sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Liber MMCMXI - Uma Nota Sobre o Gênesis - por Allan Bennet

Do ensaio escrito por V.H. Fra. I.A. 5°=6 (Allan Bennet)

Sigillum Sanctum Fraternitatis A∴A∴

A.·.A.·.

Publicação em Classe C

Emitido por Ordem:

D.D.S.     7°=4□     Præmonstrator
O.S.V.     6°=5□     Imperator
N.S.F.      5°=6□     Cancellarius
 

Nota Introdutória

O seguinte Ensaio é um dos mais extraordinários estudos em Qabalah Hebraica conhecidos por mim.
Seu venerável autor foi um adepto familiarizado com vários sistemas de simbolismo, e apto a harmonizá-los sozinho, ainda que agora tenha sido lançado para toda a humanidade em Liber 777.
No ano de 1899 ele contentou-se graciosamente em receber-me como seu pupilo, e morando em sua casa, estudei diariamente sob sua direção a Sagrada Qabalah. Com seu afastamento – tenha sido para aproveitar sua Merecida Recompensa, ou para realizar o Trabalho da Irmandade em outras terras ou planetas que não importa nada aqui – ele me deixou como legado um belo Jardim, do tipo que raramente se é visto sobre a Terra.
Tem sido minha devota responsabilidade organizar e comentar sobre esse conhecimento arcano, há muito guardado em meu coração, igualmente regado com minhas lágrimas e meu sangue, e banhado ao sol por aquele todo-glorioso Raio que multiplicou a si mesmo em uma Esfera inefável.
Nesse Jardim nenhuma flor se destaca mais que este excelente discurso; eu imploro aos meus leitores a tomá-lo e colocá-lo em seus corações.
Ele deveria ser estudado em conexão com o Liber 777, e com o Sepher Sephiroth, um dicionário de números adimensionais o qual foi iniciado pelo autor deste ensaio, levado adiante por mim, e agora prestes a ser publicado tão breve quanto o manuscrito possa ser preparado.
O leitor que está familiarizado com as sublimes computações da Qabalah não encontrará dificuldade em apreciar esse Ensaio por completo; mas todos se beneficiarão do estudo dos métodos de raciocínio empregados. Estes métodos, de fato, são tão primorosos e sutis que prontamente sublimam no Intuitivo. Este estudo é verdadeiramente uma Maestria Real, um modo fácil e claro de excitar a consciência do Ruach ao Neschamah.
ALEISTER CROWLEY.

 

Parte I

No Primeiro Versículo do Primeiro Capítulo dos Primeiros Cinco Livros da Sagrada Lei: está escrito: — B’RAShITh BaRA ALoHIM ATh HaShaMaIM VaATh HaAReTz, ou em escrita Aramaica 

בראשית ברא אלהים את השמים ואת הארן


Tais são as Sete Palavras que constituem os Princípios ou Categorias da Lei Única; e eu me proponho a demonstrar; através da aplicação ao Texto das Chaves da Qabalah, que não meramente o significado superficial está contido nisto.

No Princípio, criou, Deus, a Essência dos Céus, e a Essência, da Terra.

No Princípio
Deus a Essência1 dos Céus
Em Sabedoria Os Elohim
Na Cabeça2 Os Deuses Sagrados

e a Essência da Terra

Contidos nisto estão as Formulæ Divinas, Mágicas e Terrestres da Passagem do Nada Incompreensível do Ain Soph para a Perfeição da Criação expressa pelas Dez Vozes ou Emanações de Deus o Vasto – Abençoado seja Ele! – ou mesmo as Sagradas Sephiroth.
E o Método segundo o qual deverei trabalhar deverá ser a Única Absoluta e estabelecida Ciência: a Ciência do Número: que é aquele único Mistério do Intelecto do Homem através do qual ele se torna exaltado ao Trono da Inflexível e Infalível Divindade.
Como está escrito, “Ó, como o Mundo possui inflexíveis Governadores Intelectuais” (Zoroastro).
Mas antes que eu possa avançar nas enumerações Qabalísticas3 e análise do Texto, um certo preâmbulo nos frutíferos campos dessa Ciência se tornará necessário. A Evolução dos Números é a Evolução dos Mundos, pois como está escrito em Clavicula Salomonis, “Os Números são Ideias; e as Ideias são Poderes, e os Poderes são os Sagrados Elohim da Vida.” Aquilo que está por trás e além de todo Número e todo pensamento (assim como o Ain Soph com seus Poderosos Véus dependendo de volta de Kether está por trás e além de toda Manifestação) é o número 0. Seu símbolo é o próprio Emblema do Espaço Infinito e Tempo Infinito4. Multiplique-o por qualquer número ativo e manifestado; e esse número desaparece – afunda no Oceano da Eternidade. Assim também é o Ain Soph. Dele procedem todas as Coisas: para Ele tudo retornará, quando a Era de Brahman estiver findada e concluída, e o dia da Paz-Esteja-Conosco for declarado por Thoth, o Grande Deus, e o Universo Material afundado no Infinito.     O primeiro Número, então, é UM; emblema do Pai-de-Tudo; a Mente Não-manifestada por trás de toda a Manifestação: a Primeira Mente. Multiplique por Ele qualquer outro Número – pois a Multiplicação dos Números é uma Geração, assim como a Multiplicação dos Homens e Deuses – e contemple! a Resultante é a replica do Número tomado. Assim é Um o Pai-de-Tudo, o Causador-de-Tudo – gerando e produzindo tudo.
O próximo passo é a divisão em DOIS. Desta forma foi manifestado o Grande Poder Duplo da Natureza. Como é acima, também é abaixo. E desta forma descobrimos que a simples divisão em dois é o método de multiplicação da Ameba, a mais baixa, a mais simples e mais absoluta forma de vida física que nós conhecemos.
O Poder Duplo da Natureza é a Grande Mãe dos Mundos.
Novamente, para traçar uma analogia do Mundo Material, considere a Lua, nossa Mãe. Contemple nela a Típica representatividade dos Poderes do Dois. Luz e Escuridão, Fluxo e Refluxo, Maré Baixa e Maré Alta – estes são os seus Poderes manifestados na Natureza – onde ela também obriga as Grandes Águas a sua Vontade.
Quanto a Atribuição Yetziratica, o segundo número, Beth (i.e. uma Casa), uma Moradia, a Habitação do Sagrado, se mostra equivalente a Esfera de Kokab e seus senhores. E a arma simbólica de Mercúrio é o Caduceu, cujas Serpentes Gêmeas mostram novamente o Poder Dualístico. (Nota. – Woden, o Mercúrio Escandinavo, era o Pai-de-Tudo, como escrito no Ritual do Caminho do Espírito do Fogo Primal ש. “A todas as coisas fez o Pai de Todas as Coisas perfeitas, e as entregou a Segunda Mente; aquela a qual Todas as Raças dos Homens chamam Primeira.”) Contemple, então, nesses dois grandes números 1 e 2 o Pai e a Mãe dos Mundos e dos Números.
Visto que esses gêmeos5 sendo Unidos e manifestos em UM, produzem o número 3; como está escrito: “Pela Mente do Pai foi dito que ‘Todas as Coisas deveriam ser divididas em Três’, Sua Vontade6; assentindo que Todas as Coisas são assim divididas. Pela Mente do Pai é dito Dentro do três, governando Todas as Coisas pela Mente. E aqui aparecia nisto a Tríade, Virtude e Conhecimento e Verdade Multisciente.” Assim fluiu adiante a forma da Tríade.7 Desta forma é formulada a Trindade Criativa a qual é, assim como foi, a essência preliminar à Manifestação.
Este Filho Místico dos Pais Eternos, tendo por seu numero 3, é tipificado em todas as escrituras sagradas por este número. Desta forma é escrito da manifestação do Filho de Deus sobre a Terra, “Shiloh deverá vir” (a inicial deste Nome Misterioso é ש = 300). E na língua Grega está escrito “No princípio era o Verbo,” etc., o qual é λογος (λ = 30). Mas o melhor de todos os Exemplos é encontrado no Sagrado Tetragrama יהוה. Para que possamos estimar este venerável nome como o típico do Pai e da Mãe, e então dividir em וה e יה8. Visto que se no meio deste Nome dividido nós lançarmos o tríplice fogo da Sagrada letra ש = 300, nós obtemos o nome da Divindade Encarnada sobre a Terra, יהשוה . Mas 1+2+3=6, que é o número de ו, a terceira letra do Venerável Nome: o Microprosopo e o Filho de Deus.
Então agora nós chegamos ao Grande Mistério de Tetraktys, e para ir adiante nós precisamos lançar mão da Irmã Gêmea da Ciência do Número – a qual, na verdade, não é nada senão Número feito Carne: Geometria, ou Simbolismo Absoluto. Assim como foi dito pelo santo Pitágoras: “Deus geometriza”.
Testemunhemos a Obra de Seus Dedos!


 Um Filho Incompreensível
  Um triângulo equilátero com uma ponta apontando para cima. Cada ponta possui um número: esquerda (1), direita (2) e cima (3). Dentro do triângulo, em cada ponta, há uma letra hebraica: Aleph na 1, Mem na 2 e Shin na 3. O triângulo está dentro de um círculo, sendo que todas as pontas tocam a circunferência.
           Um Pai Incompreensível                                              Uma Mãe Incompreensível

FIG. I. – A TRINDADE IMANIFESTA


          Um Filho Eterno
                                                              Como na figura anterior, no entanto sem as letras hebraicas. De cada ponta sai uma linha reta em direção ao centro, onde está o número 4.
                                        Um Pai Eterno  Uma Mãe Eterna
                                                                  FIG. II. A TRINDADE EM MANIFESTAÇÃO


Em ambos estes Símbolos o círculo que tudo inclui representa a base do Número 0: o Infinito: Para-brahman: o Ain Soph. Na primeira é mostrada a Mística Trindade antes da manifestação; sendo infinita, livre e ilimitada, inoperante devido a sua difusividade e dispersão. Na segunda figura contemplamos sua concentração: focalização: produzindo por suas ações conjuntas o número da manifestação – 4. Nos mundos – Assiah: no Tarô, a Princesa – o trono do Espírito: no Tetragrama, o He final, e em linguagem simbólica, – a Filha: no Ciclo da Vida (Nascimento, Vida, Morte, Ressurreição), o quarto; nas Chaves do Livro Universal, a Imperatriz, Κορη Κοσμον, a Virgem do Mundo, Vênus, Afrodite: Centrum in Trigonis Centri – por seja lá qual for a miríade de nomes pelos quais A chamamos, permanece o mesmo em Espírito, o mesmo em Número e em forma! E este número é formulado nisto pela Concentração dos Três em Um. 3 + 1 = 4. Agora na Figura II nós contemplamos seis Caminhos fixos; e em seis dias Deus criou os Céus e a Terra. E a numeração total destes números é o Número Perfeito, a mesma Década das Sephiroth. (1 + 2 + 3 + 4 = 10).
Portanto assim pode nossa Ciência nos ensinar que a Porta9 de Vênus, ד, é o Portal da Iniciação: aquele único planeta cujo símbolo sozinho abarca as 10 Sephiroth; a Entrada do Santuário de nosso Pai C.R.C., a Tumba de Osíris; o Deus Revelador, vindo, além disso, pelo Caminho Central de ס através do meio do Triângulo de Luz. E a Tranca que guarda esta Porta é como os Quatro Portões do Universo. E a Chave é o Ankh, a Vida Imortal – a Rosa e a Cruz da Vida; e o Símbolo de Vênus.


Igual à anterior, no entanto há outro triângulo idêntico, porém de cabeça para baixo, neste mesmo círculo, e com os números 5 (direita), 6 (esquerda) e 7 (baixo) ao invés do 1-2-3. 
 FIG. III – O TERCEIRO SIMBOLO.


Produzindo os Caminhos segundo os quais as Forças da Arvore (veja o Segundo Símbolo) se encontram em quatro, descobrimos em sua leitura 1+4=5, 2+4=6, 3+4=7. E desta forma é revelado o Segundo Triângulo do Hexagrama da Criação10.
Além disso, este Triângulo Refletido mostra a evolução dos Quatro Mundos e sua Consolidação:


1 + 2 + 3 + 4 = 10 = י           Atziluth
1 + 2 + 3 + 4 + 5 = 15 = יה           Briah
1 + 2 + 3 + 4 + 5 + 6 = 21 = יהו           Yetzirah
1 + 2 + 3 + 4 + 5 + 6 + 711 = 28 = 2 + 8 = 10           Assiah


O Número 28, a numeração total, então representa Malkuth, a Décima Sephirah: Assiah manifestado – o Trabalho da Criação consumado: portanto Deus descansou ao Sétimo Dia. E 28 é 7 x 4, as sete estrelas brilhando através dos quatro Mundos.
Algo é importante, de fato. Tomemos os Três Primordiais e convertamos estes Números em Cores. Então conseguimos o א, o Pai, o Raio Amarelo do Sol Nascente da Criação; מ, a Mãe, o Raio Azul das Grandes Águas Primais; ש, o Filho, o Raio Vermelho: o Ruach Elohim12, símbolo do Fogo Vermelho de Deus, o qual pairou13 sobre a Face das Águas: ou como a Glória Vermelha que ilumina os Céus ao Amanhecer, quando o Sol Dourado ilumina as Águas debaixo do Firmamento. Visto que a Glória Vermelha é o IGNIS DEI: o qual também é AGNUS DEI, ou o Cordeiro de Deus que destruiu (literalmente queimou) os Pecados do Mundo. Como foi escrito no Ofício da Missa: o Sacerdote vai ao Sul do Altar e ora: “O Agnus Dei! Qui tollis — qui tollis Peccata Mundi — Dona Nobis Pacem!” E este o Fogo, este Cordeiro de Deus, é Áries, Símbolo do Ano Nascente: cuja cor também é Vermelho Fogo, e que é o principal da Triplicidade Fogosa no Zodíaco. Assim também é o Grau de Neófito na Ordem da Golden Dawn; o Hierofante veste um robe cor de chama escarlate simbolizando a Aurora.
Nota. — Pode ser objetado que a enunciação das cores é י, o Pai, é Fogo; ה, a Mãe é Água, e ו, o Filho, é Ar, e Amarelo ao invés de Vermelho. Isto também é verdadeiro, mas está relacionado à governança dos Reinos Elementais, os quais estão nos Mundos Astrais, e cujas mônadas estão no arco descendente da Vida, enquanto que o Homem está no Ascendente; esta escala é então invertida. Pois pelo grande sacrifício do Homem Feito Carne e por Sua Tortuosa Peregrinação é desenvolvido aquele Filho Glorificado O Qual é Maior que Seu Pai. Em alquimia nós temos novamente o arco descendente, pois encontramos que o pó vermelho lançado sobre a Água dos Metais produz o Sol Dourado. Mas é importante não confundir. Os cristãos desorganizaram terrivelmente sua Trindade fazendo o Filho o segundo ao invés do terceiro Princípio; enquanto de acordo com eles o Espírito Santo algumas vezes simboliza a Mãe, e em outras o Filho.
Desta forma no Anúncio do Batismo de Cristo o E.S. apareceu como uma Pomba, emblema de Vênus e da Mãe: Enquanto que o E.S. que desceu sobre os Apóstolos em Pentecostes era na verdade o Espírito de Cristo, então simbolizado pelo ש (ver Lição sobre o Microcosmo no manuscrito da R.R. et A.C.).
Na nomenclatura Teosófica este último foi Um triângulo equilátero com uma letra em cada ponta: M (cima), A (esquerda) e U (direita)anas ou Jeheshua: o terceiro princípio.
Pela mesma razão eu desenhei o triângulo com o 3 no topo, Um triângulo equilátero com um número em cada ponta: 3 (cima), 1 (esquerda) e 2 (direita) ao invés de Um triângulo equilátero com um número em cada ponta: 1 (baixo), 3 (esquerda) e 2 (direita).

 

Parte II

Foi necessário que eu me prolongasse neste Mistério da Abertura dos Números, pois sem esta explicação muito do significado do versículo permaneceria obscuro.
Agora consideremos este Versículo Místico!
A primeira coisa que nos chama a atenção é ele conter Sete Palavras: a Segunda é seu número de letras ser vinte e oito. Desta forma ele simboliza perfeitamente em sua completude o terceiro Símbolo na evolução numérica.
Antes de continuar com uma análise detalhada, e seguir o Processo de Criação através do Tempo (i.e., começando com a primeira letra, e então continuando), permitam-me apontar alguns fatos gerais. Primeiro quanto ao número de letras em cada palavra, estas convertidas em figuras, são: 4.3.5.2.5.3.6 (Direção do hebraico).
No meio está 2, segundo o Tarô a Vontade Central: e esta palavra de duas letras é את. Em cada lado desta estão os pares de figuras 35 — 53, equilibrando um ao outro: assim sendo símbolo da grande aurora da vida das Mães — ה e הּ, vitalizadas pelo FILHO (3) como Representante de Seu Pai.
Estas figuras juntamente equilibradas formam 16, do qual a Chave é 7; o número total de letras neste terceiro Símbolo. Então temos em cada ponta 4 e 6 = 1014, a perfeição das Sephiroth, como se fosse para declarar que este versículo, do começo ao fim reflete as Vozes de Kether até Malkuth: e 6 – 4 = 2 novamente, a Vontade Central, ב, Thoth, no Coração do Universo (como no centro do versículo). Perceba, então, o perfeito equilíbrio deste versículo, e lembre-se daquele Mistério – que equilíbrio é força.
Vamos agora observar as letras propriamente ditas. Contando-as, descobrimos que as duas centrais são מא , a Mãe Superna; mesmo como o número das letras tem o símbolo dualístico no meio delas. Agora a numeração delas é 41, obedecendo a Gematria איל = Força: Poder: Domínio: גאואל , Majestade Divina: e אחלב = Fecundidade, totalmente simbólica dos atributos da Força de Dualidade Polar da Mãe. Ademais, 4 + 1 = 5 = ה, mais uma vez a Mãe Superna — e em seu símbolo geométrico o Pentagrama — a Estrela da Vontade Não-conquistada. Adicione as próximas duas letras em cada lado, e nós obtemos O símbolo dos quatro elementos, disposto em sua ordem natural um ao lado do outro, porém da direita para a esquerda. Lendo no sentido do hebraico, em cima de cada elemento, as letras Yod Mem Aleph Tau,  ou um Tetragrammaton oculto.

Eeste pode ser lido também ים , o Grande Mar, את , Alpha e Ômega, ou a Essência. Adicione as próximas duas, e desta forma as seis letras centrais são obtidas; e nós lemos היםאתה , que significa הים , dilatado, estendido, ou expandido; e, portanto Vós (ie. Deus, Ateh, o Todo) em extensão. Mas pormetátese das seis letras obtidas, היה אמת = “Verdade Era” como que afirmando solenemente a presença da Criação da Verdade Superna.
Agora tomemos a primeira e a última das letras do versículo e “joguemos no meio disto o Fogo do Sol” – i.e., ו (6), “o Selo da Criação” – e teremos בוץ , um Ovo. Onde nós vemos todo o universo selado no Ovo Cósmico da mitologia Hindu e Egípcia: e a Formulação da Esfera do Universo (ou o Espelho Mágico no Homem). Enquanto Ovo do Cisne Negro do Tempo, o Kala Hamsa, o  Triuno, ou a palavra de Poder ou de Seb, o Pássaro da Vida, cuja vontade foi ouvida na Noite do Tempo.
O valor numérico total deste versículo é דתנט = 4459, do qual a Chave é 22, o número de Caminhos de א a ת; e a Chave de 22 é 4, o Tetraedro e a Fronteira do Universo.
Agora para prosseguir para o que eu tenho chamado de Processo Temporal, a primeira Palavra da Lei é então בראשית . Contudo nas Escrituras Hebraicas a primeira palavra de um Livro também é seu Título. Desta forma Gênesis é chamado pelos Rabinos “B’rasheth”, ou “No Princípio”, portanto nós devemos considerar esta Palavra como não sendo a primeira — embora isto esteja oculto nas entrelinhas — mas como o selo e título e Chave do livro inteiro. Mantendo isso em mente, prossigamos para analisar isto. O número de suas letras é seis, o Selo da Criação, e seu valor numérico total é 2911. 2911 = 13 = Morte, a Transformadora15 — a formulação distinta dos Três em Um, se unindo uma vez mais para formar o 4.
Agora Beth primariamente significa uma Casa ou Moradia, e no Tarô é Mercúrio, o Magus – a Vox Dei – e Thoth, o Escriba. Aglutinando estas duas ideias nós obtemos o ב.
“Esta é a História Mágica.”
ר significa a Cabeça ou o Princípio do Tempo e das Coisas; e segundo o Tarô é a glória, Vida, Luz, Sol. Assim se lê: 

“Da Aurora da Vida e da Luz.”

א é por sua forma a Suástica, simbolicamente Aleph, o Boi, que apesar de demonstrar a força temível dos “Redemoinhos” Espirituais sobre o Plano Material, como uma força terrível e destrutiva. Isto também é demonstrado no Tolo, como o emblema Tarótico Material daquilo que em sua própria e altíssima manifestação é o Éter Espiritual. Então lemos:
“Principiados estão os Redemoinhos.”
ש significa poderoso em chamas, do qual também é Hieróglifo. É aquele Ruach Elohim pairando sobre a face das águas. Então se lê:

“Formulado está o Fogo Primal.”

י é a Mão16, simbolizando o Poder na Ação, e sua Chave do Tarô é o Eremita e a Voz da Luz, o Profeta dos Deuses. Desta forma:
“Proclamado está o Reino dos Deuses da Luz.”
ת é a última letra do Alfabeto, o finis, o Ômega, o Universo, Saturno, o Planeta mais distante, e também é תרעא , Throa, o Portal do Universo; e segundo a Qabalah das nove Câmaras é ר, o Portal da Iniciação. Então: 

“Na Fronteira do Universo.”

Assim a Palavra Inteira se lê:
ב Esta é a História Mágica.
ר Da Aurora da Luz.
א Principiadas estão as Redemoinhos;
ש Formulado está o Fogo Primal;
י Proclamado está o Reino dos Deuses da Luz
ת Na Fronteira dos Mundos Infinitos!

Agora compare com este Preâmbulo Particular (manuscrito Z1 da G∴D∴):
ב No fim da NOITE
Nos limites da LUZ
Thoth pôs-se de pé na presença dos Não Nascidos do Tempo
Então foi formulado o Universo
ר Então saíram os Deuses daquilo,
Os Æons do Não Nascido Além
א17 Então a Voz Vibrou.
ש18 Então o Nome foi declarado.
ת No Limiar da Entrada,
Entre o Universo e o Infinito,
י No Sinal do Entrante: Thoth permaneceu
À medida que diante Dele os Æons foram proclamados.

A posição das duas últimas letras da Palavra foi alterada, de forma a deixar o significado mais harmonioso.
Nós iremos agora prosseguir para a primeira palavra do texto assim decapitado, tomando B’rasheth como o Título ao invés de primeira Palavra. Este último sustenta Bet-Resh-Aleph, que tem três Letras, simbolizando desta forma a Trindade Não-manifestada.
Agora suas letras também exemplificam a Trindade, pois são as iniciais de três palavras hebraicas, cujos Nomes de suas Personificações são, a saber: 

בן Ben, o Filho
רוח Ruach, o Espírito (aqui a Mãe).
אב Ab, o Pai

Note como aqui novamente o Filho é o primeiro para a Humanidade e o Pai o último. Estas três letras, então, simbolizam os três Um Não-manifesto. Todavia está nelas o Potência-de-Tudo da Vida. Pois 2 + 2 + 1 = 5, o Símbolo do Poder, a Mãe Superna, e o ה também é Áries, o Cordeiro de Deus e a Aurora da Vida do Ano.
Partindo de que nelas descansa encoberto e escondido, não só o Branco Brilho Divino das Três Supernas (הוא , וקדוש , ברוף ), mas também a Resplandecente Glória a qual partilhou da Vermelhidão, e a qual veio da Idade Não-Nascida, que está além de Kether. Conforme está escrito em Antigas Escrituras Hindus, “No princípio o Desejo, TĀNHĀ, despertou Nele: o que foi o Germe Primordial da Mente.” Visto que na Mitologia Ariana Tānhā, Desejo, era o Deus do Amor, Kâmâ; do qual o matiz simbólico era Rosa: como se fosse o primeiro rubor rosado da Aurora no Céu Macrocósmico: Arauto do Sol Nascente dos Mundos, quando a Grande Noite de Brāhmā foi concluída e terminada.
A próxima palavra no Grande Nome de Deus o Vasto: אלהים. Meditemos sobre seu Mistério! Neste contemple cinco Letras: Em seu centro está a Grande Letra ה, a Mãe Superna. Cinco mais uma vez; e sua primeira e última letra são mais uma vez אם , 41, a Mãe, e 5, a Essência Maternal. E sua numeração é 86, donde a Chave é 14, da qual a Chave é 5. Portanto dizemos que este grande nome é 5 em sua forma simbólica, 5 no Coração de seu Poder: o Princípio e o Fim dele são 5; e 5 é em sua Venerável Essência!
Volte agora ao terceiro Símbolo; observe-o firmemente por alguns instantes, e veja oculta no Selo Sêxtuplo da Criação a Estrela de Cinco Pontas da Vontade Não-conquistada.
Por isto foi a Força Divina que criou os mundos! Poder Eterno, Poder Irresistível, Poder que a Tudo Domina, em sua Absoluta Supremacia — brilhando como o Grande Nome Elohim no Coração da Estrela de Seis Pontas! Flamejando como o Fogo Purificador, purgando e ordenando o Caos da Noite do Tempo!
Assim como no meio das Letras do Versículo nós vimos as palavras אתה הים , “Vós em Extensão,” assim também no Nome Elohim se lê אל , “Deidade”, הים , em Extensão19.
E a numeração de Elohim é 86, que pela Gematria se lê פאה , novamente significando “espalhar, estender”.
Escreva as letras deste Nome em qualquer Pentagrama de Invocação; e o Pentagrama de Banimento dele se lerá 3,1415 (pela Qabalah das nove Câmaras), que é a Fórmula de Proporção do diâmetro para a circunferência do Círculo20. Desta forma percebemos nisto o Poder Oculto do Três estendido como uma Poderosa Esfera aos Confins do Espaço!

Um pentagrama com um número e uma letra em cada ponta, estando dentro de um círculo.

A próxima palavra é את, a qual já vimos ser a Palavra Central: e seu significado é Alpha e Ômega – Do Princípio ao Fim: Essência: e sua Chave é 5.
Cinco novamente são as letras da palavra חשמים21, a qual é a próxima; e na palavra שמים , os Céus, nós percebemos ש22 o Ruach Elohim, pensando sobre a Face das Águas, מים (Maim), se igualando como subsequente ao Versículo 2.
Na próxima palavra, ואת , nós descobrimos que o Conjuntivo ו forma a Chave numérica da Essência da Terra 11 ao invés de 5: simbolizando como o Mundo cairia ante o Reino das Conchas, e como ele deveria ser redimido pelo Filho do Homem.23
E finalmente a palavra הארץ , Ha Aretz, a Terra, tem quatro Letras mostrando sua Constituição Elemental, e sua Chave é 17 — também Esperança — Esperança na Terra assim como há Esperança no Céu. E a última letra do versículo é ץ (a letra da Esperança), que pela Qabalah das Nove Câmaras é o número que contém em si mesmo todas as propriedades das Matérias Proteicas: por mais que você multiplique-a, a Chave de seus Números é sempre 9. Símbolo apropriado da sempre-mutável matéria a qual sempre em sua essência é Uma — uma e única!
Desta forma com a primeira aparição do numero da Matéria o primeiro versículo de B’rasheth encerra: formulando em si mesmo o Princípio e o Fim da Grande Criação.
“Os Caracteres do Céu com Teu Dedo tu traçastes: Mas ninguém pode lê-los exceto os ensinados em Vossa Escola”. 

Portanto encerrando eu menciono as Poderosas Palavras:

Sit Benedictus Dominus Deus Noster Qui Nobis Dedit Signa [Taro]

Notas

1 את = o Primeiro e o Último – o Alfa e o Ômega – Aleph e Tau.
2 I.e., a Caveira Branca. Vide Idra Zuta Qadisha, cap. II. Diferenciar da caveira do Microprosopo.
3 Aqui usada em seu verdadeiro significado de “organizar em padrões progressivamente através do número”. Qabalah, קבלה , pelo Tarô, “O Mistério mostrado progressivamente em disposição equilibrada através do Comando.”
4 “Escondido por trás de meu Véu Mágico de Aparências,
Eu não sou visto completamente – não Nomeie meu Nome”.
5 N.T.: No original, Twain.
6  ב, o Magus do Poder no Tarô = Vontade.
7 Ritual do Caminho da Filha do Firmamento.
8 Pois está escrito (Genesis 1:27):


ארב אלהים את־האדם בצלמו בצלם אלהים ברא אתוזכר ונקבח ברא אדם׃


“E Elohim criou a Humanidade: à Semelhança dos Elohim eles os criaram: Homem e mulher os criaram”. Agora se ADAM é a semelhança dos Elohim: e são homem e mulher, então os Elohim também precisam ser homem e mulher. Agora no primeiro destes misteriosos três versos em Êxodo XIV, onde o nome dividido está escondido está escrito, “e veio o Anjo dos Elohim em frente ao Campo,” etc. E este anjo dos Elohim, מלאך אלהים , é as Manifestações da Presença deles. Agora מלאך tem o número 91, que também é o número de יהוה אדני , portanto pela Gematria “Tetragrammaton nosso Senhor” é o Anjo dos Elohim do Nome Dividido. Desta forma é o Tetragrammaton simbólico da Presença Manifesta dos Elohim; e se os Elohim são Macho e Fêmea, assim também precisa ser o Tetragrama. Assim também é o número de אמן (também 91) por Aiq Bekar 1+4+5=10 – a Perfeição das Sephiroth.
9 Como é acima, assim é abaixo; desta forma é dito pela Santa Qabalah que sozinho entre as Conchas está Nogah, a Esfera de Vênus, exaltada em Santidade. (Vênus é a Deusa do Amor).
10 Como está escrito no Caminho da Criança dos Filhos do Poderoso: “E o Caos bradou pela unidade da Forma e a Face do Eterno despertar... Esta Fronte e estes Olhos formaram o Fogo dos Céus Imensuráveis: e a Reflexão deles formou o Água de Águas imensuráveis. E desta forma foi formulado O Eterno Sexteto: e este é o Número do Aurora da Criação”.
11 Mas nisto está a Queda, já que aqui existem apenas seis números, de tal forma que para o sétimo o 5 é repetido. Portanto 1+2+3+4+5+6+5=26 יהוה . Assiah; Tetragrammaton como a Limitação Elemental, o Deus Ciumento. — P.
12 Lembre-se que a numeração do nome רוח אלהים é 300 = ש.
13 N.T. Brooded.
14 Vide Sepher Yetzirah para esta divisão das Sagradas Sephiroth num Sexteto ou Quarteto.
15 Como está escrito: “Tua juventude será renovada como a da Águia.” E a Águia é נ. Para consideração mais profunda deste 13, vide no Ritual do Portal a explicação desta terrível Chave. Veja a explicação deste ritual em “The Temple of Solomon the King”. Além disso, 13 é a numeração de אחד = Unidade, como também é o Grande nome de Deus, אל , por Aiq Bekar ou Temurah.
16 A Mão de Deus, sempre Símbolo de Seu Poder.
17  Lembre-se da descrição do “Caduceu” (veja ” The Temple of Solomon the King”) o Símbolo do Ar vibrando entre eles. [Além disto י, Virgo, é um signo Mercurial, e Thoth é Mercúrio, ainda que em um Plano Superior. O Eremita, com sua Lâmpada e Baqueta, é Hermes, aquele que guia as almas dos mortos, no Ritual Grego de 0=0 — P.]
18  O Nome שם , o Espírito de Deus, o segundo Nome Divino na Lei, o Tetragrammaton, ou Nome Triplo, do qual o Universo surgiu.
19 E אל = לא , Não, o Negativo.
20 A computação mais próxima para quatro casas decimais é 3,1416 (3,14159). Mas 3.1415 é bom o suficiente para os Hebreus envoltos em escuridão. — P.
Nas sublimes Computações da Qabalah as Formas Finais das letras não possuem acréscimo no valor numérico. Mem é 40, seja final ou não. O Antigo Método Hebreu de obter todos os números acima de 400 e abaixo de 1000, respectivamente ת e א, era para obter o número com as letras adequadas. Desta forma 500 poderia ser escrito תק , não ר, e 800 תת e assim por diante. [Também em poucos Arcana os Finais são contados assim. Este mistério, contudo, é pertinente a um Grau ainda mais exaltado que o nosso amado e erudito Irmão obteve no período deste Ensaio. — P.]
21 Cujo número Chave é 17: pelo Tarô — Esperança; cujo título é Filha do Firmamento, habitante entre as Águas.
22 O ה inicial não é nada senão o artigo “O”.
23 Pois 11 é o Numero das Qliphot; mas quando a Queda ocorreu e a Sephira Malkuth foi cortada da Árvore pelo enlace do Dragão foi adicionado para a Árvore דעת , o Conhecimento, como a 11ª Sephira, para preservar intacta a Decimalidade das Sephiroth. Mostrando como por esta ingestão do Fruto da Árvore do Conhecimento do Bem e do Mal deveria vir a Salvação da Humanidade; pois Daath é o Presente Sem Preço do Conhecimento e Intelecto pelo qual veio a Salvação. Portanto também é 11 o Número Chave do Nome do Grande Salvador (יהשוה = 29 = 11), e este é também no Tarô a Roda da Grande Lei, נ, o Senhor das Forças da Vida.

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