quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Liber Liberi vel Lapidis Lazvli, Advmbratio Kabbalæ Ægyptiorvm por V.V.V.V.V. em Livros Sagrados de Thelema

Liber Liberi vel Lapidis Lazvli, Advmbratio Kabbalæ Ægyptiorvm
Sigillvm Sanctvm Fraternitatis A∴A∴
A∴A∴
Publicação em Classe A. 

PRÓLOGO DO AINDA NÃO NASCIDO

  1. Para dentro da minha solidão vem —
  2. O som de uma flauta em bosques escuros que assombram as mais remotas colinas.
  3. Mesmo a partir do bravo rio eles chegam às margens do deserto.
  4. E eu contemplo Pan.
  5. As neves são eternas acima, acima —
  6. E sua névoa de perfume se eleva até as narinas das estrelas.
  7. Mas o que tenho eu a ver com isso?
  8. Para mim apenas a flauta distante, a permanente visão de Pan.
  9. Em todos os lados Pan, aos olhos, aos ouvidos;
  10. O perfume de Pan penetrando, o seu sabor preenchendo totalmente a minha boca, de modo que a língua irrompe em uma fala estranha e monstruosa.
  11. O seu abraço intenso em cada centro de dor e prazer.
  12. O sexto sentido interior arde com o Seu ser mais íntimo,
  13. Eu mesmo arremessado para baixo do precipício do ser
  14. Exatamente para o abismo, aniquilação.
  15. Um fim para a solidão, assim como para tudo.
  16. Pan! Pan! Io Pan! Io Pan!

 

I

  1. Meu Deus, como eu Te amo!
  2. Com o veemente apetite de uma fera eu Te caço através do Universo.
  3. Tu estás de pé como se estivesse sobre um pináculo às margens de alguma cidade fortificada. Eu sou um pássaro branco, e me assento sobre Ti.
  4. Tu és o Meu Amante: Eu Te vejo como uma ninfa com seus membros brancos esticados próximo da nascente.
  5. Ela se deita sobre o musgo; não há mais ninguém além dela:
  6. Tu não és Pan?
  7. Eu sou Ele. Não faleis, Ó meu Deus! Que a obra seja realizada em silêncio.
  8. Que o meu grito de dor seja cristalizado em um pequeno gamo branco para que desapareça na floresta!
  9. Tu és um centauro, Ó meu Deus, das flores violeta que coroam a Ti até as patas do cavalo.
  10. Tu és mais duro do que o aço temperado; não há diamante além de Ti.
  11. Eu não entreguei este corpo e esta alma?
  12. Eu te cortejo com uma adaga atravessada na minha garganta.
  13. Que o jorro de sangue sacie a Tua sede de sangue, Ó meu Deus!
  14. Tu és um coelhinho branco na toca da Noite.
  15. Eu sou maior do que a raposa e a cova.
  16. Dai-me Teus beijos, Ó Senhor Deus!
  17. O relâmpago veio e lambeu o pequeno floco de lã da ovelha.
  18. Há uma língua e uma chama; eu vejo aquele tridente caminhando sobre o mar.
  19. Uma fênix o tem para sua cabeça; embaixo há dois forcados. Eles ferem o ímpio.
  20. Eu Te ferirei, Ó Tu pequeno deus cinza, a menos que Tu te acauteles!
  21. Do cinza para o ouro; do ouro para aquilo que está além do ouro de Ophir.
  22. Meu Deus! Mas eu Te amo!
  23. Por que Tu sussurraste coisas tão ambíguas? Estavas Tu receoso, Ó Aquele com patas de bode, Ó Aquele com cornos, Ó pilar do relâmpago?
  24. Do relâmpago caem pérolas; das pérolas negras partículas de nada.
  25. Eu estabeleci tudo em um, um em nada.
  26. Flutuando no éter, Ó meu Deus, meu Deus!
  27. Ó Tu grande sol coberto de glória, cortai estas pálpebras!
  28. A natureza se extinguirá; ela me ocultou, fechando minhas pálpebras com medo, ela me ocultou da Minha destruição, Ó Tu olho aberto.
  29. Ó Aquele sempre em pranto!
  30. Não Ísis minha mãe, nem Osíris meu ser; mas o incestuoso Hórus entregue a Tífon, possa eu assim o ser!
  31. Há o pensamento; e o pensamento é perverso.
  32. Pan! Pan! Io Pan! É suficiente.
  33. Não te precipites na morte, Ó minha alma! Pensai que a morte é o leito no qual estás caindo!
  34. Ó como eu Te amo, Ó meu Deus! Especialmente se há uma veemente luz paralela do infinito, vilmente difratada na bruma desta mente.
  35. Eu Te amo.
    Eu Te amo.
    Eu Te amo.
  36. Tu és uma coisa bela mais branca do que uma mulher na coluna desta vibração.
  37. Eu disparo verticalmente como uma flecha, e me torno aquilo Acima.
  38. Mas isto é morte, e a chama da pira.
  39. Ascendei na chama da pira, Ó minha alma! Teu Deus é como o gélido vazio do céu mais remoto, no qual tu radiaste tua pequena luz.
  40. Quando Tu me conheceres, Ó Deus vazio, minha chama expirará completamente na Tua grande N. O. X.
  41. O que Tu serás, meu Deus, quando eu tiver cessado de Te amar?
  42. Um verme, um nada, um vilão covarde!
  43. Mas Ó! Eu Te amo.
  44. Eu joguei um milhão de flores da cesta do Além aos Teus pés, eu ungi a Ti e ao Teu Bastão com óleo e sangue e beijos.
  45. Eu inflamei o Teu mármore para a vida – sim! Para a morte.
  46. Eu fui atingido pelo odor da Tua boca, que jamais sorve o vinho, mas a vida.
  47. Como o orvalho do Universo embranquece os lábios!
  48. Ah! Gotejante fluxo das estrelas da mãe Celestial, vá-se embora!
  49. Eu Sou Aquela que deverá vir, a Virgem de todos os homens.
  50. Eu sou um garoto perante Ti, Ó Tu Deus sátiro.
  51. Tu infligirás a punição do prazer – Agora! Agora! Agora!
  52. Io Pan! Io Pan! Eu Te amo. Eu Te amo.
  53. Ó meu Deus, me libere!
  54. Agora!
    Está feito! Morte.
  55. Eu gritei bem alto a palavra – e ela foi um poderoso conjuro para compelir o Invisível, um encantamento para desatar o atado; sim, para desatar o atado.

 

II

  1. Ó meu Deus! Usai-me Tu novamente, sempre. Para sempre! Para sempre!
  2. Que aquilo que vem como fogo de Ti venha como água de mim; portanto que o Teu Espírito se assente firmemente em mim, de modo que a minha mão direita solte o relâmpago.
  3. Viajando através do espaço, eu vi a arremetida de duas galáxias, colidindo uma com a outra e sangrando como touros sobre a terra. Eu fiquei com medo.
  4. E assim elas pararam de lutar e se voltaram contra mim, e eu fui gravemente esmagado e rasgado.
  5. Seria melhor se eu tivesse sido pisoteado pelo Mundo-Elefante.
  6. Ó meu Deus! Tu és a minha querida pequena tartaruga!
  7. Ainda assim Tu sustentas o Mundo-Elefante.
  8. Eu rastejo sob a Tua carapaça, como um amante na cama da sua bela; eu rastejo, e me sento em Teu coração, por mais apertado e aconchegante que seja.
  9. Tu me abrigas, para que eu não ouça o bramido daquele Mundo-Elefante.
  10. Tu não vales um óbolo na ágora; ainda assim Tu não deverás ser comprada ao preço do resgate de todo o Universo.
  11. Tu és como uma bela escrava núbia repousando seu púrpura nu contra os verdes pilares de mármore que estão acima da banheira.
  12. O vinho jorra de seus negros mamilos.
  13. Eu bebi vinho por um instante quando estive na casa de Pertinax. O serviçal me tratou com cortesia, e me ofereceu corretamente o doce Chian.
  14. Havia um garoto Dórico, hábil em atos de força, um atleta. A lua cheia desapareceu colericamente por trás das ruínas.
    Ah! Mas nós demos risadas.
  15. Eu estava perniciosamente embriagado, Ó meu Deus! E ainda assim Pertinax me levou ao casamento.
  16. Eu tinha uma coroa de espinhos como todo o meu dote.
  17. Tu és como um chifre de bode de Astor, Ó Tu meu Deus, curvado e enganador e diabolicamente forte.
  18. Mais frio do que todo o gelo de todas as geleiras da Montanha Nua foi o vinho que ele verteu para mim.
  19. Um país selvagem e uma lua minguante.
    Nuvens correndo por sobre o céu.
    Um círculo de pinheiros, e de altos seixos além. E Tu ao centro!
  20. Ó todos vós sapos e gatos, alegrem-se! Vós coisas lodosas, venham cá!
  21. Dancem, dancem ao Senhor nosso Deus!
  22. Ele é ele! Ele é ele! Ele é ele!
  23. Por que eu deveria prosseguir?
  24. Por que? Por que? Vem a súbita tagarelice de um milhão de diabinhos do inferno.
  25. E a gargalhada continua.
  26. Mas não adoece o Universo; mas não abala as estrelas.
  27. Deus! Como eu Te amo!
  28. Eu estou caminhando em um hospício; todos os homens e mulheres ao meu redor estão loucos.
  29. Ó loucura! loucura! loucura! Desejável és tu!
  30. Mas eu Te amo, Ó Deus!
  31. Estes homens e mulheres rugem e uivam; eles espumam loucura.
  32. Eu começo a ficar receoso. E não tenho saída; Eu estou só. Só. Só.
  33. Pensai, Ó Deus, em como eu sou feliz no Teu amor.
  34. Ó Pan de mármore! Ó falso rosto malicioso! Eu amo os Teus beijos obscuros, sangrentos e fétidos! Ó Pan de mármore! Teus beijos são como a luz do sol sobre o Egeu azul; o sangue deles é o sangue do por do sol sobre Atenas; o fedor deles é como um jardim de Rosas da Macedônia.
  35. Eu sonhei com o por do sol e rosas e vinhos; Tu estavas lá, Ó meu Deus, Tu de fato te trajastes como uma cortesã Ateniense, e eu Te amei.
  36. Tu não és sonho, Ó Tu tão belo como estavas para adormecer e despertar!
  37. Eu disperso o povo insano da terra; eu caminho sozinho com meus pequenos bonecos no jardim.
  38. Eu sou o Gigante; aquela distante galáxia nada mais é do que o anel de fumaça do meu incenso.
  39. Queimai Tu ervas estranhas, Ó Deus!
  40. Preparai-me um licor mágico, garotos, com os seus relances!
  41. A própria alma está embriagada.
  42. Tu estás embriagado, Ó meu Deus, pelos meus beijos.
  43. O Universo titubeia; Tu olhaste em sua direção.
  44. Duas vezes, e tudo está feito.
  45. Vinde, Ó meu Deus, e que nos abracemos!
  46. Preguiçosamente, avidamente, ardentemente, pacientemente; assim eu trabalharei.
  47. Haverá um Fim.
  48. Ó Deus! Ó Deus!
  49. Eu sou um louco por Te amar; Tu és cruel, Tu recusas a Ti mesmo.
  50. Vinde a mim agora! Eu Te amo! Eu Te amo!
  51. Ó meu querido, meu querido – Beija-me! Beija-me! Ah! Mais uma vez.
  52. Sono, toma-me! Morte, toma-me! Esta vida é muito cheia; ela magoa, ela destrói, ela satisfaz.
  53. Deixa-me voltar para o mundo; sim, de volta para o mundo.

 

III

  1. Eu era o sacerdote de Ammon-Ra no templo de Ammon-Ra em Thebai.
  2. Porém Bacchus veio cantando com suas tropas de garotas vestidas de parreiras, de garotas em mantos escuros; e Bacchus ao centro como um gamo!
  3. Deus! Como me inflamei na minha fúria e dispersei o coro!
  4. Mas no meu templo ficou Bacchus como o sacerdote de Ammon-Ra.
  5. Então eu saí descontrolado com as garotas para a Abissínia; e lá nós habitamos e nos regozijamos.
  6. Excessivamente; sim, em boa realidade!
  7. Eu comerei o fruto maduro e o não maduro para a glória de Bacchus.
  8. Varandas de azevinho, e fileiras de ônix e opala e sardônica conduzindo até o frio pórtico verde de malaquita.
  9. Dentro há uma concha de cristal, perfilada como uma ostra – Ó glória de Príapo! Ó beatitude da Grande Deusa!
  10. Dentro desta há uma pérola.
  11. Ó Pérola! Tu nasceste da majestade do terrível Ammon-Ra.
  12. Então eu o sacerdote vi um brilho incessante no coração da pérola.
  13. Tão brilhante que nós não podíamos olhar! Porém vide! Uma rosa vermelho-sangue sobre uma cruz de ouro brilhante!
  14. Então eu adorei o Deus. Bacchus! Tu és o amante do meu Deus!
  15. Eu que era sacerdote de Ammon-Ra, que vi o Nilo fluir por muitas luas, por muitas, muitas luas, sou o jovem gamo da terra cinza.
  16. Eu vou começar a minha dança nos seus encontros, e meus amores secretos serão doces entre vós.
  17. Tu terás um amante entre os senhores da terra cinza.
  18. Este será trazido a ti, sem o que tudo é em vão; a vida de um homem derramada pelo teu amor sobre os Meus Altares.
  19. Amém.
  20. Que seja breve, Ó Deus, meu Deus! Eu sofro por Ti, eu vagueio muito solitário entre a gente insana, na terra cinza de desolação.
  21. Tu erguerás a abominável Coisa solitária de perversidade. Ó prazer! Assentar aquela pedra angular!
  22. Ela ficará ereta sobre a alta montanha; apenas o meu Deus comungará com ela.
  23. Eu a construirei de um simples rubi; ela poderá ser vista de muito longe.
  24. Vinde! Irritemos os vasos da terra: eles destilarão estranho vinho.
  25. Ele cresce sob minha mão: ele cobrirá todo o firmamento.
  26. Tu estás por trás de mim: Eu grito num louco prazer.
  27. Então disse Ithuriel o forte; que nós também adoremos esta maravilha invisível!
  28. Assim o fizeram, e os arcanjos choraram sobre o céu.
  29. Estranho e místico, como um sacerdote amarelo invocando poderosos vôos de grandes pássaros cinza desde o Norte, assim permaneço e Te invoco!
  30. Que eles não obscureçam o sol com suas asas e sua algazarra!
  31. Levai embora a forma e sua sucessão!
  32. Eu estou estático.
  33. Tu és como uma águia marinha por entre o arrozal, eu sou o grande pelicano vermelho nas águas do por do sol.
  34. Eu sou como um negro eunuco; e Tu és a cimitarra. Eu corto a cabeça do luminoso, aquele que rompe o pão e o sal.
  35. Sim! Eu corto – e o sangue faz parecer como se fosse um por do sol por sobre o lápis lázuli da Alcova do Rei.
  36. Eu corto! O mundo inteiro se rompe em um poderoso vento, e uma voz grita alto numa língua que os homens não conseguem falar.
  37. Eu conheço aquele som terrível do prazer primordial; sigamos nas asas da ventania diretamente para a casa santa de Hathor; ofereçamos as cinco jóias da vaca sobre o seu altar!
  38. Novamente a voz não humana!
  39. Eu lanço o meu volume Titânico para dentro dos dentes da ventania, e eu corto e triunfo, e faço uma curva por sobre o mar.
  40. Há um estranho Deus pálido, um deus de dor e perversidade mortal.
  41. Minha própria alma morde a si mesma, como um escorpião cercado pelo fogo.
  42. Aquele Deus pálido com o rosto desviado, aquele Deus de sutileza e gargalhada, aquele jovem Deus Dórico, a ele eu servirei.
  43. Pois o fim disto é o tormento inexprimível.
  44. Melhor a solidão do grande mar cinza!
  45. Mas o povo da terra cinza adoeceu, meu Deus!
  46. Deixe-me sufocá-los com as minhas rosas!
  47. Ó Tu delicioso Deus, sorriso sinistro!
  48. Eu Te colho, Ó meu Deus, como uma ameixa púrpura sobre uma árvore ensolarada. Como Tu te dissolveste na minha boca, Tu açúcar consagrado das Estrelas!
  49. O mundo é todo cinza perante os meus olhos; ele é como um velho odre de vinho desgastado.
  50. Todo o vinho dele está nestes lábios.
  51. Tu me geraste sobre uma Estátua de mármore, Ó meu Deus!
  52. O corpo está gelado pelo frio de um milhão de luas; ele está mais rígido do que o diamante da eternidade. Como eu seguirei para a luz?
  53. Tu és Ele, Ó Deus! Ó meu querido! Minha criança! Meu brinquedo! Tu és como um grupo de donzelas, como uma multidão de cisnes sobre o lago.
  54. Eu sinto a essência da suavidade.
  55. Eu sou duro e forte e masculino; mas vinde Tu! Eu serei suave e frágil e feminino.
  56. Tu me triturarás na prensa de vinho do Teu amor. Meu sangue tingirá Teus pés ardentes com litanias de Amor em Angústia.
  57. Haverá uma nova flor nos campos, uma nova vindima nos vinhedos.
  58. As abelhas colherão um novo mel; os poetas cantarão uma nova canção.
  59. Eu ganharei a Dor do Bode como meu prêmio; e o Deus que se assenta sobre os ombros do Tempo dormirá.
  60. Então tudo isso que está escrito será realizado: sim, será realizado.

 

IV

  1. Eu sou como uma donzela se banhando numa piscina clara de água fresca.
  2. Ó meu Deus! Eu Te vejo negro e desejável, surgindo por entre a água como uma fumaça dourada.
  3. Tu és totalmente dourado, o cabelo e as sobrancelhas e o rosto brilhante; mesmo nas pontas dos dedos das mãos e dos pés. Tu és um sonho róseo de ouro.
  4. Minha alma salta profundamente para dentro dos Teus olhos que são dourados, como um arcanjo ameaçando o sol.
  5. Minha espada Te atravessa uma e outra vez; luas cristalinas saem do Teu belo corpo que está oculto por trás da curvatura dos Teus olhos.
  6. Mais fundo, ainda mais fundo. Eu caio, exatamente como todo o Universo se precipita no abismo dos Anos.
  7. Pois a Eternidade chama; o Mundo do alto chama; o mundo da Palavra está nos esperando.
  8. Exauris a fala, Ó Deus! Cravai as presas do cão Eternidade nesta minha garganta!
  9. Eu sou como um pássaro ferido se debatendo em círculos.
  10. Quem sabe onde cairei?
  11. Ó Abençoado! Ó Deus! Ó meu devorador!
  12. Deixa-me cair, me precipitar, me perder, longe, sozinho!
  13. Deixa-me cair!
  14. Nem há qualquer descanso, Amado, salvo no berço do real Bacchus, a coxa do Mais Sagrado.
  15. Ali há descanso, sob o dossel da noite.
  16. Urano repreendeu Eros; Marsyas repreendeu Olympas; eu repreendo o meu belo amante com sua cabeleira de raios de sol; eu não cantarei?
  17. Meus encantamentos não trarão ao meu redor a maravilhosa companhia dos deuses da floresta, seus corpos brilhando com o unguento da luz do luar e mel e mirra?
  18. Veneráveis sois vós, Ó meus amantes; vamos avante para a cova mais escura!
  19. Lá nos banquetearemos com mandrágora e alho mágico!
  20. Lá O Amável nos concederá o Seu santo banquete. Nos bolos tostados de milho provaremos o alimento do mundo, e nos fortaleceremos.
  21. No avermelhado e terrível cálice de morte nós beberemos o sangue do mundo, e nos embriagaremos!
  22. Óé! A canção para Iao, a canção para Iao!
  23. Vinde, deixa-nos cantar para ti, Iacchus invisível, Iacchus triufante, Iacchus inefável!
  24. Iacchus, Ó Iacchus, Ó Iacchus, estejas próximo de nós!
  25. Então o semblante de todo o tempo escureceu, e a luz verdadeira brilhou.
  26. Também havia um certo grito em uma língua desconhecida, cuja estridência perturbou as águas tranquilas da minha alma, de modo que a minha mente e o meu corpo foram curados de sua doença, auto conhecimento.
  27. Sim, um anjo perturbou as águas.
  28. Este era o grito Dele: IIIOOShBTh-IO-IIIIAMAMThIBI-II.
  29. Nem tampouco eu cantei isto mil vezes por noite durante mil noites antes que Tu viesses, Ó meu Deus flamejante, e me perfurasse com a Tua lança. Teu manto escarlate revelou os céus totalmente, de modo que os Deuses disseram: Tudo está queimando: isto é o fim.
  30. Também Tu colocastes Teus lábios na ferida e sugastes um milhão de ovos. E Tua mãe sentou-se sobre eles, e eis! Estrelas e estrelas e Coisas derradeiras das quais as estrelas são os átomos.
  31. Então eu Te percebi, Ó meu Deus, sentado como um gato branco sobre a treliça do caramanchão; e o zumbido dos mundos rodopiantes era nada mais que Teu prazer.
  32. Ó gato branco, as centelhas saltam do Teu pelo! Tu crepitastes ao partir os mundos.
  33. Eu vi mais de Ti no gato branco do que vi na Visão dos Æons.
  34. Na barca de Ra eu viajei, mas eu jamais descobri sobre o Universo visível qualquer ser como Ti!
  35. Tu eras como um cavalo branco alado, e eu Te cavalguei através da eternidade contra o Senhor dos Deuses.
  36. Assim ainda cavalgamos!
  37. Tu eras como um floco de neve caindo sobre as florestas cobertas de pinheiros.
  38. Em um momento Tu estavas perdido em um deserto do igual e do diferente.
  39. Mas eu contemplei o belo Deus por trás da nevasca – e Tu eras Ele!
  40. Também em li em um grande livro.
  41. Sobre pele antiga estava escrito em letras douradas: Verbum fit Verbum.
  42. Também Vitriol e o nome do hierofante
    V.V.V.V.V.
  43. Tudo isso girava em fogo, em fogo de estrela, raro e distante e completamente solitário – exatamente como Tu e eu, Ó alma desolada meu Deus!
  44. Sim, e a escrita
Está bem. Esta é a voz que sacudiu a terra.
  1. Oito vezes ele gritou alto, e por oito e por oito eu contarei os Teus favores, Ó Tu Onze vezes Deus 418!
  2. Sim, e por muito mais; pelo dez nas vinte e duas direções; exatamente como a perpendicular da Pirâmide – assim serão os Teus favores.
  3. Se eu os numero, eles são Um.
  4. Excelente é Teu amor, Ó Senhor! Tu és revelado pela escuridão, e aquele que tateia no horror dos bosques Te agarrará por acaso, exatamente como uma serpente que ataca um pequeno passarinho que canta.
  5. Eu Te agarrei, Ó meu afável tordo; eu sou como um falcão de mãe-esmeralda; eu Te agarro por instinto, embora meus olhos se enganem pela Tua glória.
  6. Ainda assim eles estão para além da tolice das pessoas. Eu as vejo na areia amarela, e vestidas em púrpura Tiriana.
  7. Eles arrastam o seu Deus brilhante para a terra em redes; eles fazem uma fogueira para o Senhor do Fogo, e gritam palavras profanas, até mesmo a terrível maldição Amri maratza, maratza, atman deona lastadza maratza maritza—marán!
  8. Então eles cozinham o deus brilhante, e o engolem inteiro.
  9. Essas são pessoas perversas, Ó belo garoto! Passemos para o Outro Mundo.
  10. Transformemo-nos numa isca agradável, numa forma sedutora!
  11. Eu serei como uma esplêndida mulher nua com seios de marfim e mamilos dourados; todo o meu corpo será como o leite das estrelas. Eu serei lustroso e grego, uma cortesã de Delos, da Ilha instável.
  12. Tu serás como um pequeno verme vermelho em um anzol.
  13. Mas tu e eu pegaremos o nosso peixe de modo semelhante.
  14. Então tu serás um peixe brilhante com as costas douradas e o ventre prateado: eu serei como um homem belo violento, mais forte do que dois touros premiados, um homem do Oeste carregando um grande saco de joias preciosas sobre um bastão que é maior do que o eixo de tudo.
  15. E o peixe será sacrificado a Ti e o homem forte crucificado para Mim, e Tu e eu beijaremos, para reparar o erro do Início; sim, para reparar o erro do Início.

 

V

  1. Ó meu belo Deus! Eu nado em Teu coração como uma truta na torrente da montanha.
  2. Eu salto de lagoa em lagoa no meu prazer; eu sou gracioso em marrom e dourado e prateado.
  3. Porque, eu sou mais atraente do que as árvores castanho-avermelhadas na primeira nevasca de outono.
  4. E a caverna de cristal do meu pensamento é mais fascinante do que eu.
  5. Apenas um anzol de pesca pode me puxar para fora; ele é uma mulher se ajoelhando na margem do córrego. É ela quem derrama o orvalho brilhante sobre si mesma, e na areia de modo que o rio jorre.
  6. Há um pássaro em uma murta mais além; apenas a canção daquele pássaro pode me retirar da lagoa do Teu coração, Ó meu Deus!
  7. Quem é este garoto Napolitano que gargalha na sua alegria? Sua amante é a poderosa cratera da Montanha de Fogo. Eu vi os seus membros carbonizados apoiados para baixo das encostas numa língua furtiva de pedra líquida.
  8. E Ó! O piar da cigarra!
  9. Eu me lembro dos dias quando eu era cacique no México.
  10. Ó meu Deus, eras Tu então como agora o meu belo amante?
  11. Era a minha juventude então como agora o Teu brinquedo, Teu prazer?
  12. De fato, eu me lembro daqueles dias de ferro.
  13. Eu me lembro como nós ensopávamos aqueles lagos amargos com a nossa torrente de ouro; como nós enterramos a preciosa imagem na cratera de Citlaltepetl.
  14. Como a boa chama nos suspendeu diretamente sobre as terras baixas, nos conduzindo para dentro da floresta impenetrável.
  15. Sim, Tu eras um estranho pássaro escarlate com um bico de outro. Eu era o Teu companheiro nas florestas da terra baixa; e ainda assim nós ouvíamos de longe o canto estridente dos sacerdotes mutilados e o clamor insano do Sacrifício das Virgens.
  16. Havia um estranho Deus alado que nos contou sobre a sua sabedoria.
  17. Nós conseguimos ser grãos estrelados de pó de ouro nas areias de um rio vagaroso.
  18. Sim, e aquele rio era o rio do espaço e também do tempo.
  19. Daí nós partimos; uma vez para o menor, uma vez para o maior, até agora, Ó doce Deus, nós somos nós mesmos, o mesmo.
  20. Ó meu Deus, Tu é como um pequeno bode branco com raios nos seus chifres!
  21. Eu Te amo, eu Te amo.
  22. Cada respiração, cada palavra, cada pensamento, cada feito é um ato de amor Contigo.
  23. A batida do meu coração é o pêndulo do amor.
  24. As minhas canções são os suaves suspiros:
  25. Os meus pensamentos são um verdadeiro arrebatamento:
  26. E os meus feitos são as miríades dos Teus filhos, as estrelas e os átomos.
  27. Que nada haja!
  28. Que todas as coisas se derramem neste oceano de amor!
  29. Seja esta devoção um potente encantamento para exorcizar os demônios dos Cinco!
  30. Ah Deus, tudo se foi! Tu consumastes o Teu êxtase. Falútli! Falútli!
  31. Há uma solenidade do silêncio. Não existe mais voz em absoluto.
  32. Então isto estará no fim. Nós que éramos pó jamais desapareceremos no pó.
  33. Então assim será.
  34. Então, Ó meu Deus, o sopro do Jardim das Especiarias. Todas estas tem um sabor de aversão.
  35. O cone é cortado com um raio infinito; a curva da vida hiperbólica salta para a existência.
  36. Mais e mais distante nós flutuamos; e ainda assim estamos parados. É a série de sistemas que está se perdendo de nós.
  37. Primeiro cai o mundo estúpido; o mundo da velha terra cinza.
  38. Cai em uma distância impensável, com seu pesaroso rosto barbado agindo sobre ele; ele desvanece para o silêncio e a angústia.
  39. Estamos em silêncio e êxtase, e a face é a face risonha de Eros.
  40. Sorrindo nós o saudamos com os sinais secretos.
  41. Ele nos conduz ao Palácio Invertido.
  42. Lá está o Coração de Sangue, uma pirâmide apontando seu vértice para baixo além do Erro do Início.
  43. Ocultai-me na Tua Glória, Ó querido, Ó principesco amante desta donzela meretriz, dentro da Câmara mais Secreta do Palácio!
  44. Isto é feito rapidamente; sim, o selo é afixado sobre o jazigo.
  45. Existe um que terá proveito em abri-lo.
  46. Não pela memória, nem pela imaginação, nem por oração, nem por jejum, nem por flagelação, nem pelas drogas, nem por ritual, nem por meditação; apenas através do amor passivo ele se beneficiará.
  47. Ele aguardará pela espada do Amado e colocará à mostra sua garganta para o golpe.
  48. Então o sangue dele jorrará e me escreverá runas no céu; sim, me escreverá runas no céu.

 

VI

  1. Tu eras uma sacerdotisa, Ó meu Deus, entre os Druidas; e nós conhecíamos os poderes do carvalho.
  2. Construímos para nós um templo de pedras no formato do Universo, exatamente como tu o trajastes abertamente e eu reservadamente.
  3. Lá nós realizamos muitas coisas maravilhosas por volta da meia noite.
  4. Nós operamos por meio da lua minguante.
  5. Por sobre a planície veio o uivo atroz dos lobos.
  6. Nós respondemos; nós caçamos junto com a alcateia.
  7. Nós fomos diretamente para a nova Capela e Tu colocaste o Santo Graal sob as Tuas vestes de Druida.
  8. Secretamente e discretamente nós bebemos do sacramento revelador.
  9. Então uma terrível doença se apoderou do povo da terra cinza; e nós nos enchemos de contentamento.
  10. Ó meu Deus, dissimulai a Tua glória!
  11. Vinde como um ladrão, e roubemos os Sacramentos!
  12. Em nossos bosques, em nossas celas de claustro, em nossa colmeia de felicidade, bebamos, bebamos!
  13. Este é o vinho que tinge a tudo com a verdadeira tintura do ouro infalível.
  14. Há profundos segredos nestas canções. Não é suficiente ouvir o pássaro; para apreciar a canção ele deve ser o pássaro.
  15. Eu sou o pássaro, e Tu és a minha canção, Ó meu glorioso Deus galopante!
  16. Tu dominas nas estrelas; tu conduzes as sete constelações lado a lado através do circo da Não-existência.
  17. Tu Deus Gladiador!
  18. Eu toco a minha harpa; Tu lutas com as bestas e as chamas.
  19. Tu sentes o Teu prazer na música, e eu na luta.
  20. Tu e eu somos queridos pelo Imperador.
  21. Vide! Ele nos convocou ao trono Imperial.
    A noite cai; é uma grande orgia de adoração e êxtase.
  22. A noite cai como uma capa adornada dos ombros de um príncipe sobre um escravo.
  23. Ele ergue um homem livre!
  24. Lança tu, Ó profeta, a capa por sobre estes escravos!
  25. Uma grande noite, e poucas fogueiras neste lugar; mas a liberdade para o escravo que sua glória envolverá.
  26. Então eu também desci para a grande cidade triste.
  27. Lá a Messalina morta trocou sua coroa pelo veneno do morto Locusta; lá esteve Calígula, e golpeou os mares de esquecimento.
  28. Quem eras Tu, Ó César, que conhecestes Deus em um cavalo?
  29. Vide! Nós vimos o Cavalo Branco do Saxão gravado sobre a terra; e nós vimos os Cavalos do Mar que flamejam sobre a velha terra cinza, e a espuma das suas narinas nos iluminam!
  30. Ah! Mas eu te amo, Deus!
  31. Tu és como uma lua sobre o mundo de gelo.
  32. Tu és como a alvorada das neves mais distantes sobre as planícies queimadas da terra do tigre.
  33. Pelo silêncio e pela fala eu Te adoro.
  34. Mas tudo é em vão.
  35. Apenas o Teu silêncio e a Tua fala que me beneficiam na adoração.
  36. Lamentai, Ó vós povo da terra cinza, pois nós bebemos do seu vinho, e deixamos para vós nada além do que a borra mais amarga.
  37. Ainda assim destas nós destilaremos para vós um licor além do néctar dos Deuses.
  38. Há valor na nossa tintura para um mundo de Especiarias e ouro.
  39. Pois o nosso pó vermelho de projeção está além de todas as possibilidades.
  40. Há poucos homens; há o suficiente.
  41. Teremos muitos copeiros, e o vinho não está restrito.
  42. Ó meu querido Deus! Que festa Tu providenciaste.
  43. Contemplai as luzes e as flores e as donzelas!
  44. Provai os vinhos e os bolos e as esplêndidas refeições!
  45. Inalai os perfumes e as nuvens de pequenos deuses como ninfas da floresta que habitam nas narinas!
  46. Senti com todo o teu corpo a gloriosa suavidade do frescor do mármore e o calor generoso do sol e dos escravos!
  47. Que o Invisível conceda essência a toda Luz devoradora do seu rompente vigor!
  48. Sim! O mundo todo é partido ao meio, como uma velha árvore cinza pelo raio!
  49. Vinde, Ó vos deuses, e festejemos.
  50. Tu, Ó meu querido, Ó meu incessante Deus-Pardal, meu deleite, meu desejo, meu enganador, vinde Tu e gorjeie na minha mão direita!
  51. Este era o conto da memória de Al A’in o sacerdote; sim, de Al A’in o sacerdote.

 

VII

  1. Pela queima do incenso foi a Palavra revelada, e pela droga distante.
  2. Ó refeição e mel e óleo! Ó belo estandarte da lua, que ela estende no centro do êxtase!
  3. Estes soltam as ataduras do cadáver; estes soltam os pés de Osíris, de modo que o Deus flamejante possa se enfurecer através do firmamento com a sua lança fantástica.
  4. Mas a triste estátua é puro mármore preto, e a dor imutável dos olhos é amarga para o cego.
  5. Nós compreendemos o arrebatamento daquele mármore estremecido, despedaçado pelos espasmos da criança coroada, o bastão dourado do Deus dourado.
  6. Nós sabemos porque tudo está ocultado na pedra, dentro do ataúde, dentro do poderoso sepulcro, e nós também respondemos Olalám! Imál! Tutúlu! Como está escrito no antigo livro.
  7. Três palavras daquele livro são como vida para um novo aeon; nenhum deus leu por inteiro.
  8. Mas tu e eu, Ó Deus, o escrevemos página por página.
  9. Nossa é onze vezes a leitura da palavra por Onze vezes.
  10. Estas sete letras juntas criam diversas palavras; cada palavra é divina, e sete sentenças estão ocultas aí.
  11. Tu és a Palavra, Ó meu querido, meu senhor, meu mestre!
  12. Ó vinde a mim, misture o fogo e a água, tudo dissolverá.
  13. Eu Te aguardo no sono, no despertar. Eu não mais Te invoco; Pois Tu estás em mim, Ó Tu que me fizeste um belo instrumento afinado com o Teu êxtase.
  14. Ainda assim Tu estás sempre separado, assim como eu.
  15. Eu me lembro de certo feriado no crepúsculo do ano, no crepúsculo do Equinócio de Osíris, quando pela primeira vez eu Te contemplei visivelmente; quando pela primeira vez a terrível questão foi resolvida; quando Aquele com cabeça de Íbis resolveu o conflito.
  16. Eu me lembro do Teu primeiro beijo, exatamente como deveria uma donzela lembrar. Nem nos escuros atalhos houve outro: Teus beijos continuaram.
  17. Não há nenhum outro além de Ti em todo o Universo de Amor.
  18. Meu Deus, eu Te amo, Ó Tu bode com chifres adornados!
  19. Tu belo touro de Ápis! Tu bela serpente de Apep! Tu bela criança da Deusa Grávida!
  20. Tu te agitaste no Teu sono, Ó antiga tristeza dos anos! Tu ergueste a Tua cabeça para atingir, e tudo está dissolvido no Abismo de Glória.
  21. Um fim para as letras das palavras! Um fim para a fala sétupla.
  22. Explique-me a maravilha disso tudo na figura de um camelo magro veloz andando a largos passos sobre a areia.
  23. Sozinho ele está, e abominável; ainda assim ele ganhou a coroa.
  24. Ó alegra-te! Alegra-te!
  25. Meu Deus! Ó meu Deus! Eu sou nada mais que um grão na poeira das estrelas das eras; eu sou o Mestre do Segredo das Coisas.
  26. Eu sou o Revelador e o Preparador. Minha é a Espada – e a Mitra e o Bastão Alado!
  27. Eu sou o Iniciador e o Destruidor. Meu é o Globo – e o pássaro Bennu e o Lótus de Ísis minha filha!
  28. Eu sou Aquele além de todos estes; e eu porto os símbolos da poderosa escuridão.
  29. Haverá um sigilo como o de um vasto, negro e ameaçador oceano de morte e o brilho central da escuridão, irradiando sua noite sobre tudo.
  30. Ele engolirá aquela escuridão menor.
  31. Porém naquela profundeza quem responderá: O que é?
  32. Não eu.
  33. Não Tu, Ó Deus!
  34. Vinde, não vamos mais discutir juntos; vamos nos divertir! Sejamos nós mesmos, silentes, únicos, distantes.
  35. Ó florestas solitárias do mundo! Em quais recessos tu ocultarás nosso amor?
  36. A floresta das lanças do Altíssimo é chamada Noite, e Hades, e o Dia da Ira; mas eu sou Seu capataz, e eu carrego o Seu cálice.
  37. Não me temas com meus lanceiros! Eles matarão os demônios com seus pequenos forcados. Vós sereis livres.
  38. Ah, escravos! vós não – vós não sabeis como querer.
  39. Ainda assim a música das minhas lanças será uma canção de liberdade.
  40. Um grande pássaro voará desde o Abismo de Prazer, e vos arribará para seres meus copeiros.
  41. Vinde, Ó meu Deus, em um ultimo arrebatamento alcancemos a União com os Muitos!
  42. No silêncio das Coisas, na Noite das Forças, além do maldito domínio dos Três, gozemos nosso amor!
  43. Meu querido! Meu querido! Para fora, para além da Assembleia e da Lei e da Iluminação para uma Anarquia de Solidão e Escuridão!
  44. Pois mesmo assim nós devemos ocultar o brilho do nosso Ser.
  45. Meu querido! Meu querido!
  46. Ó meu Deus, mas o amor em Mim queima para além dos limites do Espaço e do Tempo; meu amor é derramado entre aqueles que amam não amar.
  47. Meu vinho é derramado para aqueles que jamais provaram o vinho.
  48. As emanações dali vão intoxicá-los e o vigor do meu amor produzirá crianças poderosas para as suas donzelas.
  49. Sim! Sem influxo, sem abraço: – e a Voz respondeu Sim! Estas coisas serão.
  50. Então eu busquei uma Palavra para Mim mesmo; de fato, para mim mesmo.
  51. E a Palavra veio: Ou Tu! Isto está bem. Não te preocupes com nada! Eu Te amo! Eu Te amo!
  52. Assim eu tive confiança até o fim de tudo; sim, até o fim de tudo.

Liber Tzaddi vel Hamvs Hermeticvs por V.V.V.V.V. em Livros Sagrados de Thelema

Liber Tzaddi vel Hamvs Hermeticvs
Sigillvm Sanctvm Fraternitatis A∴A∴
A∴A∴
Publicação em Classe A. 

  1. Em nome do Senhor da Iniciação, Amém.
  2. Eu voo e eu pouso como um falcão: de mãe-esmeralda são as minhas poderosas e extensas asas.
  3. Eu mergulho sobre a terra negra; e ela se alegra em ver a minha chegada.
  4. Filhos da Terra! Alegrai-vos! Alegrai-vos extremamente; pois a sua salvação está próxima.
  5. O fim da tristeza chegou; eu vos arrebatarei para a minha inexprimível alegria.
  6. Eu vos beijarei, e vos trarei para as núpcias: eu prepararei um banquete perante vós na casa da felicidade.
  7. Eu não vim para vos repreender, ou para escravizar-vos.
  8. Eu não vos ordeno que renuncieis os vossos modos voluptuosos, a vossa indolência, as vossas tolices.
  9. Porém eu vos trago alegria para o vosso prazer, paz para a vossa ociosidade, sabedoria para a vossa tolice.
  10. Tudo o que vós fazeis é certo, se é assim que vós o apreciais.
  11. Eu vim contra a tristeza, contra o tédio, contra aqueles que buscam escravizar-vos.
  12. Eu verto sobre vós o vinho da purificação, que vos concede deleite tanto no ocaso quanto no alvorecer.
  13. Vinde comigo, e eu vos darei tudo o que é desejável sobre a terra.
  14. Porque eu vos concedo aquilo do que a Terra e seus prazeres são nada mais que sombras.
  15. Eles vão embora, mas a minha alegria permanece até o fim.
  16. Eu me ocultei sob uma máscara: em sou um Deus negro e terrível.
  17. Com a coragem conquistando o temor vós vos aproximareis de mim: vós repousareis as vossas cabeças sobre o meu altar, esperando o golpe da espada.
  18. Mas o primeiro beijo de amor será radiante nos seus lábios; e toda a minha escuridão e terror se tornarão luz e prazer.
  19. Somente aqueles que temem fracassarão. Aqueles que curvaram suas costas para o jugo da escravidão até que não mais consigam ficar eretos; a estes eu desprezarei.
  20. Mas vós que desafiastes a lei; vós que conquistastes por sutileza ou à força; vós eu trarei para mim, eu mesmo vos trarei para mim.
  21. Eu nada vos peço para sacrificar no meu altar; eu sou o Deus que tudo concede.
  22. Luz, Vida, Amor; Força, Fantasia, Fogo; estes eu vos trago: minhas mãos estão repletas destes.
  23. Existe alegria no começo; existe alegria na jornada; existe alegria no objetivo.
  24. Contudo se vós estiverdes tristes, ou fatigados, ou irritados, ou aflitos; então vós podereis saber que perdestes o fio dourado, o fio pelo qual eu vos guio até o coração dos bosques de Eleusis.
  25. Meus discípulos são orgulhosos e belos; eles são fortes e velozes; eles controlam seu caminho como poderosos conquistadores.
  26. O fraco, o tímido, o imperfeito, o covarde, o pobre, o lamurioso – estes são meus inimigos, e eu vim para destruí-los.
  27. Isto também é compaixão: um fim para a doença da terra. A extirpação das ervas daninhas: a irrigação das flores.
  28. Oh meus filhos, vós sois mais belos do que as flores: vós não podeis murchar na vossa estação.
  29. Eu vos amo; eu vos aspergiria com o divino orvalho da imortalidade.
  30. Esta imortalidade não é esperança em vão para além do túmulo: eu vos ofereço a consciência segura do êxtase.
  31. Eu ofereço isto imediatamente, sobre a terra; antes que o sino tenha marcado o passar de uma hora, vós estareis Comigo nas Moradas que estão além da Ruína.
  32. Eu também vos concedo poder e alegria mundana; riqueza, e saúde, e extensão dos dias. Adoração e amor se agarrarão aos vossos pés, e se entrelaçarão em par ao redor do vosso coração.
  33. Somente as vossas bocas beberão de um vinho delicioso – o vinho de Iacchus; elas alcançarão sempre o beijo celestial do Belo Deus.
  34. Eu vos revelo um grande mistério. Vós estais entre o abismo do alto e o abismo da profundeza.
  35. Em qualquer um destes vos aguarda uma Companhia; e aquela Companhia é Vós mesmos.
  36. Vós não podeis ter outra Companhia.
  37. Muitos se ergueram, sendo sábios. Eles disseram «Buscai a Imagem brilhante no lugar sempre dourado, e uni-vos com Ela.»
  38. Muitos se ergueram, sendo tolos. Eles disseram, «Descei até o esplêndido mundo sombriamente escuro, e desposai-vos com aquela Criatura Cega do Lodo.»
  39. Eu que estou além da Sabedoria e da Tolice, me ergo e vos digo: realizai ambas as núpcias! Uni-vos com ambos!
  40. Cuidado, cuidado, eu digo, a fim de que não busques a um e perdas o outro!
  41. Meus adeptos se mantêm em pé; sua cabeça acima dos céus, seus pés abaixo dos infernos.
  42. Porém já que um é naturalmente atraído para o Anjo, e outro para o Demônio, que o primeiro fortaleça o elo inferior, e que o último se vincule mais firmemente ao superior.
  43. Assim o equilíbrio se tornará perfeito. Eu ajudarei meus discípulos; quanto mais rápido eles alcançarem este poder e prazer equilibrado mais rápido eu os impulsionarei.
  44. Eles por sua vez falarão deste Trono Invisível; suas palavras iluminarão os mundos.
  45. Eles serão mestres de majestade e poder; eles serão belos e alegres; eles estarão vestidos de vitória e esplendor; eles ficarão de pé sobre a firme fundação; o reino será deles; sim, o reino será deles.
    Em nome do Senhor da Iniciação. Amém.

Nota:
Os Livros listados em Classe A da A∴A∴ (com exceção d’O Livro da Lei) foram recebidos a partir de outubro de 1907 e.v. (era vulgaris ou era comum), ano em que Crowley tomou o juramento do grau de Magister Templi (Mestre do Templo) 8º=3, assumindo o mote V.V.V.V.V. (Vi Veri Vniversum Vivus Vici, Pela força da Verdade Eu Conquistei o Universo Ainda Vivo). Sob este mote Crowley assumiu o ofício de entregar os “Livros Oficiais da A∴A∴” para o mundo através d’O Equinócio. Nas importantes palavras do próprio Crowley: “Eu clamo a autoria mesmo de todos os outros Livros de Classe A da AA, embora eu os tenha escrito quando inspirado além de qualquer coisa que eu conheça como sendo eu. Mesmo nesses Livros, Aleister Crowley, o mestre em Inglês, tanto da prosa quanto do verso, participa na medida em que ele era Aquele. Comparem-se esses Livros com o Livro da Lei! O estilo é simples e sublime; as imagens são esplêndidas e perfeitas; o ritmo é sutil e intoxicante; o tema é interpretado em perfeita sinfonia. Não existem erros de gramática e nem frases infelizes. Cada Livro é perfeito em seu gênero. Eu, ousando arrebatar o crédito quanto a esses, não ouso, entretanto clamar ter tocado O Livro da Lei, sequer com minha menor unha.”.

V.V.V.V.V. (Vi Veri Vniversum Vivus Vici, Pela força da Verdade Eu Conquistei o Universo Ainda Vivo) é o mote tomado por Crowley quando de seu juramento de Mestre do Templo.

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Liber CLXI – Com Relação à Lei de Thelema - por J. B. Mason

O.T.O.

EMITIDO POR ORDEM DE

Assinatura, Baphomet XIº O.T.O.

XI° O.T.O.
HIBERNIÆ IONÆ ET
OMNIUM BRITANNIARUM
REX SUMMUS SANCTISSIMUS


UMA EPÍSTOLA ESCRITA AO PROFESSOR L— B— K— que também aguardou pelo Novo Æon, com relação à O.T.O. e sua solução de diversos problemas da Sociedade Humana, particularmente aqueles relacionados à Propriedade, e agora reimpressa para Circulação Geral.

Meu Caro Senhor,

Faze o que tu queres deverá ser o todo da Lei.

Eu fiquei feliz em receber sua carta de consulta a respeito da Mensagem do Mestre Therion.
Deve ter lhe chocado, naturalmente, o fato de que na superfície há pouca distinção entre a Nova Lei e os princípios da Anarquia; e você pergunta, “Como a Lei deverá ser cumprida no caso de dois garotos que querem comer a mesma laranja?” Contudo, uma vez que apenas um garoto (em geral) pode comer a laranja, é evidente que um deles está errado ao supor que é essencial à sua Vontade comê-la. A questão será decidida pelo bom e velho método de lutar por ela. Tudo o que pedimos é que a luta seja conduzida de maneira cavalheiresca, com respeito à coragem do vencido. “Como irmãos lutai!” Em outras palavras, existe apenas esta diferença no nosso estado atual de sociedade, que as maneiras foram aprimoradas. Existem muitas pessoas que são escravas naturalmente, que não tem estômago para lutar, que docilmente entrega tudo a qualquer um forte o suficiente para tomá-lo. Estas pessoas não conseguem aceitar a Lei. Também isso é entendido e previsto em O Livro da Lei: “Os escravos servirão”. Contudo é possível para qualquer escravo aparente provar sua autoridade combatendo os seus opressores, mesmo como agora; mas ele tem esta chance adicional no nosso sistema, que a sua conduta será observada com um olhar favorável pelas nossas autoridades, e a sua valentia recompensada com a admissão às fileiras de categoria superior. Também, serão aplicadas regras honestas com ele.
Você poderá agora perguntar como tais arranjos são possíveis. Existe apenas uma solução para este grande problema. Sempre tem sido aceito que a forma ideal de governo é aquela do “déspota benevolente”, e os despotismos falharam somente porque é impossível na prática garantir a boa vontade daqueles no poder. As regras cavalheirescas, e aquelas do Bushido no Oriente, ofereceram a melhor chance para desenvolver governantes do tipo desejado. A regra de Cavalaria falhou principalmente porque foi confrontada com novos problemas; hoje em dia sabemos perfeitamente quais eram aqueles problemas, e somos capazes de resolvê-los. É geralmente compreendido por todos os homens de educação que o bem estar geral é necessário para o mais alto desenvolvimento do particular; e que os problemas da América são em grande parte devido ao fato de que os homens no poder são muitas vezes totalmente desprovidos de toda educação geral.
Eu chamaria a sua atenção para o fato de que muitas ordens monásticas, tanto na Ásia quanto na Europa, conseguiram sobreviver a todas as mudanças de governo, e assegurar vidas agradáveis e úteis para os seus membros. Mas isso tem sido possível apenas porque a vida restrita era exigida. Contudo, havia ordens de monges militares, como os Templários, que cresceram e prosperaram extremamente. Você se recorda que a Ordem do Templo somente foi derrubada devido a um coup d’état[1] traiçoeiro por parte de um Rei e de um Papa que viram seu programa reacionário, obscurantista e tirânico ser ameaçado por aqueles cavaleiros que não hesitaram em adicionar a sabedoria do Oriente à sua própria ampla interpretação do Cristianismo, e que representavam naquele tempo um movimento em direção à luz do aprendizado e da ciência, que foi trazido à realização no nosso próprio tempo pelos trabalhos dos Orientalistas de Von Hammer-Purgstall e Sir William Jones até o Professor Rhys Davids e Madame Blavatsky, para não citar filósofos tais como Schopenhauer, por um lado; e pelos esforços heroicos de Darwin, Huxley, Tyndall, e Spencer, por outro.
Eu não tenho compaixão por aqueles que clamam contra a prosperidade, como se o que todos os homens desejam fosse necessariamente mal; o instinto natural de todo homem é possuir, e enquanto o homem permanecer neste estado de espírito, as tentativas de destruir a propriedade deverão ser não apenas inúteis, mas perniciosas para a comunidade. Não há clamor contra os direitos de propriedade onde a sabedoria e a afabilidade a governam. O homem mediano não é tão irracional quanto o demagogo, pelos seus fins egoístas, fingimentos. Os grandes nobres de todos os tempos em geral foram capazes de criar uma família feliz de seus dependentes, e lealdade inequívoca e devoção tem sido a sua recompensa. O segredo tem sido principalmente este, que eles se consideravam nobres tanto por natureza quanto pelo nome, e achavam que seria uma vergonha inaceitável para eles mesmos se qualquer detentor deste título enfrentasse uma desgraça desnecessária. Falta este sentimento ao novo-rico dos nossos dias; ele deve tentar provar constantemente a sua superioridade exibindo o seu poder; e a aspereza é a sua única arma. Em qualquer sociedade onde cada pessoa tem o seu lugar atribuído, e ocupa aquele lugar com sua própria honra especial, nascem o respeito mútuo e o autorrespeito. Todo homem é um rei ao seu próprio modo, ou pelo menos herdeiro de algum reinado. Nós temos muitos exemplos de tal sociedade hoje em dia, notavelmente universidades e todas as associações desportivas. A equipe N° 5 de Harvard não olha para trás no meio da corrida para repreender a equipe N° 4 meramente por ela estar na posição N° 4; nem o arremessador e o apanhador insultam um ao outro porque suas tarefas são diferentes. Deve-se notar que, onde quer que o trabalho em equipe seja necessário, a tolerância social é essencial. O soldado comum está usando um uniforme tanto quanto o seu oficial, e em qualquer exército adequadamente treinado ele é instruído sobre suas próprias normas de honra e autorrespeito. Este sentimento, mais do que a mera disciplina ou a posse de armas, torna o soldado mais do que um equivalente moral para um homem que não está assim investido de reverência adequada por si mesmo e a sua profissão.
Universitários que passaram por algum tipo de crise de privações ou tentação muitas vezes me contaram que o sustento para a sua resistência foi a “velha loja”. Muito disso é evidentemente sentido por aqueles que falam de restabelecer as velhas corporações comerciais. Porém temo estar divagando.
Entretanto, agora eu coloquei diante de você os pontos principais da minha tese. Precisamos ampliar para toda a sociedade o sentimento peculiar que se obtém nas nossas instituições mais bem sucedidas, tais como os serviços, as universidades, os clubes. Céu e inferno são estados da mente; e se o demônio for realmente soberbo, seu inferno poderá machucá-lo um pouco.
É isso, então, que eu desejo enfatizar: aqueles que aceitam a Nova Lei, a Lei do Æon de Hórus, a criança coroada e conquistadora que substitui na nossa teogonia a vítima do destino sofredora e desesperada, a Lei de Thelema, que é Faze o Que Tu Queres, aqueles que a aceitam (eu digo) sentem-se imediatamente sendo reis e rainhas. “Todo homem e toda mulher é uma estrela” é a primeira declaração de O Livro da Lei. No panfleto A Lei de Liberdade, este tema é ornamentado com um cuidado considerável, e eu não o incomodarei com mais citações.
Você logo dirá que o estado de mente celestial assim induzido dificilmente poderá resistir à fome e ao frio. Este pensamento também ocorreu ao nosso fundador, e eu me empenharei para colocar à sua frente a estrutura do seu plano para impedir tal desgraça (ou pelo menos tal ordálio) de seus adeptos.
Em primeiro lugar ele se valeu de certa organização da qual lhe foi oferecido o controle, a saber, a O.T.O.. Esta grande Ordem aceitou a Lei imediatamente, o que foi justificado pela súbita e grande renovação das suas atividades. A Lei foi outorgada ao nosso fundador há doze anos; a O.T.O. foi entregue às suas mãos oito anos depois, no ano de 1912, era vulgar. Não se deve supor que ele estava inativo durante o período anterior; mas ele era muito jovem, e não tinha ideia de como tomar medidas práticas para estender o Domínio da Lei: ele continuou nos seus estudos.
Entretanto, com o súbito crescimento da O.T.O. de 1912 e.v. em diante, ele começou a perceber um método para por a Lei na prática em geral, de tornar possível a homens e mulheres viver de acordo com os preceitos estabelecidos em O Livro da Lei, e para realizar as suas vontades; eu não quero dizer para satisfazer as suas fantasias passageiras, mas para fazer aquilo para o que eles foram designados pelo seu próprio destino maior. Pois neste universo, desde que esteja em equilíbrio e a soma total das suas energias seja, portanto zero, toda força ali é igual e oposta ao resultado de todas as outras forças combinadas. Portanto, o Ego sempre é exatamente igual ao Não-Ego, e a destruição de um átomo de hélio seria tão catastrófica para a conservação da matéria e energia como se um milhão de esferas fossem aniquiladas pela vontade de Deus. Estou bem consciente que a partir deste ponto você poderá me fazer superar sutilmente a armadilha da Controvérsia sobre o Livre Arbítrio; você poderá tornar difícil para mim até mesmo dizer que é melhor satisfazer o destino de alguém conscientemente e alegremente como uma pedra; mas eu sou cauteloso. Eu voltarei à simples política e ao senso comum.
O nosso Fundador, então, quando pensou sobre este assunto a partir de um ponto de vista puramente prático, se lembrou daquelas instituições com as quais estava familiarizado, que prosperaram. Ele se lembrou de monastérios como Monsalvat, de universidades como Cambridge, de clubes de golfe como o Hoylake, de clubes sociais como o Cocoa-Tree, de sociedades cooperativas e, tendo residido temporariamente na América, dos grupos de Empresas Comerciais. Na sua mente ele expandiu cada um destes até a sua enésima potência, ele as combinou como hábil químico que era, ele considerou suas perfeições e suas limitações; em uma palavra, ele meditou profundamente sobre todo o assunto, e  ele concluiu com a visão de uma sociedade perfeita.
Ele vislumbrou todos os homens livres, todos os homens prósperos, todos os homens respeitados; e ele plantou a semente da sua Utopia ao ceder a sua própria casa para a O.T.O., a organização que viria a operar o seu plano, sob certas condições. O que ele havia previsto aconteceu; ele era proprietário de uma casa; ao entregá-la ele se tornou proprietário de mil casas. Ele entregou o mundo, e o encontrou aos seus pés.
Eliphas Lévi, o grande mago da metade do século passado, cuja filosofia tornou possível o extraordinário florescimento da literatura na França nos anos 50 e 60 através da sua doutrina de autossuficiência da Arte (“Um estilo excelente é uma aura de santidade” é uma frase sua), profecias do Messias numa passagem notável. Será percebido que o nosso fundador, nascido como foi para a nobreza, cumpriu a profecia.
Eu não tenho o volume ao meu lado, vivendo como estou essa vida de ermitão em New Hampshire, mas o seu ponto fundamental é que Reis e Papas não têm poder para redimir o mundo porque eles vivem cercados de esplendor e dignidade. Eles possuem tudo o que os outros homens desejam e, portanto as suas motivações são suspeitas. Se qualquer pessoa de posição, diz Lévi, insistir em viver uma vida de privações e contratempos quando esta poderia fazer o contrário, então os homens confiarão nela, e ela será capaz de executar seus projetos para o bem geral da comunidade. Mas este deverá ser naturalmente cauteloso para não relaxar nas suas austeridades enquanto seu poder aumenta. Torne poder e esplendor incompatíveis, e o problema social estará resolvido.
“Quem é aquele homem em farrapos roendo uma casca seca lá naquela cabana?” “Ele é o Presidente da República”. Fosse honra o único bem possível a ser recebido pelo exercício do poder, o homem no poder lutaria apenas pela honra.
Temos acima um caso extremo; ninguém precisa ir tão longe hoje em dia; e é importante que o Presidente esteja acostumado com tartaruga marinha e galinhola assada antes de entrar na política.
Você perguntará como isso foi estruturado, e como funciona o sistema inaugurado por ele. É simples. Autoridade e prestígio são absolutos na Ordem, porém enquanto os graus inferiores oferecem aumento de privilégio, os superiores oferecem aumento de serviço. O poder na Ordem depende, portanto, diretamente na boa vontade de ajudar os outros. Tolerância também é ensinada nos graus superiores; de forma que ninguém pode ser até mesmo um Inspetor da Ordem a menos que ele esteja igualmente bem receptivo a todos os tipos de opinião. Você pode ter seis esposas ou nenhuma; mas se tiver seis, você é solicitado a não deixá-las falar todas de uma vez, e se não tiver nenhuma, você é solicitado a evitar aborrecer as outras pessoas com discursos inflamados sobre a sua própria virtude. Esta tolerância é ensinada através de um curso peculiar de instrução cuja natureza seria imprudente tanto quanto impertinente revelar; eu lhe peço para aceitar a minha palavra de que ele é eficiente.
Com esta preparação, é fácil perceber que a intolerância e a pretensão são impossíveis; pois o exemplo praticado pelos membros dos graus superiores universalmente respeitados é contra isso. Eu posso adicionar que os membros estão unidos pela participação em certos mistérios, que conduz a um clímax sintético no qual um único segredo é comunicado, cuja natureza é tal que tornará inerte para sempre toda divisão naquelas causas férteis de disputa, sexo e religião. A posse deste segredo confere aos membros qualificados a ele a calma da autoridade que o perfeito respeito, que é seu dever, jamais os deixará fracassar.
Logo, você observa a irmandade convivendo unida; e você quer saber se o desejo de posse não poderia provocar a divisão. Pelo contrário, esta questão tem sido uma excelente causa de prosperidade geral.
Na maioria dos casos a propriedade é desperdiçada. Uma pessoa tem seis casas; três continuam sem alugar. Uma pessoa possui 20 por cento das ações de certa empresa; e é excluída pela pessoa com 51 por cento.
Existem mil perigos e desvantagens na posse dos bens deste mundo, que devastam os cabelos daquele que se apega a eles.
Na O.T.O. todo este problema é evitado. Tal propriedade, como qualquer membro da Ordem venha a desejar, é transferida para os Grandes Oficiais seja como um presente ou em custódia. No último caso ela é administrada em favor do interesse do doador. Estando assim a propriedade em um fundo comunitário, imensas economias são obtidas. Um advogado faz o trabalho de cinquenta; os agentes imobiliários alugam as casas ao invés de apenas fazer lançamentos enganosos nos livros de registro; a O.T.O. controla a empresa ao invés de uma meia dúzia de acionistas isolados e impotentes. Qualquer coisa que a O.T.O. determine que deva fazer, ela o fará com todo o seu poder; ninguém ousará se opor ao poder de uma corporação assim centralizada, assim ramificada. Tornar-se um membro da O.T.O. é atrelar o seu vagão a uma estrela.
Mas, e se você for pobre? Se você não tiver propriedade? Ainda assim a O.T.O. lhe ajudará. Sempre haverá casas desocupadas que você poderá tomar conta isento de aluguel; existe a certeza de emprego, se você o desejar, por parte de outros membros. Se você mantém uma loja, pode estar certo que os membros da O.T.O. serão seus clientes; se você é um médico ou um advogado, eles serão seus clientes. Você está doente? Os outros membros correrão para o seu leito para perguntar quais são as suas necessidades. Você necessita de companhia? Uma Casa de Acompanhantes da O.T.O. estará aberta para você. Você precisa de um empréstimo? O Tesoureiro-Geral da O.T.O. está autorizado a lhe oferecer, sem juros, um valor até o total do seu salário e subscrições. Você está viajando? Você tem direito à hospedagem do Mestre de uma Loja da O.T.O. por três dias em qualquer localidade. Você está ansioso quanto à educação dos seus filhos? A O.T.O. os preparará para a batalha. Você está em disputa com um irmão? O Grande Tribunal da O.T.O. conduzirá a arbitragem, isento de cobrança, entre vocês. Você tem pouco tempo de vida? Você tem o poder de deixar a quantia total que pagou à Tesouraria da O.T.O. para quem quiser. Seus filhos ficarão órfãos? Não; pois eles serão adotados se você desejar pelo Mestre da sua Loja, ou pelo Grande Mestre da O.T.O..[2]
Em resumo, não existe circunstância na vida em que a O.T.O. não seja a espada e o escudo.
Você ficou surpreso? Você responderia que isso só seria possível pela generosidade, por caridade divina do superior em relação ao inferior, do rico em relação ao pobre, do grande em relação ao pequeno? Você está mil vezes certo; você compreendeu o segredo da O.T.O..
O fato de que tais qualidades possam florescer numa comunidade ampliada pode surpreender tão eminentemente e profundamente um estudante da natureza humana como você; ainda assim proliferam exemplos de práticas dentre as mais antinaturais e repugnantes para a humanidade que tem se prolongado através dos séculos. Eu não necessito lhe lembrar de Jaganath e dos sacerdotes de Attis, como casos extremos.
A fortiori[3], então, deve ser possível treinar homens para a independência, a tolerância, a nobreza de caráter e para boas maneiras, e tudo isso é feito na O.T.O. por meio de certos métodos muito eficazes que (pois eu não arriscarei cansá-lo mais) eu não descreverei. Além do mais, eles são secretos. Mas acima deles está o incentivo supremo; o progresso na Ordem depende quase totalmente da posse de tais qualidades, e sem isso é impossível. Sendo o Poder o principal desejo do homem, é necessário apenas para tal condição que a sua posse não sofra abuso. Riqueza não importa para a O.T.O.. Além de certo grau toda propriedade convertível em espécie, com certas exceções óbvias – coisas de uso diário e similares – deve ser transferida para a O.T.O.[4]. A propriedade pode ser desfrutada de acordo com a dignidade do adepto de tal grau, porém ele não pode deixá-la inativa ou sequestrá-la do bem comum. Ele pode viajar, por exemplo, como viaja um magnata das ferrovias; mas ele não pode prejudicar a comunidade estacionando seu carro particular ocupando as quatro linhas principais.
Mesmo a superioridade intelectual e a capacidade executiva são um tanto irrelevantes na Ordem. Invariavelmente se encontra trabalho para pessoas de posse destas qualificações, e elas alcançam uma alta posição e reconhecimento pelo seu mérito; mas não progresso na Ordem, a menos que elas mostrem talento para governar, e isso será demonstrado muito mais pela nobreza de caráter, firmeza e suavidade, tato e dignidade, honra elevada e boas maneiras, aquelas qualidades (em resumo) que são, nas melhores mentes, predicados naturais da palavra ‘cavalheiro’. O conhecimento deste fato não apenas inspira confiança nos membros mais jovens, mas os induz a imitar os seus irmãos mais velhos.
A fim de apreciar o funcionamento real do sistema, é necessário visitar as nossas Casas de Acompanhantes. (Espera-se que alguma seja estabelecida em breve nos Estados Unidos da América.) Algumas são como os castelos dos barões medievais, algumas são simples cabanas; o mesmo clima governa todas. É o da perfeita hospitalidade. Cada um é livre para fazer o que quiser; e a magnificência deste prazer é tal que o hóspede será cauteloso para evitar perturbar o igual direito dos outros. Ainda assim, sendo suprema a autoridade do Abade da Casa, qualquer falha na observância desta regra é tratada com o rigor apropriado. Tal caso não pode surgir realmente, a menos que as circunstâncias estejam demasiadamente fora do comum; pois o período de hospitalidade é estritamente limitado, e as prorrogações dependem da boa vontade do Abade. Naturalmente, como são necessários todos os tipos para se criar um mundo – e nós nos regozijamos naquela diversidade que torna a nossa unidade um milagre tão raro – algumas Casas de Acompanhantes satisfarão a um tipo de pessoa, e outras a outro tipo. Os semelhantes aprenderão a conviver entre si. Contudo, se o bem estar da Ordem e o estudo dos seus mistérios estiver no coração de cada membro da Ordem, inevitavelmente há um solo comum, no qual todos podem se reunir.
Temo que eu tenha exaurido a sua paciência com esta carta e lhe peço para me desculpar. Mas como você sabe, a boca fala inspirada pela abundância do coração… você está perfeitamente certo de replicar que não é necessário falar muito!

Sem mais a acrescentar, além da nossa feliz saudação a todos os homens:

Amor é a lei, amor sob vontade.

Eu sou, caro senhor,
Seu nos Laços da Ordem,
J. B. MASON
 
 
Notas:
  1. Coup d’état: do francês, “Golpe de Estado”. – Nota do Tradutor.
  2. Muitos desses pontos não são simples de ser praticados e é difícil dizer que qualquer organização que tenha como fito a divulgação da Lei de Thelema, tenha este modelo de atuação, pois a maior parte está na esfera do idealismo. Nota do Editor.
  3. A Fortiori, do francês: “tanto mais”. – Nota do Tradutor.
  4. Mesmo que esta aplicação fosse totalmente possível em uma organização Thelêmica, ela jamais poderia obrigar esta regra a quaisquer membros. No Æon Hórus é esperado que cada ser humano tome total responsabilidade por cada um de seus atos e que ele seja o Rei (ou Rainha) de sua própria vida e portanto, a decisão de colocar ou não seus bens sob os cuidados de uma organização (Thelêmica ou não) cabe somente a ele, sem quaisquer interferências. “Toda cosmografia implica em algum tipo de teoria ética. O Æon de Osíris foi sucedido pelo de Hórus. Uma vez que a Fórmula Mágica do Æon não é mais a do Deus Moribundo, mas a da Criança Coroada e Conquistadora, consequentemente a humanidade deverá governar a si mesma.” – Aleister Crowley em suas Confissões. Nota do Editor.

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Magia Salomônica

Segue um site para a Magia Salomônica - Boa leitura e prática!!!

Goetia

Goetia (Latim da Idade Média), do Grego γοητεία (goēteia - "feitiçaria"). Refere-se à prática de Invocação de Anjos ou a Evocação de Demônios descritos no grimório do séc. 17, The Lesser Key of Solomon (A Chave Menor de Salomão) que retrata a Ars Goetia em sua primeira seção. O texto que se segue refere-se a algum espírito ou elemento deste sistema de magia, no entanto, é altamente recomendável que iniciantes leiam o artigo raiz, onde a definição de Goetia pode ser encontrada. 

A Goécia ou Ars Goetia (latim, provavelmente: "A Arte de Uivar"), geralmente chamado simplesmente de Goetia, é a primeira parte do grimório "Lemegeton Clavicula Salomonis", do século XVII, ou As Clavículas de Salomão. A maior parte do texto apareceu antes, alguns textos datam do século XIV ou antes.  

 

O Sistema

A Goetia basicamente trata-se de um sistema de evocação multipropósital. O livro é dividido em três partes, a saber:
  • A descrição dos 72 Espíritos e seus respectivos selos,
  • uma descrição dos principais materiais usados na Evocação e por fim...
  • as conjurações a serem usadas para chamar-se o espírito.
Para maior entendimento do sistema, daremos aqui um breve resumo de seu funcionamento.

 

Primeiros Passos

A primeira coisa a se fazer é escolher com qual espírito irá se trabalhar. Este momento é de suma importância e dele dependerá o sucesso ou não da evocação – uma forte motivação e um grande envolvimento emocional são de grande ajuda neste momento. Para uma escolha sensata, o melhor a se fazer é ler a descrição de cada um dos 72 espíritos para encontrar o que melhor se encaixa (em personalidade e poder) com suas necessidades.
O sistema de evocação em si não guarda grandes segredos. Seus elementos poderiam ser reduzidos a um mínimo composto por:
  • Baqueta – Ferramenta da vontade manifesta do magista
  • Círculo – Onde ficará o adepto protegido de qualquer influência externa.
  • Triângulo – É o local destinado a manifestação do espírito invocado, que lá estará contido e sob as ordens do mago.
  • Selo do Espírito – Cada um dos 72 espíritos possui seu próprio selo, que será disposto no triângulo para a conjuração.
  • Hexagrama de Salomão e Pentagrama de Salomão – Usados na proteção do mago.
  • Disco de Salomão - Usado em casos de emergência.

 

Segunda Parte

A segunda parte do livro contém descrições mais detalhadas sobre cada uma destas ferramentas, bem como a de acessórios opcionais que em sua maioria trarão maior eficiência ao rito.
Inicia-se então os preparativos para a evocação. Certifique-se de que não será interrompido, tire o telefone do gancho, desligar a campainha. . Comece colocando o Selo do espírito no triângulo e entrando no círculo. O próximo passo é a realização de um ritual de banimento (como o Ritual Menor do Pentagrama) seguido da Conjuração Preliminar do Inascido.
Chega-se a hora das Conjurações, começando pela Conjuração Preliminar do Não-Nascido. O uso das invocações tais como seguem na terceira parte do livro é geralmente usada simplesmente pela força que causa na psique do mago e pelo seu sucesso já provado em diversas ocasiões. No entanto, mais importante do que seguir um roteiro é envolver-se mental e emocionalmente com o texto.
Algumas pessoas gostam de reescrever as conjurações de modo a torná-las mais pessoais.
As Conjurações devem ser feitas até que se sinta a presença do espírito invocado, isto pode ser notado por uma sensação visual do quarto encher-se de neblina, queda súbita de temperatura, sensação de formigamento no corpo, simples premonição, etc...
Com a chegada do espírito às ordens podem ser então dadas à eles. Se for de seu desejo ver o espírito, na maioria das vezes terá que ordenar que ele apareça.
Quando digo “ver” quero dizer as diversas formas de manifestação sensória de um espírito: ele pode realmente se tornar visível, pode tremular em uma imagem, surgir e desaparecer como um vulto na área do triângulo, pode manifestar-se psiquicamente, aparecendo com detalhes na “tela mental”, entre outros...
Os comandos para o espírito conjurado devem ser obrigatoriamente expressos nas próprias palavras do adepto. As ordens ao espírito deveriam ser claras, e talvez algumas restrições deveriam ser impostas, como não ferir amigos e familiares, e quem sabe um prazo para que seus pedidos sejam compridos.
Existem duas formas basicamente de se barganhar com um espírito de Goétia. Pedindo, ameaçando-o ou recompensando-o. Na maioria das vezes o espírito pode aceitar ou negar um pedido seu e não exigir nada em troca. Alguns deles no entanto parecem ter uma certa tendência para a negociação. Se for necessário ameaçasse um espírito dizendo que seu selo será destruído.
Recompensa-os com a criação de uma nova cópia do sigilo (seja ela um trabalho artístico, um grafite ou o que quer que seja.), embora em casos mais complicados sacrifícios mais ousados sejam pedidos. Será comum você “ouvir” o espírito lhe oferecer mais do que você realmente pediu tentando persuadi-lo a desejar outras coisas. Permaneça firme em sua vontade inicial ou acabará fechando contratos dos quais vai se arrepender depois. Na negociação não é necessário ser estúpido como os magos medievais, muitos dos espíritos são razoáveis e amigáveis, seja flexível, mas mantenha-se sempre no controle.
Feito isso pode se dar a licença para o espírito partir. Use a versão fornecida pelo livro ou reescreva-a em uma forma mais pessoal. A licença deverá ser declarada até não se sentir mais a presença do espírito. Finalmente execute novamente o ritual de banimento. Recolha todos os acessórios e o selo que agora está “ativado”, deverá ser guardado em um lugar seguro, longe de mãos e olhos profanos.
Agora simplesmente aguarde o espírito cumprir sua missão. Durante este período esteja pronto para manifestações como o aparecimento dos espíritos em sonhos, a visão de vultos, ouvir o seu próprio nome falado alto em uma hora perdida do dia, sensações de arrepio e formigamento e inclusive a sensação do toque além de casos raros de poltergaist.
O sucesso é uma pratica freqüente neste sistema, mas em caso de falha temos duas alternativas. Podemos simplesmente esquecer o ocorrido e continuar nossas vidas, ou podemos dar um ultimato ao espírito. Para isso conjure o espírito mais uma vez e ordene que complete sua missão em um numero certo de dias sob a pena de ter seu selo torturado e/ou destruído. Na maioria das vezes isso bastará para fazer-lo cumprir seu dever. Esta é a base da prática Goetica. O sistema se revelará especialmente eficiente para aqueles que buscam poder, hedonismo e prazeres materiais. Na verdade asconseqüências podem ser similares a que se tem com o jogo ou com certas drogas no tocante de que tenderá cada vez com mais freqüências buscar poder e prazer com os espíritos. Se você acredita que corre o risco de perder o controle com a sensação de poder, este sistema não é para você.

 

Demônios Goéticos

Os Demônios Goéticos são os 72 espíritos apontados nos três versículos do Pentateuco, ou seja os cinco primeiros livros da Bíblia Sagrado (Génesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio).
Estes são espíritos Goéticos, de uma outra ordem; são entidades muitíssimo primitivas, e que foram adoradas durante os primórdios da humanidade. São deuses esquecidos que se tornaram demônios após a influencia cristã, mas isto é uma hipótese, a experiência demonstrará a verdade. Coincidentemente 72 pode ser o resultado da soma 66+6.
De qualquer forma estes são os 72 reis e príncipes poderosos que, conforme conta o mito, o Rei Shlomo (Rei Salomão) encerrou em uma arca do bronze junto com suas respectivas legiões. Dentre eles BELIAL, BILETH, ASMODAY e GAAP eram os principais. Devemos notar que Shlomo parace ter feito isso por puro orgulho, uma vez que nunca declarou as razões de ser impelido a agir assim.
Sendo que estes quatro grandes reis são geralmente chamados de Oriens, ou Uriens, Paymon ou Paymonia, Ariton ou Egyn e Amaymon ou Amaimon. Pelos rabinos são conhecidos sob os nomes de: Samael, Azazel, Azael e Mahazael.
Tendo-os aprisionado selou a sua Arca, que através da potencia divina foi encerrada numa gruta ou poço na antiga Babilônia. Passado algum tempo alguns babilônicos desavisados encontraram a Arca e quiseram abrí-la, imaginando que esta estivesse repleta de tesouros. Quando conseguiram os espíritos principais imediatamente fugiram com suas respectivas legiões, exceto BELIAL, que entrou em uma imagem e proferiu oráculos, sendo a partir de então adorado com ritos e sacrifícios sangrentos, como uma divindade. 

Os 72 espíritos :
  1. Baal
  2. Agares
  3. Vassago
  4. Samigina
  5. Marbas
  6. Valefor
  7. Amon
  8. Barbatos
  9. Paimon
  10. Buer
  11. Gusion
  12. Sitri
  13. Beleth
  14. Leraie
  15. Eligos
  16. Zepar
  17. Botis
  18. Bathin
  19. Saleos
  20. Purson
  21. Marax
  22. Ipos
  23. Aim
  24. Naberius
  25. Glasya-Labolas
  26. Bune
  27. Ronove
  28. Berith
  29. Astaroth
  30. Forneus
  31. Foras
  32. Asmodeus
  33. Gaap
  34. Furfur
  35. Marchosias
  36. Stolas
  37. Phenex
  38. Halphas
  39. Malphas
  40. Raum
  41. Focalor
  42. Vepar
  43. Sabnock
  44. Shax
  45. Vine
  46. Bifrons
  47. Uvall
  48. Haagenti
  49. Crocell
  50. Furcas
  51. Balam
  52. Alloces
  53. Caim
  54. Murmur
  55. Orobas
  56. Gremory
  57. Ose
  58. Amy
  59. Orias
  60. Vapula
  61. Zagan
  62. Volac
  63. Andras
  64. Haures
  65. Andrealphus
  66. Cimejes
  67. Amdusias
  68. Belial
  69. Decarabia
  70. Seere
  71. Dantalion
  72. Andromalius