terça-feira, 7 de dezembro de 2010

A Evolução Enoquiana

Muitas pessoas encaram de maneira equivocada as artes ocultas. Elas querem
descobrir receitas de bolo, coisas prontas para o uso e imaginam que os
grimórios são como livros sagrados que contém tudo o que elas precisam saber
Nada contra querer usar aquilo que comprovadamente funciona, mas muitas
vezes com esta postura se perde o experimentalismo original que foi o que
permitiu a magia florescer em primeiro lugar. O sistema enoquiano é um caso
típico. Trata-se de um sistema tão coeso e forte que muitas magistas
esquecem que um dia, há alguns séculos, ele foi apenas dois caras que não
sabiam oque esperar olhando para dentro de uma bola negra de cristal. O
objetivo deste artigo é mostrar como o enoquiano cresceu e se desenvolveu
baseado na exploração e como ele pode vir a morrer se permanecer estagnado.

Os Experimentos de John Dee
O sistema enoquiano foi usado pela primeira vez por John Dee, astrólogo
oficial da corte da rainha Elizabeth I. Dee nasceu em 1527 na Inglaterra e
foi educado na universidade e Cambridge tornando-se uma autoridade nos
campos da matemática, astronomia e filosofia natual. Ele era amigo pessoal
da rainha e trabalho diversas vezes para ela como espião do Império. Sua
biografia pode ser encontrado na seção própria para isso do portal da
iniciativa Morte Súbita inc. O importante é saber que numa certa altura de
sua vida John Dee tornou-se interessado em cristalomancia, que é a visão
sobrenatural por meio de cristais. Dois dentre os muitos cristais que ele
utilizou podem ser vistos hoje no museu britânico. De fato é creditado a Dee
o primeiro uso registrado de um cristal polido para este fim, as famosas
bolas de cristal.
Entretanto ele não se considerava um bom observador de cristais contratava
outras pessoas para realizar as operações enquanto acompanhava. Este fato
pode parecer trivial, mas é talvez a maior idéia que Dee teve em sua vida. O
que acontece é que o processo psiquico da leitura dos cristais, também
chamado de skrying envolve um certo transe muito semelhante por exemplo ao
que Nostradamus usava para escrever suas centúrias. Neste estado o vidente
não está com todas as suas ferramentas lógicas e abstratas ligadas de forma
que muito se perde. Esta limitação se explica pois transceder a mente
racional é essencial para a boa vidência, mas quanto menos racional se for
por outro lado menos se aproveita aquilo que se atingiu. Dee resolveu este
problema dividindo o trabalho entre duas pessoas. Uma delas (Kelly) pode se
entregar totalmente ao processo psiquico transcedental e descreve tudo em
voz alta enquanto que outra mantêm a lucidez normal e consegue fazer
anotações, comparar resultados e documentar tudo de maneita organizada.
Com este processo Dee registrou uma série de tábuas divididas em grades
formando quadrados. Cada um destes quadrados possuia uma letra em seu
interior. Estas letras formavam o alfabeto de uma linguagem nunca antes
vista. Essa linguagem era a chave para se entrar em contato com seres de
regiões mais sutis da existência. Estas regiões estavam também representadas
pelas tábuas, que continham ainda nas suas letras os nomes das entidades que
as dominavam e habitavam. Em outras palavras estas tábuas seriam mapas dos
mundos invisiveis que rodeiam o mundo cotidiano, com elas Kelly explorava um
mundo completamente novo. A linguagem e o sistema receberam o nome
Enoquiano pois segundo as entidades contatadas tratavasse do mesmo
conhecimento que o Enoch bíblico (também identificado com Hermes) recebeu em
sua época antes de ser elevado aos céus em vida.

A expansão da Golden Dawn
O sistema enoquiano foi desde então usado por diversos ocultistas, com
destaque para os adeptos da Hermetic Order of the Golden Dawn , a Ordem
Hermética da Aurora Dourada, que floresceu no século XIX também na
Inglaterra. A estes ocultistas devemos uma grande expansão do sistema
enoquiano, pois náo apenas invocavam as entidades cujos nomes estão escritos
nas tábuas como também viajaram no que chavam de Corpo de Luz pelas regiões
mapeadas pelos quadrados e registraram suas experiências de uma maneira
bastante precisa. Numa certa altura da existência da ordem estas viagens
tornaram-se um problema entre os membros que literalmente se viciaram nelas
como quem se vicia a alguma espécie de droga.
Sob a direção de MacGregor Mathers a Golden Dawn refinou o sistema
descoberto por John Dee explorando campos que seu descobridor original não
tinha imaginado. Provavelmente a maior conquista de MacGregor e cia foi
encontrar uma organização por trás dos quadrados. Ele ensinava um sistema
no qual elementos eram designados aos quadrados (Terra, Água, Ar, Fogo e
Espírito) e isso permitiu conectar o sistema enoquiano com correspondências
cabalisticas e astrológicas. Cada letra enoquiana possui por exemplo uma
letra hebraica equivalente, e portanto uma carta do Tarot:
 
Fonema Zodiaco/Elemento Tarot
A Touro Herofante
B Aries Estrela
C,K Fogo Julgamento
D Espírito Imperatriz
E Virgem Hermitão
F Cauda Draconis Mago
G Cancer Carro
H Ar Louco
I,J,Y Sagitário Temperança
L Cancer Carro
M Aquário Imperador
N Escorpião Morte
O Libra Justiça
P Leão Força
Q Água Enforcado
R Peixes Lua
S Gêmeos Amantes
 
Uma vez enxergados um padrão emana das tábuas revelando que uma ordem maior
prevalece na estrutura de todos os planos de existência.
 
A exploração Crowleyana
Posteriormente outro avanço no sistema enoquiano ocorreu com Aleister
Crowley, ex-membro da Golden Dawn e líder da Ordo Templi Orientis. Durante
suas viagens pelo México e Argélia Crowley se dedicou a uma séria intensa de
invocações e registrou suas viagens pelos 30 Aethrys e cuidadosamente
documentou suas experiências em seu livro "The Vision and the Voice." Este
livro de caráter profético explica diversos pontos da magia ritual e da
formação do mago.
A descrição feita por Crowley é impressionante pela beleza com que descreve
estes planos paralelos. Apesar de sua leitura difícil nele encontramos não
apenas um guia de viagens pelos mundos enoquianos, mas também detalhes da
iniciação mágica, incluindo uma versão diferente do famoso ritual de
Abramelim e uma explanação da estrutura aeonica thelemita.
 
Enoquiano Pós-Moderno
Diversos autores tem explorado o sistema enoquiano desde Crowley. Anton
LaVey causou polêmica nos anos 1960 ao publicar uma versão satanicamente
inspirada das chaves enoquianas e assumindo de vez que as entidades
invocadas deviam ser vistas sob um ponto de vista sinistro. Nas décadas
seguintes houve uma certa popularização do sistema no meio ocultista e o
tema foi abordado por diversos autores. Dentre estes podemos recomendar a
leitura das obras de Lon Milo DuQuette e Donald Tyson, ambos interessados em
tornar o uso do sistema mais acessível aos praticantes de primeira viagem.
No campo da inovação o destaque deste período fica sem dúvida para o casal
Gerald Schueler e Betty Schueler que dominaram as ferramentas tradicionais e
exploraram campos novos como um tarot genuinamente enoquiano e uma série de
posturas corporais enoquianas semelhantes a yoga. Mais recentemente já no
século XXI tivemos o Projeto EnoquiONA, trabalho ousado de Alektryon
Christophoros relacionando as letras do alfabeto enoquiano com os deuses
sombrios e os arcanos sinistros da organização satanista tradicional Order
of Nine Angles.
Esta nova geração busca o desapego do sistema iniciado pela Golden Dawn que
chegou ao seu apice com crowley e defendem o desenvolvimento da técnica
enoquiana pura sem a "poeira qabalistica/astrologica". Dentre estes outro
pesquisador que merece destaque pelo seu trabalho é Benjamin Rowe, que
produziu uma série de experimentos avançados com magia enochiana. Rowe
estabeleceu alguns experimentos importantes, como o Comselha e a construção
de templos enochianos baseada na visão espiritual.
Aqui no Brasil, o destaque fica para o Círculo Iniciático de Hermes que é o
único grupo que coloca oficialmente o enoquiano como prática principal do
grupo incluindo uma série de rituais próprios, técnicas de scrying,
iniciações, armas e rituais de proteção além dos tradicional ritual do
pentagrama. Não apenas isso mas o CIH propõe ainda uma versão enoquiana para
visão e conversação com o Sagrado Anjo Guardião.


Conclusão
As contribuições de todos estes ocultistas são importantes de se destacar.
Num primeiro relance o estudante pode achar que o sistema enoquiano é algo
pronto simplesmente para se usado. Mas a verdade é que o sistema está tão
pronto quanto estão prontas a música e a medicina. Ele pode e deve ser
expandido e suas fronteiras alargadas. As técnicas usadas por todos os
ocultistas citados neste artigo para conseguir seus materiais inéditos foram
muitas, mas em geral envolvem o uso do cristalomancia, da projeção do corpo
de luz e da invocação das entidades para recebimento de conhecimento oculto.
Todos estas são ótimas ferramentas de exploração para quem quiser ir além e
ver com os próprios olhos até onde voam os anjos. O sistema enoquiano é uma
forma de exploração das realidade sutis e é portanto um universo em expansão
com muito para ser explorado. Muitos caminhos realmente já foram descobertos
pelos que vieram antes, mas muitos ainda aguardam seus descobridores. Quem
sabe o próximo não pode ser você?

Ritual Menor do Hexagrama


Este ritual deve ser feito após o Ritual menor do Pentagrama.

1. Vire para o Leste. Em pé, com os pés juntos, braço esquerdo ao lado do corpo, braço direito levantado na transversal através do corpo, segurando o bastão ou outra arma mágica apontando para cima e diga:

I.N.R.I.
Yod, Nun, Resh, Yod.
Virgem, Isis, Mãe Poderosa.
Escorpio, Apophis, Destruidor.
Sol, Osiris, Morto e Ressucitado.
Isis, Apophis, Osiris, IAO.


2. Faça o sinal de Osiris na Cruz:

e diga,"O Sinal de Osíris Morto."



3. Faça o sinal de Ísis:

 e diga: "O Sinal do Luto de Ísis".


4. Faça o sinal de Tifão:

 e diga: "O Sinal de Apófis e Tifão"



5. Faça o Sinal de Osíris Ressuscitado:

e diga: "O Sinal de Osíris Ressuscitado"


6. Estenda novamente os braços como em (3) e cruze-os novamente como em (6) dizendo:" L.V.X., Lux, a Luz da Cruz "


7. Ainda de frente para o leste,com a arma mágica trace o Hexagrama do Fogo Invocando:

dizendo: ARARITA [1].


8. Circule no sentido horário para o quadrante Sul;


9. Trace o Hexagrama da Terra Invocando:

 dizendo: ARARITA.


10. Circule, no sentido horário, ao quadrante Oeste;


11. Trace o Hexagrama do Ar Invocando:

dizendo: ARARITA


12. Circule, no sentido horário, para o quadrante Norte;


13. Trace o Hexagrama da Água Invocando:

dizendo: ARARITA.

14. Repita de 1 a 6.

O Ritual de Banimento é idêntico, salvo as direções dos Hexagramas que devem ser invertidas.

 

Notas:

[1] Esta Palavra consiste das iniciais de uma sentença que significa: " Um é o seu início; Uma é sua Individualidade; Sua Permutação é Una ".








Ritual Menor do Pentagrama

O Ritual Menor do Pentagrama (algumas vezes abreviado como "RmP") é um ritual fundamental da magia cerimonial. Ele foi originalmente ensinado pela Hermetic Order of the Golden Dawn (Ordem Hermética da Aurora Dourada) como um ritual de banimento.

Propósito

"A primeira tarefa dum Magista em toda cerimônia é consequentemente tornar seu Círculo absolutamente impenetrável." - Aleister Crowley

Um banimento é geralmente efetuado antes do início de um ritual mágico. Isto tenciona limpar a área do ritual – tanto faz ser um quarto ou um círculo mágico - de todos aqueles elementos que possam interferir na operação mágica. O Banimento consiste em remover todos os objetos de um lugar de trabalho para por dentro deste espaço reservado aqueles objetos que sejam pertinentes à operação.
Em cerimônia elaboradas, o Magista pode optar por banir todos os elementos (Ar, Terra, Fogo, Água, & Espírito), os planetas, os signos do zodíaco, espíritos, formas-divinas e até mesmo as dez Sephiroth. Inclusive as forças que serão invocadas são banidas. Como diz Crowley , "porque esta força como existe na Natureza é sempre impura".
Rituais de banimento também podem ser executados como finalidade em si. Isto pode ser feito por vários motivos – limpeza astral, para limpar um cômodo ou casa, para eliminar energias negativas ou indesejadas ou simplesmente para acalmar e balancear a mente. Vários magistas praticam rituais de banimento diariamente.

O Ritual

1. Tocando a testa diga Ateh (A Ti),
2. Tocando o peito diga Malkuth (O Reino),
3. Tocando o ombro direito, diga ve-Geburah (e o Poder),
4. Tocando o ombro esquerdo, diga ve-Gedulah (e a Glória).
5. Una as mãos sobre o peito, diga le-OLAHM, AMEN (Para sempre, Amen) [1].
6. Vire para o Leste, faça um pentagrama de banimento da Terra com a arma própria [2]. Diga (i.e. vibre):



(pronuncia: Ie-Ho-VaH)



7.Vire para o Sul, o mesmo, mas diga:

(pronuncia: ADoNaI).



8.Vire para o Oeste, o mesmo, mas diga:

(pronuncia: EHeIeH).



9.Vire para o Norte, o mesmo, mas diga:

(pronuncie: AGLA).


10. Estendendo os braços em forma de uma cruz diga:
11. Diante de mim Raphael;
12. Atrás de mim Gabriel;
13. Na minha direita, Michael;
14. Na minha esquerda Auriel [3];
15. Pois ao meu redor flamejam os Pentagramas,
16. E na Coluna fica a Estrela de Seis raios [4].
17. Repita 1 ao 5, a Cruz Qabalística.

Notas:

 

[1] Referem-se, de 1-5, à Cruz Qabalística. De fato, o Magista indica os três pilares da Árvore da Vida sobre seu corpo. Isso afirma a identidade do Magista como uma representação microcósmica de Deus e anuncia este fato ao mundo.

[2] Geralmente a Vara, mas pode-se usar o dedo indicador.

[3] Os Nomes Divinos, de 6-14, foram tirados de fontes tradicioniais qabalisticas; IHVH, o Tetragrammaton; ADNI, frequentemente traduzido como “Senhor”, usado como um sinônimo para o Sagrado Anjo Guardião (S.A.G.); AHIH, “Eu sou”. AGLA é um notariqon de “Ateh Gibor Le-Olahm Adonai” (Tu és poderoso para sempre meu Senhor). Esses nomes governam seus respectivos Arcanjos; Raphael (Deus tem curado); Gabriel (Deus é minha força); Michael (que é como Deus); e Auriel (luz de Deus). Esses Arcanjos, por sua vez, regem uma hoste de Anjos e entidades espirituais dos Elementos menores ainda.

[4] O Hexagrama. "Ele flameja tanto acima quanto abaixo do magus, que está então em um cubo de 4 pentagramas e 2 hexagramas, 32 pontos ao todo" — The Palace of the World, Aleister Crowley. Criando os quatro pentagramas nos quadrantes e posicionando os quatro arcanjos para ficarem como guardiões, o(a) Magista sela o círculo e cria um novo ambiente mágico. O microcosmo (o "pequeno" mundo de cinco) é agora mantido distânte, fora e além. Um vácuo é formado dentro do círculo (que tornar-se uma coluna extendendo-se infinitamente para cima e para baixo). Como Magia e a Natureza odeiam vácuos, esse ambiente é imediatamente preenchido pela irrupção (invasão) do macrocosmo (o "grande" mundo de Seis, representado pelo hexagrama). É dessa posição superior que o(a) Magista estabelece estabelece o trabalho.