segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

SOBRE OS GRIMÓRIOS...

"Grima" é uma palavra já obsoleta, cujos significados são: "sentimento de agressividade, rancor ou frustração, ódio e raiva.Sua etimologia provável é “grimms", do gótico, 'horrível'. Daí talvez provenha a palavra "grimório", pois os grimórios, ou grimoires, eram livros de encantamentos, rituais mágicos, de natureza, aparentemente, religiosa, que reuniam fórmulas para fazer contato, invocar e escravizar demônios ou outras criaturas do Umbral.

A palavra portuguesa "engrimanço" (ou ingrimanço) tem o sentido de confusão no falar, linguagem arrevesada, artimanha. Viria do francês arcaico “i
ce" ou (ingromance), de mesmo sentido, sendo considerada alteração ou deformação de nigromancia, feitiçaria.

Quanto à etimologia, bem poderia ser uma mistura dos dois vocábulos...
A maior coleção de grimórios que se conhece, são manuscritos sobre pergaminho, do acervo da Biblioteca do Arsenal, em Paris. Estes manuscritos têm sido copiados pelos historiadores e estudantes de bruxaria, principalmente do século XIX em diante.

Os grimórios que circularam durante a Idade Média, geralmente eram livrinhos cheios de ilustrações simbólicas, mas que continham prescrições e ladainhas satânicas.

Na sua maioria, datam do século XVI ao XVIII, embora os seus compiladores afirmassem (e jurassem, se preciso fosse) que os seus conteúdos se baseavam em textos mui arcaicos, de preferência hebraicos, caldaicos ou egípcios...

Não pretendemos entrar no mérito da questão, pois algumas seitas ocultistas bem conhecidas, usam muita coisa “emprestada” dos velhos grimórios medievais. 
 
Entre os mais conhecidos grimórios, destaca-se a Clavícula de Salomão, que parece apoiar-se substancialmente na astrologia e na cabala, e contém instruções, minuciosas e pormenorizadas, para a invocação de anjos e demônios.

O"Grand Grimoire", embora pretenda ser uma transcrição direta de escritos salomônicos sobre o oculto, parece ter sido baseado principalmente em Agrippa, muito mais recente, e inclui até mesmo uma divertidíssima receita, bem faustiana, para estabelecer um pacto infalível com o Diabo.

Circulou também o “Grimório de Honorius, o Grande", o que, na verdade, parece ter sido uma difamação, pois este papa viveu no século XIII, e acredita-se que o tal grimório tenha sido cmposto tardiamente, já no século XVI.

Entretanto, o "Honorius", utilizava elementos extraídos da missa católica, em suas instruções para pactuar com o Diabo.

Esta preferência por papas, poderia ser explicada como uma forma de legitimar a magia por personagens poderosos, além de “valorizar” as receitas e, é claro, o livro... Os papas mais visados foram Leão, o Grande, e Silvestre II, qualificados de grandes magos. 

Outro grimório super famoso é o chamado "Os Segredos do Inferno, copiado de um manuscrito do século XVI. Este tornou-se um clássico da literatura infernal e trata dos pactos com os Diabos, mas também da pedra filosofal.

Citamos ainda o "Enchiridion Leonis Papae", ou seja, "Manual do Papa Leão", que contém orações misteriosas, supostamente enviadas pelo Papa Leão, como presente ao Imperador Carlos Magno.
Até hoje, estes livrinhos são muito populares e, volta e meia, aparece um deles nas livrarias comuns, compilado por algum doutíssimo erudito, apesar de nada se poder afirmar sobre sua autenticidade. Um bom exemplo disso, por aqui, é o "Livro Vermelho e Negro de São Cipriano"

Nenhum comentário:

Postar um comentário