismo) que a mais preciosa, a única Graça ultimalmente essencial que poderia possivelmente ser conferida à humanidade é, de todos os benefícios mágicos, aquele que pode ser conseguido com mais facilidade e certeza que qualquer outro. Pois Energia é, em si mesma, tudo quanto existe; e nós variamos com a quantidade e qualidade dela, que podemos chamar de "nós mesmos".
O preço que a Natureza exige é sem dúvida bastante pesado para uma certa classe de pessoas; mas é igualmente exigido, em graus variados, para todo e cada tipo de Aventura Mágica e Mística.
Este preço é, em essência, completa Compreensão da Mente da Natureza Mesma, e completa simpatia com a Maneira de Trabalho d'Ela. Todos os códigos morais da humanidade, a despeito de todas as suas diversidades absurdas, apresentam um fator comum: eles pretendem ter encontrado motivos e métodos superiores aos d'Ela.
Isto é, eles presumem uma concepção do Fito Cósmico além das possibilidades d'Ela; eles asseveram que possuem uma Inteligência mais elevada que aquela que produziu o Universo. Considerai apenas que a máxima manifestação possível à mente racional consiste na descoberta das Leis que sumarizam a maneira de operar d'Ela!
Podemos então dizer, imediatamente, que toda tal pretensiosa arrogância é imprudência e absurdidade; e deve ser abandonada, não, mais: desenraizada e calcinada antes que qualquer progresso sério possa ser feito na Arte Real e Sacerdotal. Daí, também, toda aspiração de ordem parcial, toda que dependa para sua sabedoria da justiça de nossa percepção de nossas próprias necessidades, quase certamente estará conspurcada por aquele exato veneno do qual a Natureza nos quereria purgar.
Existe, de fato, apenas uma Operação Mágica de cuja legitimidade podemos sempre estar seguros: o aumento de nossa soma de Energia. É até indiscreto tentarmos especificar o tipo de Energia requerido, e pior ainda entretermos qualquer propósito particular.
Energia sendo aumentada, a Natureza mesma suprirá clareza; nossa Visão é obscura apenas porque nossa Energia é deficiente. Pois Energia é a Substância do Universo. Quando é adequada, não temos dúvida quanto a como empregá-la; veja-se o caso evidente da vontade do Adolescente. Devemos também fazer notar que obstruções "morais" ao reto uso desta Energia causam imediatamente as mais hediondas deformações de caráter, e provocam as mais graves lesões do sistema nervoso.
Portanto, que o Magista se dispa de toda preconcepção quanto à natureza de sua Verdadeira Vontade; e se aplique diligentemente a aumentar seu Potencial energético. Nesta disciplina (além do mais) ele estará começando a se preparar para aquela abdicação completa de tudo o que ele tem e tudo que ele é, a qual é a essência do Juramento do Abismo!
Assim, nós percebemos mais um desses paradoxos que são as imagens da Verdade das Supernas: destruindo nossa própria moralidade mais alta, e confiando apenas em nossos instintos naturais como guias, nós topamos desapercebidos com a mais simples, e a mais sublime, de todas as concepções espirituais e ética.

Nenhum comentário:

Postar um comentário