segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Da necessidade de definir “Deus”, “Eu”, etc... - por Aleister Crowley

Cara Soror:

Faze o que tu queres deverá ser o todo da Lei.

Que comentário simplório! Ah, você![1]
Bem, eu suponho que seja uma dádiva—agitar o Inferno até o seu mais abismal horror com um pequeno comentário solto no final. Escorpião!

“Eu Superior”—“Deus dentro de nós”.

Prezada Senhora, você jamais poderia ter escolhido cinco palavras de Iroquois, ou Banti, ou Basuto ou do Jargão do Mestre François Villon, ou Pictish, as quais separadamente ou reunidas pouco sentido fazem para a minha mente.
Não, não, não Menos: Eu quis dizer Mais, tanto mais até que chegue por fim ao nada. Spencer Montmorency Bourbon Hohenstaufen soa muito exclusive e aristocrático, e até mesmo elegante ou Pomposo; mas se você der estes nomes a toda criança do sexo masculino, o efeito tenderá a diminuir. O “Cavalheiro do Sul” Lee Davis recentemente enforcado por estupro e assassinato, não era um relacionamento próximo, seja do General ou do Presidente: ele era um Negro[2].
Dê-me a velha pá, eu tenho que cavar novamente.
1. Superior. Aqui nós caímos direto nos braços de Freud. Por que “superior”? Porque numa briga é mais fácil estrangulá-lo se você estiver por cima. Quando as crianças muito pequenas presenciam os seus pais in actu coitus, uma circunstância extremamente comum em quase todo lugar fora da Inglaterra, e mesmo aqui onde os aposentos são restritos, o infante supõe que a sua mãe, da qual ele depende totalmente para se alimentar, está sendo atacada pelo invasor estranho a quem eles querem que ele se refira como “Papai”.[3] A partir desta semente brota um “complexo de por cima – por baixo”, produzindo mais tarde, em certos casos, legiões inteiras de neuroses.[4]
Então esclareça um pouco mais, por favor, simplesmente o que você quer dizer com “superior”.
Skeat[5] parece relacioná-lo com colinas, inchaço, erupção, o peito materno; este motivo é suficiente para nós o relacionarmos com a ideia de vantagem, ou—apenas “superioridade” como é traduzido em Latim!—valha a pena, ou não— é realmente muito difícil. Obviamente, algumas vezes ele tem um significado “prejudicial” tal como a respeito da temperatura na febre; mas quase sempre implica em uma condição mais preferível do que “baixo”.[6]
Aplicado ao “Eu”, isto se torna um tipo de marca comercial; ninguém me diz se ele significa Khu, ou Ba, ou Khabs, ou o Ut dos Upanishads ou o Augoeides dos Neoplatônicos, ou o Adonai de Bulwer-Lytton, ou — — cá estamos nós com todas aquelas alternativas triplamente malditas. Não há, não pode haver, qualquer significado específico a não ser que nós iniciemos um sólido projeto de teoria ontogênica, uma hierarquia bem mapeada do Cosmos, e que definamos novamente o termo.[7]
Então por que usá-lo? Fazê-lo pode apenas provocar confusão, a menos que o contexto nos ajude a esclarecer a imagem. E isto é certamente uma atitude muito derrotista, não é?
Quando pela primeira vez comecei a buscar a natureza da minha “missão”—a contemplação me conduziu por metade do caminho—através do Sudoeste da China[8]—Eu considerei estas alternativas. Eu pensei em cortar o Nó Gordiano[9] e chamá-lo, segundo Abramelin, pelo título de “Santo Anjo Guardião” porque (eu cogitei) aquilo será tão inteligível para os aldeões de Pu Peng quanto para os mais eruditos Pânditas; mais ainda, a teoria implícita era tão rústica que ninguém precisaria ficar vinculada a ela.[10]
Tudo isso é bagatela, conforme você verá quando chegarmos à discussão sobre o “Eu”: Explicar agora levaria a uma divagação muito complicada.
2. “Dentro”. Se não fizer objeção, vamos nos concentrar nisso agora, enquanto “superior” ainda está fresco em nossas mentes; pois isso também é uma preposição. Primeiro você quer ir para cima; e então você quer entrar. Por que?[11]
Como “superior” traz a ideia de agressão, de conquista, “dentro” geralmente implica em segurança. Nós sempre voltamos àquele estágio da história quando a unidade social, baseada na família, era pouco menos do que a condição nº 1 de sobrevivência. A casa, o castelo, o acampamento fortificado, a muralha da cidade; os “genes”, o clã, a tribo, a “patrie[12]”, estar do lado de fora significa o perigo do frio, da fome e da sede, bandos de invasores, assaltantes da estrada, ursos, lobos e tigres. Ir para fora era arriscado; e, o seu trabalho e coragem sendo espólios para seus parentes, você também seria um homem mau; de fato, um “intruso” ou “forasteiro”. “Perversão” é simplesmente “atravessar as portas”! São João diz: “lá for a estão os cães e os feiticeiros e os lascivos e as adúlteras e os idólatras e…”—daí para frente.[13]
Nós, de Thelema, desafiamos tudo isto energicamente. “A palavra de Pecado é Restrição.” (AL I:41). A nossa fórmula, dito a grosso modo, é sair e agarrar aquilo que queremos.[14] Nós fazemos isso tão completamente que crescemos desse modo, ampliando a nossa concepção do “Eu” ao incluir cada novo crescimento ao invés de permanecer um Eu rigorosamente definido, orgulhoso de possuir outras coisas, como fazem os Irmãos Negros.
Nós somos extrovertidos de todo coração; a punição por restringir a si mesmo é qualquer coisa de neurose para baixo até a loucura; em particular, a melancolia.[15]
Você pergunta se estas observações não entram em conflito com a minha repetida definição da Iniciação como o Caminho para o Interno. Não em absoluto; o íntimo é idêntico com o Todo.[16]
Conforme você vai se aprofundando em introspecção, você se torna capaz de perceber todas as camadas que circundam o “Eu” a partir de dentro, e assim vai ampliando o âmbito da sua visão do Universo. É como se deslocar de uma patrulha de combate a pequenos conflitos para o Quartel General; e o objetivo de fazer desse modo é obviamente exercitar constantemente o controle crescente sobre todo o Exército. Cada avanço de posição lhe capacita tanto a enxergar mais quanto a fazer mais; mas a atenção da pessoa é inevitavelmente desviada para fora.
Quando o sistema do Universo, na sua totalidade, coincide com a sua compreensão, “para dentro” e “para fora” se tornam idênticos.[17]
Porém não vai adiantar de modo algum buscar qualquer coisa além de um ponto de vista, pelo simples motivo que não existe mais nada lá![18]
É simplesmente como todos aqueles símbolos em O Livro de Thoth; tão logo você alcança o “final” de qualquer coisa, subitamente você descobre que este é o “início”.
Para formular a ideia de “Eu” absolutamente, você deve colocar limitações; qualquer coisa que seja perceptível é uma mera seleção temporária (e arbitrária) do finito a partir do infinito; tudo o que você escolher para pensar, isto é modificado, isto cresce, isto desaparece.
Você deve treinar sua mente para galopar suavemente ao longo daquelas frondosas avenidas do pensamento sobre a boa relva verde da Indiferença; quando você puder fazer isso sem esforço consciente, de modo que em cima—em baixo, dentro—fora, longe—perto, preto—branco (e assim por diante com relação a tudo) surja totalmente automático, você já estará tão próximo de ser um Iniciado que nada disso importará.[19]
3. “Eu”. Para uma discussão completa sobre este tópico vide a Carta 42.
4. “Deus”. Isso é realmente muito ruim da sua parte!
Dentre todas as palavras inevitavelmente distorcidas na língua, você conclui seguramente que Sadismo é a mais brutalmente massacrada.
Crippen era um amador.[20]
Skeat é de pouca ajuda para nós afinal, exceto por nos advertir que o “bem” nada tem a ver com isso.[21] Dieu vem de Deus, com todas as suas referências ao Sol—Jupiter, e Deos, que Platão acreditava significar um regente; portanto, Sol, Lua, Planetas.
O melhor que posso fazer por você, Índio honesto! é a palavra russa para deus, Bog; provavelmente relacionada, através do lituano, com o termo galês Bwq, um espectro ou duende. Bugge, também. Não é muito inspirador, concorda, substituir o Velho Centenário por “Quieto! Quieto! Quieto! aí vem o Homem Bogey”[22]. Ou será que é?[23]
Chega desta bobagem! Fora, espada fiel, e de volta ao coração de pedra da mulher audaciosa que escreveu “Deus dentro de nós”.
Eu sei que você achava que sabia mais ou menos o que queria dizer quando você escreveu isso; mas certamente aquilo foi um mero deslize. Uma reflexão por um instante teria lhe avisado que a palavra não suportaria até mesmo a análise mais superficial. Você quis dizer “Algo que me parece ser o símbolo mais perfeito de tudo o que amo, adoro, admiro”—e toda aquela categoria de palavras.
Porém ninguém mais terá o mesmo conjunto de qualidades no seu museu privativo; você fez, assim como todos fizeram, outro Deus à sua própria imagem.
Então os seguidores do Vedanta definem Deus como “não possuindo qualidade nem quantidade”; e alguns Yogis realizam a prática de fazer imagens para então derrubá-las subitamente, dizendo “Nem isto! Nem aquilo!”.[24]
E os budistas não vão admitir de jeito nenhum qualquer Deus em qualquer coisa no sentido pelo qual você usa a palavra. (Uma das passagens mais divertidas de ironia pode ser encontrada em “As Perguntas do Rei Milinda” onde o Arahat Nagasena desmantela Maha Brahma).[25]
O que é pior, qualquer coisa que você possa expressar como “Deus” não trará nenhum significado para mim: eu posso apenas supor sob a luz do meu conhecimento excessivamente pequeno sobre você e seus hábitos comuns de pensamento e ação. Então que sentido haveria em tagarelar isso na minha cabeça? Meio tijolo seria mais útil a você.
Você acha que talvez possa me explicar a viva voz? Nem ouse tentar! Qualquer coisa que você dissesse, eu deveria provar como sendo insensatez, filosoficamente e por uma dúzia de outros meios. E a Ambulância do Conselho do Condado iria juntá-la com seu entulho desgastado e confuso e a levaria para o Hospício, tal como etimologicamente indicado.
Veja simplesmente assim; a palavra deve em qualquer situação conotar ideias de Neschamah, não as de Ruach.
“Mas você usa a palavra o tempo todo”. Sim, eu uso, e confio no contexto para cristalizar ao máximo este estado fluido – ou gasoso – de expressões.
5. “Nós”. Por que “Nós”?
Isso é uma referência à Associação de Ex-Alunos, ou aquela Escola de Moças em Bruxelas, e ao bilhete para o claustro Real em Ascot? Eu não suponho nem por um momento que você tenha se referido a isto daquele modo: Mas aí está. E então—
Anedota de Lao-Tze.
O Ancião estava cercado como de costume por uma galáxia de discípulos veneradores, e eles estavam tentando fazer com que ele lhes mostrasse onde o Tao poderia ser encontrado.
Ele estava no Sol e na Lua, ele reconheceu; ele estava no Filho do Céu e no Homem Superior. (Não George Nathaniel Curzon, todavia). Ele estava nas Flores da Primavera, e nos ventos gelados que varriam a Sibéria, e nos Gansos Selvagens que se dirigiam para o Sul quando seu instinto assim o exigia. Em resumo, a enumeração parecia que iria se prolongar indefinidamente[26]; e um discípulo impaciente, apontando para certos traços deixados por uma mula na sua passagem recente, perguntou: “E o Tao também está naquilo?” O Mestre concordou, inclinando a cabeça, e repetiu: “Também naquilo”.
Então o que acontece com este “nós” privilegiado? Nós somos obrigados a expandi-lo de modo a incluir tudo. Então, como acabamos de ver, “Deus” também não é irrestrito por definições.
Resultado final: “Deus dentro de nós” significa precisamente nada em absoluto.
E então é assim, Por Bradman!
“Nada ateis! Que não se faça diferença entre vós e uma coisa e qualquer outra coisa; pois disto resulta dor. Mas todo aquele que se beneficie nisto, que seja o mestre de todos!” (AL I:22-23)
Eu imploro que você não comente aquilo, pois sendo este o caso, palavras como “dor” e “chefe” talvez não possam significar nada. O fato é que se devemos entrar pacificamente no Clube, temos que saber quando interpretar qualquer expressão dada em um sentido incomum.
Em Ruach todas as leis da lógica se aplicam: mas não em Neschamah.
O significado real da passagem é simples o suficiente, se você compreender que ele se refere a um resultado específico da Iniciação. Você tem que ser capaz de considerar o Universo, como um todo e em cada parte; e se livrar de todas as suas realidades falsas ou parciais ao lançar fora tudo menos a Realidade Única que é a única verdade da Ilusão.
Há um conjunto de equações que expressa a relação do Observador e do Observado, ajustada de acordo com as limitações particulares de ambos os lados; outro anula todos os termos finitos, e nos deixa com uma equação definitiva x = o = 0°.
Percebe?
Eu sei que sou o tipo de sujeito desanimador, e que parece muito hostil pular no pescoço de uma colega a cada minuto quando ela tenta colocar a questão de modo tão simpático, e é tão fácil—não é?—jogar o jogo da Retórica Hipócrita[27], e certamente aquilo que foi dito era perfeitamente inofensivo, e…
Não, N.Ã.O., não: não totalmente inofensivo. Meu objetivo completo é treiná-la a silenciar todo tipo de especulação hipotética e as fórmulas, tanto ressonante quanto satisfatórias. Eu quero que você—
as odeie
as abomine
as despreze
as deteste
as evite
se desgoste delas
se enoje delas
e da capo.
e prossiga com a sua prática. Então quando você alcançar os resultados, você poderá tentar, embora inutilmente, adequar suas próprias palavras aos fatos, caso desejasse comunicar, por qualquer bom motivo, suas experiências para outras pessoas.
Então, apesar do desespero da sua impotência, quão satisfeita você ficará quando tiver sido treinada para não deixar ninguém lhe enganar com frases.[28]

Amor é a lei, amor sob vontade.

Fraternalmente,

666
 
 
Notas:
  1. Refere-se a uma frase piedosa ao final da sua carta. – Nota de Karl Johannes Germer.
  2. No original, Crowley usa o termo Nigger, um termo extremamente depreciativo e preconceituoso, mas infelizmente ainda comum na década de 40. O ponto importante desta nota é que a Lei do Novo Æon, cuja palavra é Thelema (Vontade) vai diretamente contra qualquer tipo de preconceito: “Todo homem e toda mulher é uma estrela” (AL I:3) é suficientemente claro sobre todo esse assunto. – Nota do Editor.
  3. Não se a inteligência da criança exceder aquela do medíocre comum; um menino, ou menina, observador perceberá que o ato é violento, mas não colérico, e muitas vezes terá o primeiro florescer localizado do instinto sexual a partir de tal visão. O conflito surge apenas nas mentes menos inteligentes, particularmente nas sociedades condicionadas pela restrição sexual. Naturalmente, para o Judeu mediano, e para o próprio Freud, sua interpretação era adequada. Ela também era adequada para o Cristista mediano. Porém ela não o teria sido para os nativos do Mar do Sul, como Mark Twain escreve, antes de os missionários Crististas ensinarem a eles o significado de inferno; e aquilo não era adequado conforme a reação deste escritor, a qual detalhamos em nossa introdução ao The Bagh I Muattar no Equinox V 4. A análise de Wilhelm Reich sobre o instinto sexual nas crianças é muito mais amplo do que a análise de Freud; mas então, como enfatizamos anteriormente, Freud, embora sendo um gênio, trabalhou tendo uma grande desvantagem, pobre sujeito: ele jamais frequentou psicanálise nem se submeteu ao treinamento Thelêmico! – Comentário de Marcelo Ramos Motta.
  4. O problema é, contudo, um pouco mais amplo do que aquilo. A maioria das sociedades pressupõe que aquilo que é “superior” é “melhor.” Isso não está relacionado meramente às inibições sexuais Freudianas—Judaicas—Crististas; isso está relacionado ao simples fato da força bruta. Se ele é mais alto do que você, geralmente é maior do que você, e se ele é maior do que você, ele o é pelo simples fato que ele pode te esfolar vivo. Tem sido assim desde o primeiro limo. Se as mulheres fossem fisicamente maiores do que os homens, é muito provável que os homens estivessem lutando por uma Emenda pela Igualdade de Direitos agora mesmo, e não o contrário. A Sociobiologia merece um estudo sério por parte dos estadistas e dos juristas, mas é improvável chegar a esse ponto enquanto o preconceito Cristista persistir na mente humana mediana. – Comentário de Marcelo Ramos Motta.
  5. Walter William Skeat, filologista inglês – Nota do Tradutor.
  6. Porque sim, naturalmente; do ponto de vista do animal saudável, é melhor bater do que apanhar! Então, o que ‘superior’ simplesmente significa é que, a menos que seja você aquele que está olhando de cima para baixo, você é intimidado, derrotado e subserviente. Isso está relacionado ao masoquismo e à capacidade da mente humana para a auto decepção de modo a preservar uma ilusão de auto respeito. Ele é maior do que eu, e pode me espancar; então, deixe-me tentar encontrar alguns argumentos pelos quais eu possa me convencer que é correto e conveniente que seja ele quem manda, e que seja eu quem obedece. A invenção das armas percorreu um longo caminho até poder alterar a desigualdade material neste jogo, porém as desigualdades morais não foram alteradas. Pode ser que não sejam mais o homem ou a mulher maiores quem manda, mas são, ainda, o homem ou a mulher com a arma sexual mais eficiente. Se isso, incidentalmente, puder ser aplicado aos órgãos sexuais, é difícil dizer. A mística do tamanho do membro masculino parece ser que quanto maior ele for, melhor; mas a mística masculina sobre o órgão feminino parece ser que, quanto mais apertado for, portanto, quanto menor, melhor. Como nós observamos antes, Masters e Johnson fizeram o melhor de si para confundir a competitividade sexual, quando eles, com o seu tipo de pesquisa, estavam acima de todos os outros cientistas, numa postura de se manter à frente por tempo indefinido. Dada a sua reticência, e dadas as tendências “egolitárias” e socialistas da assim chamada mente “liberal” moderna, é bem possível que a mística do tamanho do pênis esteja realmente baseada em estatísticas, pelo menos até certo ponto. Os futuros cientistas provavelmente terão que trabalhar em cima disto. Se você acha que isso não é importante, é porque você não compreende muito bem o modo como aquilo que está entre as suas pernas influencia aquilo que está entre os seus ombros. A questão desta nota, entretanto, é simplesmente que o conceito de “superior” não possui quaisquer qualidades “edificantes” para o mesmo (eu realmente achei difícil resistir a um trocadilho). Isso indica meramente o reconhecimento do escravo quanto ao seu estado de submissão ao seu tirano. – Comentário de Marcelo Ramos Motta.
  7. Do ponto de vista dos navegantes espaciais, por exemplo, o termo é totalmente relativo ou é totalmente sem sentido. – Nota de Marcelo Ramos Motta.
  8. É interessante, e talvez até mesmo significativo, que ele deveria ter concebido o conceito lá. – Nota de Marcelo Ramos Motta.
  9. Referente ao Rei Gordius, da Frigia. – Nota do Tradutor.
  10. Ele sabia muito pouco. – Nota de Marcelo Ramos Motta.
  11. Porque é ‘seguro’, naturalmente. Isto se relaciona ao troglodita, ou qualquer outro animal, se recolhendo ao seu covil. Então você percebe que a combinação de ‘superior’ e ‘dentro’ meramente evidencia duas das atitudes negativas mais antigas do ser humano: subserviência e retraimento. – Nota de Marcelo Ramos Motta.
  12. Do Francês, Patria. – Nota do Editor.
  13. Naturalmente, como qualquer outra coisa “Novo Testamento,” “São João” é puramente um pseudônimo para os falsificadores inescrupulosos, que tomam os tratados autênticos dos místicos genuínos, nem todos eles Essênios de qualquer modo, e os adulteram intercalados com fantasias sectárias dentro de uma miscelânea de lendas do Deus Morimbundo. Como de fato ocorre a este comentarista enquanto ele escreve que os falsificadores dos “Evangelhos” tinham mentes muito ao feitio daquela do Sr. Regardie. É difícil dizer até onde este homem teria chegado com a sua manipulação dos textos de Crowley caso não tivéssemos entrado em cena. – Comentário de Marcelo Ramos Motta.
  14. Por favor, entenda que ‘o que’ não é ‘quem’, e que a Lei é para todos. Naturalmente, algumas pessoas não podem ser definidas como ‘quem’, elas devem ser definidas como ‘o que’. Mas acontece que os tiranos da humanidade, por toda a sua aparente natureza humana, ou mesmo supra-humana, são realmente ‘o que’ no âmago dos seus “Eus”. Ele prossegue para tornar isto muito claro. – Comentário de Marcelo Ramos Motta.
  15. Isso está correto até mesmo do ponto de vista da psiquiatria ortodoxa, e explica o tom da maioria dos tratados místicos Crististas, especialmente aquele dos seus assim chamados ‘santos’. Tente compreender, entretanto, que esta “extroversão” vai muito mais a fundo do que os simples traços aparentes de personalidade. Você pode ser naturalmente uma pessoa tímida, ou uma pessoa retraída; o importante é que você nunca deveria, na sua mente e na sua alma, negar a existência ou o significado de outras coisas, especialmente aquelas que você considera dolorosas ou malignas. Nós crescemos ao nos unirmos através do amor sob vontade, com todas as coisas, uma de cada vez. Ao leitor sério é recomendada a leitura da carta sobre a Fórmula do Æon, 0=2. – Comentário de Marcelo Ramos Motta.
  16. Se você lembrar que deve incluir todas as coisas, mesmo aquelas que você descobre dentro de si e que as considera vergonhosas ou “malignas”. Cf. LXV I 44-46 e muitas outras passagens nos Livros Sagrados de Thelema. – Nota de Marcelo Ramos Motta.
  17. Isto, naturalmente, não é “lógico” na primeira leitura. Mas o paradoxo é aquele que foi descoberto na matemática superior, e é solucionável por meio da Lógica Simbólica. Vide a obra Princípios da Matemática de Bertrand Russell. – Nota de Marcelo Ramos Motta.
  18. Esta é a verdade que a “Fraternidade Negra” teme acima de tudo, e que os leva a evitar cruzar o Abismo. As religiões dogmáticas que são obviamente baseadas em mecanismos de defesa negativos, tais como o Cristianismo, são um dos frutos da sua fuga da Realidade. – Comentário de Marcelo Ramos Motta.
  19. Se, contudo, naquele ponto você achar, como o Sr. Regardie, que ‘seu—meu’ se refere aos direitos autorais de alguém, você terá simplesmente desenvolvido um leve caso de autismo… – Nota de Marcelo Ramos Motta.
  20. Comparado a ela é isso. O Sr. Germer adicionou a seguinte nota: “Crippen era um famoso envenenador Inglês que foi capturado e enforcado.” Quando, ó quando a polícia vai capturar os “Papas” Católicos…? – Nota de Marcelo Ramos Motta.
  21. Quer dizer, que a similaridade na disposição das letras entre as duas palavras é mera coincidência, como deveria estar claro sobre as diferenças no som das vogais. Mas na ortografia inglesa, assim como com o “Deus” Cristista, tudo é possível, e por uma razão muito simples. Quando Roma invadiu as Ilhas Britânicas pela segunda vez, muito tempo após o grande César ter estado lá primeiro e ter admirado os Druidas, Roma já estava nas garras dos Alexandrinos Romanos—, e uma praga de missionários aportou, é claro, nas ilhas, assim como o fizeram mais tarde nos Mares do Sul para o desgosto de Mark Twain (para não falar no nosso, ou dos nativos inteligentes daquela região). Os nativos tinham a sua própria língua e seu próprio alfabeto — o alfabeto Rúnico— e ambos estavam foneticamente relacionados, o que significa que as palavras eram escritas da mesma forma em que eram pronunciadas. Mas o alfabeto Rúnico também estava relacionado à religião local, que era o Druidismo; e isso nunca iria dar certo. Então os missionários declararam que o alfabeto Rúnico era “mau” e “satânico”, queimaram os Druidas vivos, e enforcaram ou torturaram até a morte qualquer um que fosse encontrado escrevendo em Runas. Uma vez que era impossível fazer toda a população falar em Latim, os missionários começaram a transliterar a língua local para o “alfabeto santo”: ou seja, o alfabeto Latino, naturalmente. Entretanto, talvez porque eles estivessem muito ocupados em suas devoções, tais como estuprar, torturar e matar, eles não eram muito sistemáticos a respeito disso. E eis aqui a razão porque, até hoje, o inglês é uma das línguas mais difíceis do mundo para escrever. Sempre que um jovem cuja lingual nativa é o inglês—tirar uma nota F nas aulas de inglês do colégio, ele ou ela deveria se lembrar de agradecer à Igreja Romana por isso, assim como por muitas outras “vantagens” que ela trouxe para a sua cultura, para não falar sobre a nossa espécie como um todo. – Comentário de Marcelo Ramos Motta.
  22. Monstro lendário do folclore irlandês – Nota do Tradutor.
  23. Mas, embora talvez ele não estivesse conscientemente tentando expressar seu ponto de vista, que é exatamente o que o “Deus” Cristista é: uma versão complicada do ‘Bogey Man’, vestido com farrapos do Dogma para disfarçar o medo covarde e o servilismo dos adoradores. O “Jeová” do Sr. Begin é precisamente o mesmo tipo de Figura Paterna ameaçadora. Padrasto, como nos contos de fadas, talvez…? – Nota de Marcelo Ramos Motta.
  24. Que é realmente onde ele tomou o seu Mote de Adepto Isento, de alguma forma. – Nota de Marcelo Ramos Motta.
  25. Isso não foi divertido para os Brâmanes. Mas eu suponho que nós também não divertimos muito os Crististas. De qualquer forma, nós divertimos os budistas…? – Nota de Marcelo Ramos Motta.
  26. E poderia ser assim.
  27. Uma vez que a dama em questão era obviamente a Senhorita Frieda Harris, qualquer um que tivesse uma leve ideia do seu temperamento esquentado poderia visualizar quão enfurecida ela ficou ao ler tudo isso! Nós não achamos que ela aprendeu com isso; pelo menos, não o suficiente, ou então ela teria deixado as suas pinturas para a O.T.O., e não para aquele decrépito hipócrita e tagarela, Gerald Yorke. – Comentário de Marcelo Ramos Motta.
  28. Você deve se lembrar que ela era uma aluna, uma Aspirante; logo, pelo menos teoricamente, um ser humano aspirando à honestidade. Ela não estava falando com o político ou o clérigo mediano de qualquer partido, ou qualquer “igreja”, sobre a terra ou em qualquer outra parte. – Comentário de Marcelo Ramos Motta.

2 comentários:

  1. Legal, pq vcs não citam a fonte dos seus textos?

    Esse cara, por exemplo, tirou grana do próprio bolso pra pagar tradutor profissional e revisora, nada mais justo do que reconhecer esse esforço.

    Abs

    ResponderExcluir
  2. Passei para deixar um abraço. Até mais!

    ResponderExcluir