sexta-feira, 29 de julho de 2011

Fisiologia Oculta - Os Chakras

Os sistemas esotéricos que trabalham com o corpo têm diferentes palavras para descrever sua energia sutil. Prana, Chi, Orgônio, Força Ódica, ou o que quer que queiram chamar, designa uma força energética diretamente prática que permeia o corpo sutil Yetzirático. Imaginária em essência, mesmo assim está atrelada ao corpo físico, e deste modo várias técnicas físicas podem ser usadas para manipulá-la.
Hatha Yoga, artes marciais, Chi Gong, Tai Chi e muitas outras práticas manipulam e harmonizam a energia sutil. Neste trabalho daremos ênfase em apenas um método, que trabalha sete focos ou pontos de energia no corpo, os assim chamados “chakras”. 

Os Chakras

Chakras

Chakras ou centros de força, segundo a denominação sânscrita, significa “roda” ou disco, “disco giratório”.
Segundo o Major Arthur E. Powell: “os chakras estão situados na superfície do corpo etérico, a cerca de seis milímetros da superfície do corpo físico. Ao olhar clarividente aparecem como depressões em forma de pires, constituindo vórtices”
Todos os indivíduos possuem esses centros, embora varie bastante, cada qual tem seu próprio grau de desenvolvimento. O grau de desenvolvimento pode ser aferido pela intensidade de seu brilho ou vibração. O primeiro é medido pela clarividência, o segundo pelas mãos (sensibilidade) ou por radiestesia.
Como vórtices, aspiram e expelem forças que influem tanto no plano sutil quanto no denso. Essa força pode ser chamada de Prâna. Este por sua vez, mantém a vida do corpo físico. Outra função importante dos chakras é de transitar a consciência espiritual à memória física.

 

Muladhara Chakra

O primeiro chakra cujo nome significa algo bem rudimentar equivale à palavra fundação ou fundamento. Associado (não situado) ao períneo, a área entre as genitálias e o ânus, as gônodas sexuais. No Hinduísmo é associado ao ligham e o ânus. Seu nome comum é Chakra Básico.
Os poderes adquiridos por seu desenvolvimento são o completo auto-controle, domínio das paixões tais como luxúria, inveja, cólera, ódio e cobiça.

 

Svadhistana Chakra

Associado à área imediatamente acima das genitálias, mais ou menos o mons veneris. Seu nome comum é Chakra Umbilical.
Seus poderes são o domínio do plano astral, particularmente daquele aspecto que os magistas Ocidentais simbolizam como "o lado negro da lua".

 

Manipura Chakra

Associado com o plexo epigástrico (i.e. solar); seu nome comum é Plexo Solar. Seus poderes são domínio da alquimía e da magia cerimônial.

 

Anahata Chakra

Associado com o plexo cardíaco. Seu nome comum é Chakra Cardíaco.
Seu poder é de manipular medidas, i.e. encolher o tamanho de uma molécula individual ou cresce-la tão largamente quanto o próprio universo, inclui-se também clarividência, clariaudiência e invisibilidade.

 

Vishuddha Chakra

Associado com a área do corpo onde a laringe e faringe estão. Seu nome comum é Chakra Laríngeo. Seu desenvolvimento confere o alcance de sabedoria eterna.

 

Ajna Chakra

Associado com a área do corpo dentre as sobrancelhas e também à glândula Pineal (sistema endócrino) e recebe outros nomes tais como 3º olho, Olho de Shiva et cetera.
Seu desenvolvimento confere liberação das consequencias das ações passadas. Em outras palavras, libera o adepto de seu Karma, débitos espirituais que tenham sido incorridos tanto em vidas passadas quanto na presente.

 

Sahasrara Chakra

Associado com uma sutil extensão do corpo físico que está supostamente acima da coroa da cabeça. Seu nome comum é Chakra da Coroa, associado também à glândula pituitária. Todos os poderes supranormais pertencem a este chakra. Está além do tempo e do espaço e da forma de viver, está além da compreensão.

quarta-feira, 27 de julho de 2011

PARA ENTENDER A ÁRVORE DA VIDA ASSÍRIA

O conceito geral da Árvore da Vida talvez seja familiar para alguns leitores, que provavelmente já devem tê-la encontrado no Gênesis do Velho Testamento da Bíblia ou como uma figura presente em tapetes orientais e antigos manuscritos medievais.
Na Bíblia cristã, a Árvore ocupa lugar de destaque, aparecendo não apenas na história da expulsão do homem do paraíso, mas também ao fim da Bíblia, no último capítulo do Livro do Apocalipse, onde uma árvore que cresce no centro da Jerusalém celestial é apresentada como o sinal da salvação da humanidade. Estes dois exemplos fazem com que a Árvore seja uma espécie de Alfa e Ômega na doutrina crista da salvação em seus primeiros tempos. No início do Cristianismo, a Árvore da Vida está associada com a cruz de Cristo, e até o final da Idade Média, representações de Cristo freqüentemente tomam a forma da Arvore da Vida. O estudioso cristão Tertuliano, que viveu no final do Segundo século, começo do Terceiro, escreveu um poema chamado De ligno vitae, onde a cruz do Gólgata se transforma numa árvore magnífica que dá frutos deliciosos e néctar divino para todas as nações. A noção da cruz como a Árvore da Vida é também um conceito Gnóstico, também presente em textos siríacos. Só depois do século IX é que esta noção foi gradualmente substituída pelo símbolo de martírio e execução.
Na Bíblia e na literatura cristã dos primeiros tempos, assim como na arte, uma certa aura de mistério envolve a Arvore. Em geral, esta pode ser descrita e representada graficamente com muitos detalhes, mas raramente explicada. Esta atitude é mais pronunciada dentro do misticismo judaico, onde o conhecimento místico relacionado com a Árvore é visto como um segredo, a ser divulgado apenas àqueles que "temam o Nome Divino". Tais cuidados e votos de segredo lembram o final da expulsão de Adão e Eva do paraíso, onde uma espada resplandecente é colocada à entrada do céu, para guardar a Árvore da Vida.
Mas a Árvore da Vida é mais do que uma invenção bíblica ou judaico-cristã. Ela é encontrada sob diversas representações visuais e nomes (Árvore Celete, Árvore do Mundo, Árvore Cósmica, Árvore do Esclarecimento) em todo mundo, do antigo Oriente Próximo, Egito, Grécia e Índia, até o mundo islâmico, Escandinávia medieval, Ásia Central, China, América do Norte e Central e até mesmo na Indonésia (1). Na maior parte das culturas do mundo, a Árvore está relacionada com a psique e o espírito divino. De fato, esta associação é tão pervasiva, que o psicanalista Carl Jung considera a Árvore como um arquétipo e símbolo do Self, ou da psique integrada, produzida pelo inconsciente. Por milhares de anos, a Árvore tem sido uma fonte de inspiração para artistas e pensadores, o seu apelo intelectual não sendo apenas um dos caprichos da história. Ainda existem muitos que pensam seriamente estar contido na Árvore uma série de ensinamentos que podem levar ao esclarecimento e à vida eterna.
Neste ensaio, tentaremos explicar o que era para os Assírios a Árvore da Vida e como era interpretada dentro de seu contexto. Veremos, antes de mais nada, o que era a Árvore da Vida mesopotâmica.

A ÁRVORE DA VIDA MESOPOTÂMICA
Uma árvore estilizada aparece pela primeira vez como motivo em arte de sentido claramente religioso aparece pela primeira vez na Antiga Mesopotâmia. Ela ocorre nos grafites pré-históricos e nas cerâmicas, torna-se um motivo favorito nos selos cilíndricos, e mais tarde torna-se num motivo preferido em selos, principalmente os glifos e selos reais. Nos tempos do Império Neo-Assírio (930-607 BC), o tema da Árvore é encontrado em quase todos os lugares: em selos, jóias, painéis, esculturas, pinturas de parede e colunas de palácios reais, em vestimentas reais, móveis, implementos, elmos, armas, etc.
Portanto, em termos de história da arte, a árvore Mesopotâmica em suas formas variadas, pertence a mesma tradição das Árvores Judaica, Cristã, Islâmica e Indiana, sem sombra de dúvida. A abundante evidência não deixa dúvidas de que como tema de arte, a Árvore se espalhou a partir da Mesopotâmia para outras partes do Antigo Oriente Próximo, e que por exemplo, a árvore israelita do primeiro milênio e que se transforma na lamparina de sete velas (menorah) são ambas derivadas do modelo Mesopotâmico. Da mesma forma, historiadores da arte faz muito se referem à àrvore Mesopotâmica como A Árvore da Vida, deixando bem clara a relação entre a Árvore Mesopotâmica e a Árvore da Vida de grande significado esotérico.
Entretanto, enquanto que os textos mesopotâmicos contém ocasionais referências místicas sobre todos os tipos possíveis de árvores místicas, o termo Árvore da Vida não pode ser encontrado de forma tão evidente na Mesopotâmia. Além disso, nenhum mito mesopotâmico conhecido fala de uma árvore miraculosa. Portanto, Assiriologistas em geral referem-se a ela através de termos mais neutros desde a década de 1950, preferindo o termo "Árvore Sagrada" para se referir a ela, (Nota1)

A ÁRVORE DA CABALA
Figura 1 - Configuração da Árvore da Vida Judaica - Cabala. Da esfera em cor branca, temos em ordem descendente:

KETHER - COROA - 1

BINAH - ENTENDIMENTO -3 CHOKMA - SABEDORIA - 2

DAATH - GNOSIS

GEBURAH - SEVERIDADE - 5 CHESED - MISERICÓRDIA - 4

TIFARETH - BELEZA - 6

HOD - GLÓRIA - 8 NETZACH - VITÓRIA - 7

YESOD - FUNDAÇÃO - 9

MALKUTH - O REINO - 10

Acima, temos a configuração clássica da Árvore da Vida da tradição mística judaica., apresentada no Velho Testamento em Crônicas I:29:11 e Provérbios 3:19.
Os círculos representam as emanações da Divindade, poderes divinos ou atributos através dos quais a natureza transcendente do(a) Divino(a) é transmitida para o mundo físico, obviamente influenciado por uma variedade de doutrinas gnósticas de emanação. Como uma imagem da criação macrocósmica, ou o transbordar de energia divina nos veículos inferiores da criação manifesta, a Árvore da Vida demonstra também as fases da criação como um processo de três patamares, o mais elevado sendo o mais sublime e o menos elevado o mais tangível. Esta forma é freqüentemente imaginada como o corpo de um indivíduo no qual são assinalados locais particulares ao longo deste corpo para representar a identificação divina com o Macrocosmo.
Em 1986, o grande assiriologista finlandês, Professor Simo Parpola, enquanto trabalhava no Museu Britânico, estabeleceu o traço de união entre a Árvore da Vida Assíria e a Cabala Judaica. Em primeiro lugar, Professor Parpola concluiu que a falta de referências explícitas relativas à Árvore da Vida e seu simbolismo na Mesopotâmia não significava necessariamente que a Árvore fosse desconhecida pelos mesopotâmicos. Muito antes pelo contrário. A falta de referências indicava, isto sim, que o conhecimento era secreto, e que não poderia, desta forma, ser escrito, conforme a tradição Cabalística. Em segundo lugar, ao estudar a história das doutrinas cabalísticas, Professor Parpola descobriu que a Cabala havia sido trazido para a Europa a partir das escolas rabínicas da Babilônia, e portanto poderia muito bem Ter a sua base nas antigas tradições esotéricas mesopotâmicas.
Em 1989, enquanto trabalhava no Chicago Assyrian Dictionary, Professor Parpola surpreendeu-se ao analisar diagramas da Árvore da Vida Cabalística e ver que esta, na sua esfera superior em geral apresenta um círculo, representando o deus transcendente da Cabala, En Sof, assim como em muitas representações assírias, a Árvore é encabeçada por um disco solar alado simbolizando Assur, o Deus Supremo da Assíria. A árvore Cabalística é composta de dez atributos divinos, que são emanações do Deus transcendente. Estes atributos, chamados sefirot (literalmente, contagens) todos têm lugar definido na Árvore, nos galhos à direita ou a esquerda, no tronco ou base. Além do mais, cada sefirot tem nome ou nomes refletindo sua natureza (Sabedoria, Misericórdia, etc), e um número místico refletindo sua posição na Árvore. O número da Coroa (a primeira sefirot , é 1 , o da Sabedoria, que é a Segunda sefirah, é 2, e assim por diante. Todos os estes números trouxeram ao Professor Parpola a lembrança dos Grandes Deuses Mesopotâmicos, cujos epítetos e atributes são semelhantes àqueles da Sefirot e que também têm números místicos ligados a seus nomes, de forma que cada Grande Deus ou Deusa poderia ser indicado simplesmente por seu número nos textos assírios. Nos diagramas da árvore cabalística, as sefirot e são ligadas umas às outras através de linhas que se interceptam, interpretadas como canais para as bênçãos divinas, conectando com as esferas ou frutos da Árvore Assíria.
Estas semelhanças entre as sefirot e os grandes deuses por um lado, e entre as estruturas da Árvores Assírias e Cabalísticas por outro lado pareciam ser específicas demais para serem acidentais. Se a Árvore da Vida dos israelitas fosse derivada do protótipo mesopotâmico, por que não poderia a Árvore Cabalística então Ter-se baseado no modelo mesopotâmico? Ao adotar o esquema para o pensamento judaico, os nomes mesopotâmicos dos grandes deuses teriam, naturalmente, de ser eliminados. Mas de outra forma o sistema da Árvore teria continuado a ser o mesmo.

TESTANDO A TEORIA
No outono de 1991, o Professor Parpola decidiu testar suas idéias. Ele decidiu que se seu raciocínio estivesse correto, seria possível reconstruir o modelo mesopotâmico da árvore cabalística pela simples substituição dos nomes da Sefirot pelos nomes dos grandes deuses e deusas mesopotâmicos que compartilhavam os atributos de cada esfera. Havia algumas incongruências entre os nomes hebreus das sefirot: os nomes das sefirot nem todos expressam qualidades ou atributos de Deus (veja o nome da sefirah mais alta, Coroa, ou das sefirah mais inferiores, Fundação e Reino), bem como algumas sefirot chamadas de Julgamento e Heroísmo, ou Misericórdia e Grandeza, nomes que não parecem Ter algo em comum. Se estes aspectos tivessem sido tomados do modelo mesopotâmico da Árvore, o trabalho de reconstrução da mesma deveria solucionar estas estranhezas. E foi o que ocorreu.
Primeiramente, o Professor Parpola substituiu Coroa por Anu, o deus do firmamento, cujo símbolo principal era a Coroa. Ele substituiu Sabedoria por Ea, o deus da Sabedoria; Julgamento por Shamash, o deus da Justiça; Beleza por Ishtar, a deusa do amor e da beleza, e assim por diante. Encontrar equivalentes mesopotâmicos para as sefirot não era difícil. A maior parte poderia ser encontrada imediatamente e com grande certeza. Outras equivalências, como Explendor=Adad, deus do trovão) não eram óbvias, mas finalmente, em menos de 1 hora, conforme palavras do Professor Parpola, todos os grandes deuses cujos nomes poderiam ser escritos com números místicos foram colocados em seus lugares específicos no diagrama de Árvore. A única exceção foi a sefirah Reino, a sefirah mais inferior no diagrama. Como ela quebrava a estrutura triádica da Árvore e não possuía um contraponto na Árvore Assíria. o Professor Parpola concluiu que o Reino era uma adição posterior à Àrvore, e portanto poderia ser deixado de lado.
Ao escrever em baixo do nome de cada deus ou deusa o n´mero místico correspondente, Professor Parpola chegou a outras conclusões Todos os números quando arranjados no diagrama de Árvore variavam de 1 a 60, os dois números básicos do sistema sexagesimal da Mesopotâmia. Seis destes números eram dezenas completas, e estas dezenas estavam distribuidas em ordem descendente nos ramos da árvore, os números 60-40 à esquerda, 3--1- à direita. Os remanescentes três, 1, 15 e 14 (o número do deus do Submundo) estavam distribuídos no tronco, com o 1 (o número do deus do firmamento) ao final. O número 30 é a soma de 1+15+14, ou seja, o número médio do sistema sexagesimal. Além do mais, subtraindo-se os números do lado esquerdo por aqueles do lado direito produziu para cada ramo o mesmo número médio 30 (60 - 30 = 30, 50 - 20 = 30, 40 - 10 = 30). Isto foi possível porque, contrário ao lado positivo da direita, o lado esquerdo da Árvore era considerado negativo, não apenas na Cabala, mas na Mespotâmia também. Portanto, os aparentes "desequilibrados" lados esquerdo e direito se equilibram um ao outro numericamente e estão em equilíbrio em relação ao tronco, que na Cabala é chamado de Pilar do Equilíbrio.
Olhando esta reconstrução como um todo, podemos ver a posição dos deuses do Submundo na parte mais inferior e o deus do firmamento ao topo, o que concorda com a iconografia assíria, onde muitas vezes a árvore era grafada em cima de uma montanha, palavra que também significa Submundo na Mesopotâmia. Além do mais, a mitologia mesopotâmica conhecia uma Árvore (mes) cósmica, cujas raízes estavam no Submundo e cujo topo projetava-se para os céus. A ordem dos deuses e deusas nos galhos e tronco da Árvore correspondia à imagem e relações dos grandes deuses conforme detalhado nas listas de deuses da Mesopotâmia e outros textos. Como um todo, a árvore era composta de três gerações de deuses e deusas, correspondendo ao conceito de três céus superpostos, atestados em textos místicos da Mesopotâmia. No meio, estava Ishtar, a Deusa do Amor e da Guerra, que unia toda família dos deuses, pois Ela estava relacionada com todos Eles. Ishtar era filha de Anu, Ea e Sin, a mãe de Adad, Nergal e Nabu ( os Deuses abaixo Dela) e irmã de Shamash e Marduk (Deuses ao lado Dela) e era a Esposa (sob diferentes nomes) de todos os grandes deuses.
Mais ainda, os epitetos e símbolos dos grandes deuses facilmente explicava as estranhas designações duplas das sefirot. Shamash, o Deus da Justica, ao longo da história da Mesopotâmia, é chamado de Herói, portanto os dois nomes da sefirat correspondente, Julgamento ou Heroísmo. Marduk, o rei misericordioso dos deuses, era em geral chamado de Grande Senhor, portanto os dois nomes da sefirah correspondente, Misericórdia e Grandeza. Ishtar, a deusa da beleza e a mãe do Espírito dos Deuses, concorda perfeitamente com os atributos Amor e Beleza. No pensamento judaico, estes pares de atributos não fazem muito sentido; na Antiga Mesopotâmia, entretanto, estes atributos foram "construídos" (ou eram parte intínseca) do diagrama da árvore.
Entretanto, os cabalistas judeus, em cuja filosofia e teosofia a Árvore da vida ocupa papel central, eram ardentes monoteístas que nunca pararam de enfatizar a unidade com Deus. Professor Parpola deduz de sua árvore da vida reconstruída que os mesopotâmicos eram monoteístas também, pois se os judeus monoteístas tinham sido capazes de fazer seus o conceito de deus dos mesopotâmicos, transportando-o para o judaismo a partir dos Mesopotâmicos politeistas pelo fato de terem copiado o diagrama da Árvore quase que de forma integral, os deuses da Assíria devem Ter sido idênticos ao deus judeu. Colocando esta afirmação de uma forma diferente, os grandes deuses assírios devem Ter sido (pelo menos em alguns círculos) concebidos como meros poderes e aspectos de um único e transcendente Deus, como a sefirot. Portanto, a religião politeísta assíria numa análise final era tão monoteísta como o Judaismo - e mais do que isto, a fonte de inspiração para esta última!

EXAMINANDO A EVIDÊNCIA
Muitos fatos adicionais apóiam esta teoria, de acordo com as descobertas do Professor Parpola. Ele, por exemplo, desvobriu que havia dois conjuntos de números divinos, os babilônicos e os assírios, e que apenas os assírios apresentavam uma distribuição coerente na árvore. Apenas na Assíria estes números eram freqüentemente utilizados para escrever os nomes dos grandes deuses, e que o sistema de números divinos apareceu na Ássíria ali pelo século XII Antes da Nossa Era. A emergência dos números divinos assírios e da Árvore Assíria podem estar ligadas ao fenômeno da criação do império Assírio no meio do século XIV Antes da Nossa Era.
Este fato explicava a espetacular combinação entre a hierarquia dos deuses e os números divinos no diagrama reconstruído da Árvore. Não constituia um acidente a Árvore ser um símbolo central da ideologia real assiria. Por exemplo, alguns dos números atribuídos aos deuses eram muito antigos, como o número do Deus da Lua (30) que já é atestado desde o terceiro milênio antes da nossa era. Outros números e deuses eram novos, tendo sido criados precisamente para a versão esotérica da Árvore, para expressar a hierarquia dos deuses em termos numéricos.
Ideologicamente, o rei era a personificação da árvore, a imagem de Deus, que incorporava os diferentes aspectos do deus transcendente em sua pessoa. Autoridade, sabedoria, prudência, justiça, misericórdia, justiça, amor, brilhantismo, valor e força física eram qualidades dos grandes deuses, que o rei deveria refletir em sua pessoa.
A Árvore era ocasionalmente representada antropomorficamente, na forma de um homem coroado, espécie de junção do rei e da Árvore. Esta árvore-homem não era retratada de perfil, como de costume na Mesopotâmia, mas de frente, de forma que a imagem era estruturalmente idêntica com a árvore sagrada.
Na Cabala também, o diagrama da Árvore é interpretado em termos do homem. A configuração das sefirot representa a perfeição espiritual do primeiro homem criado à imagem de deus, sendo que este perdeu esta imagem como resultado de suas ações. A morte então tornou-se o destino do homem neste estado imperfeito. Mas havia uma forma de escapar a este destino: para restaurar o estado original da perfeição, e esta forma estava encerrada no diagrama da árvore. Muito da doutrina cabalística lida com técnicas e métodos que detalham o que fazer para atingir tal meta. As pessoas que ganhavam perfeição quase divina por seguir o caminho mostrado pela Árvore ganhava acesso ao conselho celestial dos deuses, onde podiam obter conhecimento divino e eventualmente, ser agraciados com a vida eterna após a morte..
No Épico da Criação dos Babilônicos, a emergência da pluralidade dos deuses de um estado de unidade indiferenciada é apresentada como um processo matemático ligado à estrutura numérica do diagrama da Árvore. No Épico de Etana, a Árvore aparece como o local dos dois aspectos conflitantes da alma, a águia e a cobra. A águia comete uma falta, prova o proibido (os filhotes da serpente), e, deprivada de suas penas, é amaldiçoada a perecer no poço da armadilha. A águia se arrepende, e então é resgatada pela intervenção divina. Ganhando de volta as suas penas, ela finalmente ascende aos céus junto com seu redentor, o rei Etana. No mito da Descida de Ishtar, temos uma variante sobre o mesmo tema: a deusa, que aqui simboliza a alma universal, deixa seus domínios a fim de conquistar o Submundo, perde seus poderes divinos, morre, mas é restaurada à vida, reavendo todos os seus poderes ao subir novamente às Alturas. Como no Épico de Gilgamesh, o número e a ordem dos poderes correspondem à hierarquia dos deuses na Árvore.

A ÁRVORE DA VIDA ASSÍRIA
Professor Parpola atualmente vê a Árvore não como uma Árvore propriamente dita, mas como um símbolo visual de múltiplas camadas, um instrumento de auxílio para a memória, que contém não apenas um, mas uma infinidade de significados. A forma da Árvore com sua oposição vertical céu-terra e direita-esquerda fornecia uma estrutura pela qual era possível expressar várias doutrinas interrelacionadas da religião Mesopotâmica e da ideologia real. A Árvore podia ser tomada para refletir a estrutura psíquica do homem perfeito como um equilíbrio de virtudes cardeais; ao mesmo tempo, ela também representava deus e a soma total de seus atributos. Ela podia simbolizar o rei como mediador entre o céu e a terra, mas também a alma como uma entidade que transcendia os limites do céu e da terra. Ela podia ser contemplada como uma imagem do cosmo que consistia do céu, da terra e um mesocosmo de estrelas e dos grandes deuses situados entre eles. Ela podia refletir o conselho divino, tal qual o gabinete assírio, cujos ministros ideologicamente eram imagens dos grandes deuses. A árvore delineava a ascensão da alma pura até os céus.
Todas estas diferentes interpretações têm algo em comum: a crença na habilidade da alma pura de transcender as fronteiras entre os reinos diametralmente opostos do céu e da terra. Esta crença fazia possível, por outro lado, apresentar o rei como o homem perfeito, enviado pelos céus para guiar a humanidade, bem como para manter a esperança de uma ressurreição dos mortos.
Ao representar o rei como o homem perfeito e a imagem de deus, a tornou-se no símbolo principal do império Assírio. No culto de Ishtar, a Árvore deve Ter em principio funcionado como objeto de meditação, como espécie de mandala. Como a personificação humana da Árvore - o homem perfeito - o rei tinha papel importante nos rituais. Ele era o salvador enviado para resgatar os justos, o redentor para aqueles que acreditavam nele. Podemos, portanto, de certa forma entender por que os antigos mespotâmicos escolheram-na como objeto de reverência, conhecimento secreto e contemplação. Palavra escrita alguma pode expressar de forma adequada as idéias complexas sugeridas pelo poderoso símbolo visual. Muito antes pelo contrário, estas tendem a obscurecer e distorcer a mensagem fundamental que pode ser intuitivamente obtida através da contemplação, meditação e estudo da iconografia sagrada, baseados nas fontes do cuneiforme que temos disponíveis.
Naturalmente, a Árvore era apenas um dos símbolos visuais entre muitos outros no mundo antigo. Mas era um símbolo importante na Assíria, comparável à cruz no Cristianismo. Evidentemente, deve-se frisar que qualquer tentativa de se entender a Árvore da Vida Assíria deve estar firmemente fundamentada por evidências assírias. Uma vez que as doutrinas relativas à Árvore eram também secretas, sendo escritas quando muito em linguagem alegórica e velada, deve-se também estudar doutrinas relacionadas como a Cabala, que são melhores conhecidas e sobre as quais encontramos material disponível. Somente com a ajuda de tal abordagem comparativa é que poderemos melhor entender e organizar nossas descobertas de forma coerente e tão fiel aos fatos quanto possível.

terça-feira, 26 de julho de 2011

São Cipriano - O Mago dos Magos



Tascius Caecilius Cyprianus, nasceu na cidade de Antioquia.
Antioquia era uma cidade antiga erguida na margem esquerda do rio Orontes, na Turquia. Foi nesta cidade que, quando o Cristianismo era apenas uma pequena seita religiosa, Paulo pregou o seu primeiro sermão numa Sinagoga, e foi também aqui que os seguidores de Jesus foram chamados de Cristãos pela primeira vez.
Historicamente, há quem defenda que São Cipriano Bispo de Cartago, ( Cartago, o coração do grande império fenício que existiu no Norte de Africa e que rivalizou com o império romano pelo controlo do mediterrâneo) e são Cipriano de Antioquia,( de cognome «o feiticeiro», ou «o mago dos magos»), nascido na cidade que existiu na zona entre Turquia e Síria, e que era chama «a mais bela cidade do oriente», são figuras históricas totalmente distintas. Ao contrario, muitas outras fontes afirmam que São Cipriano o Bispo de Cartago, e São Cipriano «o Feiticeiro», se tratam da mesma figura histórica, sendo que por motivos de ocultação da vida pecaminosa de São Cipriano antes da sua conversão, se procurou criar a ideia que o São Cipriano santificado era uma figura totalmente distinta do São Cipriano o bruxo, assim retirando de São Cipriano o Bispo e o Santo, a pesada macula de todos os seus anteriores pecados. São teses históricas, umas mais defensáveis que outras, mas que de qualquer das formas são unânimes em confirmar a existência de São Cipriano. Cremos pessoalmente, que tal como afirmam as mais ilustres obras que versam sobre São Cipriano, que Cipriano o Bispo de Cartago, e Cipriano o Bruxo, são a mesma pessoa.

Quanto a São Cipriano de Antioquia, o bruxo e santo:
Antioquia era a terceira maior cidade do império romano, conhecida pela sua depravação. Nesta metrópole conhecida por "Antioquia, a bela", ou a "rainha do Oriente", ( tal era a beleza da arte romana e do luxo oriental que se fundiam num cenário deslumbrante), a população era maioritariamente romano -helénica, e o culto dos deuses era a religião oficial. Alguns dos cultos religiosos estavam associados a deusas do amor e da fertilidade, pelo que a lascívia, perversão e a libertinagem era famosas nesta cidade.
Foi neste ambiente religioso e cultural que Cipriano nasceu, havendo sido admitido num dos templos sagrados da cidade para realizar os seus estudos sacerdotais e místicos.
Filho de Edeso (pai), e Cledónia (mãe), Cipriano nutria uma verdadeira vocação e gosto pelos estudos místicos e religiosos. Assim, Cipriano dedicou a sua vida ao estudo das ciências ocultas, sendo que ficou conhecido pelo epíteto de o «feiticeiro». Cipriano alcançou grande fama e o seu nome foi reconhecido enquanto um poderoso feiticeiro, capaz de grandes prodígios.
Cipriano nasceu em 250 d.C. Era descendente de uma prospera família e filho de pais abastados e crentes das divindades pagas, que cedo o entregaram ao sacerdócio de Deuses.
Cipriano entrou assim em contacto com as ciências ocultas, e aprofundou afincadamente os seus estudos de feitiçaria, rituais sacrificiais e invocações de espíritos, astrologia, adivinhação, etc.
Cipriano não se limita aos seus estudos no sacerdócio em Antióquia, e desejando aprofundar os seus estudos ocultos,viaja pelo Egipto e pela Grécia, angariando conhecimento com vários mestres e sacerdotes místicos; ele estuda desde as mais ancestrais técnicas astrológicas, á numerologia hebraica, e demais artes misticas.
Por volta dos seus 30 anos, Cipriano encontra-se estabelecido na Babilónia, onde encontra a bruxa Èvora.
Estudando com ela, Cipriano desenvolve as suas capacidades premonitórias e outras matérias sobre as artes da bruxaria segundo as tradições místicas dos Caldeus.
Após o falecimento da Bruxa Évora, Cipriano herda os manuscritos esotéricos da Bruxa Évora, dos quais extrai muita da sua sabedoria oculta.
Ao fim de algum tempo, Cipriano já domina as artes das ciências de magia negra, contactando demónios.
Diz-se que se tornou amigo intimo de Lúcifer e Satanás, para os quais conseguia angariar a perdição de muitas belas e jovens mulheres, o que muito agradava aos diabos, que em troca lhe concediam grandes poderes sobrenaturais.
(Sobre como um bruxo ou bruxa se tornam servos do demónio, consultar Bruxas e Demónios, assim como o Malleus Maleficarum e Sabbath),
Com os poderes infernais que lhe advinham que dialogar directamente com os demónio e pedir-lhes a concretização de favores, Cipriano construiu uma carreira de bruxo com grande fama, produzindo grandes feitos, o que lhe valeu uma imprecedível reputação de grande feiticeiro ou mago.
Muitas pessoas de todos os quadrantes geográficos procuravam os seus serviços místicos e os seus ganhos financeiros eram assinaláveis. São Cipriano viveu assim uma vida de bruxarias e riquezas, sendo que dizem certas lendas que São Cipriano foi dono de um fabuloso tesouro, onde se encontravam tanto os seus manuscritos secretos sobre assuntos místicos e bruxaria, como uma fortuna financeira incalculável, adquirida através do exercício das suas artes esotéricas.

Cipriano foi autor de diversas obras e tratados místicos, e era já um feiticeiro respeitado, reputado e temido, quando foi contactado por um rapaz de nome «Aglaide», ( ou Adelaide).
O rapaz estava ardentemente apaixonado por uma belíssima donzela Cristã de nome Justina.
Aglaide tinha encontrado o consentimento dos pais de Justina quanto a um casamento com ela, contudo a donzela professava uma forte fé cristã e desejava manter a sua pureza, oferecendo a sua virgindade a Deus. Por esse motivo, Justina recusou-se casar.
Desgostoso mas com forte determinação em possuir Justine, Adelaide encomendou os serviços de Cipriano, o «mago dos magos», grande estudioso e sabedor dos conhecimentos do oculto.
Cipriano usou de toda a extensão da sua bruxaria para fazer Justine cair nas tentações carnais, levando-a a abrir-se e oferecer-se a Aglaide, ao passo que renunciando á sua fé Cristã.
Cipriano fez uso de diversos trabalhos malignos, e contudo nenhum deles surtiu qualquer efeito.
Para espanto de Cipriano, todo o batalhão de feitiços que usava era repelido pela jovem rapariga apenas através do sinal da cruz e das suas orações
Acostumado a fazer belas moças cair na tentação da carne e assim a leva-las a entrar pelos caminhos da luxúria, conquistando-as para si mesmo, ( a favor do diabo, a quem com a perversão lhes vendia as almas ), ou para as abrir a quem lhe encomendava os serviços de feitiçaria, Cipriano não consegue entender o que se estava a passar.
Ele encontrou muitas dificuldades, sendo que pediu ao demónio que perseguisse a jovem e bela Justina, ora lançando-lhe forte tentação e inflamando-a se desejo carnal, ora atormentando-a com visões e aparições, ora tentando-a vergar com todo um ardil diabólico, que ia de doenças, a todo o tipo de enfermidade. Noite após noite, a pedido de Cipriano, o demónio visitava a jovem Justina com a sua infernal quantidade de seduções e castigos. Nada resultou.

Cipriano desiludiu-se profundamente com as suas artes místicas que ate então tinham funcionado tão forte e infalivelmente, para agora se verem derrotadas por uma mera donzela com fé em Deus e em Cristo.
Aconselhado por Eusébio, (um amigo seu), e observando o poder da fé de Justine, Cipriano concerteu-se ao Cristianismo.

Assim fazendo-o, o feiticeiro destruiu grande parte das suas obras esotéricas e tratados de magia negra, assim como ofereceu e distribuiu todos os seus bens materiais e riquezas aos pobres.
Depois de se converter, Cipriano ainda foi fortemente atormentado por espíritos de bruxas que o perseguiam, mas teve fé e assim afastou de si tais aparições que apenas o pretendiam reconduzir aos caminhos da feitiçaria.
Cipriano viveu uma vida de castidade e virtude, vindo a ser ordenado sacerdote, e mais tarde alcançado a posição de Bispo de Cartagena.
A fama de Cipriano era contudo grande e as notícias da sua conversão ao cristianismo chegaram á corte do Imperador Diocleciano que á data tinha fixado residência na Nicomédia.
Cipriano e Justina foram perseguidos, aprisionados e lavados ao imperador, diante do qual foram forçados a negar a sua fé. Naquele tempo, muitas das perseguições contra os cristãos visavam fazer os fiéis abjurar, ou seja, renunciar á fé em Cristo. A esses cristãos, cuja a vida era poupada, chamavam-se: lapsi
Consta que Justina e Cipriano, foram por isso violentamente torturados, na tentativa de os levar á «abjuração».
Justina foi despida e chicoteada, ao passo que Cipriano foi martirizado com um açoite de pentes de ferro.
Mesmo com a carne arrancada do corpo a cada flagelação do chicote com dentes de ferro, Cipriano não renegou a sua fé, e Justina manteve-se sofredoramente fiel a Deus.
Conta a lenda, que outros grandes tormentos foram infligidos a Cipriano e Justina, sendo que ambos saíram ilesos, por obra de um milagre de Deus.
Perante a recusa de Cupriano e Justina em renunciar á sua fé, e enraivecido perante o milagre que teimava em salvar Cipriano e Justina das torturas, o imperador ordenou a sua condenação á morte.
Cipriano e Justina foram decapitados a 26 de Setembro de 304 d.C, juntamente com um outro mártir de nome Teotiso. Aceitaram a sua execução com grande fé e serenidade, tendo falecido com coragem e dignidade.
Os seus corpos nem sequer foram sepultados, e ficaram expostos por 6 dias. Um grupo de cristãos comovidos pela barbaridade, recolheu-os.
Mais tarde, o imperador Cristão Constantino, (272 – 337 d.C. ), ouviu falar de São Cipriano.
O imperador Constatino foi o primeiro imperador Romano a confirmar o cristianismo como religião oficial. Diz a lenda que na noite antes de uma batalha decisiva ás portas de Roma, o imperador sonhou com uma cruz e ouviu uma voz que lhe disse:«sob este símbolo vencerás».
Constantino interpretou o sonho como uma mensagem de Deus, e de facto venceu a batalha e conquistou o mais alto cargo de poder do império romano. Governou o império ate morrer.
Foi Constantino que convocou o concilio de Niceia, onde se fixou a data da Páscoa crista, assim como se decidiu sobre a natureza divina de Jesus. Foi também Constantino que através do Èdito de Constantino, fixou o domingo como dia de descanso cristão, o correspondente ao Sabbath judaico.
Constantino ordenou que os restos mortais de Cipriano fossem sepultados na Basílica de São João Latrão, localizada na praça com o mesmo nome em Roma, que é a catedral do Bispo de Roma, ou seja: o papa. A basílica de São João de Latrão, (Archibasilica Sanctissimi Salvatoris), é a «mãe» de todas as igrejas, aquela na qual o Santo Padre exerce o seu mais alto oficio divino.
A Basílica de São João de Latrão encontra-se localizada na praça de mesmo nome em Roma e é a Catedral do Bispo de Roma: o Papa. O seu nome oficial é «Arquibasílica do Santíssimo Salvador», e é considerada a "mãe” de todas as igrejas do mundo.
Foi na «Omnium Urbis et Orbis Ecclesiarum Mater et Caput», (mãe e cabeça de todas as igrejas do mundo), que São Cipriano, o santo e mártir, encontrou o seu eterno repouso.
Todo percurso de São Cipriano é um verdadeiro hino á vida no esplendor da sua existência:
do Diabo a Deus, dos anjos aos demónios, da feitiçaria é fé crista, da magia negra á magia branca, em tudo São Cipriano mergulhou, estudou e viveu.
Do pecado á virtude, da luxúria á santidade, da riqueza á pobreza, do poder á martirização, se alguém é digno de um percurso existência completo, rico e enriquecedor, eis que este santo assim o representa.
Controverso e polémico, em São Cipriano a própria noção de evolução espiritual através da profunda vivência das mais diversas realidades espirituais, (do mais profano excesso, á mais sacrificada ascese), encontra corpo na vida e obra deste feiticeiro e mártir.

Outras figuras houveram como ele ao longo da história:
Maria Madalena amava profundamente a luxúria e era prostituta, uma mulher totalmente entregue ao prazer da carne, da vaidade e da luxúria, e que mais tarde viria a ser Santa; Paulo perseguia a matava homens e mulheres inocentes apenas por serem cristãos. Era um sanguinário predador de homens, um assassino que assistiu á morte de São Estêvão, (o primeiro mártir), e que perseguiu e matou cristãos na estrada que conduzia a Damasco, e que depois ascendeu a Santo; Maria Egípcia, viveu na Alexandria, ( Egipto), onde se tornou prostituta. Não vendia o corpo pensando em dinheiro, mas apenas pelo vício do prazer. A quem lhe queria pagar, ela recusava o dinheiro e dizia que se prostituía apenas para ter quantos homens fosse possível, fazendo de graça o que lhe dava prazer. Também ela se tornou Santa Maria do Egipto, a ermitã.
A história está repleta de santos que foram pecadores, e de grandes pecadores que se tornaram santos.

São Cipriano é também um desses exemplos da natureza humana em toda a sua complexa extensão:
- de pecador dedicado á feitiçaria, considerado o «mago dos magos», apelidado como o «discípulo preferido do Diabo», conquistando pela bruxaria belas mulheres para as entregar ás mãos do Diabo e da luxúria, e construindo fortuna com fundamento na pratica do ocultismo, chegou a santo na mais devota e redentora assunção do termo.
Muito mais que apenas um feiticeiro, ou apenas um santo: é um símbolo da mais íntima natureza humana, na sua ampla dualidade. São Cipriano, foi bruxo de grande poder, bispo de grande sabedoria e santo de grande nobreza. Por tudo isso, ( e tal como Maria Madalena, que foi pecadora e encontrou a luz em Cristo), São Cipriano foi um exemplo que redenção e salvação. Os seus saberes contudo, abrem as portas á magia negra mais poderosa, ou á magia branca mais celestial. Cabe a cada um de nós, usar os saberes de São Cipriano em consciência, e de acordo com as nossas escolhas.
São Cipriano ficou famoso tanto pela sua vida de escândalos e luxúria, como pela pratica da mais poderosa bruxaria, (que aprendeu tanto nos templos das Deusas da fertilidade, como com a famosa Bruxa Évora), como pelos muitos milagres que fez depois de se converter ao cristianismo, (o que o levou a ser um dos mais bem sucedidos evangelizadores do seu tempo), e por ultimo pela sua morte como mártir em nome da Fé.
Contam as lendas que São Cipriano, através dos conhecimentos obtidos com a bruxa Évora, terá feito um pacto com um demónio. Por causa desse pacto, São Cipriano ter-se-ia entregue a uma vida de luxúria e pecado, por forma a satisfazer o demónio, entregando belas mulheres á perdição e perversão das seduções carnais. Desse pacto demoníaco celebrado por São Cipriano, conta-se que lhe advieram os extensos poderes mágicos com os quais o bruxo realizou incontáveis trabalhos místicos, que lhe renderam uma fama sem precedentes.
Dizem algumas fontes, que os manuscritos de São Cipriano ainda existentes, (que podem ser usados tanto para o bem, como para o mal), encontram-se conservados na Biblioteca do Vaticano, e que os livros que presentemente existem no mercado são excertos retirados dessas obras originais.
Nos saberes de São Cipriano, é claro de embora Cipriano haja renunciado á prática das artes da feitiçaria, ele por vezes podia ensina-la a quem se encontrava em perigo ou tormentos, a fim de auxiliar essa pessoa, se assim fazendo-o então o santo conquistasse mais uma alma para a salvação da cristandade, o que apenas atesta que magia usada para operar em Deus e a bem da salvação de uma alma cristã, é uma coisa boa e virtuosa.

Seja como for, São Cipriano é um Santo e Bruxo milagreiro, cujas as graças já favoreceram milhares de sofredores por todo o mundo, em todo o tipo de situações mais desesperadas. O dia de São Cipriano é celebrado a 2 de Outubro, sendo que na última noite desse mesmo mês, a 31 Outubro( para 1 Novembro, a noite mais longa do ano), é celebrado o dia dos mortos, ou o dia das bruxas. O mês 9 de todos os anos, é um mês de profunda tradição na bruxaria.

E sobre são Cipriano, eis que muitos por isso perguntam:
Deve-se venerar a são Cipriano «antes» ou «depois» da sua conversão?

Responde-se:
Deve-se olhar a são Cipriano no seu «todo», ou seja, deve-se olhar para «todo» o homem e para «toda» a vida do santo, pois que da mesma forma que não é possível partir um homem ao meio, então também não é possível conhecer ao santo dividindo-o em dois.

E por isso:
Como se poderá alguma vez compreender a mensagem e o ensinamento do santo, se não se olhar a «toda» a sua vida, e a «toda» a sua vivencia?

Acaso será possível ter vinho negando as uvas? Ou acaso será possível fazer o pão desprezando ao grão da farinha? Como podereis edificar uma grande casa sem o pequeno tijolo?, pois acaso não é necessário um para construir ao outro?

E então: como podereis entender á vida de um santo se não olhardes a «toda» a sua vida?, e como podereis compreender á mensagem de um santo se não observardes «toda» a sua vivencia?, da mesma forma que como podereis entender um livro se apenas lerdes metade dele, e deitardes fora a outra metade do livro?

E na verdade: como poderia são Cipriano verdadeiramente ter compreendido que no mundo do espírito não há Senhor acima de Deus, se o santo não se aprofundasse nas mais obscuras e ocultas vivencias místicas?, de forma a em certo momento entender que até o Diabo, ( ele assim o confessou a são Cipriano), é um anjo submetido ao poder de Deus?, e que nem o poder do maior anjo ou do maior demónio conseguem vencer ao poder de Deus?, e que todas as coisas estão submissas e submetidas a Deus?, e que nada sucederá neste mundo se Deus não o permitir?, pois que o poder de Deus suplanta e supera todos os demais poderes?

E por isso: toda a vida do santo deve ser olhada, pois que o santo nem negou ás coisas do espírito, nem negou ás coisas da santidade; E o santo não negou nem ás coisas místicas, nem negou ás coisas de Deus; E antes porem, o santo tudo isso viveu, e tudo isso vivenciou, para deixar ao mundo um legado e uma mensagem de fé, e essa mensagem foi tal conforme já nas escrituras é anunciado, onde assim está escrito:

o SENHOR DOS ESPIRITOS (…) se manifestou

2 Macabeus 3,24

Pois então:

Deus é «Senhor dos espíritos», e «Deus» é «Senhor» de «todos os espíritos», e «Deus» é «Senhor» de «todas» as coisas do «mundo do espírito», e por isso no «mundo do espírito» nada dará fruto se Deus não quiser, e com Deus tudo dará fruto.

E no fundo, era esta uma das mensagens de são Cipriano, pois que ele que tantos prodígios conseguiu alcançar com as suas magias, porem acabou concluindo que as suas mais poderosas magias apenas davam fruto quando Deus permitia, e porem quando Deus não permitia então não havia fruto possível.

E por isso, eis que assim são Cipriano acabou observando na sua obra:
«(…) Disse o demónio - Infelizmente nada possa fazer contra o Deus todo poderoso (…) que se quiser poderá nos impedir de qualquer movimento»

Obra de S. Cipriano – Pag 22, Capitulo «Nascimento, vida e Morte de S. Cipriano; Cipriano e Clotilde»

Pois então:
Se não fosse «toda» a vida do santo, tanto antes como após a sua conversão, então jamais tamanha «chave» lhe teria sido dada, para que se lhe permitisse verdadeiramente vislumbrar as leis do mundo do espírito, e assim deixar um legado de sabedoria inigualável.

E por isso, assim se pode entender da mensagem de são Cipriano:
«Deus» é espírito, e «Deus» é o «Senhor» dos espíritos, e por isso todas as «coisas do espírito» são de «Deus», e todas as coisas do «mundo do espírito» são as coisas do «reino de Deus»; E por isso, todas as coisas do espírito são boas se vividas em Deus, e todas as coisas do espírito dão fruto se vividas com Deus, e porem sem Deus não há prodígios possíveis, e fora de Deus não há maravilhas.

E por isso, são Cipriano falando das suas artes mágicas e místicas, assim disse na sua obra:
«(…) havemos de notar que tudo quanto fazemos é em nome de Jesus Cristo»

Obra de são Cipriano; Instruções a todos os religiosos, Pág. 36

Ou seja: assumiu são Cipriano que tudo quanto foi feito na sua obra, ( seja magia branca, ou magia negra, ou encantamento, ou feitiço, ou conjuração, ou invocação), tudo é feito em Deus, e com Deus; assume por isso são Cipriano, que a «magia» é coisa do «espírito», e que por isso toda a coisa da «magia» sendo coisa do «espírito» é coisa do «mundo do espírito», e o «mundo do espírito» é o «reino de Deus», e por isso não há «magia» que possa dar fruto fora de «Deus», e com «Deus» toda a «magia» é invencível.

Ou seja, sobre as artes do espírito, e sobre a magia, e sobre os misticismos, eis que são Cipriano acabou ensinando tal conforme assim está escrito:
tudo o que Deus criou é bom, e nada é desprezível se tomado com acção de graças, porque é santificado pela Palavra de Deus e pela oração

1 Timóteo 4,1;4

Pois então: todas as coisas do mundo do espírito são boas e nenhuma é desprezível, se elas foram vividas em Deus, e se praticadas com Deus.

E por isso, a todos aqueles que acusando o santo por causa das suas sabedorias místicas e do espírito, então julgam poder dividi-lo em «antes» e «depois» da sua conversão, então a esses as próprias escrituras lhes respondem como assim está revelado:

todas as coisas Te servem a Ti

Salmo 119,91

Pois então:
Deus é Senhor de todas as coisas, e por isso todas as coisas servem a Deus, e por isso todas as artes do espírito serão desaconselhadas se praticadas fora de Deus, e porem todas as artes do espírito, ( sejam elas de magias «negras», ou magias «brancas», ou qual for a sua «cor»), eis que todas as artes do espírito são boas e virtuosas se praticadas com Deus, e em Deus.

E assim sendo:
São Cipriano jamais renegou ás magias e aos portentosos prodígios que delas podem nascer; porem são Cipriano também não negou a Deus, e converteu-se, e morreu mártir pela fé em Cristo. E por isso, a lição do santo foi: as magias existem, e são coisas do espírito, e elas darão bom fruto se forem operadas na fé em Deus, por Deus, e jamais fora de Deus, pois que fora de Deus não há maravilhas do espírito.
São Cipriano veio assim servir um novo e diverso pão de esperança, e o santo veio oferecer um novo e amplo vinho de espiritualidade, e todo esse novo fruto reside no ensinamento de são Cipriano, e o ensinamento deve ser olhado no «todo» e não apenas na «parte».
Nalgumas doutrinas, são Cipriano é apontado enquanto o santo Padroeiro de magos, magas, bruxos, bruxas, necromantes, feiticeiras, espíritas, e de todos aqueles homens de fé que operam nas artes do espírito e do oculto.
Sendo o santo protector desta classe de homens de fé e ocultistas, são Cipriano assume-se como o santo protector dessas artes e de seus artificies, sendo que a são Cipriano se pede protecção e intercedência em todos os empreendimentos místicos e obras do espírito, procurando sempre que através da intercedência do santo, todos os processos espirituais sejam bem sucedidos, e porem sempre norteados pela luz de Deus, pois que como são Cipriano descobriu: com Deus tudo é possível edificar no espírito, e sem Deus nenhum fruto florescerá no espírito.

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Seis breves apontamentos sobre saberes gerais dos ensinamentos ocultos de S. Cipriano:

I
Sobre a natureza da magia, assim dizem os saberes de S. Cipriano:
«A magia é a arte de submeter as potências da natureza á vontade humana. Entre essas potências, há as entidades invisíveis, espíritos, génios, demónios, evocados mediante fórmulas, orações, encantamentos, talismãs, Pentáculos, filtros, e outros agentes naturais»
Obra de S. Cipriano, pag 222, Capitulo «A Magia»

II
São 5 os tipos de orações que São Cipriano ensinou, e servem elas para:
«Para rogar a Deus pelas almas boas; Para esconjurar os espíritos maus; Para curar moléstias; Para conjurar encantos (…); Para se fechar uma morada ou um corpo (…)»
Obra de S. Cipriano, Pag. 37, capitulo «Instruções a todos os religiosos»

III
Sobre a oração, assim dizem os saberes de S. Cipriano:
«A oração é o meio que o homem tem para comunicar-se com Deus e com os espíritos»
Obra de S. Cipriano Pag 391

IV
Segundo os saberes de S. Cipriano, existem conjuros de Magia Negra, para fins de «mandar os espíritos tentar qualquer pessoa de quem desejamos qualquer coisa». Devem-se ao celebrar tais conjuros, respeitar cinco regras, e elas são:
«Não pode ir o conjurador com mais de duas pessoas; não se pode fazer (..) conjuração senão de noite das onze horas ás duas horas, e em lugares solitários. (…) o conjurador deverá ir vestido de preto e nenhuns dos cicunstantes deverá levar sinais sagrados»
Obra de S. Cipriano Pag 332, Capitulo «Grande Conjuração de Magia Negra»

V
Sobre a bruxaria, sua natureza, seus poderes e os seus limites, assim dizem os ensinamentos de S. Cipriano:

*
«Os bruxedos, (…) na sua forma mais pura, é uma tentativa de (…) fazer aparecer espíritos benignos ou malignos (…)
Obra de S. Cipriano; Pag 41, Capitulo «Os bruxedos no tempo de São Cipriano»

*
«Cumpridas as instruções de Lúcifer, Cipriano pode então apossar-se de Elvira, como pretendera»
Obra de S. Cipriano, Pag 20, Capitulo «Cipriano e Elvira»

*
«(…) Disse o demónio - Infelizmente nada possa fazer contra o Deus todo poderoso (…) que se quiser poderá nos impedir de qualquer movimento»
Obra de S. Cipriano – Pag 22, Capitulo «Nascimento, vida e Morte de S. Cipriano; Cipriano e Clotilde»

*
«O espírito das trevas não teve outra saída senão explicar francamente a situação (…) O sinal da cruz afastava qualquer demónio e era justamente aquele sinal que Justina se valia na hora das tentações e das tribulações»
Obra de S. Cipriano, Pag 28 Capitulo «Conversão de S. Cipriano»

VI
Dizem o saberes de S. Cipriano que uma amarração com recurso a magia negra, desperta sobre a sua vitima, tanto tentações como tribulações, conforme seja necessário para forçar uma certa criatura a aceitar um fim amoroso que ela não deseja. Desde infortúnios a tentações carnais, as astúcias demoníacas operam de diversas formas, conforme se pode ler:

«Aglaide resolveu apelar para outros recursos, e foi procurar Cipriano, o mago dos magos (…) Atendendo á solicitação, Cipriano valeu-se de todos os recurso da sua arte magica para satisfazer o moço enamorado (..) Cipriano fez com que jovem fosse presa de fortes tentações e ficasse apavorada durante noites com aparições (…) Foi aquele demónio a casa de Justina, procurando excitar-lhe o espírito e acender-lhe os desejos da carne(…) Perturbada pela influencia diabólica, Justina (..) sentia incendiar-se-lhe na carne a chama do desejo (…) a jovem (…) sentiu ímpetos de buscar amante fosse como fosse (..) o príncipe das trevas(…) vingou-se desencadeando (..) uma série de doenças de toda a sorte»
Obra de S. Cipriano, Pag.s 27-31, Capitulo « A Conversão de S. Cipriano»

Através dos seus saberes ocultos, S. Cipriano conseguiu alcançar grandes prodígios, apossando-se dos amores de Elvira e permitindo que uma bruxa alcançasse milagroso sucesso nos seus serviços à filha do conde Everaldo de Saboril.
Contra o seu poderio de artes magicas, apenas Santa Justina lhe resistiu pois que Deus não permitiu que o seu feitiço produzisse fruto. Contudo, mesmo assim está escrito que:

«(…) os manuscritos que ele escrevera e os apontamentos da bruxa Èvora, botou-os no fundo da sua grande arca, pois, apesar de não terem sido fortes o suficiente contra Deus(…), os reconhecia de portentoso valor e serviriam futuramente (…) »
Obra e vida de S. Cipriano, extraída do Flos Sanctorum

S. Cipriano ensina nos seus escritos, que perante o tamanho poder do feitiço e do encantamento da bruxaria, apenas a Deus pode impedir o seu resultado, pois o santo assim mesmo o observou junto de Santa Justina. Há excepção disso, o saber oculto de S. Cipriano é capaz de abrir portas a um poderosíssimo contacto com os espíritos. Os saberes ocultos de S. Cipriano são por isso e reconhecidamente, uma inigualável fonte de ensinamentos místicos, que já operaram prodígios e favorecimentos por todo o mundo, através de uma das maiores autoridades históricas e espirituais no mundo esotérico.

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Eis os 6 ensinamentos basilares que provem directamente da obra de são Cipriano, e ei-los:


1º Ensinamento:
sobre a fé.

Sobre a fé, na obra de são Cipriano podemos ler:
«O espírito mau segredou-lhe ao ouvido: tens ainda pouca fé no meu poder, e é por isso que não achas as pedras de que te falei.»
Obra de são Cipriano, «Enguerimanços de são Cipriano ou prodígios do Diabo», capitulo 4º, pagina 251

Assim se fica sabendo que apenas tendo fé no espírito, é possível do espírito retirar a sua obra.


2º Ensinamento:
sobre a paciência

Sobre a paciência, na obra de são Cipriano podemos ler:
«[Implorou Siderol]: perdão, perdão, Lúcifer (…)

[Respondeu Lúcifer]: não te disse já, (…), que na minha lei também é preciso ter paciência? »
Obra de são Cipriano, «Enguerimanços de são Cipriano ou prodígios do Diabo», capitulo 8º, pagina 260

Assim se fica sabendo que se desejamos entregar os destinos de um assunto ás mãos de um espírito, então assim o façamos para que o espírito dele se encarregue e por ele providencie. Porem, se não temos fé e paciência para entregar o destino desse assunto ás mãos de um espírito, e tendo-lhe entregue o assunto ainda assim persistimos em tomar o assunto em nossas mãos, então de que serviu entregar o problema ás mãos do espírito se persistimos ainda assim em tratar dele pelas nossas mãos? Uma vez entregue um assunto ao espírito, deixai então que ele trate do problema pelas suas mãos e não pelas nossas, porque das nossas mãos mortais nada colheremos, e sabendo deixar operar as mãos de um espírito ele assim vos dará a chave que abre a porta que não se vos abre.


3º Ensinamento:
sobre a sacrifico

Sobre sacrifico, na obra de são Cipriano podemos ler:
«Para que gozes da minha protecção, é necessário que faças algum sacrifício»
Enguerimanços de são Cipriano ou prodígios do Diabo, capitulo 7º, pagina 260

Pois assim sabemos que nenhum milagre, nem nenhum prodígio, nem nenhuma protecção do espírito cairá do céu sem algum sacrifício. E porem, esse sacrifício aliado á fé, será então o grão de areia que fará a montanha mover-se a vosso favor.


4º Ensinamento:
sobre Deus

Sobre Deus, assim está escrito na obra de são Cipriano:
«(…) Disse o demónio - Infelizmente nada possa fazer contra o Deus todo poderoso (…) que se quiser poderá nos impedir de qualquer movimento»
Obra de S. Cipriano – Pag 22, Capitulo «Nascimento, vida e Morte de S. Cipriano; Cipriano e Clotilde»

Por isso assim se sabe que aquilo que Deus aceitar firmar ele firmará, porem aquilo que Deus não aceitar decretar ele não decretará, e esta é a lei. Assim ensina são Cipriano que quando desejais a mais forte das magias, lembrai-vos de Balaão e de são Cipriano, e assim não caia o vosso apelo em orações fúteis e fé mal guiada, mas antes dirigi-vos a um altar onde os santos de Deus são venerados, pois que apenas através de um santo de Deus podereis obter permissão para que tanto anjos, (magia branca), como demónios, (magia negra), actuem em vosso favor, pois que apenas através da autoridade de Deus se podem tais prodígios firmar, e todo o santo de deus apenas a Deus clama para abrir caminhos, seja na magia branca, ou na magia negra.


5º Ensinamento:
sobre a oração

Sobre a oração, assim está escrito na obra de são Cipriano:
«A oração é o meio que o homem tem para comunicar-se com Deus e com os espíritos»
Obra de S. Cipriano Pag 391

Pois assim se sabe que é na oração, proferida com fé numa casa de oração e num altar dedicado a um santo de Deus como é são Cipriano, em que muitas orações se juntam clamando em todo o seu poder, que todos os prodígios são possíveis, e fora da oração e da fé expressas numa casa de oração e num altar de um santo de Deus, pouco será alcançado pois que assim são Cipriano ensinou.

6º Ensinamento:
sobre as instruções

Sobre o cumprimento das instruções de um trabalho espiritual, assim diz a obra de são Cipriano:

«Cumpridas as instruções de Lúcifer, Cipriano pode então apossar-se de Elvira, como pretendera»
Obra de S. Cipriano, Pag 20, Capitulo «Cipriano e Elvira»

Pois assim se sabe que apenas cumprindo com rigor as instruções de um espírito, então será possível colher o fruto da acção desse espírito. Respeitai a instrução e podereis ter o benefício do espírito, porem desrespeitai a instruções do espírito e nada vos será dado, mas apenas tirado.

Em resumo:
Ensinamento geral sobre os saberes de são Cipriano

Sobre os saberes de são Cipriano, assim diz a obra de são Cipriano:
«(…) os manuscritos que ele escrevera e os apontamentos da bruxa Èvora, botou-os no fundo da sua grande arca, pois, apesar de não terem sido fortes o suficiente contra Deus(…), os reconhecia de portentoso valor»
Obra e vida de S. Cipriano, extraída do Flos Sanctorum

Eis por isso que são portentosos e valorosos os saberes de são Cipriano, e se os usais conforme estas 6 regras, eis que eles vos responderão sem falhas, e sempre conforme estes 6 ensinamentos aqui revelados por são Cipriano.

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Eis 4 breves sabedorias espirituais da obra de são Cipriano:

1- Sobre a magia, sobre o mundo do espírito e sobre Deus, assim está escrito na obra de são Cipriano:
[respondeu são Cipriano] Amanha, á nona hora, vai ter comigo ao templo dos cristãos, que te apresentarei ao presbítero Eugénio, para que te dê as aguas lustrais, e logo te direi o segredo que torna essa magia infalível (…)

De manha estando [ são Cipriano] na igreja com o presbitério, viu entrar a bruxa que correu a beijar os pés do sacerdote. Em seguida foi baptizada, e no fim da cerimónia chamou-a Cipriano e deu-lhe um pergaminho quadrado onde estava escrita a seguinte oração: «faz 3 vezes o sinal da cruz (…)» (…) Logo que a feiticeira acabou de rezar a oração (…) o duque vestiu o fato defumado pela bruxa, prostrou-se aos pés da duquesa a pedir perdão pelas suas leviandades. No dia seguinte, tirou um olho á amante e desprezou-a.
Obra de são Cipriano; forças e poderes ocultos do ódio e do amor; capitulo 16º; Pag. 311

Ensina são Cipriano na sua obra que a oração, e o sinal da cruz, ( ou seja: o poder de Deus), é a chave que faz a magia operar os seus prodígios, e que se alguma magia for infalível ela apenas o é se o poder de Deus a firmar e sustentar;
E assim, eis que são Cipriano ensina que essa, ( a fé na oração e Deus), é a chave para Deus poder aceitar firmar aquilo que é clamado, rogado e pedido numa magia, feitiço, conjuro ou encantamento, ensinando também que é em Deus que reside o poder de qualquer prodígio de magia branca ou negra, ou seja, de bênçãos ou maldições.

2- Em assuntos de amor ou de família, assim está revelado na obra de são Cipriano:
Pelas chagas de Cristo, juro que (…) se faço isto é pelo muito amor que lhe consagro e para que não tome afeição a outra mulher
Obra de são Cipriano; forças e poderes ocultos do ódio e do amor; capitulo 1º

Pois assim se fica sabendo que quem procura magia branca ou negra em assunto de amor, se o fizer por bem e por amor, então não está ofendendo a Deus e está apelando ao seu imparável poder.

3- Em assuntos de males malignos que afectam as vidas do sofredor e lhe trazem apenas contratempos, padecimentos e tribulações, assim está revelado na obra de são Cipriano:
Os verdadeiros e eficazes remédios são os de que usa a igreja, e estes são: o sinal da cruz; a invocação dos santíssimos nomes de Jesus e Maria; os exorcismos; os jejuns; as orações; as esconjurações; as relíquias de santos; a bênção das casas; aspersões de água benta
Obra de são Cipriano; Remédios contra os espíritos; Pag 272

Pois assim se conhecem os verdadeiros remédios que no altar de são Cipriano são usados para ajudar todo aquele que vê a sua vida destruída pelo mal e o maligno que brota dos maus corações.

4- Sobre como são Cipriano actua em Cristo e na cristandade, assim está escrito na obra de são Cipriano:
Socorro-te porque a minha religião que é a cristã, diz que todos são filhos do mesmo Deus Omnipotente, e que não se deve perguntar as crenças ao irmão que sofre (…) Sou Cipriano, o antigo feiticeiro, mas logo que senti a água do baptismo, não posso mais usar da magia; mas já que é para o bem e alcanço uma alma para a cristandade, dir-te-ei o modo como se faz essa coisa que em vão tens preparado
Obra de são Cipriano; forças e poderes ocultos do ódio e do amor; capitulo 16º;pag311

Pois assim se sabe que mesmo já convertido ao cristianismo, pela cristandade são Cipriano acorreu aos que procuravam solução na magia e no mundo dos espíritos, ensinando-lhes os mais poderosos saberes, e porem evangelizando e afirmando sem equívocos que nenhum prodígio pode ocorrer sem que Deus o permita, e sem que Deus o aceite, pois apenas Deus tem poder sobre todas as coisas, ate mesmo sobre a magia branca e a magia negra.
Eis por isso que são Cipriano é fonte de portentosos saberes, e porem eis que o santo assim o ensinou que sem Deus, fora de Deus, sem a anuência de Deus, e sem a lei de deus…. nenhum prodígio ocorre nem sucederá.

Por isso ensina são Cipriano:
Se procurais auxílio nas magias brancas ou negras, procurai-o num santo de Deus, na intercedência do santo junto de Deus, e através da anuência de Deus, pois apenas no Senhor e na sua palavra revelada nas escrituras poderá um encantamento, feitiço, magia ou intercedência operar os seus fins.

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