segunda-feira, 1 de agosto de 2011

ou é a principal divindade da mitologia egípcia. A forma onomástica mais correcta em língua portuguesa é Ré. Rá foi usado durante muito tempo por influência de obras historiográficas em língua inglesa, onde a transliteração do nome do deus é Ra; porém, nas transliterações para português, Rá é apenas admissível enquanto elemento inicial ou medial de um nome egípcio, mas nunca em forma final ou isolada - daí Ramsés («nascido de Ré»), mas por exemplo, Setepenré (o nesu-biti do faraó Ramsés II, significando «o escolhido de Ré», onde surge vocalizado como Ré e não Rá).
O seu principal centro de culto era a cidade de Iunu, no Norte do País (depois chamada Iunu-Ré, em sua honra), à qual os Gregos deram mais tarde ainda o nome de Heliópolis ("cidade do sol"), e que a Bíblia chama de On. 

Descrição

Como uma das culturas agrícolas mais antigas e mais bem sucedidas da Terra, os antigos egípcios deram ao seu deus sol, Ré, a supremacia, reconhecendo a importância da luz do sol na produção de alimentos.
Ao amanhecer, Ré era visto como uma criança recém-nascida saindo do céu ou de uma vaca celeste, recebendo o nome de Khepri. Por volta do meio-dia Ré era contemplado como um pássaro voando ou barco navegando. No pôr-do-sol, Ré era visto como um homem velho descendo para a terra dos mortos, sendo conhecido como Atum. Durante a noite, Ré, como um barco, navegava na direção leste através do mundo inferior em sua preparação para a ascensão do dia seguinte. Em sua jornada ele tinha que lutar ou escapar de Apep, a grande serpente do mundo inferior que tentava devorá-lo. Parte da veneração a Ré envolvia a criação de magias para auxiliá-lo ou protegê-lo em sua luta noturna com Apep, ajudando-o a garantir a volta do Sol.
Devido à sua popularidade, o deus seria associado a outros deuses, como Hórus, Sobek (Sobek-Ré), Amon (Amon-Ré) e Khnum (Khnum-Ré).
Tinha como esposa a deusa Ret (cujo nome é a versão feminina do nome Ré) ou Rettaui ("Ret das Duas Terras", ou seja, do Alto Egipto e do Baixo Egipto). Em outras versões surgem como suas esposas as deusas Iusaas e Ueret-Hekau. Os deuses Hathor, Osíris, Ísis, Set, Hórus e Maet eram por vezes apresentados como filhos de Ré. 

Iconografia 

Estela com imagem do deus Ré-Horakhty, Museu do Louvre, Paris

A representação habitual de Rá era na forma de um homem com cabeça de falcão encimada pelo disco solar e pelo uraeus (serpente sagrada que cuspia fogo, destruindo desta forma os inimigos do deus), segurando nas mãos o ankh e o ceptro uase.
Quando o deus realizava a sua viagem nocturna ao mundo subterrâneo era representado como um homem mumificado com cabeça de carneiro (Efu Rá, "o sagrado carneiro do Oeste"). Poderia ainda figurar como uma criança real cuja cabeça emerge de um lótus.
Rá tinha como emblema o obelisco que era considerado como um raio do sol petrificado. Na sua forma animal poderia encarnar como falcão, leão, gato, como touro Mnévis (o ba de Rá) ou no pássaro Benu.

Rá e os faraós

Rá foi adorado desde os tempos mais remotos da história do Antigo Egipto, encontrando-se associado desde cedo à realeza. Segundo alguns relatos, Ré teria vivido em Heliópolis e teria governado o Egipto antes do nascimento das dinastias históricas, sendo os faraós seus descendentes. O nome do primeiro rei da II dinastia, Raneb ("Ré é o senhor"), foi a primeira alusão registada ao deus num nome real.
No período da IV dinastia a referência ao deus entra na titulatura dos faraós através do nome de "filho de Rá" (Sa Rá), que Khafré emprega pela primeira vez.
Na V dinastia os reis dedicam-se a Rá estruturas ao ar livre cujo ponto mais importante era um obelisco e que são conhecidas como templos solares.

Mitos

Segundo um dos vários mitos criados em torno de Rá e que foi conservado em papiros do tempo da XIX dinastia, a deusa Ísis lançou um feitiço a Rá, que provocou-lhe uma doença. Sob promessas de cura, Rá foi forçado a revelar o seu nome secreto a Ísis, assim oferecendo-lhe acesso a uma parte de seus poderes mágicos.

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