terça-feira, 27 de setembro de 2011

Trecho dos Comentários de AL

“64. Que ele passe pela primeira ordália & será para ele como prata.

“65. Pela segunda, ouro.

“66. Pela terceira, pedras de água preciosa.

“67. Pela quarta, ultimais fagulhas do fogo intimo.

Isso também será provado a quem quer e pode.

A “Árvore da Vida” na Cabala representa dez esferas dispostas em três pilares, o central contendo quatro, e os outros três cada. Essas esferas são atribuídas a determinados números, planetas, metais e muitos outros grupos de coisas; na verdade todas as coisas podem ser referidas a uma ou outra delas. As quatro ordálias que serão descritas agora representam a subida do aspirante a partir da décima e mais baixa dessas esferas, que se refere à Terra, não regenerada e confusa, na qual o aspirante nasceu. Ele se levanta na primeira ordália para a esfera chamada de Fundação, de número 9, e contendo, entre outras ideias, as dos órgãos geradores, do Ar, da Lua, e da Prata. Sua Verdade secreta é que a estabilidade é idêntica à Mudança; disto somos lembrados pelo fato de que qualquer múltiplo de 9 tem 9 pela soma de seus dígitos.
O iniciado agora perceberá que a soma dos movimentos de sua mente é zero, enquanto que, abaixo de suas fases como a da lua e suas divagações como as do Ar, a consciência do sexo permanece intocada, o verdadeiro Fundamento do Templo do seu corpo , a Raiz da Árvore da Vida que cresce a partir da Terra para o Céu. Este Livro é agora para ele “como prata”. Ele o vê puro, branco e brilhante, o espelho de seu próprio ser que esta ordália expurgou de seus complexos. Para chegar a essa esfera, ele teve que passar por um caminho de trevas, onde os Quatro Elementos lhe parecem ser todo o Universo. Pois como ele saberia que eles não são mais do que o último dos 22 segmentos da Serpente que está enrolada na Árvore?
Assaltado por fantasmas grosseiros da matéria, irreais e incompreensíveis, a sua ordália é de terror e trevas. Ele só pode passar pelo auxílio de seu próprio Deus silente, estendido e exaltado dentro dele por virtude de seu ato consciente de afrontar a ordália.
A próxima esfera alcançada pelo aspirante é chamada de Beleza, de número 6, e se refere ao coração, ao Sol e ao Ouro. Aqui ele é chamado de “Adepto”. A Verdade secreta neste lugar é que Deus é o Homem, simbolizado pelo Hexagrama, (no qual dois triângulos são entrelaçados).
Na esfera anterior ele soube que seu Corpo era o Templo da Rosa-Cruz, isto é, que lhe foi dado como um lugar onde realizar o Trabalho Mágico de unir as oposições em sua Natureza. Aqui ele é ensinado que o seu Coração é o Centro da Luz. Não é escuro, misterioso, vazio, obscuro até para si mesmo, mas sua Alma deve habitar ali, irradiando Luz sobre as seis esferas que a cercam; estas representam os vários poderes de sua mente. Este Livro agora aparece para ele como o Ouro; é o metal perfeito, o símbolo do próprio Sol. Ele vê Deus em toda parte ali.
O aspirante chegou a esta esfera pelo Caminho chamado Temperança, disparado como uma flecha de um Arco-Íris. Ele contemplou a Luz, mas apenas em divisão. Nem conquistou ele esta esfera, exceto pela Temperança, sob cujo nome mascaramos a arte de verter livremente o todo de nossa Vida, até a última gota de nosso sangue, ainda que nunca perdendo a menor quantidade do mesmo.
Agora mais uma vez, o adepto aspira e chega à esfera chamada Coroa, de número 1, que se refere ao próprio Deus Ra-Hoor-Khuit-se no homem, ao Princípio dos Movimentos Giratórios, e à Primeira Forma da Matéria. Sua Verdade secreta é que a Terra é o Céu, assim como o Céu é a Terra, e mostra ao aspirante como ele próprio é uma estrela. Tudo o que lhe parecia a realidade não é para ser considerada nem mesmo ilusão, mas sim tudo a luz única infundindo estrela e estrela. Os Muitos, cada um deles, são o Um; cada indivíduo, nenhum par igual, embora todos sejam idênticos; isto ele sabe e é, pois agora a Palavra iluminou as vigas de sua alma. (A lógica do Ruach - o intelecto normal - é transcendida na Experiência Espiritual. É, evidentemente, impossível “explicar” como isso pode ser.)
No Número 6 ele viu Deus interligado com o homem, duas trindades tornadas em um; mas aqui ele sabe que nunca houve nada além de um.
Assim, agora, este Livro é ‘pedras de água preciosa’; a sua Luz não é a luz emprestada do ouro, mas brilha pelo próprio Livro, clara e cintilante, irradiada a partir de suas facetas. Cada frase é um diamante; cada uma é diversa, embora todas, idênticas. Em cada um a Luz única ri!
E esta esfera ele veio pelo Caminho chamado de A Alta-Sacerdotisa; Ela é seu Eu Silente, virgem além de todos os véus, libertou para ensiná-lo, em virtude desta terceira ordália onde, atravessando o abismo, ele tirou de si todo trapo de falsidade, seus últimos complexos, até mesmo sua fantasia que ele chamou de ‘eu’. E assim ele finalmente soube como o vestido sujo de prostituta era um mero disfarce; nua no Luar brilha o Corpo da donzela!
Além do Um, como ele deve passar? O que é este Um, que em todo lugar é o Centro de Tudo? De fato as vigas lógicas de nossas almas precisam da iluminação, se quisermos ganhar a liberdade de tal Verdade como esta!
Agora, nas ‘pedras de água preciosa’ a de fato apareceu Luz clara, mas elas eram elas próprias essa Luz. Esta esfera do Um é de fato Ra-Hoor-Khuit; não é a nossa Criança Coroada e Conquistadora a fonte da Luz? Não, ele é a forma finita da Unidade, filho de dois infinitos casados; e nesta última ordália, o aspirante deve até mesmo ir além de sua Estrela, encontrando nela o núcleo da mesma de Hadit, e também perdê-la no Corpo de Nuith.
Aqui não há Caminho que ele possa trilhar, pois tudo está igualmente por todas as partes; nem existe qualquer esfera para atingir, pois não há mais medida.
Não há palavras para descrever o Caminho ou o Fim, quando o Fim é um com o Caminho; só é dito isso, que para aquele que passou por esta quarta ordália este Livro é como “fagulhas ultimais”. Elas não mais refletem ou transmitem a Luz; elas próprias são a Luz original, não-para-ser-analisada, do “fogo íntimo” de Hadit! Ele verá o Livro como ele é, como uma chuva de Poeira das Estrelas!”

Tirado do Magical and Philosophical Commentaries on The Book of the Law, pp 294-297.

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

A Lei de Thelema

Liber CLXI
O.T.O.

 

Tratando da Lei de Thelema

Uma Epistola escrita ao professor L...B...K..., que esperava ele mesmo pelo Novo Aeon, tratando da O.T.O. e de sua solução de diversos problemas da Sociedade Humana, particularmente esses concernentes à Propriedade Privada; agora disponibilizada para Circulação Geral.
Meu caro Senhor:

Faze o que tu queres há de ser tudo da Lei.

Alegrou-me receber a sua carta de inquérito quanto à Mensagem do Mestre THERION.
O Senhor notou, naturalmente, que à primeira vista há pouca diferença entre a Nova Lei e o padrão de Anarquia; e o senhor pergunta: "Como será a Lei cumprida no caso de dois meninos que querem comer a mesma laranja?" Mas desde que uma laranja contém suficiente nutrição para (no máximo) apenas um menino, é evidente que um deles se engana ao supor que é essencial para a sua Vontade ingeri-la. A questão deve então ser decidida da boa e velha forma: por briga. Tudo que nós pedimos é que a briga seja cavalheiresca, demonstrando respeito para com a coragem do vencido. "Lutai como irmãos!" Em outras palavras, existe na O.T.O. apenas esta diferença do nosso presente estado social: as maneiras individuais são melhoradas. Há muitas pessoas que são por natureza propensas à escravidão; que não tem ânimo para lutar, que abjetamente cedem tudo a qualquer um suficientemente forte para exigir. Tais pessoas não podem aceitar a Lei, por falta de capacidade intrínseca. Isto também é compreendido e incluído nas instruções do Livro da Lei: "Os escravos servirão". Mas conosco, é possível que qualquer escravo aparente prove seu direito de ser livre lutando contra os seus opressores, tal como é no mundo; com esta chance adicional em nosso sistema: que a conduta dele será vigiada atentamente por nossas autoridades; e sua coragem recompensada por admissão às coortes dos homens livres. Além do que, um tratamento decente lhe será assegurado em qualquer caso.
O senhor poderá perguntar como uma tal fiscalização da sociedade é possível. Existe uma única solução para este grande problema. Tem sempre sido admitido que a forma ideal de governo é aquela do "déspota esclarecido"; e despotismos fracassaram apenas porque foi impossível, na pratica, assegurar a benevolência desses no poder. As regras de cavalaria no ocidente, e aquela do Bushido no oriente, proporcionaram a melhor chance para desenvolvimento de governantes do tipo desejado. A cavalaria fracassou principalmente porque foi defrontada por novos problemas; hoje em dia nós sabemos perfeitamente quais eram esses problemas, e podemos solucioná-los. É geralmente compreendido por todos os homens educados e cultos que o bem estar geral é necessário ao máximo desenvolvimento do bem estar privado; e os problemas de democracias por eleição direta são em grande parte devidos ao fato que os homens que sobem ao poder são freqüentemente criaturas desprovidas de qualquer educação ou cultura.
Eu gostaria de chamar a atenção do senhor para o fato que muitas ordens monásticas, tanto na Ásia quanto na Europa, tem sobrevivido a todas as mudanças políticas, e assegurado vidas relativamente úteis e agradáveis a seus membros. Mas isto tem sido possível unicamente porque uma vida restringida foi imposta. No entanto, houve ordens de Monges guerreiros, como os Templários, que cresceram e prosperaram extremamente. O senhor se lembrará de que a Ordem do Templo foi derrubada apenas por um golpe de estado traiçoeiro por parte de um rei e de um papa que viam o seu programa reacionário, obscurantista e tirânico ameaçado por esse cavaleiros que não tinham escrúpulos de adicionar a sabedoria do oriente à ampla interpretação que sua ordem fazia do cristianismo;
Cavaleiros que representaram naquela época um movimento em direção à luz da cultura e da ciência que foi trazida à fruição em nossos próprios dias pelos esforços de orientalistas como Von-Hammer-Purgstall, Sir Willian Jones, Professor Rhys Davids e Madame Blavatsky, para não falarmos de filósofos como Nietzsche por um lado, ou dos melhores trabalhos de Darwin, Huxley, Tyndall e Spencer por outro.
Eu não tenho simpatia para com pessoas que gritam contra o direito de propriedade, como se tudo que os homens desejam fossem necessariamente maligno; o instinto natural de todo homem é ter coisas; e enquanto os homens forem deste humor, tentativas de destruir o direito de propriedade permanecerão não apenas inúteis, mas deletérias para a comunidade onde quer que sabedoria e delicadeza o administrem. O homem médio não é tão irrazoável quanto o demagogo, para seus próprios fins egoístas, pretende que ele é. Os grandes proprietários de todas as épocas foram capazes de criar uma família feliz de seus dependentes; lealdade e dedicação até à morte foram recompensa deles. O segredo de tais proprietários consistiu principalmente nisto: que eles se consideravam responsáveis por suas posses, e encaravam como vergonha para si mesmo se qualquer dos seus dependentes passasse fome sem necessidade. O novo-rico de hoje em dia não tem este sentimento; ele tenta constantemente sua pretensa superioridade por exibições de poder; e tirania é a sua única arma. Em qualquer sociedade onde cada membro ocupa sua posição natural, e esta posição é acatada por todos os membros, respeito mútuo e respeito próprio aparecem. Todo homem é, a seu modo, um rei; ou pelo menos, herdeiro de um rei. Nós temos muitos exemplos de tais sociedades hoje em dia, especialmente universidade e associações desportivas. O remador número 5 do clube de regatas não se vira no meio de uma corrida para censurar o número 4 por ser apenas o número 4; nem discutem o goleiro e o ponteiro de um time craque de futebol porque suas funções no time são diversas. Deve ser notado que onde quer que trabalho de equipe é necessário, tolerância mútua é essencial. O soldado raso enverga um uniforme, tanto quanto o seu oficial; e em qualquer exercito bem treinado se ensina ao soldado raso padrões de honra e de respeito à farda. Este sentimento, mais que mera disciplina ou a posse de armas, faz do soldado um cidadão moralmente superior a qualquer outro que não esteja assim munido de natural respeito por si mesmo e por sua profissão.
Graduados de grandes universidades que passaram por alguma grave crise ou tentação freqüentemente me tem dito que a base de sua resistência nessa época foi a consciência das tradições da sua instituição. Muito disto é evidentemente pressentido pelas pessoas que desejam restabelecer as antigas agremiações de obreiros características da Idade Média. Mas receio estar divagando
Entretanto, já coloquei diante de si os pontos principais da minha tese. Nós precisamos estender à sociedade inteira aquele peculiar sentimento de "noblesse oblige" que existe em nossas instituições mais bem sucedidas, como os serviços públicos (quer militares, diplomáticos ou administrativos), as universidades, e aos clubes. Céu e inferno são estados mentais; e se o Diabo realmente é altivo, seu inferno pouco pode feri-lo.
É isto, então, que eu desejo acentuar: esses que aceitam a Nova Lei, a Lei do Aeon de Horus, da criança coroada e conquistadora que substitui em nossa teogonia a sofredora e desesperada vitima do destino, a Lei de Télema, que é Faze o que tu queres, esses que aceitam esta Lei (digo eu) sentem-se imediatamente reis e rainhas. "Todo homem e toda mulher é uma estrela" é a primeira asserção do Livro da Lei. Em LIBER OZ os corolários sociais desta Lei estão estabelecidos com simplicidade e segurança, e não é necessário que eu importune o senhor com mais citações.
O senhor dirá imediatamente que tais reis e rainha podem não suportar bem a fome e o frio. O pensamento ocorreu o igualmente ao nosso fundador, e eu me esforçarei por lhe expor o esquema do plano dele para evitar que um tal infortúnio (ou pelo menos que uma tal ordália) ferisse seus companheiros.
Em primeiro lugar, ele se valeu de uma certa organização cujo governo lhe foi oferecido, a saber, a O.T.O. Esta grande Ordem aceitou a Lei imediatamente, e foi justificada pela súbita e grande revitalização das usas atividades. A Lei foi dada ao nosso fundador há sessenta e dois anos; a O.T.O. veio às mãos dele oito anos após, no ano vulgar de 1912. Não deve ser suposto que ele se manteve ocioso durante o período prévio; mas ele era muito jovem, e não teve idéia de tomar medidas praticas para espalhar a Percepção da Lei; ele continuou seus estudos.
No entanto, com o crescimento súbito da O.T.O. de 1912 e.v. para cá, ele começou a perceber um método de por a Lei em pratica coletiva, de tornar possível para homens e mulheres que vivam no mundo de acordo com os preceitos estabelecidos no Livro da Lei, e realizem suas vontades – eu não quero por isto significar a gratificação de desejos efêmeros, mas sim o cumprimento de seus próprios destinos. Pois desde que este universo está em equilíbrio, e, portanto a soma total de suas energias é zero, toda força nele é igual e oposta à resultante de todas as outras forças combinadas. O Ego é, portanto sempre exatamente igual ao Não-Ego, e a destruição de um átomo de hidrogênio é tão catastrófica para a conservação da matéria e da energia como se um milhão de esferas fossem aniquiladas pela vontade de Deus. Eu estou bem cônscio de que neste ponto o senhor poderia me atrair à controvérsia entre livre-arbítrio e destino; o senhor tornaria difícil para mim dizer se quer que é melhor cumprirmos nosso destino conscientemente e alegremente, que com a inércia de uma pedra; mas eu estou em guarda; e voltarei à chã política e ao bom-senso.
Nosso fundador, portanto, quando considerou este assunto de um ponto de vista puramente prático, lembrou-se daquelas instituições com as quais ele estava familiarizado e que eram prósperas. Ele pensou em mosteiros como Monsalvat, universidades como Cambridge, clubes de golfe como Hoylake, sociais como Lyons; pensou em sindicatos e corporações; e, tendo viajado pelos Estados Unidos da América, pensou em cartéis. Em sua mente ele expandiu cada um destes à sua N-ésima potencia, ele os amalgamou como químico habilidoso que era, ele considerou suas vantagens e suas limitações; numa palavra, ele meditou profundamente sobre o assunto inteiro, e concebeu uma sociedade perfeita.
Ele viu todos os homens livres, todos os homens respeitados; e ele plantou a semente de sua Utopia entregando sua própria casa à O.T.O., a organização que operaria seu plano, sob certas condições. O que ele previra ocorreu; cedendo sua casa, ele se tornou proprietário de mil. Ele renunciou ao mundo, e viu o mundo ao seus pés.
Eliphas Levi, o grande magista do século passado, cuja filosofia tornou possível a extraordinária renascença da literatura na França pela sua doutrina de auto-suficiência em arte ("Um belo estilo é uma aureola de santidade"), profetizou do Messias numa passagem notável. Nosso Fundador a tornou realidade.
Eu não disponho aqui do volume, levando como estou a vida de eremita em New Hampshire; (mas a suma é que reis e papas não tem poder para redimir o mundo porque se circundam de horárias e pompa. Eles possuem tudo que os outros homens desejam, e por isto seus motivos são suspeitos. Se qualquer pessoa de posição, diz Levi, insistir em levar uma vida de inconveniência e agrura quando poderia fazer de outra forma, os homens confiarão nessa pessoa, e ela poderá realizar seus projetos par ao bem-estar geral da comunidade. Mas naturalmente essa pessoa deverá tomar o cuidado de não relaxar suas austeridades à medida que seu poder aumente. Tornemos pompa incompatível com o poder, e o problema social está resolvido.)
"Quem é aquele velho desdentado e esfarrapado tentando mastigar uma côdea seca em frente à aquela choupana?""Aquele é o presidente da República." Onde honra é o único bem que pode ser obtido pelo exercício do poder, o homem no poder se esforçara apenas por obter honra.
O acima é um caso extremo; ir tão longe seria inconveniente, pois tornaria difícil a tarefa do administrador; e em qualquer caso, é impossível que o Presidente tenha provado caviar e rodado em carros de luxo antes de ingressar na política.
O senhor perguntará como isto funciona em pratica. É muito simples. Na Ordem, autoridade e prestigio são absolutos; mas enquanto os graus mais baixos outorgam aumento de privilégios, os graus mais altos exigem aumento de serviço. Poder na Ordem depende, portanto, diretamente da boa-vontade de auxiliar os outros. Tolerância, também, é inculcada nos graus mais altos; de forma que ninguém pode ser sequer um Inspetor da Ordem sem estar equanimente disposto para com todos os tipos de opiniões. O senhor pode ter seis esposas, ou nenhuma; mas se o senhor tem seis, requer-se que o senhor não permita que todas falem ao mesmo tempo; e se o senhor não tem nenhuma, requerse que o senhor não amole as outras pessoas gabando-se de sua pretensa virtude. Esta tolerância é ensinada através de um curso especial cuja natureza seria tanto imprudente quanto impertinente divulgar; eu lhe pedirei que me creia quando digo que o curso é eficiente.
Com esta provisão, é fácil vigiar para que a intolerância e pretensão sejam impossíveis; pois o exemplo dado pelos membros dos universalmente respeitados graus mais altos combate tais sintomas. Eu posso acrescentar que esses membros são ligados entre si por participação em certos mistérios que culminaram numa síntese climática, na qual um segredo único é comunicado; o segredo que soluciona para sempre toda divisão nestas fontes constantes de desarmonia, sexo e religião. A posse desse segredo outorga aos membros que o merecem uma tão calma autoridade que o perfeito respeito que lhe é devido jamais lhes falta.
Assim, então, o senhor vê irmãos coabitando em união; e o senhor poderá se perguntar se desejo de posse pessoais não causaria divisão. Pelo contrário: precisamente este assunto tem sido um excelente motivo de prosperidade geral.
Na maioria dos casos neste mundo, propriedade pessoal é desperdiçada. Uma pessoa tem seis casas; uma permanece desalugada. Outra pessoa tem 20% das ações de uma certa companhia; e é bloqueada pela pessoa que possui 51%.
Existem mil perigos e inconveniências na posse das coisas deste mundo que, como o senhor poderá notar, torna carecas aqueles que se apegam a elas.
Na O.T.O. toda esta inconveniência é evitada. Qualquer propriedade que qualquer membro da Ordem queira é entregue aos Grandes Oficiantes, quer com dádiva, quer como cura. Neste último caso, a propriedade é administrada nos interesses do membro. Quando propriedade é assim acumulada, imensas economias se tornam possíveis. Um advogado faz o trabalho de cinqüenta; agentes de aluguel alugam casa em vez de pedirem luvas despropositadas a possíveis inquilinos; a O.T.O., e não meia dúzia de acionistas isolados e impotentes, controla a companhia. O que quer que a O.T.O. faça, ela faz com todo o seu poder; opor-se a um tal acúmulo de energia é como se opor a General Motors ou Rockefeller; e a O.T.O. tem melhores intenções que qualquer destes dois em seu trabalho. Tornar-se membro da O.T.O. é tornar-se parte de uma força para o progresso do mundo.
Mas, e se o membro é pobre? Se ele não possui quaisquer bens materiais? Ainda assim a O.T.O. o ajudará. Há sempre casas desocupadas que o membro pode conservar para a Ordem sem pagar aluguel; há certeza de obter emprego, caso ele deseje, através de outros membros. Se o senhor tem casa de negócios, pode estar certo de que os membros da O.T.O. serão seus fregueses; se o senhor é medico ou advogado, membros da O.T.O. serão seus clientes. O senhor adoece? Seus irmãos se apressam para junto do seu leito a fim de perguntar de que é que o senhor precisa. O senhor sente falta de companhia? A Abadia da O.T.O. tem as portas abertas para si. O senhor requer um empréstimo? O Tesoureiro-Geral da O.T.O. tem permissão para lhe adiantar, sem quaisquer juros, o total de todas as suas jóias e mensalidades desde a data de sua entrada na Ordem. O senhor esta viajando? O senhor tem direito à hospitalidade de Mestre de uma Loja da O.T.O. durante três dias em qualquer parte do país. O senhor está preocupado com a educação de seus filhos? A O.T.O. os preparará para a batalha. O senhor está em desacordo com outro irmão? O Grande tribunal da O.T.O. arbitrará entre os senhores, sem pagamento. O senhor está à morte? O senhor tem direito de legar o total de suas contribuições ao tesouro da O.T.O. a quem o senhor queira. Serão órfãos seus filhos? Não, pois se o senhor assim desejar, seus filhos serão adotados pelo Mestre de sua Loja, ou pelo Grão- Mestre da O.T.O., ou até pelo Rei Santo mesmo.
Em suma, não existe circunstância da vida em que a O.T.O. não seja ao mesmo tempo a espada e escudo.
O senhor duvida? O senhor replica que isto só é possível através de divina caridade dos ricos para com os pobres, dos elevados para com os humildes, dos grandes para com os pequenos? O senhor tem mil vezes razão; o senhor compreendeu o segredo da O.T.O.
Que tais qualidades possam florescer numa comunidade extensa e complexa pode parecer difícil a um profundo estudante da humanidade como o senhor; no entanto, há exemplos abundantes de práticas desnaturadas e repugnantes ao ser humano que perduram séculos. Não necessitamos citar mais que o celibato forçado ou o sadomasoquismo religioso com exemplo.
"A fortiori", então deve ser possível treinar homens para que sejam independentes e tolerantes; para que tenha nobilidade de caráter e boas maneiras; e isto é feito na O.T.O. através de certos métodos muito eficazes que (pois eu não desejo correr o risco de entedia-lo) eu não descreverei. Demais a mais, eles são secretos. Mas além deles há o supremo incentivo: avanço na Ordem depende quase inteiramente de tais qualidades, e sem elas é impossível. Desde que poder é o maior desejo do homem, é apenas necessário que condicionemos de tal forma a posse de poder que o poder não será abusado. Riqueza pessoal não tem a mínima influência na O.T.O. Acima de um certo grau, toda propriedade privada, com certas obvias exceções – objetos de uso diário, por exemplo – deve ser doada à Ordem. Propriedade pode ser usufruída de acordo com a dignidade de um adepto daquele grau; mas o membro não pode deixa-la ociosa, ou seqüestra-la do bem estar coletivo. Ele pode viajar de trem, por exemplo, em conforto e luxo como o dono da estrada de ferro; mas ele não pode prejudicar a comunidade colocando o seu vagão privado na encruzilhada de quatro linhas principais.
Mesmo eminência intelectual e habilidade executiva são, até certo ponto, secundárias na Ordem. Sempre se encontra trabalho para pessoas dotadas de tais qualidades, e elas alcançam alta consideração e renome como recompensa; mas não alcançam progresso nos gruas, a não ser que exibam talento para governar; e este é exibido muito mais por nobilidade de Caráter, firmeza e suavidade, tato e dignidade, probidade e boas mineiras; estas qualidades, em suma, que são em toda parte aceitas como naturais predicados da palavra cavalheiro. O conhecimento deste fato não só inspira confiança nos membros mais jovens, mas os induz a emular os mais velhos.
A fim de apreciar o funcionamento do sistema, é necessário visitar as nossas Abadias. (Espera-se que algumas serão brevemente estabelecidas neste país.) Umas são como castelos medievais; outras são simples cabanas; o mesmo espírito rege todas. É o espírito da perfeita hospitalidade. Cada um é livre de fazer o que ele quer; e o luxo desta liberdade é tal que ele toma cuidado em evitar perturbar o igual direito de outros. Porém desde que a autoridade do Abade é suprema, qualquer quebra da observância desta regra é corrigida com a devida energia. O caso não ocorre senão em circunstâncias excepcionais; pois o período de hospitalidade é estritamente limitado, e extensões dependem da boa-vontade do Abade. Naturalmente, desde que todos os tipos de temperamentos são igualmente necessários para tornar este mundo interessante, algumas Abadias são mais simpáticas para um tipo de membros, outras para outros. E aqueles de gostos semelhantes espontaneamente se congregam. No entanto, o bemestar da Ordem e o estudo dos seus mistérios sendo a preocupação primária de todo membro, há inevitavelmente um ponto comum de interesse onde todos se reúnem.
Eu receio ter esgotado a sua paciência com esta carta, e assim lhe peço desculpas. Mas como o senhor sabe, onde há abundância de sentimento, a boca fala... o senhor tem toda razão em retrucar que não precisa falar tanto!

Eu não acrescento mais, senão a nossa alegre saudação a todos os homens.

Amor é a lei, amor sob vontade.

Eu sou, caro senhor,
Seu nos Laços da Ordem,
J. B. Mason

O Magista

[TRADUZIDO DA VERSÃO DE ELIPHAS LEVI DO FAMOSO HINO]

Ó Senhor, livra-me do medo sombrio e da melancolia do inferno!
 
Liberta tu o meu espírito das larvæ do túmulo!
 
Eu os perseguirei em suas horrendas moradas sem medo:
 
Sobre eles vou impor a minha vontade, a lei da luz.

Eu convido a noite a conceber o hemisfério brilhante.
 
Levanta-te, ó sol, levanta-te! Ó lua, brilhe branca e clara!
 
Eu os perseguirei em suas horrendas moradas sem medo:
 
Sobre eles vou impor a minha vontade, a lei da luz.

Suas faces e suas formas são terríveis e estranhas.
 
Esses demônios pelo meu poder em anjos eu transformarei.
 
A esses inomináveis horrores eu me dirijo sem medo:
 
Sobre eles vou impor a minha vontade, a lei da luz.

Estes são pálidos fantasmas de minha atônita visão,
 
Ainda que ninguém exceto eu sua beleza amaldiçoada possa renovar;
 
Pois no abismo do inferno eu mergulho sem medo:
 
Sobre eles vou impor a minha vontade, a lei da luz.

A Escada

“Subirei e irei até meu Pai”

Malkuth

Escuro, escuro, tudo escuro! Eu me recolho, eu me abaixo de medo.
Acima de mim só há um tom de cidra
Como se fosse um eco do vermelho, do dourado e do azul
Harmonizados na noite e deixando sua sombra passar.
Mesmo assim, eu que estou desta forma aprisionado e exilado
Sou por direito o herdeiro da glória, a criança coroada.
Eu combino meu poder com o de meu Destino,
Eu cingi-me para atingir os deveres ultimais,
Eu me armo a guerra para vencer: –
Levantai as vossas cabeças, ó portões poderosos!
Erguei-vos, ó portais eternos!
O Rei da Glória entrará.

 

Tau

Eu passo do citrino: de índigo escuro
É essa alta coluna. Cobras e abutres inclinam
Seu ódio oculto sobre aquele que subiria.
Ó, que os Quatro me ajudem! Desgraça eterna,
Medo e tortura se amontoam no limiar. Vê! O fim
Da matéria! a imensidão das coisas
Desencadeia – novas leis, novos seres, novas condições; -
Horrendo caos; veja! estas recém-desenvolvidas asas
Falham em sua incerteza e inanição.
Só meu círculo me salva do ódio
De todos estes monstros mortos, ainda que animados.
Eu combino meu poder com o de meu Destino,
Eu cingi-me para atingir os deveres ultimais,
Eu me armo a guerra para vencer: –
Levantai as vossas cabeças, ó portões poderosos!
Erguei-vos, ó portais eternos!
O Rei da Glória entrará.

 

Yesod

Salve, tu lua cheia, ó chama de Ametista!
Estupenda montanha em cujos ombros repousam
Os Oito Acima. Mais estável é meu cume
Do que o teu – e agora eu te perfuro, véu de névoa!
Assim como uma flecha de arco de guerra lança,
Eu salto – minha vida é definida com coisas mais elevadas.
Eu combino meu poder com o de meu Destino,
Eu cingi-me para atingir os deveres ultimais,
Eu me armo a guerra para vencer: –
Levantai as vossas cabeças, ó portões poderosos!
Erguei-vos, ó portais eternos!
O Rei da Glória entrará.

 

Samech (e a travessia do Caminho de Pé)

Agora rápida, tu flecha azul de fogo esmorecido,
Perfure o arco-íris! Rápida, ó, rápida! como atravessa
Pelo mundo! Que Sandalfon e seu coro
De Anjos me protejam!
Ó! que planeta irradia
Este raio raivoso? Tuas espadas, teus escudos, tuas lanças!
Tuas carruagens e teus cavaleiros, Senhor! Esferas chovidas
De meteoros guerreiam e queimam; mas eu sou eu,
O próprio Hórus, a torrente do céu
Em chamas – eu varro os mares tempestuosos do ar
Em direção a esse grande globo que paira dourado e justo.
Eu combino meu poder com o de meu Destino,
Eu cingi-me para atingir os deveres ultimais,
Eu me armo a guerra para vencer: –
Levantai as vossas cabeças, ó portões poderosos!
Erguei-vos, ó portais eternos!
O Rei da Glória entrará.

 

Tiphereth

Salve, salve, tu sol da harmonia,
Da beleza e do êxtase!
Tu irradias brilhante e destemido!
Tu, rosa rubi, tu, cruz de ouro!
Salve, centro do plano cósmico!
Salve, imagem mística do Homem!
Eu dou o sinal de Asar assassinado.
Eu dou o sinal de Asi imponente.
Eu dou o sinal de Apep, a estrela
Da Destruição negra que tudo devora.
Eu dou o teu sinal, Asar ressurreto: -
Rebenta, ó meu espírito, de tua prisão!
Eu combino meu poder com o de meu Destino,
Eu cingi-me para atingir os deveres ultimais,
Eu me armo a guerra para vencer: -
Levantai as vossas cabeças, ó portões poderosos!
Erguei-vos, ó portais eternos!
O Rei da Glória entrará.

 

Gimel (com a travessia do Caminho de Teth)

Salve, Meia-Noite virgem, Lua brilhante Dela
Que é o pensamento e o ministro de Deus!
Pura neve, céu azul, imaculada
Hécate, no Teu livro do Destino
Leias meu nome, a alma ascendente
Que busca a meta suprema e sem sol!
E tu, grande Sekhet, o rugido! Levante,
Enfrente o leão no caminho!
Teus olhos calmos e indomáveis
Levante de uma vez, e olhe, e fure, e mate!
Passei. Salve, Hécate! Não-trilhada é
Tua subida íngreme para Deus, para Deus!
Vê, que inominada, inominável
Esfera paira acima do inescrutável?
Não há virtude em teu beijo
Para afrontar aquele abismo negro e desalmado.
Eu combino meu poder com o de meu Destino,
Eu cingi-me para atingir os deveres ultimais,
Eu me armo a guerra para vencer: –
Levantai as vossas cabeças, ó portões poderosos!
Erguei-vos, ó portais eternos!
O Rei da Glória entrará.

 

Daath

Eu estou louco, Minha razão tomba;
A torre do meu ser desmorona.
Aqui tudo é dúvida, angústia, desespero:
Não há poder na força ou na oração.
Se eu passar, é pelo poder
Do momentum de meu voo.
Eu combino meu poder com o de meu Destino,
Eu cingi-me para atingir os deveres ultimais,
Eu me armo a guerra para vencer: –
Levantai as vossas cabeças, ó portões poderosos!
Erguei-vos, ó portais eternos!
O Rei da Glória entrará.

 

Gimel (e da travessia de Daleth)

Livre dessa maldição, solto dessa prisão;
De toda esta ruína eu levantei!
Ainda pura, a lua virgem seduz
Minha passagem azul com seus sorrisos.
Agora! Ó, que amor o divino redime
Minha morte, e a banha em seus raios de luz!
Que consagração transubstancia
A minha carne e sangue, e encarna
O Pã quintessencial? Que terra
Se estende para além desta porta secreta?
Salve! Ó, tu estrela sétupla de verde,
Tu, glória quádrupla – todo este sofrimento
Apanhado em êxtase – uma benção
Para me passar cantando através da lua!
Não! Eu não sabia que glória resplandecia
Ouro da felicidade ofegante e além:
Mas isso eu sei, que eu me vou
Para o coração do grande diamante de Deus!
Eu combino meu poder com o de meu Destino,
Eu cingi-me para atingir os deveres ultimais,
Eu me armo a guerra para vencer: –
Levantai as vossas cabeças, ó portões poderosos!
Erguei-vos, ó portais eternos!
O Rei da Glória entrará.

 

Kether

Estou do outro lado do abismo de fogo;
Ouvi que eu sou o que sou!

 

O Retorno

Vê! Eu vesti a minha luz terrível
Naquele corpo nascido da noite.
Que sua mente esteja aberta para o superior!
Que seu coração seja lúcido e luminoso!
O Templo de seu próprio desejo
O Templo da Rosa Cruz!
Conforme Hórus acelera a chama, Harpócrates
A recebe, e põe a alma a descansar.
Eu que era Um sou Um, toda a luz
Equilibrada dentro de mim, justiça ordenada,
Tal como sempre foi para o iniciado do saber,
É agora, e sempre será. Amém
[ Nota de Frater S.R.: o texto acima foi tirado do The Winged Beetle, de 1910. No The Equinox I(3), no The Temple of Solomon the King, temos uma versão mais completa, que prossegue assim (os refrões foram repetidos por completo): ]

 

A Subida à Daath

Vinde a Mim, vós, Senhores Divinos das Forças da Inteligência: Cuja Morada é no Lugar do Encontro das Águas.
Vinde a Mim, vós, em quem os Segredos da Verdade têm a sua Morada.
Vinde a mim, ó Tzaphqial, Aralim, Qashial, pela branca Estrela Tríplice, e em nome de IHVH ELOHIM.
Fazei com que os Caminhos da Ira sejam abertos para mim; para que eu possa avançar sobre a Árvore da Vida até ao Lugar do Rio.
Eu estou sobre o Quadrante Norte do Universo de Matéria, e em torno de mim brilha a Chama Avermelhada da Terra.
Diante de mim está o Portal do Caminho do Espírito da Chama Primal: Dali brilha a Glória Vermelha para o Mundo de Assiah.
Levantai as vossas Cabeças, ó Portões!
E erguei-vos, vós Portas Eternas!
E o Rei da Glória entrará.
Eu saí dos Portões da Matéria:
Eu avanço sobre o Caminho da Chama Primal:
E ao meu redor a Glória do Fogo é estabelecida.
Imenso diante de mim, ao longe, avultua-se o Portal da Glória. Eu vim aos Portões da Glória de Deus:
Eu grito para eles em Nome de Elohim Tzebaoth.
Levantai as vossas Cabeças, ó Portões!
E erguei-vos, vós Portas Eternas!
E o Rei da Glória entrará.
Atrás de mim está o Portal do Fogo Primal:
Atrás de mim está o Caminho Dourado do Sol:
À minha direita está a Luz Vermelha de Marte:
E diante de mim está o Portal das Águas do Mar Primal.
No Vasto nome de AL, o que Tudo Persevera
Deixa-me passar pelo portão das Águas do Mar Primal.
Levantai as vossas Cabeças, ó Portões!
E erguei-vos, vós Portas Eternas!
E o Rei da Glória entrará.
Eu saí dos Portões da Glória;
Ao meu redor estão quebrando as águas do Mar Primal: Meu caminho é nas Águas Profundas,
E os meus passos estão no Desconhecido.
Grandioso diante de mim está o Portal de Geburah:
Atrás dele está brilhando o Fogo da Ira de Deus: Eu grito para Ti em nome de Elohim Gibor: Abra para mim, Portal do Poderoso Deus!
Levantai as vossas Cabeças, ó Portões!
E erguei-vos, vós Portas Eternas!
E o Rei da Glória entrará.
Eu saí do Caminho das Águas:
Eu estou no Mundo do Poder de Deus:
Eu viro meu rosto para a Direita, e o Portão do Leão está em minha frente —
Portão do Caminho do Leão, no Signo do Leão tu abres diante de mim.
Levantai as vossas Cabeças, ó Portões!
E erguei-vos, vós Portas Eternas!
E o Rei da Glória entrará.
Eu avanço sobre o Caminho do Líder do Leão,
Pelo Poder da Filha da Espada Flamejante. Ao meu redor os Leões estão rugindo por sua presa;
Mas eu sou Sekhet, de Olhos Flamejantes.
Meu rosto está virado para a esquerda,
E a Sacerdotisa da Estrela de Prata é meu guia.
Agora eu saí sobre o Caminho do Leão,
E o meu pensamento no Lugar do encontro das Águas. Eu sou o Estabelecido em Daäth!
Em mim está o Conhecimento do Bem e do Mal!
Em mim está o Conhecimento da Luz Suprema!
E meu rosto está voltado para baixo, à Malkuth.

Assim como todos os demais métodos, estes da Viagem na Visão do Espírito e da Ascenção nos Planos só devem ser julgados por seu sucesso. É impossível estabelecer uma tarefa única para cada indivíduo; um pode se adequar a uma, outro a outra; no entanto deve ser salientado aqui que, apesar destes dois métodos, ou melhor, duas fases de um método, serem na maioria dos casos frutíferos em resultado, geralmente só são um passo pequeno para a frente, e muito raramente a iluminação suprema segue. No entanto, como aperitivos eles são excelentes, o aluno obtendo pelo menos aquela fome pelo Além, aquele apetite pelo Inalcançável, que irá conduzi-lo através de muitos humores sombrios, de muitos sussurros sobre a impossibilidade de sua tarefa. Mesmo assim é quase certo que eles podem realizar mais do que isso: para uns poucos destrancaram o Portal, para muitos a Poterna; mas em todos os casos é melhor que o estudante fique sob a orientação de alguém que realmente viajou, e não confiar em suas próprias intuições em uma terra desconhecida, pois, se ele fizer isso, é quase certo que ele será desviado, e que a Obsessão poderá tomar o lugar da Iluminação, e o fracasso o do sucesso.
Entre os graus de 4°=7° e 5°=6°, sete meses devem se passar, e durante este tempo encontramos P. ocupado viajando pelas ilhas britânicas em busca de uma casa adequada para executar a Operação de Abramelin o Mago, que desde o outono anterior, havia prendido a sua atenção o tempo todo. No mês de maio, ele encontrou D.D.C.F. 7°=4°, chefe oficial da Ordem da Golden Dawn. Mas ele ainda estava determinado a realizar a Operação de Abramelin, e viajou por todo o país empenhado em descobrir uma habitação adequada para o Retiro necessário. Então aconteceu que em outubro daquele ano o encontramos estabelecido em um distrito remoto e desolado, um caos tombado de lago e montanha, em uma antiga casa de campo, tomando todas as providências necessárias para esta grande operação na Magia Cerimonial.

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

PROFESSOR "ODAIR AHMED ABU JAMRA" ENTREVISTA O PADRE QUEVEDO

Segue abaixo os link's da entrevista com o Padre Quevedo que já se encontra publicado no youtube:
"O Professor Odair Ahmed Abu Jamra entrevista o Padre Quevedo, desmistificando assuntos religiosos, teosóficos e esotéricos.  Simplesmente fantástica a riqueza e o conteúdo desta entrevista".


PROFESSOR "ODAIR AHMED ABU JAMRA"
Entrevista com Padre Quevedo Parte 1:



PROFESSOR "ODAIR AHMED ABU JAMRA"
Entrevista com Padre Quevedo Parte 2:


PROFESSOR "ODAIR AHMED ABU JAMRA"
Entrevista com Padre Quevedo Parte 3:


PROFESSOR "ODAIR AHMED ABU JAMRA"
Entrevista com Padre Quevedo Parte 4:

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Carta 17: Jornada Astral: Exemplo, Como Fazê-la, Como Verificar Sua Experiência

Cara Soror,

Faze o que tu queres há de ser tudo da Lei.

Não há melhor maneira de treinar a memória do que a prática da Santa Cabala.

Partindo do princípio que se você repetir o suficiente, até mesmo um papagaio pode aprender a falar. Ele trabalhou com o Sr. Regardie. – Motta.

Todo o mecanismo de memória depende de juntar-se dados independentes. Você deve ir adicionando um a um, pouco a pouco, sempre juntando as impressões simples, remetendo-os para as outras que são mais gerais; e assim sucessivamente, até a totalidade do seu universo é organizado como o cérebro e o sistema nervoso. Este sistema, de fato, torna-se o Universo. Quando você tem tudo corretamente correlacionado, a sua consciência central compreende e controla todos os mínimos detalhes. Mas você deve começar do início – você sai para uma caminhada, e a primeira coisa que você vê é um carro, que representa o Atu VII, a Carruagem, que se refere a Câncer.

Então você vem a uma peixaria, e percebe certos crustáceos, muito mala chostomous. Isto vem sob o mesmo signo de Câncer. A próxima coisa que você nota é um vestido de cor de âmbar no Swan e Edgar;...

Uma loja de moda feminina muito popular, ate este momento, em Londres. Escrever “mala costomous”, como ele fez foi um erro de ortografia do secretário ou, mais provavelmente, um trocadilho com “mal-acostumados”. Mas, um caranguejo que sabe que está indo para a panela tem todo o direito de ser ranzinza. – Motta.

...âmbar também é a cor de Câncer na Escala do Rei. Você agora tem então um conjunto de três impressões que são unidos pelo fato de que todos eles pertencem à classe de Câncer; a experiência ensina que em breve você pode se lembrar de todos os três muito mais clara e precisamente do que você poderia de qualquer um dos três isoladamente.

[Infelizmente os sábios professores – refiro-me aos professores e professoras da educação ordinária – ainda não tiveram acesso a este método de ensino. Salvo alguns treinadores de cursos rápidos de memorização. Mas valeria a pena aplicar tal método ensinado, aqui, por Crowley, pelos Metodologistas e Didáticos de merda que abundam nossas instituições de ensino latrinais. Friedrich Nietzsche também seria excelente pedida como profundo educador!]

Você não tem aumentado a carga de sua memória, mas diminuindo-a.

O que você diz sobre tensão e ansiedade e pressa é muito verdadeiro. Veja o Livro da Lei, Capítulo I, 44.
“Pois vontade pura, desembaraçada de proposito, livre da ânsia de resultado, é toda via perfeita.”

[Isso me lembra dum ditado Nigeriano que diz: “O caramujo não tem pés, o caramujo não tem mãos, mas vagarosamente chega ao topo da palmeira”...]

Isso, do ponto de vista prático, é um dos versos mais importantes do Livro.

A incomum palavra “desembaraçada” é muito interessante. As pessoas geralmente supõem que a “vontade” é escrava do propósito, que você não pode querer uma coisa corretamente a menos que você esteja visando um objetivo definido. Mas este não é o caso. Pensar no objetivo, na verdade, serve apenas para distrair a mente. Nestas poucas palavras está incluído todo o método sem a bombástica piedade da doutrina servil do misticismo sobre a rendição da vontade. Nem é essa ideia de se render realmente correta, a vontade deve ser identificada com a assim chamada Vontade Divina. Um quer se tornar como um poderoso rio que flui, que não esta conscientemente visando o mar, e isto certamente não é ceder a qualquer influência externa. É agir em conformidade com a lei da sua própria natureza, com o Tao...

O Dao pode sempre ser definido como a Lei da Natureza de Qualquer Coisa que seja. – Motta.

...pode-se descrevê-lo, se necessário, como “amor passivo”;...

Cf. Liber VII, V, 46 para este importante ponto. – Motta.

...mas isto é amor (em efeito) elevado ao seu mais alto potencial. Nós voltamos à mesma coisa: quando a paixão é purgada de qualquer “ânsia de resultado” é irresistível, tornou-se “Lei”. Eu nunca consigo entender porque é que os místicos não veem que sua doutrina bajuladora de entrega realmente insiste na dualidade que eles se propuseram a abolir!

Este parágrafo, que é de vital importância para Aspirantes à A∴A∴, foi expurgada pelo Sr. Regardie em sua “edição”. – Motta.
Eu certamente não tenho nenhuma intenção de “puxar você para baixo” para “um caminho estreito de trabalho” ou qualquer outro caminho...

Essa referência deve ser explicada. Ela não o acusou de puxá-la para baixo para um estreito caminho de trabalho, ela pediu a ele para fazê-lo. Sua recusa é típica no Nosso Método, e ele começou a explicar a Ela porquê Nos trabalhamos assim.

[Ela queria que ele, Crowley, limitasse o campo de ação dela, restringindo sua área de ação para focar-se em algo mais estreito, e assim, menos passível de erros – amadurecimento também vem com os erros – e, muito provavelmente, excusando ela assim de qualquer responsabilidade por seu próprio fracasso. Crowley percebeu isso de inicio. Isso acontece mesmo que inconscientemente, porque sempre queremos exigir garantias de coisas que somente nosso esforço pode nos dar resultados. Eu ja fui assim!]

...Tudo o que posso fazer é ajudá-la a entender claramente as leis de sua própria natureza, de modo que você possa ir em frente, sem influência externa. Isso não significa que um plano em que eu encontrei o sucesso no meu caso vai ser de alguma utilidade para você. Esse é outro erro capital da maior parte dos professores. É preciso ser um Mestre do Templo para aniquilar o ego. A maioria dos professores, consciente ou inconscientemente, tenta levar os outros a seguir seus passos. Eu poderia muito bem vestir você com a minha roupa velha! (Nos passos do Mestre. Aos pés do Mestre. Mordomo!)

As duas citações são títulos de folhetos Tolosofistas sob a “orientação” de Besant e Leadbeater. É extremamente informativo que Regardie deveria ter extirpado este parágrafo. – Motta.

[Acho que o nome do lixo é “aos pés do mestre”. Leia quem tiver vísceras Marciais!]

Favor observar que quanto mais você desencanar, quanto maior seu potencial, maior é a tendência de fuga, ou mesmo para quebrar o vaso contendo...

O caminho não se torna “mais fácil” conforme você segue. Ele se torna mais duro, mais perigoso, e os perigos mais sutis. Não há nenhum ponto em que você chega aquela “perfeição”, que é o objetivo dos preguiçosos e ignorantes, onde você é “incapaz de errar”. Até mesmo o Mestre do Templo ou o Magus pode cometer erros. Se o Ipsissimus é isento dessa fragilidade – o que não sabemos – é porque o Ipsissimus não “age” como tal. Sempre que a ação relativa é possível, o erro é possível. Nossa responsabilidade é muito maior do que a sua, e nossa carga todas as vezes refletem Nossa responsabilidade. Quem inveja o verdadeiro Mestre quer trabalhar duro que não gosta ou é dedicado a isso... – Motta.

...Eu posso te ajudar, avisando-o contra a criação de obstáculos, reais ou imaginários, em seu próprio caminho; que é o que a maioria das pessoas fazem. É quase ridículo pensar que a Grande Obra consiste meramente em “deixa-la rasgar”; mas o Karma com você de um lado do tobogã para o outro, até que você venha direto. (Há um capítulo ou dois no Livro das Mentiras sobre isso, mas eu não tenho uma cópia. Eu preciso encontrar uma, e colocá-los aqui dentro Sim: p. 22)

Isto se refere a edição original. – Motta.
“Oh, tu, que partes sobre O Caminho, falso é o Fantasma que tu buscas.
Quando tu o tiveres, tu conhecerás toda a amargura, teus dentes cravados na Maçã-Sodoma.
Assim tu tens sido atraído ao longo d’O Caminho, cujo terror, porém, compeliu-te longe.
Oh tu, que progrides sobre o meio d’O Caminho, nenhum fantasma zombará de ti. Pelo amor ao progresso, tu progrides.
Assim tu és atraído ao longo d’O Caminho, cuja fascinação, porém, compeliu-te longe.
Oh, tu, que corres rumo ao Fim do Caminho, esforço não existe mais.
Mais e mais rápido, tu cais; tua fadiga é transformada no Descanso Inefável.
Pois não há Tu sobre este Caminho: tu te transformaste n’O Caminho.”
[O Livro das Mentiras, Cap. 13, Papo de Peregrino. Tradução obtida do Site Hadnu.org]

Sim, mas isso faz parte da propaganda do Hierofante. O “Caminho” é descrito no “The Wayfarer” de Crane... Não é de admirar o sorriso do Hierofante ser tão enigmático! – Motta.

Tal como no Yi King, o terceiro hexagrama afastou-se da perfeição original, e isto leva todos os outros hexagramas a acertar as coisas novamente.

O resultado, isto é verdade, é superior; a perfeição do original foi ampliada e enriquecida pela sua experiência.

Claro, pode-se perguntar como a perfeição pode ser melhorada. Mas esses pensamentos são Neschmanicos, e contem suas próprias contradições. A maioria dos seres humanos vale seu sal – leia Binah! – não suporto a comodidade pessoal mais tempo do que a pessoa leva para recuperar-se de vicissitudes passadas. Férias prolongadas logo cansam; a aposentadoria em vida soletra a morte, ou a deterioração das faculdades. Se você não acredita em nós, visite a Flórida ou a Riviera! – Motta.

Não há outra maneira de definir a Grande Obra. Isso explica-nos todo o objeto da manifestação, partindo da perfeição do “nada” em direção à perfeição do “tudo”, e podemos considerar tal vantagem, que é quase impossível de dar errada. Toda experiência, seja qual for sua natureza, é apenas uma outra necessária colisão.

Naturalmente não se pode perceber isso até se tornar um Mestre do Templo; consequentemente este é perpetuamente mergulhado no sofrimento e desespero. Não existe, veja você, um bom trato mais do que meramente aprender com alguns erros nossos. Nunca se pode ter certeza do que é certo e do que é errado, até que se aprecie que o “errado” é igualmente “certo”. Agora, então, se livre da ideia de “esforço” que está associado a “ânsia de resultado”. 

Tudo o que se faz é para o agradável e saudável exercício das energias.

Isto não ira considerar o “homem” como a “causa final” da manifestação. Por favor, não me cite contra mim.
“O homem é tão infinitamente pequeno,
De todas as estrelas, determinado.
Criador e mestre de todas,
O homem é infinitamente grande.”
O aparelho humano é o melhor instrumento de que estamos, neste momento, conscientes em nossa consciência normal; mas quando você vai experimentar a Conversação com as inteligências superiores, você vai entender como são imperfeitos as suas faculdades. É verdade que você pode projetar essas inteligências como partes de si mesma, ou você pode supor que certos veículos humano podem ser temporariamente utilizados por eles para diversos fins, mas essas especulações tendem a ficar ociosas. O importante é fazer contato com seres humanos, independentemente da sua natureza, que são superiores a si mesma, não meramente em grau, mas de qualquer tipo. Ou seja, não apenas diferentes como um Great Dane difere de um Chihuahua, mas como um búfalo difere de qualquer um.

Claro que você tem toda razão sobre os sentidos...

Esta é uma referencia direta para uma objeção nesta carta. – Motta.

...Embora eu não concorde limitar o significado dos cinco que são comuns à maioria das pessoas. Não devem, pode-se suspeitar, serem formas de se apreender diretamente fenômenos como o magnetismo, a resistência elétrica, afinidade química e afins. Deixe-me dirigi-la mais uma vez para o “Livro da Lei”, no Capítulo II, vs 70-72:

“Existe auxílio & esperança em outros encantamentos. Sabedoria diz: sê forte! Então tu podes suportar mais alegria. Não sejas animal: refina tua raptura! Se tu bebes, bebe pelas oito e noventa regras da arte: se tu amas, excede em delicadeza; e se tu fazes o que quer que seja de alegre, que haja sutileza ali contida!

Mas excede! excede!

Esforça-te sempre por mais! e se tu és verdadeiramente meu – e não o duvides, e se tu és sempre alegre! -  a morte é a coroa de tudo.”
A idéia mística deliberadamente soporífera e estultificante de si mesmo como uma “abominação ao Senhor”. Isto, por sinal, não entra em conflito com as regras da Yoga. Esse tipo de repressão é comparável às restrições estabelecidas no treinamento atlético, ou dieta na doença.

Agora vamos voltar para a Cabala – como fazer uso dela.

No trabalho Astral, ele quer dizer. – Motta.

Vamos supor que você veio fazer uma invocação, ou nos deveríamos chamar isto de investigação, e suponho que você quer interpretar uma passagem de Bach. Para o desempenho esta é a principal arma de sua cerimônia. No curso de sua operação, você assume o seu corpo astral e ascende muito acima da atmosfera terrestre, enquanto a música continua suavemente ao fundo. Você abre os olhos e acha que é noite. Nuvens negras estão no horizonte; mas no zênite ha uma coroa de constelações. Esta luz ajuda, especialmente para que seus olhos se acostumem à penumbra, para recolher [observar] ao seu redor. É uma paisagem desolada e estéril. Montanhas terríveis na borda do mundo. No meio surge um conjunto de rochedos negro-azulado.

Agora aparece a partir de seus recessos um gigantesco ser. Sua força, especialmente nas mãos e nos seus lombos, é terrificante. Ele sugere uma combinação de leão, cabra da montanha e serpente; e você salta imediatamente para a ideia de que este é um dos raros seres que os Gregos chamavam de Quimera. Tão formidável é a sua aparência que você considera mais prudente assumir uma forma apropriada de deus. Mas quem é esse deus apropriado? Você talvez possa considerar isso melhor, tendo em vista a sua completa ignorância a respeito de quem ele é e onde está, assumir a forma do deus Harpócrates, como sendo uma boa defesa em qualquer caso; mas é claro que isso não vai te levar muito longe...

Porque é demasiado geral para o trabalho especializado, e também porque, enquanto você assumir esta forma você deve manter Silêncio, e portanto, não pode comungar com a visão. A forma de Harpócrates é boa somente para a defesa ou a retirada, a menos que você seja um iniciado muito alto. – Motta.

...Se você for suficientemente curioso e corajoso, você irá trazer a sua mente rapidamente sobre este ponto. Este é o lugar onde a sua prática diária da Cabala virá a ser útil. Você corre através de sua mente os sete planetas sagrados.

[Fica claro o porquê de se aprender ao menos as principais Tabelas de “Liber 777”]

O primeiro deles parece muito consonante com o que você tem visto até agora. Tudo serve muito bem para Saturno. Para estar no lado seguro, você atravessa [avalia] os outros, mas este é um caso muito óbvio – Saturno é o único planeta que concorda com tudo. A única outra possibilidade será a Lua; mas não há nenhum traço notável de qualquer uma de suas características mais amáveis. Você irá portanto compor na sua mente que é uma forma do deus Saturno que você precisa. Afortunadamente de fato por que você tem praticado diariamente a assunção de tais formas!...

[Novamente, “Liber O” deixa claro que tais experimentos exigem outros treinos prévios...]

Ele gosta de golpear baixo, não é mesmo...? – Motta.

Com muita firmeza, muito estavelmente, muito lentamente, com muita calma, você transforma a sua aparência astral normal na de Sebek. A Quimera reconhecendo a sua autoridade divina, torna-se menos formidável e ameaçadora na aparência. Ela pode, de alguma forma, indicar a sua disponibilidade para atendê-la. Muito bom, até agora; mas é claro que isto é o primeiro e essencial para se ter certeza de sua integridade. Concordamos que você começa perguntando seu nome. Isto é vital; porque se ela disser a verdade, dá-lhe-ar poder sobre ela. Mas se, por outro lado, ela lhe disser uma mentira, ela abandona-a para o bem e toda a sua fortaleza. Ela se torna um pouco como um submarino cuja base foi destruída. Ela pode fazer-lhe muito mal, entretanto, é claro, assim que olhar para fora!

Isto, aliás, aplica-se aos assim chamados Probacionistas que chegam até nós sob falsos pretextos e tentam mentir no seu caminho na Ordem... – Motta.

Pois bem, ela diz que seu nome é Ottillia...

Que significa que “ele” é uma garota ou, possivelmente, uma bicha. – Motta.

Vamos tentar soletrá-lo em Grego ou Hebraico. Ao som do nome e, talvez em certa medida, pela sua aparência uma pessoa gorda para a anterior; mas depois de tudo a Cabala Grega é tão insatisfatória...

Ate o momento. Nos estamos trabalhando em um Dicionário da Cabala Grega, tendo a obra de Crowley como base dele. – Motta.

Damos a Hebraica a primeira oportunidade – nós começamos com עטיליאה. Vamos tentar estes caracteres para um começo. Somam 135. Eu ouso dizer que você não se lembra o que o Sepher Sephiroth fala sobre o número, mas como a sorte vai ter consigo, não há necessidade de averiguar, pois 135 = 3 x 45. Três é o número, é o primeiro número de Saturno, e 45 último. (A soma dos números no quadrado mágico de Saturno é 45.) Que corresponde perfeitamente com tudo o que tenho até agora, mas então é claro que você deva saber se ele é “um dos Jin em que eu deva acreditar.”...

Uma referência à magia Árabe, e à “As Mil e Uma Noites”. Um que “acredita no Jin” é aquele que aceita o Islã, e será, em teoria, um ser mais simpático com um palestino que o Sr. Menachem Begin. – Motta.

...Resumidamente, ele é um amigo ou um inimigo? Você em conformidade diz para ele: “A palavra da Lei é Θελημα”. Acontece que ele não entende Grego totalmente, então certamente você estava certa ao escolher Hebraico...

Esta quimera, embora nascida na Grécia, obviamente, foram submetidos ao bar mitzvah, coitada. Mas espere, não é uma garota? Ó bem, não deviam ser muito exigentes quanto a modelos de regras nestes dias. – Motta.

...Você coloca para ele, “Qual é a palavra da Lei?” e ele responde sombriamente. “A palavra da Lei é Thora”. Isso não significa nada para você, qualquer um pode saber tanto como isso, Thora sendo a palavra comum para a Lei sagrada de Israel, e em conformidade pedir-lhe para soletrá-lo para ter certeza de ter ouvido bem, e ele lhe dá as letras, talvez falando delas, talvez, mostrando-lhe: טרע. Você pode adicionar estas e obtém 279. Este novamente é divisível pelo Saturniano 3, e o resultado é 93, em outras palavras, ele tem sido precisamente correto. No plano de Saturno pode-se multiplicar por três e por isso deu-lhe a palavra correta “Θελημα” em uma forma estranha para você...

De sua forma leve, Crowley tem dado aqui dicas importantes para os Cabalistas Judeus. Duvidamos que o Sr. Regardie entendeu o recado, mas ate então, o Sr. Regardie não era um Cabalista. – Motta.

...Homem agora você se considera satisfeito com a sua boa fé, e pode prosseguir para inspeciona-lo mais de perto. As estrelas acima de sua cabeça sugerem a influência de Binah, cujo número também é três, enquanto a coisa mais impressionante sobre ele é a essência do seu ser: a letra Yod. (Não se conta terminação “AH”: sendo um sufixo divino que representa a luz mais profunda e a luz externa) Este Yod, essa centelha de brilho intenso, é de ouro esverdeado que se vê (no mundo) na folha de ouro fino do Tibete. Ela brilha com intensidade cada vez maior à medida que você se concentra em observá-la, o que você não podia fazer enquanto estava preocupada em investigar as suas credenciais.

A confiança sendo assim estabelecida, você pergunta por que ele apareceu para você neste momento e neste lugar, e a resposta a esta pergunta é, evidentemente, sua ideia original, isto é, ele está apresentando-se a você em outros termos da “montanhosa Fuga”, que o invocou...

Ele quer dizer a obra de Bach que ela supostamente iniciou com a invocação, ou investigação. – Motta.

...Você ouvi-lo com atenção, faz perguntas, como bem vos parece, e registra o processo.

O exemplo acima é, obviamente, pura imaginação, e representa um caso muito favorável. Você só é muito suscetível, e isso não apenas no início, de encontrar a todos os tipos de dificuldades e perigos.

Amor é a lei, amor sob vontade.

Fraternalmente,

666

Tao Te Ching

Um dos antigos escritos chineses mais conhecidos e importantes. A tradição diz que o livro foi escrito em cerca de 600 a.C. por um sábio que viveu na Dinastia Zhou chamado Lao Tsé ("Velho Mestre"), como um livro de provérbios relacionados com o Tao, e que acabou servindo como obra inspiradora para diversas religiões e filosofias, em especial o Taoísmo e o Budismo Chan (e sua versão japonesa o Zen).

 

Capítulo 1


O caminho que pode ser expresso não é o Caminho constante
O nome que pode ser enunciado não é o Nome constante
Sem-Nome é o princípio do céu e da terra
Com-Nome é a mãe de dez mil coisas
Assim, a constante não-aspiraçãoé contemplar as Maravilhas

E a constante aspiraçãoé contemplar o Orifício
Ambos são distintos em seus nomes mas têm a mesma origem
O comum entre os dois se chama Mistério
O Mistério dos Mistérios é o Portal para todas as Maravilhas

 

Capítulo 2


Quando os seres sob o céu reconhecem o belo como belo
Então isso já se tornou um mal
E reconhecendo o bem como bem
Então já não seria um bem
A existência e a inexistência geram-se uma pela outra
O difícil e o fácil completam-se um ao outro
O longo e o curto estabelecem-se um pelo outro
O alto e o baixo inclinam-se um pelo outro
O som e a tonalidade são juntos um com o outro
O antes e o depois seguem-se um ao outro
Portanto
O Homem Sagrado realiza a obra pela não-ação
E pratica o ensinamento através da não-palavra
Os dez mil seres fazem, mas não para se realizar
Iniciam a realização mas não a possuem
Concluem a obra sem se apegar
E justamente por realizarem sem apego
Não passam

 

Capítulo 3


Não valorizando os tesouros, mantém-se o povo alheio à disputa
Não enobrecendo a matéria de difícil aquisição, mantém-se o povo alheio à cobiça
Não admirando o que é desejável, mantém-se o coração alheio à desordem
O Homem Sagrado governa
Esvazia seu coração
Enche seu ventre
Enfraquece suas vontades
Robustece seus ossos
Mantém permanentemente o povo sem conhecimentos e desejos
Faz com que os de conhecimento não se encorajem e não ajam
Sendo assim
Nada fica sem governo

 

Capítulo 4


O Caminho é o Vazio
E seu uso jamais o esgota
É imensuravelmente profundo e amplo, como a raiz dos dez mil seres
Cegando o corte
Desatando o nó
Harmonizando-se à luz
Igualando-se à poeira
Límpido como a existência eterna
Não sei de quem sou filho
Venho de antes do Rei Celeste

 

Capítulo 5


O céu e a terra não são bondosos
Tratam os dez mil seres como cães de palha
O Homem Sagrado não é bondoso
Trata os homens como cães de palha
O espaço entre o céu e a terra assemelha-se a um fole
É um vazio que não distorce
Seu movimento é a contínua criação
O excesso de conhecimento conduz ao esgotamento
E não é melhor do que manter-se no centro

 

Capítulo 6


O Espírito do Vale nunca morre
Isso se chama Orifício Misterioso
A porta do Orifício Misterioso é a raiz do céu e da terra
Seja suave e constante
Usufruindo sem se apressar

 

Capítulo 7


O céu é constante, a terra é duradoura
O que permite a constância e a duração do céu e da terra
É o não criar para si
Por isso são constantes e duradouros
Assim
O Homem Sagrado deixa seu corpo para trás e o Corpo avança
Além do corpo, o Corpo permanece
Através do não-corpo, conclui o Corpo

 

Capítulo 8


A bondade sublime é como a água
A água, na sua bondade, beneficia os dez mil seres sem preferência
Permanece nos lugares desprezados pelos outros
Por isso assemelha-se ao Caminho
Viva com bondade na terra
Pense com bondade, como um lago
Conviva com bondade, como irmãos
Fale com a bondade de quem tem palavra
Governe com a bondade de quem tem ordem
Realize com a bondade de quem é capaz
Aja com bondade todo o tempo
Não dispute, assim não haverá rivalidade

 

Capítulo 9


O que é mantido cheio não permanece até o fim
O que é intencionalmente polido não é um tesouro eterno
Uma sala cheia de ouro e jade é difícil de ser guardada
Riqueza e nobreza somadas à arrogância
Trazem para si a própria culpa
Concluir o nome, terminar a obra, retirar o corpo
Este é o Caminho do Céu

 

Capítulo 10


Quem conduz a realização do corpo por abraçar a unidade
Pode tornar-se indivisível
Quem respira com pureza por alcançar a suavidade
Pode tornar-se criança
Quem purifica através do conhecimento do mistério
Pode tornar-se imaculado
Ame o povo e governe o reino através do não-conhecimento
Ilumine e clareie os quatro cantos através da não-ação
Abra e feche a porta do céu através da ação feminina
O que gera e cria
Gera mas sem se apossar
Age sem querer para si
Cultiva mas sem dominar
Chama-se Misteriosa Virtude

 

Capítulo 11


Trinta raios convergem ao vazio do centro da roda
Através dessa não-existência
Existe a utilidade do veículo
A argila é trabalhada na forma de vasos
Através da não-existência
Existe a utilidade do objeto
Portas e janelas são abertas na construção da casa
Através da não-existência
Existe a utilidade da casa
Assim, da existência vem o valor
E da não-existência, a utilidade

 

Capítulo 12


As cinco cores tornam os olhos do homem cegos
As cinco notas tornam os ouvidos do homem surdos
Os cinco sabores tornam a boca do homem insensível
Carreiras de caça no campo tornam o coração do homem enlouquecido
Os bens de difícil obtenção tornam a caminhada do homem prejudicada
Por isso, o Homem Sagrado se realiza pelo ventre e não pelo olho
Assim, afasta este e escolhe aquele

 

Capítulo 13


O prestígio e a humilhação geram susto
A nobreza e a grande preocupação situam-se no corpo
O que são prestígio e humilhação?
Prestígio é inferior
Ao obtê-lo ficamos assustados
Ao perdê-lo ficamos assustados
Isto é o que quer dizer “o prestígio e a humilhação geram susto”
O que quer dizer “a nobreza e a grande preocupação situam-se no corpo” ?
A razão de eu ter esta “grande preocupação” é ter um corpo
Se não tivesse um corpo
Com que teria que me preocupar?
Por isso
Nobre é aquele que entrega o corpo ao mundo
A este o mundo pode se entregar
Quem ama faz do mundo o seu corpo
Neste o mundo pode confiar

 

Capítulo 14


Aquilo que se olha e não se vê, chama-se invisível
Aquilo que se escuta e não se ouve, chama-se inaudível
Aquilo que se abraça e não se possui, chama-se impalpável
Estes três não podem ser revelados
Por isso se fundem e se tornam um
Enquanto superior não é luminoso
Enquanto inferior não é vago
O Constante que não pode ser nomeado
É o retorno à não-existência
É a expressão da não-expressão
É a imagem da não-existência
A isso se chama indeterminado
Encarando-o, não se vê sua face
Seguindo-o, não se vê suas costas
Quem mantém o Caminho Ancestral
Poderá governar a existência presente
Quem conhece o Princípio Ancestral
Encontrará a ordem do Caminho

 

Capítulo 15


Os bons realizadores da antiguidade eram sutis
Maravilhosos, misteriosos e despertados
Eram profundos e não podiam ser compreendidos
E justamente por não poderem ser compreendidos
É preciso esforçar-se para ilustrá-los
Receosos como quem atravessa um rio no inverno
Cautelosos como quem teme seus vizinhos
Reservados como o hóspede
Solúveis como o gelo fundente
Genuínos como a madeira bruta
Vazios como os vales
Entorpecidos como as águas turvas
O turvo, através da quietude, torna-se gradualmente límpido
O quieto, através do movimento, torna-se gradualmente criativo
Aquele que resguarda este Caminho não tem desejo de se enaltecer
E justamente por não se enaltecer, mesmo envelhecido, pode voltar a criar

 

Capítulo 16


Alcançando o extremo vazio e permanecendo na quietude da extrema quietude
Os dez mil seres se manifestam simultaneamente
E, através disso, contemplamos o seu retorno
Apesar da diversidade dos seres
Cada um deles pode retornar a sua raiz
O regresso à raiz se chama quietude
Quietude se chama retornar a viver
Retornar a viver se chama constância
Conhecer a constância se chama iluminação
Desconhecer a constância é a impropriedade que provoca o infortúnio
Quem conhece a constância é abrangente
Quem é abrangente pode ser coletivo
O coletivo tem o poder da criação
A criação tem o poder do céu
O céu tem o poder do Caminho
O Caminho tem o poder do eterno
Assim,
Mesmo perdendo o corpo, não irá perecer

 

Capítulo 17


Do supremo, o inferior tem apenas ciência da existência
Do estado que o sucede, intimidade ou admiração
Do estado seguinte, temor ou desprezo
Não havendo suficiente confiança, surge a desconfiança
Quem valoriza a palavra, realiza a obra sem deixar rastros
Assim, o povo achará que surgiu por si, naturalmente

 

Capítulo 18


Quando se perde o Grande Caminho
Surgem a bondade e a justiça
Quando aparece a inteligência
Surge a grande hipocrisia
Quando os seis parentes não estão em paz
Surgem o amor filial e o amor paternal
Quando há desordem e confusão no reino
Surge o patriota

 

Capítulo 19


Anule o sagrado e abandone a inteligência
E o povo cem vezes se beneficiará
Anule a bondade e abandone a justiça
E o povo retornará ao amor filial e ao amor paternal
Anule a engenhosidade e abandone o interesse
E não haverá mais ladrões nem roubos
Se estas três frases ditas não são o suficiente
Então faça existir aquilo em que se possa confiar
Encontrando e abraçando a simplicidade
Reduzindo o egoísmo e diminuindo os desejos

 

Capítulo 20


No ensinamento pela supressão não há preocupações
Entre aceitar e repudiar qual a diferença?
Entre apreciar e desprezar qual a distância?
O que os homens temem, poderiam não temer?
Abandone isso antes que se esgote!
Os homens se agitam como um festejo na grande prisão
Ou como subir à varanda na primavera
Meu corpo não tem expressão
Como uma criança antes de nascer
Como a estrela Kuei que não tem onde se apoiar
As pessoas todas possuem em excesso
Somente eu aparento estar perdendo
Sou como um ignorante que tem o coração puro
Os medíocres vivem lúcidos
Somente eu aparento estar confuso
Os medíocres vivem lúcidos
Somente eu estou introspectivo
Indefinido como uma infinita noite silenciosa
As pessoas todas têm um ego
Somente eu o ignoro considerando-o precário
O que quero que me distinga dos demais
É valorizar o alimentar-se da Mãe

 

Capítulo 21


A abrangência da virtude do orifício é seguir apenas o Caminho
O Caminho, enquanto existência é indistinguível e indescritível
Dentro do indistinguível e indescritível há uma existência
Dentro do indistinguível e indescritível há uma imagem
E dentro dessa profunda obscuridade há uma essência
Essa essência é absolutamente autêntica
E dentro dela há uma prova
Desde a antiguidade até hoje o seu nome nunca foi esquecido
E ele pode observar a beleza e a bondade de tudo
Como posso saber a causa da beleza e da bondade de tudo?
É através da prova

 

Capítulo 22


Curvar-se permite a plenitude
Submeter-se permite a retidão
Esvaziar-se permite o preenchimento
Romper permite a renovação
Possuir pouco permite a aquisição
Possuir muito permite a ganância
Por isso, o Homem Sagrado abraça a unidade
Tornando-a o modelo sob o céu
Não julga por si, por isso é óbvio
Não vê por si, por isso é resplandecente
Não se vangloria, por isso há realização
Não se exalta, por isso cresce
Só por não disputar, nada pode disputar com ele
Antigamente se dizia: “Curvar-se permite a plenitude”
Como poderiam ser palavras vazias?
Assim, ao alcançar a plenitude encontra-se o retorno

 

Capítulo 23


Falar pouco é o natural
Um redemoinho não dura uma manhã
Uma rajada de chuva não dura um dia
De onde provêm essas coisas?
Do céu e da terra
Se nem o céu e a terra podem produzir coisas duráveis
Quanto mais os seres humanos!
Por isso, quem segue e realiza através do Caminho adquire o Caminho
Quem se iguala à Virtude adquire a Virtude
Quem se iguala à perda, perde o Caminho
Convicção insuficiente leva à não convicção

 

Capítulo 24


Quem respira apressado não dura
Quem alarga os passos não caminha
Quem vê por si não se ilumina
Quem aprova por si não resplandece
Quem se auto-enriquece não cria a obra
Quem se exalta não cresce
Esses, para o Caminho, são como os restos de alimento de uma oferenda
Coisas desprezadas por todos
Por isso, quem possui o Caminho não atua desse modo

 

Capítulo 25


Há algo completamente entorpecido
Anterior à criação do céu e da terra
Quieto e êrmo
Independente e inalterável
Move-se em círculo e não se exaure
Pode-se considerá-lo a Mãe sob o céu
Eu não conheço seu nome
Chamo-o de Caminho
Esforçando-me por denominá-lo, chamo-o de Grande
Grande significa Ir
Ir significa Distante
Distante significa Retornar
O Caminho é grande
O céu é grande
A terra é grande
O rei é grande
Dentro do universo há quatro grandes, e o rei é um deles
O homem se orienta pela terra
A terra se orienta pelo céu
O céu se orienta pelo Caminho
O Caminho se orienta por sua própria natureza

 

Capítulo 26


A ponderação torna enraizado o leviano
A quietude torna governado o inquieto
Por isso o Homem Superior termina o dia de caminhada sem se afastar da ponderação e dos recursos
Embora existam maravilhas em perspectiva
Permanece quieto e naturalmente transcendente
Como pode um senhor de dez mil veículos utilizar seu corpo levianamente sob o céu?
Ao ser leviano, perderia a raiz
Ao ser inquieto, perderia o governo

 

Capítulo 27


A boa caminhada não deixa rastros ou pegadas
A boa palavra não deixa imperfeição para críticas
O bom cálculo não utiliza medida nem número
A boa porta não necessita de ferrolho para ser fechada
E não pode ser aberta
O bom nó não necessita de corda para ser atado
E não pode ser desatado
Assim, o Homem Sagrado
É constante e bondoso
Salva os homens e não abandona os homens
É constante e bondoso
Salva coisas e não abandona coisas
Isso se chama herdar a luz
O homem bom é mestre daquele que não é bom
O homem que não é bom é o recurso daquele que é bom
Quem não valoriza seu mestre e quem não ama seu recurso
Mesmo inteligente, permanece enormemente desorientado
A tudo isso denomina-se Maravilha Essencial

 

Capítulo 28


Conhecendo o masculino, resguardando o feminino
Sendo a ravina sob o céu
Sem se afastar da Virtude Eterna
Retornará a ser criança.
Conhecendo o branco, resguardando o negro
Sendo o modelo sob o céu
Sem se enganar com a Virtude Eterna
Retornará à Extremidade-Inexistente
Conhecendo a glória, resguardando a humildade
Sendo o vale sob o céu
Sendo o vale sob o céu, completará a Virtude Eterna
E retornará a ser madeira bruta
A madeira bruta partida transforma-se em instrumentos
E o Homem Sagrado utiliza-os através de um regente
Isto tudo é um grande corte sem incisão

 

Capítulo 29


Para quem deseja possuir o mundo e age para isso
Vejo, não o conseguirá
O mundo é um recipiente espiritual
Que não se pode manipular
Quem o manipula, destrói
Quem o retém, perde
Pois as coisas
Caminham ou acompanham
Sopram quente ou sopram frio
São rígidas ou flexíveis
Ligam-se ou rompem-se
Por isso, o Homem Sagrado
Elimina o excesso
Elimina a opulência
Elimina a complacência

 

Capítulo 30


Aquele que utiliza o Caminho para auxiliar o senhor dos homens
Não utiliza a arma e a força, sob o céu
Pois esta atividade beneficia o revide
Onde o exército se instala, surgem espinhos e ervas secas
Por isso
O homem bom é determinado, porém cauteloso
Não utiliza a força para conquistar
É determinado sem se orgulhar
É determinado sem se envaidecer
É determinado sem se glorificar
É determinado sem se tornar excessivo
Isto é, determinado, porém sem se esforçar
Coisas exuberantes dirigem-se à velhice
Isso se chama negar o Caminho
Negando o Caminho irá falecer cedo

 

Capítulo 31


As boas armas
São recipientes de desventura
Os seres as detestam
Por isso
Os que guardam o Caminho não as compartilham
O Homem Superior, na residência, honra o esquerdo
Na utilização da arma honra o direito
A arma é o recipiente da desventura
Não é o recipiente do Homem Superior
Seu uso é apenas para o inevitável
O superior é como uma chama serena
Por isso, não se maravilha
Ao maravilhar-se certamente teria prazer
Tal prazer mata o homem
Aquele que tem prazer em matar
Não pode triunfar sob o céu
Por isso
Assuntos venturosos valorizam o esquerdo
Assuntos funestos valorizam o direito
Sendo assim
O general-auxiliar encontra-se à esquerda
O general-superior encontra-se à direita
Suas palavras são tratadas como rito fúnebre
Matam muitas pessoas
Por estas, chora-se de tristeza
A guerra vencida é tratada como rito fúnebre

 

Capítulo 32


O Caminho é eterno e não tem nome
É genuíno e, embora pequeno,
O mundo não tem coragem de dominá-lo
Se reis e príncipes pudessem preservá-lo
Os dez mil seres iriam por si próprios obedecer
Quando o céu e a terra unem-se
Para escorrer o doce orvalho
O povo não pode interferir nisso, que por si é uniforme
O princípio domina a existência e o nome
Então o nome passa a existir
E irá também saber cessar
Sabendo cessar não perecerá
A relação do mundo com o Caminho
É como a dos riachos e vales
Com os rios e mares

 

Capítulo 33


Quem conhece os homens é inteligente
Quem conhece a si mesmo é iluminado
Vencer os homens é ter força
Quem vence a si mesmo é forte
Quem sabe contentar-se é rico
Agir fortemente é ter vontade
Quem não perde a sua residência, perdura
Quem morre mas não perece, eterniza-se

 

Capítulo 34


O Grande Caminho é vasto
Pode ser encontrado na esquerda e na direita
Os dez mil seres dele dependem para viver
E ele não os rechaça
Conclui a obra sem mostrar a sua existência
É o manto que cobre os dez mil seres, sem agir como senhor
Podendo ser chamado de pequeno
Os dez mil seres voltam para ele, sem que aja como senhor
Podendo ser chamado de grande
Assim o Homem Sagrado nunca age como grande
Por isso pode atingir sua grandeza

 

Capítulo 35


Conservando a Grande Imagem
O mundo passa
Passa sem danos
Com tranqüilidade, serenidade e supremacia
A música e as iguarias
Param o viajante
As palavras que nascem do Caminho
São insossas, carecem de sabor
Olhar não é suficiente para vê-lo
Escutar não é suficiente para ouví-lo
Usar não é suficiente para esgotá-lo

 

Capítulo 36


Para querer iniciar o recolhimento
É necessário consolidar a expansão
Para querer iniciar o enfraquecimento
É necessário consolidar o fortalecimento
Para querer iniciar o abandono
É necessário consolidar o amparo
Para querer iniciar a subtração
É necessário consolidar o aumento
Isto se chama breve iluminação
O suave e o fraco vencem o rígido e o forte
Os peixes não podem separar-se do lago
O reino que tem o instrumento afiado
Não pode colocá-lo à vista do homem

 

Capítulo 37


O Caminho é uma constante não-ação
Que nada deixa por realizar
Se reis e príncipes pudessem resguardá-lo
Os dez mil seres iriam se transformariam por si
Porém, se na transformação despertassem desejos
Eu iria estabilizá-los através da simplicidade do sem-nome
A simplicidade do sem-nome também se inicia no não-desejo
O não-desejo traz quietude
O céu e a terra, por si, estarão em retidão

 

Capítulo 38


A Virtude Superior não é virtude
Assim, possui a Virtude
A Virtude Inferior não perde a virtude
Assim, não possui a Virtude
A Virtude Superior é não-ação
Pois não utiliza ação
A Virtude Inferior é ação
Que faz uso da ação
A Bondade Superior é ação
Porém não utiliza a ação
A Justiça Superior é ação
Que faz uso da ação
A Suprema Polidez é ação que, se não obtém correspondência, repele usando o braço como reação
Por isso, à perda do Caminho segue-se então a Virtude
À perda da Virtude segue-se então a Bondade
À perda da Bondade segue-se então a Justiça
À perda da Justiça segue-se então a Polidez
Assim a Polidez é o empobrecimento da fidelidade e da confiança
É o princípio da confusão
Aquele de conhecimentos avançados
Como a flor do Caminho
É o princípio da estupidez
Por isso, o Grande Homem
Coloca-se no consistente e não coloca-se no rarefeito
Habita no Fruto e não habita na Flor
Por isso, afasta esta e persiste naquele

 

Capítulo 39


Esses adquiriram o Um na antiguidade:
O céu adquiriu o Um e tornou-se transparente
A terra adquiriu o Um e tornou-se tranqüila
O espírito adquiriu o Um e tornou-se desperto
Os vales adquiriram o Um e tornaram-se opulentos
Os dez mil seres adquiriram o Um e tornaram-se vivos
Os príncipes e reis adquiriram o Um e tornaram-se o eixo do mundo
Esses alcançaram a supremacia
O céu não se tornando transparente temerá rachar-se
A terra não se tornando tranqüila temerá estremecer
O espírito não se tornando desperto temerá exaurir-se
Os vales não se tornando opulentos temerão secar
Os dez mil seres não se tornando vivos temerão extinguir-se
Os príncipes e os reis não se tornando nobres temerão a derrota
Por isso
O nobre utiliza a humildade como princípio
O alto utiliza o baixo como base
Sendo assim
Os príncipes e os reis denominam-se a si mesmos de órfãos, carentes e indignos
Isto seria utilizar a humildade como princípio, não seria?
Por isso, alcançar o valor é aproximar-se do não-elogio
Não desejando o vulgar, como o jade
Sendo simples como a pedra

 

Capítulo 40


O retorno é o movimento do Caminho
A suavidade é a atuação do Caminho
Os seres sob o céu nascem da existência
E a existência nasce da não-existência

 

Capítulo 41


O homem superior ao ouvir sobre o Caminho
Esforça-se para poder realizá-lo
O homem mediano ao ouvir sobre o Caminho
Às vezes o resguarda, às vezes o perde
O homem inferior ao ouvir sobre o Caminho
Trata-o às gargalhadas
Se não fosse tratado às gargalhadas
Não seria suficiente para ser o Caminho
Por isso, as seguintes palavras sugerem:
A iluminação do Caminho é como se fosse a obscuridade
O avanço do Caminho é como se fosse o retrocesso
As planícies do Caminho são como se fossem iguais
A Virtude superior é como se fosse o comum
A grande brancura é como se fosse o sujo
A Virtude ampla é como se fosse insuficiente
Construir a Virtude é como se fosse roubar
A consistência verdadeira é como se fosse o instável
O grande quadrado não tem ângulos
O grande recipiente conclui-se tarde
O grande som carece de ruído
A grande imagem não tem forma
O Caminho é invisível e não tem nome
Assim, apenas o Caminho é bom em auxiliar e concluir

 

Capítulo 42


O Caminho gera o um
O um gera o dois
O dois gera o três
O três gera os dez mil seres
Os dez mil seres se cobrem com o obscuro e abraçam o claro
E se harmonizam através do esplêndido sopro
O que os homens detestam
São os órfãos, os carentes e os indignos
Mas é assim que os reis e príncipes se denominam
Por isso as coisas
Ao serem diminuídas, irão aumentar
Aumentadas, irão diminuir
O que os homens ensinaram eu também ensino com o mesmo sentido:
Os rígidos troncos não merecerão a sua morte
Eu irei utilizar isto como o pai do ensinamento

 

Capítulo 43


Sob o céu
O mais suave cavalga sobre o mais duro sob o céu
A não-existência pode penetrar no sem-espaço
Por isso conheço o benefício da não-ação
O ensinamento da não-palavra
O benefício da não-ação
Sob o céu, são poucos que os alcançam

 

Capítulo 44


A fama ou o corpo, o que mais se ama?
O corpo ou a riqueza, o que vale mais?
Ganhar ou perder, o que mais adoece?
Por isso o excesso de desejo causará um grande desgaste
E o excesso de acúmulos causará uma morte rica
Quem sabe se contentar não se humilha
Quem sabe se conter não irá se exaurir
Sendo assim, poderá viver longamente

 

Capítulo 45


A suprema conclusão parece incompleta
Sua utilização não danifica
A suprema abundância parece vazia
Sua utilização não esgota
A suprema retidão parece tortuosa
A suprema habilidade parece canhestra
A suprema eloqüência parece tartamudear
O movimento vence o frio
A quietude vence o calor
A transparência e a quietude atuam governando sob o céu

 

Capítulo 46


Existindo o Caminho sob o céu
Conduzem-se os cavalos para estercar
Não existindo o Caminho sob o céu
Armam-se os cavalos para viver nas fronteiras
Não há delito maior do que estimar os desejos
Não há calamidade maior em não saber se contentar
Não há erro maior do que desejar possuir
Por isso, com a suficiência de quem sabe que é suficiente
Terá sempre o suficiente

 

Capítulo 47


Sem sair da porta
Pode-se conhecer o mundo
Sem ver através da janela
Pode-se conhecer o Caminho do céu
Quanto mais longe saímos
Tanto menos conhecemos
Por isso, o Homem Sagrado
Conhece sem caminhar
Reconhece sem ver
Realiza sem agir

 

Capítulo 48


A realização através dos estudos é expandir dia após dia
A realização através do Caminho é simplificar dia após dia
Simplificando e simplificando mais
Até alcançar a não-ação
Na não-ação não há o que não possa ser feito
Apoderar-se do mundo é permanecer através da não-atividade
Ao surgir a atividade
Já não é mais suficiente para apoderar-se do mundo

 

Capítulo 49


O Homem Sagrado não tem coração
Toma o povo como seu coração
Com os bons faço o bem
Com os que não são bons faço o bem também
Adquirindo o bem
Com os sinceros sou sincero
Com os que não são sinceros sou sincero também
Adquirindo a sinceridade
O Homem Sagrado sob o céu
Age cautelosamente fundindo os corações do mundo
O povo todo com olhos e ouvidos atentos
O Homem Sagrado os trata como crianças

 

Capítulo 50


Nascer na vida, entrar na morte
Dos que pertencem ao nascimento, entre dez, há três
Dos que pertencem à morte, entre dez há três
Dos homens vivos
Os que se movem para a terra da morte, entre dez, há três
E qual é a causa?
Suas vidas são vividas em excesso
Ouvi dizer que o bom cultivador da vida
Viaja pela terra e não se confronta com rinocerontes nem tigres
E atravessa um exército sem armadura nem armas
Os rinocerontes não têm onde enfiar o chifre
Os tigres não têm onde cravar as garras
E as armas não têm onde alojar as lâminas
E qual a causa?
Nele não existe lugar para a morte

 

Capítulo 51


O Caminho gera
A Virtude cria
A matéria forma
A conclusão completa
Por isso os dez mil seres veneram o Caminho e estimam a Virtude
O Caminho é venerável, a Virtude é estimável
Pois eles não segregam e são constantemente naturais
Assim, o Caminho gera, a Virtude cria
Fazem crescer, fazem nutrir
Fazem completar, fazem concluir
Fazem o sustento e fazem a cobertura
Geram, porém não se apossam
Agem, porém não retêm
Cultivam, porém não controlam
Isto chama-se Misteriosa Virtude

 

Capítulo 52


Sob o céu há um princípio
Que age como mãe do mundo
Já que existe a mãe
Pode-se conhecer o filho
Já que se conhece o filho
Volte a preservar a mãe
Assim
O fim do corpo não conduzirá à morte
Fechando a boca
Trancando a porta
Até o fim do corpo, sem desgaste
Abrindo a boca
Favorecendo a atividade
Até o fim do corpo, sem salvação
Ver o pequeno se chama iluminação
Usar a suavidade se chama força
Use de volta sua luz para voltar a iluminar-se
Assim, não restará dano ao corpo
Isto se chama herdar o constante

 

Capítulo 53


Torne-me naturalmente firme e possuidor do saber
Percorrendo o Grande Caminho
Temendo apenas o desperdício
O Grande Caminho é bastante tranqüilo
Mas os homens gostam bastante de trilhas
Governo com excesso de degraus
Campo com excesso de erva daninha
Armazém com excesso de vazios
Vestir bordados coloridos
Carregar espada afiada
Satisfazer-se comendo e bebendo
Possuir moedas e bens em excesso
Isto chama-se roubo e auto-encantamento
Roubo e auto-encantamento negam o Caminho

 

Capítulo 54


Bem plantado, não se desarraiga
Bem abraçado, não se aparta
Assim
Filhos e netos não cessam de cultuar
Restaure seu corpo
Sua virtude será autêntica
Restaure sua casa
Sua virtude será abundante
Restaure sua província
Sua virtude será crescente
Restaure seu reino
Sua virtude será farta
Restaure seu mundo
Sua virtude será vasta
Assim, através do corpo percebe-se o corpo
Através da casa percebe-se a casa
Através da província percebe-se a província
Através do reino percebe-se o reino
Através do mundo percebe-se o mundo
Como posso saber da natureza do mundo?
É através disso

 

Capítulo 55


Quem possui a Virtude em abundância
É como um recém-nascido
Os insetos não o picam
As aves de rapina e os animais bravios não o agarram
Tem ossos leves e cartilagens macias
Mas pegam com firmeza
Desconhece a união de macho e fêmea
Mas seu órgão se desperta, pela plenitude da essência
Grita até o fim do dia
Mas não fica rouco, pela plenitude da harmonia
Conhecer a harmonia chama-se constância
Conhecer a constância chama-se iluminar
Enriquecer a vida chama-se esclarecer
E o coração que ordena o sopro chama-se força
As coisas no seu auge tornam-se velhas
Isso chama-se negar o Caminho
Negando o Caminho, rapidamente falecem

 

Capítulo 56


O que é da compreensão não é a palavra
O que é da palavra não é a compreensão
Fechando a boca
Trancando a porta
Cegando o corte
Desatando o nó
Harmonizando-se à luz
Igualando-se à poeira
Isto chama-se o Mistério Comum
Com o qual
Não se pode encontrar aproximação
Não se pode encontrar afastamento
Não se pode encontrar benefício
Não se pode encontrar malefício
Não se pode encontrar valorização
Não se pode encontrar desvalorização
Por isso age como nobre sob o céu

 

Capítulo 57


Através da retidão organiza-se o reino
Através da singularidade dirige-se a guerra
Através da não-atividade adquire-se o mundo
Como posso saber da natureza do mundo?
É através disso
Muitas restrições e omissões no mundo
Tornam completamente pobre o povo
Muitos instrumentos afiados entre o povo
Fazem crescer a confusão no reino e na família
Muito conhecimento engenhoso entre o povo
Faz crescer o surgimento de objetos estranhos
Leis e coisas crescendo visivelmente
Fazem surgir muitos ladrões e salteadores
Por isso o Homem Sagrado dizia:
Eu não agindo, o povo se transforma
Eu sem atividade, o povo se enriquece
Eu bem tranqüilo, o povo se retifica
Eu sem desejos, o povo se simplifica

 

Capítulo 58


Onde governa a tolerância
O povo tem tranqüilidade
Onde governa a discriminação
O povo tem insatisfação
É na desgraça que se encontra a felicidade
É na felicidade que se esconde a desgraça
Quem é capaz de conhecer estes extremos?
Na ausência de governo
O governo passa a agir como estranho
A bondade passa a agir como maldade
A ilusão do homem tem seu dia consolidado longamente
Seja quadrado sem corte
Seja honesto sem humilhar
Seja reto sem abuso
Seja luminoso sem ofuscar

 

Capítulo 59


Para reger o homem e servir o céu
Nada como ser o modelo
Somente sendo o modelo
Pode-se dominar cedo
Dominar cedo significa aumentar o acúmulo de Virtude
Aumentando o acúmulo de Virtude
Então não há o que não se possa vencer
Não havendo o que não se possa vencer
Não se conhece seu extremo
Podendo conhecer seus extremos
Pode-se possuir o reino
Possuindo a mãe do reino
Pode-se ser constante
Isto é uma raiz profunda e um pedúnculo sólido
É o Caminho da vida constante e visão duradoura

 

Capítulo 60


Governar um grande reino é como cozinhar um pequeno peixe
Atuando sob o céu através do Caminho
Seus demônios não são despertados
Não que seus demônios não sejam despertados
Seu despertar não fere o homem
Não apenas que seu despertar não fira o homem
O Homem Sagrado também não fere o homem
Sendo que os dois não se ferem
Assim suas Virtudes se unem e retornam

 

Capítulo 61


O grande reino é aquele corrente abaixo
É um campo sob o céu
Num campo sob o céu
A fêmea sempre vence o macho através da quietude
Por isso, o grande reino estando abaixo do pequeno reino
Conquista o pequeno reino
O pequeno reino estando abaixo do grande reino
Absorve o grande reino
Assim
Ou por estar abaixo para conquistar
Ou por estar abaixo para absorver
O grande reino apenas deseja unir e cultivar os homens
O pequeno reino apenas deseja integrar e servir aos homens
Cada um destes dois encontra o local para seu desejo
Portanto, o grande deve estar abaixo

 

Capítulo 62


O Caminho é o segredo dos dez mil seres
Tesouro do homem benevolente
É o que o homem não-benevolente não guarda
Palavras bonitas podem ser negociadas
Atitudes reverentes podem aumentar um homem
Mesmo com a não-benevolência do homem
Como se poderia abandoná-lo?
Por isso, ergue-se o filho do céu
Ordenam-se o três duques
Mesmo possuindo o jade de oferenda, antes de quatro cavalos
Nada se compara a sentar e entrar no Caminho
Por que motivo antigamente se valorizava o Caminho?
Não diziam que quem busca pode adquirir?
Quem possui culpa pode ser absolvido?
Por isso é valioso sob o céu

 

Capítulo 63


Ação através da não-ação
Atividade através da não-atividade
Sabor através do não-sabor
Grande como pequeno, muito como pouco
Retribuir injustiça através da Virtude
Planejar o difícil a partir do fácil
Realizar o grande a partir do pequeno
Sob o céu
A difícil atividade se realiza certamente a partir da fácil
A grande atividade se realiza certamente a partir da pequena
Promessas levianas certamente carecem de confiança
Excesso de facilidades certamente traz excesso de dificuldades
Sendo assim,
O Homem Sagrado assemelha-se ao difícil
E, por isso, até o fim, não tem dificuldades

 

Capítulo 64


O que tem paz é fácil de manter
O que é anterior ao despertar é fácil de planejar
O que é frágil é fácil de quebrar
O que é pequeno é fácil de dissolver
Realiza-se a partir da existência
Organiza-se a partir de antes da desordem
Uma árvore de grande abraço gera-se de uma fina muda
Uma torre de nove andares levanta-se de um acúmulo de terra
Uma viagem de mil léguas inicia-se debaixo dos pés
Quem age fracassa
Quem se apega perde
Assim, o Homem Sagrado não age, por isso, não fracassa
Não se apega, por isso não perde
Os homens, na realização das atividades
Sempre fracassam em suas quase-conclusões
Cautela tanto no fim como no princípio
Conduz à atividade sem fracasso
Assim, o Homem Sagrado deseja através do não-desejo
Não valoriza as coisas de difícil aquisição
Aprende através do não-aprender
Possui o que ultrapassa todos os homens
Para auxiliar a naturalidade dos dez mil seres
E não encorajar a ação

 

Capítulo 65


Na antiguidade, os bons realizadores do Caminho
Não o utilizavam para esclarecer o povo
Utilizavam-no para alegrá-lo
A dificuldade de se governar o povo
É devida aos seus conhecimentos
Por isso
Utilizando o intelecto para governar o reino
Têm-se furtos no reino
Não utilizando o intelecto para governar o reino
Tem-se Virtude no reino
Aquele que conhece estes dois
Também se orienta por estes modelos
O constante conhecimento de orientar-se por estes modelos
Chama-se Misteriosa Virtude
A Misteriosa Virtude é profunda e longa, inverso das coisas
Naturalmente, após isso, alcança-se a grande fluência

 

Capítulo 66


O que pode tornar os rios e mares reis dos cem vales
E saber situar-se embaixo
Por isso podem ser os reis dos cem vales
Assim
O Homem Sagrado aspirando estar acima dos homens
Coloca suas palavras abaixo das deles
Aspirando estar à frente dos homens
Coloca seu corpo atrás dos deles
Portanto
Situa-se em cima mas seu povo não sente o peso
Situa-se à frente porém o povo não é lesado
Assim, o mundo alegra-se em exaltá-lo porém sem desgosto
Como ele não disputa
O mundo não pode disputar com ele

 

Capítulo 67


Sob o céu todos se consideram o grande
Não rio disso
O grande sendo grande
Por isso não ri
Se risse
Ha muito teria se tornado pequeno
Eu tenho três tesouros
Que valorizo e preservo:
O primeiro chama-se afetividade
O segundo chama-se simplicidade
E o terceiro chama-se
Não encorajar ser o dianteiro sob o céu
Assim
Através da afetividade pode-se ter coragem
Através da simplicidade pode-se ter amplitude
Não encorajando ser o dianteiro sob o céu
Pode-se concluir o instrumento do eterno
Hoje
Abandonando a afetividade e tendo coragem
Abandonando a simplicidade e tendo amplitude
Abandonando o ulterior e tornando-se o dianteiro
Isso é morrer
Através da afetividade
Com a manifestação, é ordenada a retidão
Com o resguardo, é ordenada a duração
Quando o céu quer salvar
Utiliza a afetividade como proteção

 

Capítulo 68


Na antiguidade, os bons praticantes de cavalheirismo
Não eram belicosos
Bons em guerrear, sem ira
Bons em vencer os inimigos, sem disputa
Bons em empregar os homens, agindo como o inferior
Isso se chama a virtude da não-disputa
Isso se chama a força de empregar os homens
Isso se chama a supremacia da união com o céu e a antiguidade

 

Capítulo 69


Sobre o uso da arma ha um provérbio
“Não me encorajo a agir como anfitrião
Prefiro agir como hóspede
Não me encorajo em avançar uma polegada
Prefiro recuar um pé ”
Isso se chama mover não movendo
Agarrar não abraçando
Defender não lutando
Enfrentar sem inimizade
Não há desgraça maior do que humilhar o inimigo
Humilhando o inimigo, então
Arriscamos perder nosso tesouro
Por isso
No confronto onde as armas se igualam
Vence, então, o que está entristecido

 

Capítulo 70


Minha palavra é bastante fácil de compreender
Bastante fácil de praticar
Mas, sob o céu, ninguém consegue compreendê-la
Ninguém consegue praticá-la
Palavras têm uma origem
Atos têm um regente
E somente através da não-compreensão
Não se tem a compreensão do ego
Aqueles que me compreendem são poucos
Aqueles que me seguem são nobres
Por isso
O Homem Sagrado se cobre com andrajos abraçando um jade

 

Capítulo 71


Saber do não-saber é sublime
Não saber do saber é doença
Assim, o Homem Sagrado não adoece
Por considerar doença a doença
Por isso, não há doença

 

Capítulo 72


Quando o povo não tem medo do temível
Então, o grande temor chega
Não estreite sua morada
Não despreze sua vida
Pois somente não desprezando
Pode-se tornar o não-apodrecido
Por isso, o Homem Sagrado
Conhece a si mesmo mas não se evidencia
Ama a si mesmo mas não se estima
E, assim, nega isto e admite aquilo

 

Capítulo 73


Quem tem coragem de ser valente terá a morte
Quem tem coragem de ser cauteloso terá a vida
E esses dois são ora benéficos, ora maléficos
Quando o céu repudia
Quem compreenderá a causa?
O caminho do céu
Não disputa mas é bom em vencer
Não fala mas é bom em responder
Não é invocado mas por si vem
Não fala mas é bom em planejar
A teia do céu é grandiosamente grande
Liga-se a tudo e de nada se perde

 

Capítulo 74


O povo constante não teme a morte
Como se pode intimidá-lo usando a morte?
Se considero estranho esse constante que não teme a morte
Devo, sinceramente, matar
Mesmo reconhecendo sua coragem?
O Constante possui o encargo de matar e mata
O homem que tomar o lugar no encargo de matar
Será como substituir grande lenhador ao serrar
O homem que substituir o grande lenhador ao serrar
Raramente não machucará a mão

 

Capítulo 75


A fome do homem
É devida a seu superior alimentar-se de impostos em demasia
Por isso existe a fome
A difícil governabilidade de cem famílias
É devida a seu superior agir intencionalmente
Por isso existe o desgoverno
A fácil morte do povo
É devida a viver-se uma vida de excessos
Por isso existe a morte fácil
Assim apenas aqueles que não utilizam a vida para agir
São bons em valorizar a vida

 

Capítulo 76


O homem ao nascer é tenro e brando
Ao morrer é rígido e duro
A erva, a madeira e os dez mil seres ao brotarem
São como a suave penugem do ventre do pássaro
Ao morrer são secos e murchos
Por isso, os rígidos e duros são companheiros da morte
Os tenros e brandos são companheiros da vida
Sendo assim
As armas duras não vencem
As árvores duras são comuns
Por isso, os rígidos e duros moram embaixo
Tenros e brandos situam-se em cima

 

Capítulo 77


O Caminho do Céu é como o retesar do arco
A parte superior abaixa, a parte inferior sobe
A parte que possui sobra e diminuída
A parte não-suficiente é completada
O Caminho do Céu
Diminui a sobra possuída
Completa o não-suficiente
Mas o caminho do homem não se orienta assim
Diminui do não-suficiente
Para oferecer ao que possui sobra
Mas quem pode possuir sobra para oferecer ao mundo?
Somente aquele que possui o Caminho
Por isso, o Homem Sagrado
Age sem querer para si
Conclui a obra mas não se apega
E não deseja mostrar sua eminência

 

Capítulo 78


Sob o Céu
Nada é mais suave e brando que a água
No entanto, para atacar o que é rígido e duro
Nada pode se adiantar a ela
Nada pode substituí-la
Assim
A suavidade vence a força
O brando vence o duro
Sob o céu
Não há quem não o saiba
Não há quem possa praticá-lo
Por isso o Homem Sagrado disse:
Aceitar as impurezas do reino
Chama-se reger o cereal e a terra
Aceitar as desventuras do reino
Chama-se reinar sob o céu
As palavras corretas parecem contrárias

 

Capítulo 79


Ao se conciliar um grande rancor
Certamente ainda se terá um resto de rancor
Então como se pode agir bem?
Sendo assim
O Homem Sagrado toma o Sinal Esquerdo
e não critica as pessoas
Por isso, quem tem Virtude se orienta pelo sinal
Quem não tem Virtude se orienta pelo vestígio
O Caminho do Céu não cria intimidade
Mas acompanha sempre o homem bom

 

Capítulo 80


Um pequeno reino de poucos habitantes
Mesmo que possua um utensílio para dezenas de centenas não o usa
Faça o povo valorizar a morte e não viajar longe
Possuindo barcos e carruagens mas não tendo onde usá-los
Possuindo armas e armaduras mas não tendo onde enfileirá-las
Faça o povo retornar aos nós em corda e ao seu uso
Então serão doces seus alimentos
Belas suas roupas
Pacíficas suas moradias
Alegres seus costumes
Que os reinos vizinhos estejam a vista
Que o som de galos e cachorros sejam ouvidos
Faça o povo alcançar a velhice sem ter que ir e vir

 

Capítulo 81


Palavras confiáveis não são belas
Palavras belas não são confiáveis
Quem sabe não é abrangente
Quem é abrangente não sabe
Quem é bom não discute
Quem discute não é bom
O Homem Sagrado não acumula
Quanto mais faz para os homens, mais tem
Quanto mais dá aos homens, mais aumenta
O Caminho do Céu é favorecer e não prejudicar
O Caminho do Homem Sagrado é fazer e não disputar