sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Professor Odair Ahmed Abu Jamra

Neste programa, o Professor Odair Ahmed Abu Jamra, Professor de Política Internacional e Globalização, discute assuntos gerais do Brasil e Internacionais numa forma sucinta, prática e objetiva.

Parte 1
http://www.youtube.com/watch?v=Up4RiI3jea0

Parte 2
http://www.youtube.com/watch?v=1Hk7XrwEUVQ

Parte 3
http://www.youtube.com/watch?v=7_J6-gE54TA

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

BUDISMO

O Budismo, é um conjunto de Ensinamentos emitidos e vividos por um grande homem, o príncipe hindu Siddharta Gautama, conhecido por Buda ( Buda não é um nome, mas uma condição ou estado de pleno desenvolvimento espiritual - a Iluminação. Significa 'O Desperto' ). Os seguidores dessa filosofia de vida não o tem como um Deus, mas como um guia espiritual que os ensina como se libertar do ciclo da morte e reencarnação, alcançando a iluminação, um estado de pureza espiritual completamente livre das preocupações mundanas e do ciclo da reencarnação.

O Budismo tem atualmente cerca de 500 milhões de adeptos em todo o mundo. A partir do Ceilão ( atual Sri Lanka ), difunde-se a sudeste, na Birmânia ( Mianmá ), Laos, Tailândia e Camboja, ao norte no Tibete, e a leste na Coréia, na China. No Japão, mistura-se com a antiga escola de meditação chinesa chan ( zen, em japonês ), dando origem ao zen-budismo.

 
HISTÓRIA DE BUDA

O príncipe Siddharta Gautama nasceu em 560 a.C. na cidade de Kapilavastu no Nepal, nas montanhas do Himalaia, próximo da fronteira com a Índia. Filho de Shuddhodana Gautama, um Rei da dinastia dos Sakyas e da Rainha Maya, que morreu quando o principe completou uma semana de vida. Apesar de viver confinado dentro de um palácio, Siddharta se casou aos 16 anos com a princesa Yasodharma e teve um filho, o qual chamou de Rahula.

Como principe Siddharta vivia protegido e afastado dos sofrimentos do mundo. Durante um raro passeio fora do palácio, foi submetido a quatro visões que o comoveram profundamente: um doente, um ancião, um cadáver e um asceta. Chocado com a doença, com a velhice e a com morte, Siddharta refletiu sobre o que viu e tomou uma decisão que mudaria sua vida e a história.

Aos 29 anos, Siddharta resolveu sair de casa e partiu em busca de uma resposta para o sofrimento humano. Juntou-se a um grupo de ascetas e passou seis anos jejuando e meditando. Durante muitos dias, sua única refeição era um grão de arroz por dia. Após esse período, cansado dos preceitos do Hinduísmo e sem encontrar as respostas que procurava, separou-se do grupo para meditar.

Após sete dias meditando debaixo de uma figueira ( Bodhi - "A Arvore do Despertar" ), atingiu o Nirvana ( a iluminação ), com a revelação das Quatro Verdades. Ao ouvir o relato de sua experiência, seus cinco discúpulos o denominaram "Buda" ( O iluminado, em sânscrito ) e assim passou a pregar sua doutrina pela Índia. Todos aqueles que estavam desiludidos com a crença hindu, principalmente os da casta mais baixa, deram ouvidos a esta nova mensagem, o "Caminho do Meio" - que pregava evitar os extremos, tanto da negação de si mesmo, como da satisfação dos desejos. Siddharta contava 35 anos de idade e durante os 45 anos seguintes, ele e seus discípulos, pregaram ao longo da bacia do Ganges até o seu falecimento aos 80 anos de idade.
 
SISTEMA DE CRENÇAS

O Budismo consiste no ensinamento de como superar o sofrimento e atingir o nirvana (estado total de paz e plenitude) por meio da disciplina mental e de uma forma correta de vida. Também creêm na lei do carma, segundo a qual, as ações de uma pessoa determinam sua condição na vida futura.

A doutrina é baseada nas Quatro Nobres Verdades de Buda:

1. Primeira Nobre Verdade, a Existência do Sofrimento ( Dukkha Stya ): Impermanência, Anicca ; Insatisfatoriedade, Dukkha; Impersonalidade, Anatta.

2. Segunda Nobre Verdade, a Causa do Sofrimento ( Samudaya Satya ): Desejo, avidez, tanha, que dividi-se em:
 •Desejo dos Prazeres dos Sentidos ( kama ),
 •Desejo de auto-preservação ( bhava ) e
 •Desejo de Não existência ou auto-aniquilamento ( vibhana ).

3. Nobre Verdade, a Cessação do Sofrimento ( Nirodha Satya ): a Extinção do desejo, da ambição, do anseio, Nirvana.

4.Quarta Nobre Verdade, o Caminho que conduz à Extinção do Sofrimento ( Magga Satya ): Caminho Óctuplo, Atthangika Magga. É o caminho ensinado pelo Buddha que conduz ao despertar. Ele recebe este nome por ser dividido em oito práticas, geralmente agrupadas em três treinamentos superiores:
I - Prajna (Sabedoria );
II - Samadhi ( Meditação ) e
III - Sila ( Moralidade );

 
O NOBRE CAMINHO ÓCTUPLO

1. Visão Correta
O Adepto deve aceitar as Quatro Verdades e os oito passos de Buda.

2. Pensamento Correto
O Adepto deve renunciar todo prazer através dos sentidos e o pensamento mal.

3. Fala Correta
O Adepto não deve mentir, enganar ou abusar de ninguém.

4. Ação Correta
O Adepto não deve destruir nenhuma criatura, ou cometer atos ilegais.

5. Meio de Vida Correto
O modo de vida não deve trazer prejuízo a nada ou a ninguém.

6. Esforço Correto
O Adepto deve evitar qualquer mal hábito e desfazer de qualquer um que o possua.

7. Atenção Correta
O Adepto deve observar, estar alerta, livre de desejo e da dor.

8. Meditação Correta
Ao abandonar todos os prazeres sensuais, as más qualidades, alegrias e dores, o Adepto deve entrar nos quatro gráus da meditação, que são produzidos pela concentração.

 
TEOLOGIA DO BUDISMO

A divindade: Não existe nenhum Deus absoluto ou pessoal. A existência do mal e do sofrimento é uma refutação da crença em Deus. Os que querem ser iluminados, necessitam seguir seus próprios caminhos espirituais e transcendentais.

Antropologia: O homem não tem nenhum valor e sua existência é temporária.

Salvação: as forças do universo procurarão meios para que todos os homens sejam iluminados ( salvos ).

A alma do homem: A reencarnação é um ciclo doloroso, porque a vida se caracteriza em transições. Todas as criaturas são ficções.

O caminho: O impedimento para a iluminação é a ignorância. Deve-se combater a ignorância lendo e estudando.

Posição ética: Existem cinco preceitos a serem seguidos no Budismo:

 • Proibição de matar
 • Proibição de roubar
 • Proibição de ter relações sexuais ilícitas
 • Proibição do falso testemunho
 • Proibição do uso de drogas e álcool

No Budismo O Adepto pode meditar em sua respiração, nas suas atitudes ou em um objeto qualquer. Em todos os casos, o propósito é se livrar dos desejos e da consciência do seu interior.

Texto baseado no Livro: A Doutrina de Buda
Bukkyõ Dendõ Kyõkai - ( Sociedade para a Divulgação do Budismo )

Pantáculos e Símbolos Mágicos


Eliphas Levi ensinou: “Por trás de toda alegoria mística ou das doutrinas antigas, por trás das estranhas ordens de todos os iniciados, sob o escudo de todos os escritos sagrados, sob a ruína de Nínive ou Tebas, ou das pedras dos velhos templos e da visão das esfinges assírias ou egípcias, nas monstruosas e maravilhosas pinturas que interpretam para a fé da Índia as inspiradas páginas dos Vedas, nos emblemas dos nossos velhos livros de alquimia, nas cerimônias praticadas como recepção por todas as sociedades secretas, são encontradas indicações sobre a doutrina que em todo lugar é a mesma e em todo lugar respeitada”. Assim existe na natureza “uma força que é incomensurável e que um homem, que saiba adaptá-la e dirigi-la, poderá conhecer todo um mundo.
Essa força era conhecida dos antigos: é o agente universal, a primeira matéria, a Grande Obra”.
 
Nos tratados de magia, dá-se o nome de Pantáculo a um selo mágico, impresso em diversos materiais, como peles de animais, tecidos e metais preciosos e pedras. Considera-se que os Pentáculos têm relação com determinadas realidades invisíveis, cujos poderes eles permitem compartilhar. Eles simbolizam, captam e mobilizam, ao mesmo tempo, poderes ocultos, tanto do Cosmo, dos planetas e estrelas, da Natureza e especialmente dos Mundos Internos do próprio homem, pois se sabe que a energia contida no macrocosmo-galáxia é a mesma contida no microcosmo-homem, lembrando-nos a frase hermética: “O que está em cima é como o que está embaixo, e vice-versa”.
Os Pantáculos são canais de receptividade da Energia Cósmica. Eles são também símbolos gráficos dos planetas e dos seres espirituais, que regem e dirigem esses corpos planetários. Tais seres podem ser chamados de Anjos, Arcanjos, Querubins, Potestades etc.
Devemos lembrar que o que era magia hoje é ciência. O que era religião hoje pode se transformar em fato científico. Hoje, utilizam-se diversos Pentáculos para curar e encontrar pessoas, para a defesa psíquica e harmonia de ambientes. Esses símbolos são hoje estudados pela Radiônica, Radiestesia e Feng Shui.
De acordo com essas “novas” ciências, pela Lei de Ressonância, os Pentáculos possibilitam criar estados internos e eventos externos afins aos símbolos contidos neles. Existem Pentáculos para Curar, Harmonizar, Fortalecer Virtudes, Proteger etc.
Existem diversas maneiras de usarmos esses símbolos sagrados: pode-se realizar uma simples oração e meditação colocando o símbolo em nosso coração, ou ao lado da cama ou ainda em nosso altar; pode-se também usá-los em complexos rituais para que a Força Magnética desse talismã mágico seja altamente potencializada.
Eis alguns dos símbolos mágicos que podemos utilizar em nossas práticas sagradas, os quais foram tirados de antigos tratados de Cabala e Magia, tais como As Clavículas de Salomão, o Tarô egípcio e as pinturas do grande pintor-Iniciado Johfra. Também retiramos tais símbolos das obras de grandes Iniciados, como o Abade Tritemo, Paracelso, Cornélio Agrippa, Eliphas Levi e Samael Aun Weor.

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Da necessidade de definir “Deus”, “Eu”, etc... - por Aleister Crowley

Cara Soror:

Faze o que tu queres deverá ser o todo da Lei.

Que comentário simplório! Ah, você![1]
Bem, eu suponho que seja uma dádiva—agitar o Inferno até o seu mais abismal horror com um pequeno comentário solto no final. Escorpião!

“Eu Superior”—“Deus dentro de nós”.

Prezada Senhora, você jamais poderia ter escolhido cinco palavras de Iroquois, ou Banti, ou Basuto ou do Jargão do Mestre François Villon, ou Pictish, as quais separadamente ou reunidas pouco sentido fazem para a minha mente.
Não, não, não Menos: Eu quis dizer Mais, tanto mais até que chegue por fim ao nada. Spencer Montmorency Bourbon Hohenstaufen soa muito exclusive e aristocrático, e até mesmo elegante ou Pomposo; mas se você der estes nomes a toda criança do sexo masculino, o efeito tenderá a diminuir. O “Cavalheiro do Sul” Lee Davis recentemente enforcado por estupro e assassinato, não era um relacionamento próximo, seja do General ou do Presidente: ele era um Negro[2].
Dê-me a velha pá, eu tenho que cavar novamente.
1. Superior. Aqui nós caímos direto nos braços de Freud. Por que “superior”? Porque numa briga é mais fácil estrangulá-lo se você estiver por cima. Quando as crianças muito pequenas presenciam os seus pais in actu coitus, uma circunstância extremamente comum em quase todo lugar fora da Inglaterra, e mesmo aqui onde os aposentos são restritos, o infante supõe que a sua mãe, da qual ele depende totalmente para se alimentar, está sendo atacada pelo invasor estranho a quem eles querem que ele se refira como “Papai”.[3] A partir desta semente brota um “complexo de por cima – por baixo”, produzindo mais tarde, em certos casos, legiões inteiras de neuroses.[4]
Então esclareça um pouco mais, por favor, simplesmente o que você quer dizer com “superior”.
Skeat[5] parece relacioná-lo com colinas, inchaço, erupção, o peito materno; este motivo é suficiente para nós o relacionarmos com a ideia de vantagem, ou—apenas “superioridade” como é traduzido em Latim!—valha a pena, ou não— é realmente muito difícil. Obviamente, algumas vezes ele tem um significado “prejudicial” tal como a respeito da temperatura na febre; mas quase sempre implica em uma condição mais preferível do que “baixo”.[6]
Aplicado ao “Eu”, isto se torna um tipo de marca comercial; ninguém me diz se ele significa Khu, ou Ba, ou Khabs, ou o Ut dos Upanishads ou o Augoeides dos Neoplatônicos, ou o Adonai de Bulwer-Lytton, ou — — cá estamos nós com todas aquelas alternativas triplamente malditas. Não há, não pode haver, qualquer significado específico a não ser que nós iniciemos um sólido projeto de teoria ontogênica, uma hierarquia bem mapeada do Cosmos, e que definamos novamente o termo.[7]
Então por que usá-lo? Fazê-lo pode apenas provocar confusão, a menos que o contexto nos ajude a esclarecer a imagem. E isto é certamente uma atitude muito derrotista, não é?
Quando pela primeira vez comecei a buscar a natureza da minha “missão”—a contemplação me conduziu por metade do caminho—através do Sudoeste da China[8]—Eu considerei estas alternativas. Eu pensei em cortar o Nó Gordiano[9] e chamá-lo, segundo Abramelin, pelo título de “Santo Anjo Guardião” porque (eu cogitei) aquilo será tão inteligível para os aldeões de Pu Peng quanto para os mais eruditos Pânditas; mais ainda, a teoria implícita era tão rústica que ninguém precisaria ficar vinculada a ela.[10]
Tudo isso é bagatela, conforme você verá quando chegarmos à discussão sobre o “Eu”: Explicar agora levaria a uma divagação muito complicada.
2. “Dentro”. Se não fizer objeção, vamos nos concentrar nisso agora, enquanto “superior” ainda está fresco em nossas mentes; pois isso também é uma preposição. Primeiro você quer ir para cima; e então você quer entrar. Por que?[11]
Como “superior” traz a ideia de agressão, de conquista, “dentro” geralmente implica em segurança. Nós sempre voltamos àquele estágio da história quando a unidade social, baseada na família, era pouco menos do que a condição nº 1 de sobrevivência. A casa, o castelo, o acampamento fortificado, a muralha da cidade; os “genes”, o clã, a tribo, a “patrie[12]”, estar do lado de fora significa o perigo do frio, da fome e da sede, bandos de invasores, assaltantes da estrada, ursos, lobos e tigres. Ir para fora era arriscado; e, o seu trabalho e coragem sendo espólios para seus parentes, você também seria um homem mau; de fato, um “intruso” ou “forasteiro”. “Perversão” é simplesmente “atravessar as portas”! São João diz: “lá for a estão os cães e os feiticeiros e os lascivos e as adúlteras e os idólatras e…”—daí para frente.[13]
Nós, de Thelema, desafiamos tudo isto energicamente. “A palavra de Pecado é Restrição.” (AL I:41). A nossa fórmula, dito a grosso modo, é sair e agarrar aquilo que queremos.[14] Nós fazemos isso tão completamente que crescemos desse modo, ampliando a nossa concepção do “Eu” ao incluir cada novo crescimento ao invés de permanecer um Eu rigorosamente definido, orgulhoso de possuir outras coisas, como fazem os Irmãos Negros.
Nós somos extrovertidos de todo coração; a punição por restringir a si mesmo é qualquer coisa de neurose para baixo até a loucura; em particular, a melancolia.[15]
Você pergunta se estas observações não entram em conflito com a minha repetida definição da Iniciação como o Caminho para o Interno. Não em absoluto; o íntimo é idêntico com o Todo.[16]
Conforme você vai se aprofundando em introspecção, você se torna capaz de perceber todas as camadas que circundam o “Eu” a partir de dentro, e assim vai ampliando o âmbito da sua visão do Universo. É como se deslocar de uma patrulha de combate a pequenos conflitos para o Quartel General; e o objetivo de fazer desse modo é obviamente exercitar constantemente o controle crescente sobre todo o Exército. Cada avanço de posição lhe capacita tanto a enxergar mais quanto a fazer mais; mas a atenção da pessoa é inevitavelmente desviada para fora.
Quando o sistema do Universo, na sua totalidade, coincide com a sua compreensão, “para dentro” e “para fora” se tornam idênticos.[17]
Porém não vai adiantar de modo algum buscar qualquer coisa além de um ponto de vista, pelo simples motivo que não existe mais nada lá![18]
É simplesmente como todos aqueles símbolos em O Livro de Thoth; tão logo você alcança o “final” de qualquer coisa, subitamente você descobre que este é o “início”.
Para formular a ideia de “Eu” absolutamente, você deve colocar limitações; qualquer coisa que seja perceptível é uma mera seleção temporária (e arbitrária) do finito a partir do infinito; tudo o que você escolher para pensar, isto é modificado, isto cresce, isto desaparece.
Você deve treinar sua mente para galopar suavemente ao longo daquelas frondosas avenidas do pensamento sobre a boa relva verde da Indiferença; quando você puder fazer isso sem esforço consciente, de modo que em cima—em baixo, dentro—fora, longe—perto, preto—branco (e assim por diante com relação a tudo) surja totalmente automático, você já estará tão próximo de ser um Iniciado que nada disso importará.[19]
3. “Eu”. Para uma discussão completa sobre este tópico vide a Carta 42.
4. “Deus”. Isso é realmente muito ruim da sua parte!
Dentre todas as palavras inevitavelmente distorcidas na língua, você conclui seguramente que Sadismo é a mais brutalmente massacrada.
Crippen era um amador.[20]
Skeat é de pouca ajuda para nós afinal, exceto por nos advertir que o “bem” nada tem a ver com isso.[21] Dieu vem de Deus, com todas as suas referências ao Sol—Jupiter, e Deos, que Platão acreditava significar um regente; portanto, Sol, Lua, Planetas.
O melhor que posso fazer por você, Índio honesto! é a palavra russa para deus, Bog; provavelmente relacionada, através do lituano, com o termo galês Bwq, um espectro ou duende. Bugge, também. Não é muito inspirador, concorda, substituir o Velho Centenário por “Quieto! Quieto! Quieto! aí vem o Homem Bogey”[22]. Ou será que é?[23]
Chega desta bobagem! Fora, espada fiel, e de volta ao coração de pedra da mulher audaciosa que escreveu “Deus dentro de nós”.
Eu sei que você achava que sabia mais ou menos o que queria dizer quando você escreveu isso; mas certamente aquilo foi um mero deslize. Uma reflexão por um instante teria lhe avisado que a palavra não suportaria até mesmo a análise mais superficial. Você quis dizer “Algo que me parece ser o símbolo mais perfeito de tudo o que amo, adoro, admiro”—e toda aquela categoria de palavras.
Porém ninguém mais terá o mesmo conjunto de qualidades no seu museu privativo; você fez, assim como todos fizeram, outro Deus à sua própria imagem.
Então os seguidores do Vedanta definem Deus como “não possuindo qualidade nem quantidade”; e alguns Yogis realizam a prática de fazer imagens para então derrubá-las subitamente, dizendo “Nem isto! Nem aquilo!”.[24]
E os budistas não vão admitir de jeito nenhum qualquer Deus em qualquer coisa no sentido pelo qual você usa a palavra. (Uma das passagens mais divertidas de ironia pode ser encontrada em “As Perguntas do Rei Milinda” onde o Arahat Nagasena desmantela Maha Brahma).[25]
O que é pior, qualquer coisa que você possa expressar como “Deus” não trará nenhum significado para mim: eu posso apenas supor sob a luz do meu conhecimento excessivamente pequeno sobre você e seus hábitos comuns de pensamento e ação. Então que sentido haveria em tagarelar isso na minha cabeça? Meio tijolo seria mais útil a você.
Você acha que talvez possa me explicar a viva voz? Nem ouse tentar! Qualquer coisa que você dissesse, eu deveria provar como sendo insensatez, filosoficamente e por uma dúzia de outros meios. E a Ambulância do Conselho do Condado iria juntá-la com seu entulho desgastado e confuso e a levaria para o Hospício, tal como etimologicamente indicado.
Veja simplesmente assim; a palavra deve em qualquer situação conotar ideias de Neschamah, não as de Ruach.
“Mas você usa a palavra o tempo todo”. Sim, eu uso, e confio no contexto para cristalizar ao máximo este estado fluido – ou gasoso – de expressões.
5. “Nós”. Por que “Nós”?
Isso é uma referência à Associação de Ex-Alunos, ou aquela Escola de Moças em Bruxelas, e ao bilhete para o claustro Real em Ascot? Eu não suponho nem por um momento que você tenha se referido a isto daquele modo: Mas aí está. E então—
Anedota de Lao-Tze.
O Ancião estava cercado como de costume por uma galáxia de discípulos veneradores, e eles estavam tentando fazer com que ele lhes mostrasse onde o Tao poderia ser encontrado.
Ele estava no Sol e na Lua, ele reconheceu; ele estava no Filho do Céu e no Homem Superior. (Não George Nathaniel Curzon, todavia). Ele estava nas Flores da Primavera, e nos ventos gelados que varriam a Sibéria, e nos Gansos Selvagens que se dirigiam para o Sul quando seu instinto assim o exigia. Em resumo, a enumeração parecia que iria se prolongar indefinidamente[26]; e um discípulo impaciente, apontando para certos traços deixados por uma mula na sua passagem recente, perguntou: “E o Tao também está naquilo?” O Mestre concordou, inclinando a cabeça, e repetiu: “Também naquilo”.
Então o que acontece com este “nós” privilegiado? Nós somos obrigados a expandi-lo de modo a incluir tudo. Então, como acabamos de ver, “Deus” também não é irrestrito por definições.
Resultado final: “Deus dentro de nós” significa precisamente nada em absoluto.
E então é assim, Por Bradman!
“Nada ateis! Que não se faça diferença entre vós e uma coisa e qualquer outra coisa; pois disto resulta dor. Mas todo aquele que se beneficie nisto, que seja o mestre de todos!” (AL I:22-23)
Eu imploro que você não comente aquilo, pois sendo este o caso, palavras como “dor” e “chefe” talvez não possam significar nada. O fato é que se devemos entrar pacificamente no Clube, temos que saber quando interpretar qualquer expressão dada em um sentido incomum.
Em Ruach todas as leis da lógica se aplicam: mas não em Neschamah.
O significado real da passagem é simples o suficiente, se você compreender que ele se refere a um resultado específico da Iniciação. Você tem que ser capaz de considerar o Universo, como um todo e em cada parte; e se livrar de todas as suas realidades falsas ou parciais ao lançar fora tudo menos a Realidade Única que é a única verdade da Ilusão.
Há um conjunto de equações que expressa a relação do Observador e do Observado, ajustada de acordo com as limitações particulares de ambos os lados; outro anula todos os termos finitos, e nos deixa com uma equação definitiva x = o = 0°.
Percebe?
Eu sei que sou o tipo de sujeito desanimador, e que parece muito hostil pular no pescoço de uma colega a cada minuto quando ela tenta colocar a questão de modo tão simpático, e é tão fácil—não é?—jogar o jogo da Retórica Hipócrita[27], e certamente aquilo que foi dito era perfeitamente inofensivo, e…
Não, N.Ã.O., não: não totalmente inofensivo. Meu objetivo completo é treiná-la a silenciar todo tipo de especulação hipotética e as fórmulas, tanto ressonante quanto satisfatórias. Eu quero que você—
as odeie
as abomine
as despreze
as deteste
as evite
se desgoste delas
se enoje delas
e da capo.
e prossiga com a sua prática. Então quando você alcançar os resultados, você poderá tentar, embora inutilmente, adequar suas próprias palavras aos fatos, caso desejasse comunicar, por qualquer bom motivo, suas experiências para outras pessoas.
Então, apesar do desespero da sua impotência, quão satisfeita você ficará quando tiver sido treinada para não deixar ninguém lhe enganar com frases.[28]

Amor é a lei, amor sob vontade.

Fraternalmente,

666
 
 
Notas:
  1. Refere-se a uma frase piedosa ao final da sua carta. – Nota de Karl Johannes Germer.
  2. No original, Crowley usa o termo Nigger, um termo extremamente depreciativo e preconceituoso, mas infelizmente ainda comum na década de 40. O ponto importante desta nota é que a Lei do Novo Æon, cuja palavra é Thelema (Vontade) vai diretamente contra qualquer tipo de preconceito: “Todo homem e toda mulher é uma estrela” (AL I:3) é suficientemente claro sobre todo esse assunto. – Nota do Editor.
  3. Não se a inteligência da criança exceder aquela do medíocre comum; um menino, ou menina, observador perceberá que o ato é violento, mas não colérico, e muitas vezes terá o primeiro florescer localizado do instinto sexual a partir de tal visão. O conflito surge apenas nas mentes menos inteligentes, particularmente nas sociedades condicionadas pela restrição sexual. Naturalmente, para o Judeu mediano, e para o próprio Freud, sua interpretação era adequada. Ela também era adequada para o Cristista mediano. Porém ela não o teria sido para os nativos do Mar do Sul, como Mark Twain escreve, antes de os missionários Crististas ensinarem a eles o significado de inferno; e aquilo não era adequado conforme a reação deste escritor, a qual detalhamos em nossa introdução ao The Bagh I Muattar no Equinox V 4. A análise de Wilhelm Reich sobre o instinto sexual nas crianças é muito mais amplo do que a análise de Freud; mas então, como enfatizamos anteriormente, Freud, embora sendo um gênio, trabalhou tendo uma grande desvantagem, pobre sujeito: ele jamais frequentou psicanálise nem se submeteu ao treinamento Thelêmico! – Comentário de Marcelo Ramos Motta.
  4. O problema é, contudo, um pouco mais amplo do que aquilo. A maioria das sociedades pressupõe que aquilo que é “superior” é “melhor.” Isso não está relacionado meramente às inibições sexuais Freudianas—Judaicas—Crististas; isso está relacionado ao simples fato da força bruta. Se ele é mais alto do que você, geralmente é maior do que você, e se ele é maior do que você, ele o é pelo simples fato que ele pode te esfolar vivo. Tem sido assim desde o primeiro limo. Se as mulheres fossem fisicamente maiores do que os homens, é muito provável que os homens estivessem lutando por uma Emenda pela Igualdade de Direitos agora mesmo, e não o contrário. A Sociobiologia merece um estudo sério por parte dos estadistas e dos juristas, mas é improvável chegar a esse ponto enquanto o preconceito Cristista persistir na mente humana mediana. – Comentário de Marcelo Ramos Motta.
  5. Walter William Skeat, filologista inglês – Nota do Tradutor.
  6. Porque sim, naturalmente; do ponto de vista do animal saudável, é melhor bater do que apanhar! Então, o que ‘superior’ simplesmente significa é que, a menos que seja você aquele que está olhando de cima para baixo, você é intimidado, derrotado e subserviente. Isso está relacionado ao masoquismo e à capacidade da mente humana para a auto decepção de modo a preservar uma ilusão de auto respeito. Ele é maior do que eu, e pode me espancar; então, deixe-me tentar encontrar alguns argumentos pelos quais eu possa me convencer que é correto e conveniente que seja ele quem manda, e que seja eu quem obedece. A invenção das armas percorreu um longo caminho até poder alterar a desigualdade material neste jogo, porém as desigualdades morais não foram alteradas. Pode ser que não sejam mais o homem ou a mulher maiores quem manda, mas são, ainda, o homem ou a mulher com a arma sexual mais eficiente. Se isso, incidentalmente, puder ser aplicado aos órgãos sexuais, é difícil dizer. A mística do tamanho do membro masculino parece ser que quanto maior ele for, melhor; mas a mística masculina sobre o órgão feminino parece ser que, quanto mais apertado for, portanto, quanto menor, melhor. Como nós observamos antes, Masters e Johnson fizeram o melhor de si para confundir a competitividade sexual, quando eles, com o seu tipo de pesquisa, estavam acima de todos os outros cientistas, numa postura de se manter à frente por tempo indefinido. Dada a sua reticência, e dadas as tendências “egolitárias” e socialistas da assim chamada mente “liberal” moderna, é bem possível que a mística do tamanho do pênis esteja realmente baseada em estatísticas, pelo menos até certo ponto. Os futuros cientistas provavelmente terão que trabalhar em cima disto. Se você acha que isso não é importante, é porque você não compreende muito bem o modo como aquilo que está entre as suas pernas influencia aquilo que está entre os seus ombros. A questão desta nota, entretanto, é simplesmente que o conceito de “superior” não possui quaisquer qualidades “edificantes” para o mesmo (eu realmente achei difícil resistir a um trocadilho). Isso indica meramente o reconhecimento do escravo quanto ao seu estado de submissão ao seu tirano. – Comentário de Marcelo Ramos Motta.
  7. Do ponto de vista dos navegantes espaciais, por exemplo, o termo é totalmente relativo ou é totalmente sem sentido. – Nota de Marcelo Ramos Motta.
  8. É interessante, e talvez até mesmo significativo, que ele deveria ter concebido o conceito lá. – Nota de Marcelo Ramos Motta.
  9. Referente ao Rei Gordius, da Frigia. – Nota do Tradutor.
  10. Ele sabia muito pouco. – Nota de Marcelo Ramos Motta.
  11. Porque é ‘seguro’, naturalmente. Isto se relaciona ao troglodita, ou qualquer outro animal, se recolhendo ao seu covil. Então você percebe que a combinação de ‘superior’ e ‘dentro’ meramente evidencia duas das atitudes negativas mais antigas do ser humano: subserviência e retraimento. – Nota de Marcelo Ramos Motta.
  12. Do Francês, Patria. – Nota do Editor.
  13. Naturalmente, como qualquer outra coisa “Novo Testamento,” “São João” é puramente um pseudônimo para os falsificadores inescrupulosos, que tomam os tratados autênticos dos místicos genuínos, nem todos eles Essênios de qualquer modo, e os adulteram intercalados com fantasias sectárias dentro de uma miscelânea de lendas do Deus Morimbundo. Como de fato ocorre a este comentarista enquanto ele escreve que os falsificadores dos “Evangelhos” tinham mentes muito ao feitio daquela do Sr. Regardie. É difícil dizer até onde este homem teria chegado com a sua manipulação dos textos de Crowley caso não tivéssemos entrado em cena. – Comentário de Marcelo Ramos Motta.
  14. Por favor, entenda que ‘o que’ não é ‘quem’, e que a Lei é para todos. Naturalmente, algumas pessoas não podem ser definidas como ‘quem’, elas devem ser definidas como ‘o que’. Mas acontece que os tiranos da humanidade, por toda a sua aparente natureza humana, ou mesmo supra-humana, são realmente ‘o que’ no âmago dos seus “Eus”. Ele prossegue para tornar isto muito claro. – Comentário de Marcelo Ramos Motta.
  15. Isso está correto até mesmo do ponto de vista da psiquiatria ortodoxa, e explica o tom da maioria dos tratados místicos Crististas, especialmente aquele dos seus assim chamados ‘santos’. Tente compreender, entretanto, que esta “extroversão” vai muito mais a fundo do que os simples traços aparentes de personalidade. Você pode ser naturalmente uma pessoa tímida, ou uma pessoa retraída; o importante é que você nunca deveria, na sua mente e na sua alma, negar a existência ou o significado de outras coisas, especialmente aquelas que você considera dolorosas ou malignas. Nós crescemos ao nos unirmos através do amor sob vontade, com todas as coisas, uma de cada vez. Ao leitor sério é recomendada a leitura da carta sobre a Fórmula do Æon, 0=2. – Comentário de Marcelo Ramos Motta.
  16. Se você lembrar que deve incluir todas as coisas, mesmo aquelas que você descobre dentro de si e que as considera vergonhosas ou “malignas”. Cf. LXV I 44-46 e muitas outras passagens nos Livros Sagrados de Thelema. – Nota de Marcelo Ramos Motta.
  17. Isto, naturalmente, não é “lógico” na primeira leitura. Mas o paradoxo é aquele que foi descoberto na matemática superior, e é solucionável por meio da Lógica Simbólica. Vide a obra Princípios da Matemática de Bertrand Russell. – Nota de Marcelo Ramos Motta.
  18. Esta é a verdade que a “Fraternidade Negra” teme acima de tudo, e que os leva a evitar cruzar o Abismo. As religiões dogmáticas que são obviamente baseadas em mecanismos de defesa negativos, tais como o Cristianismo, são um dos frutos da sua fuga da Realidade. – Comentário de Marcelo Ramos Motta.
  19. Se, contudo, naquele ponto você achar, como o Sr. Regardie, que ‘seu—meu’ se refere aos direitos autorais de alguém, você terá simplesmente desenvolvido um leve caso de autismo… – Nota de Marcelo Ramos Motta.
  20. Comparado a ela é isso. O Sr. Germer adicionou a seguinte nota: “Crippen era um famoso envenenador Inglês que foi capturado e enforcado.” Quando, ó quando a polícia vai capturar os “Papas” Católicos…? – Nota de Marcelo Ramos Motta.
  21. Quer dizer, que a similaridade na disposição das letras entre as duas palavras é mera coincidência, como deveria estar claro sobre as diferenças no som das vogais. Mas na ortografia inglesa, assim como com o “Deus” Cristista, tudo é possível, e por uma razão muito simples. Quando Roma invadiu as Ilhas Britânicas pela segunda vez, muito tempo após o grande César ter estado lá primeiro e ter admirado os Druidas, Roma já estava nas garras dos Alexandrinos Romanos—, e uma praga de missionários aportou, é claro, nas ilhas, assim como o fizeram mais tarde nos Mares do Sul para o desgosto de Mark Twain (para não falar no nosso, ou dos nativos inteligentes daquela região). Os nativos tinham a sua própria língua e seu próprio alfabeto — o alfabeto Rúnico— e ambos estavam foneticamente relacionados, o que significa que as palavras eram escritas da mesma forma em que eram pronunciadas. Mas o alfabeto Rúnico também estava relacionado à religião local, que era o Druidismo; e isso nunca iria dar certo. Então os missionários declararam que o alfabeto Rúnico era “mau” e “satânico”, queimaram os Druidas vivos, e enforcaram ou torturaram até a morte qualquer um que fosse encontrado escrevendo em Runas. Uma vez que era impossível fazer toda a população falar em Latim, os missionários começaram a transliterar a língua local para o “alfabeto santo”: ou seja, o alfabeto Latino, naturalmente. Entretanto, talvez porque eles estivessem muito ocupados em suas devoções, tais como estuprar, torturar e matar, eles não eram muito sistemáticos a respeito disso. E eis aqui a razão porque, até hoje, o inglês é uma das línguas mais difíceis do mundo para escrever. Sempre que um jovem cuja lingual nativa é o inglês—tirar uma nota F nas aulas de inglês do colégio, ele ou ela deveria se lembrar de agradecer à Igreja Romana por isso, assim como por muitas outras “vantagens” que ela trouxe para a sua cultura, para não falar sobre a nossa espécie como um todo. – Comentário de Marcelo Ramos Motta.
  22. Monstro lendário do folclore irlandês – Nota do Tradutor.
  23. Mas, embora talvez ele não estivesse conscientemente tentando expressar seu ponto de vista, que é exatamente o que o “Deus” Cristista é: uma versão complicada do ‘Bogey Man’, vestido com farrapos do Dogma para disfarçar o medo covarde e o servilismo dos adoradores. O “Jeová” do Sr. Begin é precisamente o mesmo tipo de Figura Paterna ameaçadora. Padrasto, como nos contos de fadas, talvez…? – Nota de Marcelo Ramos Motta.
  24. Que é realmente onde ele tomou o seu Mote de Adepto Isento, de alguma forma. – Nota de Marcelo Ramos Motta.
  25. Isso não foi divertido para os Brâmanes. Mas eu suponho que nós também não divertimos muito os Crististas. De qualquer forma, nós divertimos os budistas…? – Nota de Marcelo Ramos Motta.
  26. E poderia ser assim.
  27. Uma vez que a dama em questão era obviamente a Senhorita Frieda Harris, qualquer um que tivesse uma leve ideia do seu temperamento esquentado poderia visualizar quão enfurecida ela ficou ao ler tudo isso! Nós não achamos que ela aprendeu com isso; pelo menos, não o suficiente, ou então ela teria deixado as suas pinturas para a O.T.O., e não para aquele decrépito hipócrita e tagarela, Gerald Yorke. – Comentário de Marcelo Ramos Motta.
  28. Você deve se lembrar que ela era uma aluna, uma Aspirante; logo, pelo menos teoricamente, um ser humano aspirando à honestidade. Ela não estava falando com o político ou o clérigo mediano de qualquer partido, ou qualquer “igreja”, sobre a terra ou em qualquer outra parte. – Comentário de Marcelo Ramos Motta.

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Notas Práticas na Evocação

Uma Jornada Pessoal
Originalmente Publicado pelo College of Thelema
Na revista “In The Continuum – Vol. V, N°3 – 1993 e.v.”

Deixe-me reconsiderar sobre algumas das definições e conceitos de evocação.
Primeiro, eu tenho sido sempre adiado pelas variedades de evocações da Goetia. Elas são muito Judaico-Cristãs no pior sentido, sendo geralmente motivadas por uma mentalidade de Fogo do Inferno com Enxofre. Elas certamente não são modelos de expressão do amor!
Eu certamente não tenho nenhum problema com o conceito de evocação. Em muitos aspectos, eu não consigo diferenciar de algumas formas de psicoterapia mais profunda, para além da técnica. Onde estou seriamente desconfortável, então, é na técnica geralmente apresentada para evocação.
Vamos, portanto, voltar para as definições básicas.
O que é evocação?
Literalmente, é uma "chamada externa", em contraste com a invocação, que é uma "chamada interna". Como um questão de convenção, a invocação é o nome da técnica utilizada para o estabelecimento de harmonia e comunicação com "entidades" (por falta de uma palavra melhor) de um plano superior àquele em que o mago está funcionando, e evocação é o nome da técnica aplicados para o estabelecimento de harmonia e comunicação com "entidades" de um plano inferior àquela em que o mágico está operando.
Permanece a ambigüidade do que você chama de estabelecimento de comunicação com as entidades de aproximadamente mesmo nível de vibração consigo mesmo, e esta ambigüidade faz parte da chave para o  meu entendimento de ambos os processos de invocação e evocação. Ou seja, eu vejo os dois processos como fundamentalmente o mesmo, embora haja, naturalmente, algumas diferenças. Em tudo isto, eu não abordo a questão de saber se as entidades contatadas são separadas de nós, no sentido usual da palavra ou se elas são uma parte de nós mesmo. Esse problema não precisa ser abordado na prática. É uma questão pra filosofo e, eu acredito, em última análise, uma questão de conveniência.
 
Em suma, invocação e evocação são duas técnicas para sintonizar a autoconsciência com um PRINCÍPIO em particular, agindo em um PLANO em particular.

Se Elohim Giboor é invocado ou Bartzabal é evocado, o magista sintoniza, em ambos os casos, sua percepção consciente para este princípio comum a que chamamos de Marte; sendo que no primeiro caso (invocação), ele também está aumentando sua consciência às vibrações superiores de Atziluth (ou tão perto quanto ele é capaz), enquanto que no último(evocação), ele é realmente isolado em um aspecto da consciência Yetzirática que é um pouco inferior ao que é, então, típico de seu próprio nível de consciência.
Quando definido desta forma, existem apenas pequenas diferenças entre invocação e evocação. Isto é bastante surpreendente, desde que os métodos clássicos de evocação têm o magista falando ao Espírito de uma maneira que jamais sugeriríamos que você falasse com um Deus! No entanto, o Espírito é um especializado, e muito poderoso, implementador da natureza e da vontade desse Deus.
Acredito que sei que isto é uma repreensão (talvez a melhor palavra seja "xingamento") para a abordagem  para evocação desenvolvida historicamente. Magia clássica foi muito bonita com evocação para tudo (exceto quando era de natureza puramente simpática ou variedade "terrena"). Os operadores não eram de nenhuma maneira sempre adeptos. Na prática, eles provavelmente quase nunca eram Adeptos! Isso significa que eles ainda não tinham estabelecido um destacamento de, e a correspondente medida de controle sobre, suas próprias naturezas Yetzirática (Nephesh). Isto tem duas conseqüências. Primeiro, a natureza de seus rituais tornaram-se exemplos de concussão e onerosa projeção psicológica, culpando o Espírito convocado por cada imoralidade, falta e insuficiência de sua própria psique emotiva. Segundo, não tendo ainda nenhuma habilidade para permanecer no controle destacado de suas próprias emoções, nem uma forma pacífica e saudável de interação com elas, a única maneira que poderia dispor para controlar o “espírito rebelde” foi tratá-lo como uma criança mal-humorada e rebelde – sua própria criança interior e “rebelde”. Nenhum destes magos medievais “poupa a vara” em suas relações com as entidades evocadas.
Isso pode ser muito diferente se o magista é um Adepto – mesmo no restrito sentido este título destina-se a Ordem Hermética da Golden Dawn e seus autênticos sucessores 1.
Repito, portanto, que a técnica de evocação não é substancialmente diferente da Invocação.
Aquele que alcançou adeptado deve ter adquirido o treinamento para sintonizar a consciência para uma determinada freqüência, e invocando uma corrente de Luz Divina ao longo desse caminho para sintonizar e capacitar um ritual ou meditação. Para evocação, portanto, a nova realização é a de trazer a corrente ainda mais para baixo dos planos de manifestação, e conscientemente confrontar esta baixa forma Yetzirática 2. Isso também tem fortes implicações para a magia prática, pois são as entidades Yetziráticas que têm a capacidade para movimentar mais diretamente a luz astral e produzirem conseqüências materiais.
Porque, na evocação, sintoniza-se a si mesmo com uma vibração mais baixa, algumas precauções adicionais são postas em prática. Estas são listadas nas instruções tradicionais.

 

Examinando o Terreno

Talvez essa gama completa de empreendimento mágico vai ser melhor compreendida se pesquisados de cima para baixo.
 
NOMES DIVINOS (ATZILÚTICOS) são o ponto de partida de todas os empreendimentos de magia (veja a obrigação do 5°=6 da Golden Dawn, em especial Nº 7). Eles são empregados em inumeráveis operações. No entanto, é quase inédito que um magista tente sintonizar-se a uma dessas entidades Atzilúticas diretamente, sem um amortecimento. (Falo aqui, especificamente, das hierarquias Hebraicas). Em primeiro lugar, seria necessário acesso direto à consciência Briática, a fim de servir como veículo para a manifestação de um contato verdadeiramente Atzilutico, ou seja, uma clara medida de adeptado é requerida. Caso contrário, você seria explodida (se tivesse êxito), ou receberia uma contraparte pálida da idéia Yetzirática de Deus (se você não fosse totalmente bem sucedida). Nem é particularmente desejável. Portanto, tais invocações são geralmente empregadas apenas como preliminares para algo mais, geralmente empregando agências Briáticas.

ARCANJOS são entidades Briáticas, e estão entre as mais fáceis de invocar. A prática diária do Ritual do Pentagrama acostuma a invocar estes quatro, que têm uma especial e estreita relação com a raça humana. Arcanjos podem realmente ser chamados de “o melhor amigo do magista”, pois eles são fáceis de invocar e representam um nível espiritual muito acima da nossa consciência cotidiana, mas a que podemos realisticamente aspirar e alcançar quando encarnados. Os quatro grandes arcanjos do ritual do Pentagrama – e destes, especialmente Raphael, Mikhael e Gabriel – parecem desempenhar uma função guardiã única sobre toda a raça humana. Eles aparecem quase sob demanda. Outros arcanjos são quase tão fáceis de convocar, raramente exigindo mais do que a formulação de sua imagem, a vibração do Nome Divino correspondente, e a vibração do nome do arcanjo intencionado. Estas invocações são tremendamente úteis em atos de Alta Magia. Eles também são os antecessores em praticamente todos os outros empreendimentos do cerimonial hierárquico.
Seres Yetziráticos, em contraste, são de tipos inumeráveis. Alguns são muito próximos à consciência de trabalho do magista. Muitos são de uma significativa baixa vibração do que a consciência típica de qualquer um que queira evocá-los – nós esperamos! Estes são tão numerosos e diversificados que exige comentários discretos. Liber 777 é o seu catálogo neste empreendimento, e os números da coluna abaixo pertencem ao catálogo.

ENTIDADES ELEMENTAL YETZIRÁTICA: Os Supremos Reis Elementais (Col. LVIII) são únicos para o sistema Enochiano e, como todas as outras entidades Enochianas, devem ser tratados de acordo com as regras originais do sistema. Os Regentes dos Elementos (LX), Anjos dos Elementos(LXI), e os Reis dos Espíritos Elementais (LXII) são convocados pelo poder do Nome divino e Arcanjo Elemental.
Com os outros Regentes, que são canais espantosamente vividos das potências elemental, raramente eu tenho trabalhado com eles, pois eu, pessoalmente, tendo a empregar as Tábuas Elemental Enochiana para manifestar essas qualidades. No entanto, os Reis dos Espíritos Elementares são imediatamente acima da multidão de Espíritos (geralmente) sem nome de cada elemento. Eu acredito que o Anjo está imediatamente abaixo do Arcanjo, e comandados por sua vez pelos Regentes dos Elementos, embora eu possa não encontrar nenhuma autoridade para isso – essa é uma intuição pessoal. Usualmente os Anjos estão acessíveis sem elaboradas técnicas evocativas, especialmente se a imagem Telesmática é cuidadosamente preparada e empregada com antecedência. Se alguém se compromete em comunicar-se com o elemental real, evocação seria claramente empregada. Para o Regente e Rei... eles estão em algum lugar no meio. Eu não iria abordar esta questão, por razões teóricas, para mais ninguém.

ENTIDADES PLANETÁRIAS YETZIRÁTICA: As principais são as Inteligências dos Planetas e os Espíritos dos Planetas. As Inteligências regem os Espíritos.
Não me lembro de ver ninguém lidar com as inteligências em si mesmas, exceto como um meio de evocar e comandar os Espíritos (incluindo o uso comum, associado aos talismãs planetários). São eles:

Lua MLKA BThRShIShIM VOD BRVCh ShChQIM
(Malkah be-Tarshishim va-A 'ad be-Ruach Shehalim)
ChShMVDAI (Chasmodai)
Mercúrio TIRIAL (Tiriel)            ThPThRThRTh (Taphthartarath)
Vênus HGIAL (Hagiel)           QDMAL (Qedemel)
Sol NKIAL (Nakiel)            SVRTh (Sorath)
Marte GRAPIAL (Graphiel)   BRTzBAL (Bartzabal)
Júpiter IVPIL (Yophiel)            HSMAL (Hismael)
Saturno AGIAL (Agiel)             ZZAL (Zazel)


Há também os Espíritos Planetários Olímpicos, com os quais eu tive alguma experiência. A norma publicada instruções Golden Dawn em talismãs e evocações contém limitado, mas suficiente. Informações sobre estes. São eles:
Lua Phul (ou Phol?)
Mercúrio Ophiel
Vênus Hagit
Sol Och
Marte Phaleg
Júpiter Bethor
Saturno Arathron


Em um nível mais elevado, há anjos de cada um dos sete planetas. Seus nomes são, na maioria casos, o mesmo que o dos arcanjos Planetários e Sefiróticos, mas eles parecem ser seres completamente deferentes – ou pelo menos a mesma idéia expressa por meio de um Yetzirático, ao invés de uma vibração Briática, vibração. Estes nomes são dados como segue:
Lua Gabriel GBRIAL
Mercúrio Rafael RPAL
Vênus Anael ANAL
Sol Mikhael MIKAL
Marte Zamael ZMAL
Júpiter Sakhiel SChIAL
Saturno Kasiel KShial

Estes não são atribuídos às Sephiroth, embora às vezes são vistos em funcionamento Sefirótico. Eu não acho que isso é totalmente errado, onde o tema subjacente do trabalho mágico está realmente em linha com o Caminho planetário, mas a Sephirah é empregado para complementar, ou "arredondar" o conjunto de símbolos disponíveis ou correspondências.
Esses anjos têm antiguidade, no mesmo esquema hierárquico, sobre as Inteligências Planetárias e Espíritos discutido acima.

ENTIDADES SEPHIROTICAS YETZIRÁTICA: Os Coros Angélicos das Dez Sephiroth são apresentados na coluna C. Estes são geralmente tratadas em massa – como um Coro inteiro, ao invés de anjos individuais – Embora eu não possa ver qualquer razão para que um anjo em particular, dentre os muitos, não poderia ser tratado individualmente. A única complicação é que, como acontece com os elementais individuais, não sabemos os nomes destes anjos individualmente. No entanto, através de uma comunicação astral, o mago poderia visitar esses anjos, encontrar um ou mais, adquirir os seus nomes, testar os nomes cabalisticamente e, posteriormente, evocá-los pelo seu nome.
Ao lidar com um Coro Angélico, detalhados métodos evocativos raramente são necessários. Se uma invocação do Arcanjo é realizada em um templo aberto corretamente, o Coro Angélico geralmente pode ser facilmente chamado solicitando o Arcanjo para ordenar a sua presença e assistência a um fim específico. Um grande número de experimentos poderia ser feito (muito útil em magia Sefirótica) com esses dez Coros. Eu tenho utilizado os seus nomes, se não sua potência individual, para desenhar uma corrente Sefirótica em qualquer nível Yetzirático ou Assiático.

ENTIDADES ZODIACAIS YETZIRÁTICA:
Ao longe, os mais importantes são tidos erroneamente pelo G.·. H.·. Frater O.M. como "inteligências geomânticas”. Eles são dados na Coluna CLXXVIII de Liber 777.
Esses anjos parecem ser um nível muito elevado de entidade Angélica.
Nos principais rituais da Segunda Ordem, eles são empregados onde seria de se esperar Arcanjos, e alguns magistas os consideram arcanjos. Eu considero-os como seres Yetziráticos de altíssima vibração. Eu os encontrei extremamente sensíveis à convocação se a sua imagem Telesmática é bem construída.
Eu apenas passarei o endereço da multidão de anjos zodiacais menores. Eles estão bem catalogados em outro lugar, e poderiam ser quase que interminavelmente explorados. Alguém que está muito interessado em magia zodiacal poderia realizar aqui um trabalho interessante e extenso.
Talvez o mais importante deles sejam os anjos (derivados de Shem ha-Mephorash) atribuídos a cada pentade (5º segmento zodiacal, ou semi-decanato) e, assim, em pares, para os Arcanos Menores. Esses nomes angélicos representam o espírito das Cartas do Tarot e, portanto, devem ser potentes para manifestar a idéia Sefirótica expressa através de um elemento particular. É preciso ficar claro que o fato aqui não representa os quatro planos, mas sim os Quatro Elementos, uma vez que estes seres são de médio alcance ou potências Yetziráticas de menor escala. Tenho tido algum contato experimental limitado com resultados mistos, em geral, acredito que eles são potencias limpa capazes de manifestar as qualidades dos Arcanos Menores com os quais são assinalados. Outros exemplos, aparentemente menores, de entidades zodiacais Yetziráticas são os Anjos Regentes das Casas (Col. CXLII), os Anjos Menores Assistentes dos Signos (Col. CXLIII), os Anjos Senhores da Triplicidade nos signos do dia e de noite (Cols. CXLIV e CXLV), e os Anjos dos decanatos (Cols. CXLVI-CXLVIII).

 

Métodos de Invocação

Um dos textos mais elaborado e detalhado sobre evocação é A Chave Menor de Salomão, também chamado de Goetia. É baseado em um estilo, tom e abordagem que se recusam a ter qualquer relação com meus métodos. Na Ordem Hermética da Golden Dawn, a primeira e única instrução formal em evocação foi no papel Z2, distribuídos em um dos sub-graus de Adeptus Minor. O Adeptus Minor foi ensinado como adaptar a fórmula do ritual do Neófito a uma variedade de propósitos mágicos, incluindo a evocação. O método funciona. É sem dúvida um bom campo para treinamento. Isso também tem o benefício de abordagens redundantes com o objetivo de que são especialmente úteis para os principiantes, para aqueles que não têm um talento particular para evocação, ou para os casos difíceis. Pessoalmente, achei esta abordagem um exagero. No entanto, defendo a idéia de que o magista em tal sistema tenha necessidade de um treinamento para aprender a praticar esta técnica em particular. Isso ocorre porque a capacidade de evocar os espíritos é realmente um efeito secundário das práticas do Z2 na Fórmula do Neófito. O propósito real desta e de outras adaptações da Fórmula de Neófito é ajudar o Adepto a compreender mais intimamente a Fórmula para seu beneficio e trabalhar mais profundamente em sua psique. Isto tem importantes e desejáveis conseqüências iniciáticas. A capacidade de evocar os espíritos é um benefício lateral.
Na A.·. A.·., evocação é necessária no 4°=7 Grau de Philosophus. A A.·. A.·. tem apenas duas instruções neste tópico. A primeira é o ritual para Neófita. A Neófita deve estudar o ritual de sua iniciação e chegar a compreender a sua fórmula. Ou seja, ela deve adaptá-lo à maneira de Z2. No 1°=10 Grau ela já deve ter trabalhado com este em certa medida, pelo menos em teoria. Já como Philosophus deve ser capaz de produzir resultados.
A outra instrução da A.·. A.·. é dada em forma de exemplo. Esta é a Evocação de Bartzabal, publicada em Equinócio 1:09 – um simples porém extraordinário exemplo de ritual de evocação já publicado. Mesmo que eu ache que todos esses exemplos são muito bem elaborados e extensos, é prazeroso saciar seus estudos nestas obras de Aleister Crowley.
Além disso, a Philosophus está por conta própria, para obter sua técnica de qualquer fonte disponível. Ao lado dos Grimórios Medievais que eu já critiquei, e Eliphas Levi (que estava apavorado no tempo em que ele conseguiu um bom resultado), não havia realmente alguma coisa disponível nos dias de Crowley, e muito pouco mais do temos nos dias de hoje.
Se a Philosophus também for um VIII° da O.T.O., claro que técnicas de evocação foram ensinadas. No entanto, mantenho-me  com as críticas, tarde na vida, de Crowley, que só os muitos anos de trabalho em seu formal tipo de cerimonial Rosacruz o salvou de ser destruído pelas técnicas ensinadas no Soberano Santuário da O.T.O.. Em suma, se você não pode fazer primeiro um ato mágico sem a aplicação particular da O.T.O. da Corrente Ophidiana, então não tente isto com!
Claro que, se as evocações forem distintamente Enochianas, a iniciada da A.·. A.·. já teve acesso ao Liber Chanokh no 3°=8 Grau de Practicus. Além disso, como já disse, a Philosophus é muito razoavelmente sozinha.
Como todo mundo, era necessário me planejar para minhas técnicas de trabalho. Não há necessidade de reproduzi-las aqui, pois, além do material que fui obrigado a extrair, eles são altamente personalizados e não são necessariamente os meios mais viáveis para outro magista. Você tem que trabalhar isso para você mesmo! O objetivo deste trabalho é apenas para compartilhar alguns elementos da experiência pessoal e apontar a direção geralmente correta.
 
Em qualquer caso, a idéia básica é abrir um templo, entrar, estabelecer um contato com a Luz, sintonizar sua consciência para o comprimento de onda adequado, e bater com o verdadeiro raio de luz da Hierarquia invocada no coração de Yetzirah.

De acordo com a principal referência em cada evocação, a Espada é a aplicação principal empregada. Nós somos repetidamente lembrados de que devemos permanecer no pleno comando dos Espíritos. Nós geralmente somos instruídos de que a Espada é adequada para comandar, pois representa a Força de Geburah. Creio que isso é tão enganoso como constituir uma cortina; ou melhor, se isto é correto, e estamos exercendo a própria execução de Horus no comando dos Espíritos, nós usualmente temos tão pouco entendimento de como se comete esse grave equívoco.
A Espada Mágica é a Espada Flamejante da manifestação instantânea da Sephiroth. Como um implemento, ela simboliza o Relâmpago Brilhante, a emissão rápida e segura de uma única vibração que chega da Coroa ao Reino. Portanto, a espada significa o chamado da Hierarquia para si mesmo. Por exemplo, ao evocar o Espírito Olímpico de Vênus, chamado Hagith, a Espada representa a descida imediata e simultânea de vibrações do princípio de Vênus nos termos dos nomes de I.H.V.H. Tzabaoth, Hanael, Anael, e Hagiel que substituem, produzem e comandam o Espírito Hagith.
Eu acredito que este ponto é de extrema importância. Você não entendera inteiramente a Espada se você empunhá-la sem essa compreensão. Sem essa perspectiva, a unificação amorosa, sua evocações irá certamente intensificar-se-lhe perspectivas de divisão, separação e dominação, o que vai afastar ainda mais de você a verdade central que os Mistérios de Iniciação procuram despertar no aspirante às coisas espirituais.

 

Notas:

1 Um Adeptus 5°=6 da A.·. A.·. está em um lugar ainda melhor para realizar o que é sugerido abaixo, com acesso imediato à consciência Briática desperta. No entanto, no que segue, eu uso a palavra "Adepto" em seu menor sentido, o que significava  no esquema da antiga Golden Dawn. As mesmas características internas provavelmente estão presente em quem se estabilizou no Grau 2°=9 A.·. A.·., embora alguns dos trabalhos já discutidos são necessariamente realizados até mesmo no nível 1°=10.

2 A palavra “baixa” não deve ser tomada em um sentido moral ou depreciativo, mas em grande parte o mesmo sentido que uma pessoa poderia se referir a um tom musical "inferior".

Verdade - Pequenos Ensaios em Direção à Verdade - Aleister Crowley

Que é a Verdade? É absurdo tentar defini-la, pois quando nós dizemos que S é P, em vez de Q, ou R, nós assumimos que já sabemos o significado de Verdade. Esta é a verdadeira razão pela qual todas as discussões sobre se a Verdade depende de correspondência externa, coerência interna, ou o que seja, nem produzem convicção nem tolerem análise. Em poucas palavras: a Verdade é uma idéia de ordem supra-racional, pertencente a Neschamah, não a Ruach. Que todas as concepções racionais insinuam que nós conhecemos a Verdade, e que a Verdade está contida nas proposições delas, demonstra apenas que estas assim-chamadas concepções racionais não são realmente racionais de forma alguma. A Verdade não é a única idéia que resiste a análise racional. Há muitas outras que permanecem indefiníveis; todas as idéias simples, de fato. Além de todos os nossos esforços está o beco sem saída de que nós já devemos saber aquilo que pretendemos estar procurando achar.

Considere-se a asserção do Anjo no 5º Aethyr de "A Visão e a Voz":
"... todos os símbolos são intercambiáveis, pois cada um contém em si mesmo o seu particular oposto. E este é o grande Mistério das Supernas que estão além do Abismo. Pois abaixo do Abismo, contradição é divisão; mas acima do Abismo, contradição é Unidade. E lá nada poderia ser verdadeiro a não ser em virtude da contradição contida em si".

Quando isto foi dado ao Mestre Therion, como lhe pareceu obscuro e difícil! No entanto, à luz dos parágrafos acima se torna óbvio; e quão aquém da --Verdade!

Que, então, poderá significar o título desta compilação: "Pequenos Ensaios em direção à Verdade"? Não assumimos todos nós uma concepção perfeitamente ilógica da Verdade como uma entidade da "ordem supramundana, onde uma flama regirante e uma Luz voadora suscitem"? Não assimilamos nós todos instintivamente uma à outra estas idéias de Verdade e Luz, se bem que não há senso racional nesta assimilação? Não é claro, então, que nós nos compreendemos uns aos outros perfeitamente (tanto quanto podemos nos compreender uns aos outros) num plano tal como o que Zoroastro chama "Inteligível", que "subsiste além da Mente", mas que deveríamos "buscar perceber com a Flor da Mente"? Não devemos então assentir naquele outro Oráculo, no qual aquele mui sublime Magus assevera:

"Pois o Rei de tudo colocou de antemão perante o Mundo polimorfo um Tipo, intelectual, incorruptível, a impressão de cuja forma é enviada através do Mundo, através da qual o Universo brilhou ornado de Idéias todas variadas, das quais no entanto a fundação é Uma, e Uma só. Pois desta as outras surgem, distribuídas e separadas através dos diversos planos do Universo, e são transportadas em enxames através de seus vastos abismos, sempre regirando em radiação ilimitável.

"Elas são concepções intelectuais da Paternal Fonte, partilhando abundantemente do brilho de Fogo na culminação de Tempo incansável".

"Mas foi a primária, auto-perfeita Fonte do Pai que jorrou estas Idéias primogeniais."
(Deve ser lembrado que os Oráculos de Zoroastro continuamente proclamam em palavras de ilimitado brilho a doutrina a que estes Ensaios são em verdade uma espécie de Comentário àqueles Oráculos, e eu posso acrescentar que apenas cheguei a compreendê-los tão perfeitamente quanto os compreendendo agora enquanto estas linhas.)

Ora, esta mesma Verdade, que é Luz, que está implícita em cada faísca do Inteligível, que é ela senão o Ente de Todo-Ser-Humano? É isto que infunde todo e cada ato nosso, que está mais conchegado a cada coração e alma, sendo em verdade a fonte delas e sua regra, o princípio de seção e de medida.
Ora, Iniciação significa, por etimologia, jornada interna; é a Viagem de Descoberta (Ó Mundo-de-Maravilha!) de nossa própria Alma. E é a Verdade que está de pé à proa, eternamente alerta; é a Verdade que está sentada ao leme, e de mão forte o guia!
A Verdade é o nosso Caminho, e a Verdade é o nosso Fito; sim! chegará a todo ser humano um momento de grande Luz em que o Caminho é percebido como o próprio Fito; e naquela hora cada um de nós exclamará:

"Eu sou o Caminho, e a Verdade, e a Vida!"

Sim, a Vida também, Vida eterna no tempo e ilimitada no Espaço; pois que é a Vida senão a contínua resolução da autonomia dos diversos no espasmo de Amor sob a Vontade, isto é, a constantemente explosiva, orgiástica, percepção da Verdade, a dissolução de dividualidade em uma radiante estrela de Verdade que sempre regira, e vai, e enche os Céus de Luz?

Eu vos rogo seriamente, queridos Irmãos, atracai-vos resolutamente, como pujantes lutadores, com as idéias nestes Pequenos Ensaios: para compreendê-las--

"... com a flama estendida da Mente perscrutante que alcança longe, medindo todas as coisas exceto aquele Inteligível. Mas é necessário compreender isto; pois se tu inclinas tua Mente tu não o compreenderás seriamente; é bom que tragas contigo um senso puro e inquiridor, para estenderes a mente vazia de tua alma àquele Inteligível, porque ele subsiste além da Mente."

Pois assim, não apenas desenvolvereis a intuição espiritual, o Neschamah mesmo de vosso Ente divino, mas (de acordo com vosso poder de Concentração, vosso poder de reduzir, e finalmente parar, os irritáveis movimentos de vossa maquinaria raciocinativa) transmutar estes Ensaios--a Prima Matéria de vossa Grande Obra; passando-os através do estágio do Dragão Negro, em que vossas idéias racionais são totalmente destruídas e apodrecidas, vós conseguireis inflamá-las na Fornalha ardente de vossas Vontades Criadoras, até que todas as coisas se fundirão numa fulgurante massa de vivente, de inexorável Luz.
E assim tereis chegado a Sammasamadhi--assim estarei livres para sempre de todos os laços que prendiam a vossa Divindade!

"Um Fogo semelhante, flamejando se estendido através dos assopros do Ar; ou um Fogo informe de onde vem a Imagem de uma Voz; ou mesmo uma Luz lampejando, abundando, revolvendo-se, regirando avante, gritando alto. Há também a Visão do Corcel de Luz jorrando brilho, ou de uma Criança montada no Cavalo Celeste, de fogo, ou vestida de ouro, ou nua, ou atirando com o arco flechas de Luz de pé nos ombros do cavalo; então, se tua meditação se prolonga, tu unirás todos estes Símbolos na Forma de um Leão."

Então vós compreendeis o que é a Verdade, pois vós vos compreendeis a Vós Mesmos, e Vós sois a Verdade!