segunda-feira, 4 de julho de 2011

O Início do Novo Mundo - por Aleister Crowley

Agitação é o sinal deste momento.
Nenhum homem, por mais rico ou mais seguramente posicionado que esteja, tem certeza de como será a próxima semana. Nenhum homem sabe para onde está indo.
Isso é porque nenhum homem sabe para onde deveria ir.
As bases da sociedade foram tão estremecidas que se tornou impossível para qualquer um elaborar um plano, da mesma forma que um banqueiro ou um agrimensor não poderia trabalhar caso não estivesse mais confiante na tabela de multiplicação.
Agora, este estado de coisas não é totalmente devido às condições reais de existência material, à agitação política ou à confusão econômica.
Circunstâncias não têm o poder de naufragar a alma do homem na medida em que ele tenha em si mesmo o poder adequado de direcionamento, perspicácia e habilidade para mudar de direção.
Quando os homens têm um objetivo definido a buscar, eles instintivamente encontram meios para superar as interferências mútuas, e podem até mesmo trabalhar juntos (desinteressadamente, como pode ser chamado de forma educada) para obter os seus objetivos individuais com o mínimo de atrito.
Mas quando eles não têm um objetivo se tornam distraídos e tolos; eles se empurram uns aos outros em seu desespero; até mesmo as tarefas mais simples se tornam impossíveis.
Hoje o grosso da humanidade não possui mais nenhuma lei sob a qual viver, quaisquer princípios incontestados de ação correta.
A única causa profunda da atual anarquia universal é a perda de toda sanção moral do homem.
As diversas religiões do mundo perderam todo o seu poder de orientação, principalmente pelo fato do desenvolvimento dos meios de transporte e do comércio internacional convenceram o homem instruído de que qualquer religião é quase tão boa ou ruim quanto outra para os propósitos de disciplina social, e que nenhuma tem qualquer valor do ponto de vista do fato real, ou his­tórico, ou verdade filosófica.
A solução terá que ser evidentemente encontrada apenas de uma forma. Deve ser encontrada uma fórmula baseada no senso comum absoluto, sem qualquer restrição de teoria ou dogma teológico, uma fórmula que nenhum homem de inteli­gência possa se recusar a concordar, e que ao mesmo tempo proporcione uma sanção absoluta para todas as leis de conduta sociais e políticas, não menos que individ­uais, de modo que o certo ou o errado de qualquer ação isolada ou em comum possa ser determinado com precisão matemática por qualquer observador treinado, totalmente independentemente das suas idiossincrasias pessoais.

Esta fórmula deve ser científica, não religiosa.[1]

Esta fórmula é:
 
“Faze o que tu queres deverá ser o todo da Lei.”[2]

Esta fórmula não pretende dizer, como acham as pessoas ignorantes ou maliciosas, “Faze qualquer coisa que tu aprecies.”. Pelo contrário, ela é o mais severo autocontrole de toda unidade individual ou social para concentrar o desempenho pleno da sua energia ao realizar a sua função adequada verdadeira; e esta função deverá ser deter­minada através de um cálculo profundo e preciso das potencialidades inerentes na sua constituição.
O primeiro passo prático rumo a este objetivo é a formação de uma forte organização central para direcionar de forma coerente as atividades dos inúmeros adeptos já estabelecidos em muitos países.
Então será necessário convocar conferências de especialistas em todas as ciências, que tratem sobre a humanidade no seu caráter social e individual, de modo que seja elaborado um programa internacional abrangente.
 
Notas:
  1. Por ser uma fórmula científica ela pode ser aplicada em qualquer caso, inclusive de escopo religioso. Do contrário, essa aplicação não seria possível.
  2. Liber AL I:40

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