quinta-feira, 19 de maio de 2011

A Tradição de Israel - Maimon e a Mishné Torah

"Os preceitos que Moisés recebeu no Sinai foram dados juntamente com a sua jurisprudência, como está escrito: 'E Eu te darei as Tábuas de Pedra, a Torah e o Mandamento' Êxodo 24:12".
Torah é a lei escrita. Mandamento é a jurisprudência ou Lei Oral, ou Torah oral.
Toda a Torah foi escrita por Moisés, que apresentou um rolo a cada tribo e colocou um na Arca da Aliança para servir de testemunho. A jurisprudência, que é a vontade da sabedoria, Moisés não a escreveu, mas revelou seu sentido aos anciãos, a Josué e ao restante de Israel.
A Lei Oral, embora não estivesse escrita, Moisés ensinou a sua íntegra em sua corte, aos setenta Anciãos, como também a Eleazar, Finéias e Josué - os três receberam-na de Moisés.
E assim a Lei Oral foi passada de geração em geração até a época do Rabi Judah, chamado de Rabenu HaKadosh (nosso mestre, o Santo) que compilou a Mishná (Conjunto dos Tratados do Direito Consuetudinário Judaico, o Direito Costumeiro, transmitido oralmente de geração à geração).

Desde a época de Moisés até o Rabenu HaKadosh, não se havia composto nenhum trabalho através do qual se tivesse ensinado publicamente a Lei Oral. Mas em cada geração, o líder do tribunal ou o Profeta daquela época anotara para seu uso particular um memorando das tradições que aprendera de seus Mestres, as quais ensinava oralmente em público. Da mesma forma cada discípulo anotava, segundo a sua habilidade, a exposição da Torah e suas jurisprudências, conforme as ouvira, como também os novos assuntos que iam aparecendo em cada geração, que não haviam sido recebidos pela tradição, mas deduzidos pela aplicação das treze regras hermeneuticas, e que foram adotados pelo Supremo Tribunal. Este era o método utilizado até a época do Rabenu HaKadosh, quando este conhecimento foi escrito na Mishná.
Porque o Rabenu HaKadosh agiu desta forma, ao invés de deixar as coisas como estavam ? Porque ele observou que o número de discípulos estava diminuindo, catástrofes aconteciam continuamente, o cruel governo roamano estendia seu domínio, seu poder aumentava, e os judeus vagavam e emigravam para países distantes.

Posteriormente Rav compilou o sifrá e os sifrê, cujo propósito é aclarar os princípios da Mishná. O Rabino Hia compilou a Tossefta também para explicar o tema da Mishná. Da mesma forma o Rabi Oseas e Bar Caporo compilaram baraitas para elucidar o texto da Mishná.O Rabino Iohanan compôs o Talmud de Jerusalem na Palestina, aproximadamente três séculos após a destruição do Segundo Templo e Rav Achi compilou, um século depois, o Talmud Babilônico nas terras de Shinar (Babilônia). Estes dois Talmuds contém uma exposição dos textos da Mishná e uma elucidação de seus pontos conflitantes e profundos, e novos temas foram acrescentados pelas várias Academias, desde os dias do Rabenu HaKadosh até a compilação do Talmud. Os dois Talmuds, a Tossefta, a sifrá, os sifrê e as Tosseftot são as origens a partir das quais está elucidado o que é proibido, o que é permitido, o que é impuro, o que é puro, o que é violação sujeita a pena e o que não envolve penalidade, o que é adequado para o uso e o que é inadequado, segundo as tradições recebidas pelos sábios e por seus antecessores em suscessão ininterrupta, até os ensinamentos de Moshé Rabenu, que os recebeu no Sinai...Disse Moisés: Deveis ordenar uma Mitzvah para preservar minhas ordenanças Lv - 18:30.

Todas as Leis originais e criadas pelos Supremos Tribunais de cada geração, segundo os princípios hermeneuticos, até seu próprio tempo, foram compiladas por Rav Achi na Guemará (É o conhecido Talmud que contém as jurisprudências relativas a Mishná. Há duas Guemarás, a de Jerusalem, que junto com a Mishná formam o Talmud de Jerusalem; e a da Babilônia, que junto com a Mishná formam o Talmud da Babilônia).

Os sábios da Mishná realizaram outras obras:
Rabi Hoshaio, discípulo do Rabenu HaKadosh escreveu uma exposição do Bereshit (Genesis) de Mosés. Moisés escreveu o Pentateuco - Humashe: Bereshit (Genesis), Shemot (Êxodo), Vayikrah (Levítico), Bamidbar (Números) e Devarim (Deuteronomio).
Rabi Ismael, escreveu a Mequiltá (comentários midráshicos sobre a Mishná), um comentário sobre a Humashe, desde o início do livro de Shemot até o final do Pentateuco. O Rabi Akiba também escreveu uma Mequiltá.
Outros sábios que viveram posteriormente escrevram os midrashim.

Todas estas obras foram compostas antes do Talmud Babilônico. Ravina e Rav Achi e seus confrades foram os últimos grandes sábios que estabeleceram firmemente a Jurisprudência da Lei, fizeram decretos, ordenações e introduziram costumes, que obtiveram aceitação universal entre os judeus.

Todos os sábios que surgiram após a compilação do Talmud, que estudaram-no com profundidade e tornaram-se famosos por sua sabedoria são chamados gueonim.
A obra é composta em aramaico, com influências de outras línguas, o vernáculo dos judeus babilônicos, na época em que foi compilada.

"Sob estas premissas, eu, Moshe, filho de Maimon, o Safaradita, pus-me em movimento, cingido de coragem e contando com a ajuda de D..S, Seja Ele abençoado; atentamente estudei todas estas obras literarias, com o objetivo de escrever um livro, que esclareça... de acordo com as conclusões retiradas de todas estas compilações e comentários que têm aparecido desde a época do Rabenu HaKadosh até o presente... eu dei a esta obra o título de Mishné Torah, pela razão de que uma pessoa que leia a Lei Escrita, e depois esta recompilação, saberá a íntegra da Lei Oral, sem precisar consultar ou estudar outro livro qualquer."

Composição da Mishné Torah

Os 248 Preceitos Positivos
Os 365 Preceitos Negativos
1 - Livro da Sabedoria
2 - Livro do Amor
3 - Livro dos Períodos
4 - Livro das Mulheres
5 - Livro da Santidade
6 - Livro da Magnificiência
7 - Livro das Sementes
8 - Livro do Serviço Divino
9 - Livro dos Sacrifícios
10 - Livro da Pureza
11 - Livro dos Danos
12 - Livro das Aquisições
13 - Livro dos Julgamentos
14 - Livro dos Juízes

As letras dos Dez Mandamentos são 613, numero dos Mitzvot da Torah (Bahir 124), que correspondem às 613 partes do corpo humano: 248 membros e 365 vazos.

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